quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Desemprego



Completamente ao arrepio da propaganda de Sócrates, do seu Governo e do partido que o suporta (há mesmo quem apoie para além de suportar... ), aí temos a taxa de desemprego nos 10,2 por cento, isto segundo números de Outubro que devem, entretanto e infelizmente, ter subido. Acima da média europeia, acima da média da zona euro. A mostrar que a crise internacional não explica tudo. A mostrar a grande urgência de “medidas extraordinárias” de combate ao desemprego. A mostrar o acerto de quem exige o alargamento do acesso ao subsídio de desemprego a um maior número de desempregados, porque é justo!, porque é uma questão humanitária e de solidariedade social!, porque um tão grande número de cidadãos sem poder de compra arrasta consigo na queda a já frágil produção interna, o pequeno comércio, as pequenas empresas, a coesão e equilíbrio das famílias e das comunidades.

Uma tal divergência entre o que foi a propaganda do poder a caminho das eleições e a realidade, mostra-nos claramente que somos governados por:

Alínea A- Mentirosos compulsivos.
Alínea B- Escroques e vulgares trafulhas (bem... pelo menos alguns...).
Alínea C- Absolutos incompetentes.

Por mim, ficava com as três alíneas... mas por especial atenção para com os “seguranças pessoais” de Sócrates e do seu Governo que têm por tarefa vir aqui de vez em quando “colocar-me no meu lugar”, deixo-os escolher a alínea que mais lhes agradar... na certeza de que alguma há-de ser. Como ainda há poucas horas fui aqui apostrofado por um desses “seguranças”, enquanto estiver em convalescença não me comprometo com nenhuma das três classificações.

Felizmente, esta gente já não goza de uma maioria absoluta... embora ainda se sinta no direito de gozar connosco.

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Diplo-Macia



Hoje foi um dia cheio de agitação, direi mesmo, algum frémito.

Logo de madrugada, senti o quarto estremecendo-se de emoção... e logo mais vi que era toda a casa, a cidade, o país, a Europa. Tratava-se da "aberração democrática", também conhecida por Tratado de Lisboa a entrar. Em vigor!

Horas depois, os líderes de Portugal, Espanha e alguns países da América Latina, conseguiram assumir uma “posição firme” sobre a fantochada das eleições nas Honduras, que lhes foi impingida pelos EUA... não falando dessas eleições. De uma forma que se pode considerar temerária, “condenam” o golpe de estado e reconhecem a legitimidade do Presidente Zelaya, derrubado por esse golpe... até ao fim do seu mandato... e mais blá, blá... e mais os direitos...

É a hipocrisia e a politiquice no seu melhor, no seu estado mais mole, castanho e fumegante.

Por fim, hoje é também o Dia da Restauração. Estão portanto de parabéns todos os profissionais de pastelarias, leitarias, cafés, senéques, restaurantes... e similares.

Para celebrar tudo isto estoiraram-se em poucas horas alguns milhões de euros. Abençoado dinheiro!

Democratas de fancaria



Está aberto o precedente e inaugurada uma nova etapa da tão propalada “mudança” nas políticas da Casa Branca, sob o “Efeito Obama”.

A partir de agora, sempre que os EUA idealizarem, desenharem, financiarem e garantirem apoio logístico a um golpe de estado em qualquer país da América Latina, ou em qualquer parte do mundo, em vez de esconderem ou admitirem o crime, conforme as conveniências, como faziam antes, passarão a brindar a comunidade das nações com um espectáculo idêntico ao que levaram à cena agora, nas Honduras, fazendo passar por idiotas (menos aqueles que não deixarem, claro!) os povos e dirigentes de todos os países do globo.

A partir de agora, sempre que, tal como nas Honduras, os EUA idealizarem, desenharem, financiarem e garantirem apoio logístico a um golpe de estado, para derrubar um governo legítimo que não lhes agrade e substituí-lo por um fascista qualquer, como Micheletti, ou um grupo de fantoches que tenham na mão, o modus operandi será mais ou menos este:

1. Criar, financiar e ajudar a executar o golpe, afastando o Governo ou Presidente indesejado, substituindo-o por um qualquer lacaio.

2. Declarar publicamente que “condenam” o golpe, mostrando “grande preocupação”.

3. Não fazer nada para que a legalidade seja reposta.

4. Se o Presidente legítimo deposto mostrar grande resistência e gozar de forte apoio popular, começar a insinuar que essa resistência e apoio popular é que são os culpados pela “tensão” no país.

5. Encenar umas “negociações” que não levem a nada, propondo de imediato a realização de “eleições livres” em que o Presidente legítimo não possa participar.

6. Fazer ganhar o candidato dos golpistas.

7. Apoiar publicamente o “novo presidente” e dar vivas à “democracia”.

8. Esperar que a comunidade internacional, uns por interesse, outros por pura cobardia, aceitem esta farsa como acto eleitoral.

9. “Incentivar” fortemente os indecisos a darem o seu “apoio”.


Apenas uma pergunta paira nos corredores do poder da Casa Branca:

- Será que ainda conseguimos continuar a "enganar" milhares de fazedores de opinião, por esse mundo fora?

- Yes, we can!

segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Cimeira Ibero-Americana




Gostaria de poder pensar que alguém vai realmente ganhar alguma coisa com mais esta cimeira de (alguns) países ibero-americanos... para além de uns tantos empresários profissionais de cimeiras, alguns donos de hoteis de alto luxo, com as suas suites obscenas de milhares de euros por noite, os fornecedores de almoçaradas e jantaradas, etc., etc.

domingo, 29 de Novembro de 2009

Os pastores de Virgílio





Os pastores de Virgílio tocavam avenas e outras coisas

Os pastores de Virgílio tocavam avenas e outras coisas
E cantavam de amor literariamente.
(Depois — eu nunca li Virgílio.
Para que o havia eu de ler?)

Mas os pastores de Virgílio, coitados, são Virgílio,
E a Natureza é bela e antiga.

12-4-1919
“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa.

sábado, 28 de Novembro de 2009

Detergentes




Num canal temático de televisão dedicado aos documentários de viagens e que vejo com alguma frequência, uma jovem simpática e comunicativa apresentava-me a grande cidade de Madrid. A coisa ia muito bem... até que a apresentadora decidiu dar uma pincelada de História sobre as imagens da bonita “Plaza Mayor”, contando-me que aquele ambiente moderno, cheio de juventude e esplanadas coloridas, nem sempre foi assim. Segundo ela, durante a Inquisição Espanhola, que durou quase 400 anos (uma bagatela, digo eu...), os cidadãos que não fossem bons católicos “arriscavam-se” a serem presos, acusados de bruxaria ou heresia, acabando por virem parar a esta praça... onde eram “humilhados” (???)

Não tenho dúvidas de que para qualquer “não-bom-católico”, ser atado a um poste, com uma fogueira por baixo, para ser queimado vivo e em público, devia ser uma situação, se não humilhante, pelo menos bastante “embaraçosa”.

E é assim, mesmo sem querer (ou não...), que se vão passando esponjas com detergentes branqueadores sobre este e outros passados incómodos, ao mesmo tempo que, nos mesmíssimos programas de entretenimento, em relação a outras realidades passadas (ou presentes), sobretudo quando isso “rende” e serve os objectivos da política dominante, se carrega tragicamente nas cores escuras, nos adjectivos e nos números.

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Face oculta




Uma face oculta não tem obrigatoriamente que ser medonha. Milhares de pessoas vivem “ocultas” no seu anonimato, discretamente, solidariamente trabalhando para os outros sem que se saiba, sem alarde, com passos seguros e impolutos... e a cada dia que passa, mais limpas e mais belas.

O contrário da corrupção oculta não é a demagógica e estridente propaganda de “princípios, valores e transparência”, mas sim a serena lisura de procedimentos e firmeza de convicções que não precisam de anúncio público.


quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Berlusconi - Roling Stone – Rockstar



Uma revista dedicada ao mundo (e, pelos vistos, submundo) do espectáculo, a famosa “Roling Stone”, mais propriamente, a sua sucursal italiana, decidiu atribuir a Sílvio Berlusconi, o protofascista que dirige o governo italiano, o título de “Rockstar 2009”. Segundo dizem, pela sua personalidade e atitude de roqueiro.

Eu sei que este episódio caricato não explica nem justifica tudo o que se passa na vida das “superstars” por esse mundo fora, mas estou convencido de que uma boa parte daquilo que de mais estranho e negativo acontece na vida desses milhares de artistas, por vezes, pouco mais que adolescentes deslumbrados e com muito dinheiro, prende-se com o facto de uma boa parte dos órgãos de comunicação social especializados no tal mundo do espectáculo, mesmo alguns dos mais famosos, que teriam por missão divulgar e proteger os conteúdos e o génio criativo, gerindo de forma equilibrada o excesso e o acessório, mas que acabam por fazer exactamente o oposto, serem, afinal, dirigidos por idiotas. Em alguns casos, idiotas perigosos...

Este “passo” dado pela “Roling Stone” italiana, esta glorificação e vulgarização de um fenómeno mediático profundamente abjecto, tanto em termos políticos como humanos, é um bom exemplo disso mesmo!

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

A “verdade”, essa grande trapalhona!



Segundo o próprio Vítor Constâncio, quando há dias ele disse que seria necessário tomar medidas “no lado da receita”, o que, partindo do princípio de que o Ministério das Finanças não se financia organizando tômbolas e rifas, quer fatalmente dizer subida de impostos... a verdade é que afinal, nem disse, nem sugeriu, nem defendeu...

... e depois, foi com o coelhinho, o soldadinho, o ursinho e o palhaço ao circo... embora francamente me pareça um pouco cedo para “Fantasias de Natal”.

Vá lá! Política, só nas homilias... em vésperas de eleições... e como manda "O Senhor"!



Cumprindo o que estava anunciado, o Bispo do Porto, Manuel Clemente, esteve em Espinho, discursando nas Jornadas Parlamentares do PSD. Sim... e depois? – perguntam alguns de vocês. Depois, nada... é apenas um poucochinho estranho, se nos lembrarmos do ar perfeitamente convencido com que há dias a Conferência Episcopal declarava querer os padres fora da política. A menos que...

1. A menos que a veemente recomendação se aplique apenas aos praças e demais pessoal menor do exército da Igreja, podendo os seus “príncipes” e generais fazer política à vontade.

2. A menos que se trate de uma verdadeira emergência. Nesses casos, como por exemplo, o perigo do comunismo, um padre não só tem direito, como deve ingressar em grupos terroristas ou redes bombistas, começando a assaltar, incendiar e assassinar... tudo na graça de “deus”, como bem nos ensinou o saudoso cónego Melo.

3. A menos que a Conferência Episcopal Portuguesa ache que aquilo que se passa hoje em dia no PSD não é bem política... o que, convenhamos, até faz bastante sentido.

Agora a sério, a verdade é que a desejável separação entre a Igreja e o Estado, se não visa transformar os não religiosos em inimigos da Igreja, tão pouco deve servir para transformar padres, freiras e demais religiosos, em cidadãos de segunda, sem acesso pleno aos seus direitos políticos e à liberdade.

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Insuficiências RENais



O gestor da REN, José Penedos, assim que se viu envolvido no caso “Face Oculta”, processo em que é um dos arguidos, tratou de encomendar uma espécie de auditoria à Deloitte, grande, conhecida e internacional empresa da especialidade.

O relatório aí está. A Deloitte não detecta crimes públicos na REN. Fico muito mais descansado! Entretanto, admite que "Todavia, foram assinaladas insuficiências dos procedimentos internos de contratação, em particular no plano dos critérios de selecção das modalidades de adjudicação e dos processos de tomada de decisão interna.” Aqui a porca já começa a torcer o rabo. Então muitos dos problemas que alegadamente, supostamente, hipoteticamente, poderiam envolver fumos de corrupção, não se ligavam exactamente aos “critérios de selecção das modalidades de adjudicação”, traduzindo, favorecimento de A em detrimento de B ou C e “dos processos de tomada de decisão interna”, traduzindo, falta de imparcialidade e transparência?

De qualquer modo, como quero muito ficar descansado, vou partir do princípio de que esta coisa das “insuficiências” é apenas um floreado de linguagem e que tudo está muito bem.

Como estava no Hospital de Santa Maria, onde depois daquela trágica troca de medicamentos que cegou vários pacientes, a auditoria, comentando a prática de manuseamento e distribuição dos medicamentos, apenas encontrou “não conformidades críticas”.

Como estava no BCP, quando no auge das desconfianças que levariam à queda de Jardim Gonçalves e mais tudo o que se sabe, o representante do Banco de Portugal, António Marta, depois de estudar as actividades daquele grande banco privado apenas encontrou “fragilidades do ponto de vista prudencial”.

Como a Autoridade da Concorrência, que quando foi chamada a investigar o facto de os preços dos combustíveis serem cópias uns dos outros e todas as gasolineiras fazerem subir e descer os seus preços da mesma maneira e com o mesmo timing, no que parecia uma bela imitação de cartelelização, apenas detectou "um paralelismo de comportamentos, quer pelas empresas petrolíferas, quer pelos operadores independentes".

Portanto, vou apenas presumir que todos estes auditores estudaram "português técnico" pela mesma cartilha e que, como já disse, tudo está muito bem.

Vítor Constâncio – Proposta miserável!




Se Portugal fosse um país que tivesse uma razoável independência nacional, política, económica e monetária, o cargo de Governador do Banco de Portugal seria da maior importância para a definição dessa política, no equilíbrio internacional dos câmbios, estabilidade da moeda, etc., etc. Por outro lado, o Governador, em condições normais, deveria exercer uma vigilância apertada sobre a banca e demais instituições financeiras, que, deixadas à solta, já se viu do que são capazes.

Desgraçadamente o Governador do Banco de Portugal não está, por força da União Europeia e da Moeda Única, em condições de garantir essa independência e tem feito a supervisão que lhe caberia com a miserável eficácia que se conhece, o que faz de Vítor Constâncio, enquanto Governador do BdeP, um inútil e um incompetente. Mais precisamente, o inútil incompetente mais bem pago do país.

Pele enésima vez aí o temos a decretar a contenção salarial. Para além de afirmar que, dado a inflação prevista não passar de 1, ou 1.5 por cento, os salários não poderão subir para além desses números... e ter a pouca vergonha de chamar a essa mera indexação aumentos salariais, tem ainda a desfaçatez de defender que na função pública nem o 1 por cento deve ser concedido.

Terá noção da surda desmotivação, revolta e desencanto que isso provoca em milhares de funcionários públicos e nos restantes trabalhadores, sobretudo aqueles com mais baixos salários, depois de anos seguidos a perder poder de compra?

Terá noção de quantos milhares de funcionários públicos e outros trabalhadores ganham apenas 500 euros mensais (muitos, ainda menos), sendo que um “aumento” de 1 por cento lhes dará a fortuna extra de mais 5 euros por mês?

Terá noção de que o seu fausto vencimento no Banco de Portugal daria para custear esse extraordinário “aumento” de 1 por cento a mais de 4.000 trabalhadores, todos os meses... ainda lhe sobrando dinheiro para viver desafogadamente?

Terá noção do asco?

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

João Paulo II - O distúrbio da autoflagelação



A fazer fé no que diz um dos jornais de referência das tascas, cafés e similares, o Papa João Paulo II, ou melhor, o senhor Karol Wojtyla, tinha por hábito vergastar-se para expiar os seus pecados. A informação terá sido dada por uma freira polaca às pessoas encarregadas de recolher elementos que levem à beatificação daquele cidadão, igualmente de nacionalidade polaca.

Primeiro, não sei se considere esta, como a notícia mais inútil do dia, ou se trate de entrar no espírito medieval dos castigos corporais e tente imaginar o Sumo Pontífice vergastando-se assaz, enquanto lá fora se ouve o estreloiçar das espadas, lanças e escudos dos cavaleiros, uns apenas treinando para o próximo torneio, enquanto outros partem para as cruzadas.

Segundo, já que esta tara da auto flagelação não tem tendência a desaparecer, havendo até muitos grandes empresários, gestores e outros figurões da Opus Dei que depois de dedicarem 23 horas e quarenta e cinco minutos do seu dia a lixar os outros, reservam 15 minutos para se lixarem a si próprios, porque é que estas pessoas não assumem de vez o sadomasoquismo e como qualquer outro tarado sexual, contratam as profissionais do ramo para lhes darem as vergastadas, apertarem os cilícios, cravarem-lhes os saltos altos agulha em certas e determinadas partes... e tiram isso do sistema de vez?

Cavaco Silva – Finalmente a prova de que há "escutas" no Palácio de Belém



Tanto este título como a imagem escolhida para o ilustrar, são uma espécie de fuga à tentação de dizer a sério o que penso de um Presidente da República acossado pela verdadeira enxurrada que arrasta tantos dos “sociais-democratas” seus ex ministros, ex colaboradores e amigos, à mistura com tantos outros “socialistas” que de cima a baixo da escala do poder chafurdam na lama da corrupção, dos crimes de colarinho branco, dos cargos à medida, das estórias mal contadas, das conivências e coincidência de interesses do “centrão”, das ordens manhosas para destruir escutas, dos sucessivos e jeitosos arquivamentos de processos, das suspeitas de pressões sobre jornais e televisões, etc., etc., etc.

Está de tal maneira acossado que subitamente tem necessidade de andar por aí, em escolas secundárias, publicitando alto e bom som os maravilhosos e impolutos princípios e valores morais, como a educação, a honradez, a honestidade e o falar verdade, que alegadamente lhe foram deixados pelos seus pais.

Não duvido da preciosa herança que os pais de Aníbal Cavaco Silva lhe terão querido deixar, mas é patético ver o Presidente possuído por este pânico real de que isso possa não se notar...

domingo, 22 de Novembro de 2009

Ary dos Santos - E agora, então, uma coisa boa...



Quanto mais não fosse para não deixar este domingo entregue a uma figura histórica tão “soarez”, demos um salto à Rua da Saudade, lembrando um amigo, que para além de ir “morrendo aos poucos de ternura” ainda tinha tempo e forças para ser o enorme autor de canções que foi e, de todos nós, o que melhor cantou Abril. José Carlos Ary dos Santos.

Ainda bem que, independentemente dos estilos e do “acerto” com que é feito, agora é uma coisa tão natural pegar nas canções de uma grande figura que já nos tenha deixado e trazê-las para o nosso convívio, vestidas de novo, cantadas de fresco.

Desta vez foi o produtor Renato Jr. que resolveu atirar-se de cabeça a uma bela selecção de canções do Ary, quando se assinala a passagem dos 25 anos da sua morte. Para as cantar, convidou a Luanda Cozetti (Couple Coffee), a fadista Mafalda Arnauth, a “roqueira” Viviane e a cantautora Susana Félix. Pelo que já ouvi do trabalho, a minha adesão a cada uma das faixas, opções de arranjo musical e de reinterpretação é, digamos, bastante desigual... o que não é grave, visto o disco não ter sido criado para mim em particular, estar muito bem feito e produzido, ser, decididamente, um disco a comprar e ouvir e, para o que interessa ao post de hoje, esta versão da “Canção de madrugar” ser a melhor que ouvi nos últimos (muitos) anos.

Tal como nas suas próprias canções, quanto a mim do melhor que se está a fazer na música ligeira portuguesa, a serena intensidade da voz e da “atitude” da Susana Félix é um grande trunfo deste vídeo, também ele, feliz.

Bom domingo!

"Canção de madrugar" - Susana Félix
(Ary dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes)

Mário Soares – Bobo da cortelha


(Isto não é uma tentativa de vazer com que Soares tenha graça. Não tem! Foi apenas um pretexto para treinar no "Photoshop")

Ao mesmo tempo que os agentes da justiça, não por acaso aqueles que melhor se têm comportado neste triste caso “Face Oculta”, em Aveiro, requerem para o processo a classificação de “especial complexidade”, com o objectivo de conseguirem gerir uma investigação com tantos implicados e sobretudo, com tal “visibilidade”, o inesquecível Mário Soares, vem à dobra dos mastins do PS que já se encarregaram de insultar e enxovalhar publicamente a justiça e os seus profissionais, classificando um caso de simples corrupção e banditismo de colarinho branco como “espionagem política”. Vem à dobra, para dar o seu contributo de entendido na matéria, classificando todo o caso como “um caso comezinho”.

Entende-se perfeitamente que quanto mais se desviarem as atenções do que se passou realmente, ora desvalorizando tudo, como Soares, ora mudando o objecto das suspeitas, como pretendem o fiel Vieira da Silva, o caceteiro Augusto Santos Silva e outros, ao chamar ao caso “verdadeira espionagem política”, ou “tentativa de assassínio do carácter de Sócrates”, mais ficará a salvo (no seu pobre entendimento) a imagem do Partido Socialista e do chefe. O grande problema é que o truque é já muito evidente, começando a aguerrida “defesa” a produzir exactamente o efeito oposto ao pretendido. Ficam duas ideias:

1. Depois de anos de estórias tão mal contadas e nunca esclarecidas, envolvendo precisamente aspectos do carácter do Primeiro Ministro, vir falar em “tentativa de assassínio de carácter”, faz tanto sentido como condenar a “caça aos gambuzinos no período de defeso”.

2. Ao contrário de outras figuras públicas igualmente deploráveis, mas que com o passar dos anos vão vendo amenizar-se no esquecimento colectivo os erros que cometeram, Mário Soares, quase diariamente, acrescenta motivos para que milhares de portugueses se lembrem dele...

sábado, 21 de Novembro de 2009

Uma noite na ópera



Há muitos anos, em Lisboa, estava Vasco Santana acompanhado por alguns companheiros do teatro, esperando na estação de Santa Apolónia pelo regresso do (então jovem) Henrique Santana, que tinha ido ao Porto para tratar de alguns pormenores da tournée da companhia teatral ao Norte.

Durante a espera foi “descoberto” por um admirador que resolveu meter-se com ele. “O senhor Vasco Santana está um bocado mais gordinho!” todos tentaram disfarçar... “É que está mesmo! Veja-me só esta bela barriguinha...” e Vasco Santana, não podendo fugir mais ao assunto nem ao admirador, “O que é que hei-de fazer, meu amigo... estou à espera de um filho!...”

É exactamente o que responderei se alguém resolver implicar com a minha barriguinha, esta noite, enquanto estiver à espera que um dos meus filhos, que foi convidado há pouco tempo a entrar para o Coral de São Domingos, faça a sua estreia absoluta e mundial... neste espectáculo de Ópera.

Mas agora, barriguinhas à parte, é ou não é interessante esta cadência de programação cultural em Montemor-o-Novo?

Luís Figo (rante)?




A forma tão pouco escrupulosa com que uns e outros lidam com o segredo de justiça, por um lado, ou o teor das notícias, por outro, levam a situações de verdadeiro lamaçal, como este, em que se garante, numa hora, constar das escutas às conversas de Vara com Sócrates, uma combinação para forjar uma engenharia financeira que permitisse pôr uma empresa pública a pagar a Luís Figo um “apoio” partidário a Sócrates e ao Governo... e na hora seguinte ver Luís Figo negar tudo e ameaçar com processos os que divulgaram a alegada escuta.

Infelizmente, até tudo estar esclarecido, somos obrigados a dar o mesmo crédito a qualquer um dos lados da contenda. De um lado os jornais, no seu direito de informar, do outro Luís Figo, no seu direito a chamar às notícias uma calúnia.

Claro que a internacionalmente conhecida cegueira de Figo por dinheiro, neste caso, segundo se escreveu, 75.000 euros, e a não menos conhecida mania de Sócrates de ter figurantes pagos nos seus actos de propaganda partidária e governamental, não ajudam por aí além...

Espero que Figo ganhe a causa. Se pelo contrário a estória for verdadeira, terei sincera pena. Gostaria que desta vez o enorme jogador de futebol Luís Figo tivesse apoiado alguma coisa... apenas e realmente por convicção.

O maravilhoso mundo secreto da vida das rolhas





Este podia ser o título de um documentário sobre a vida dos boys & girls dos partidos do poder, que, quais pedacinhos de cortiça, vão flutuando entre eleições ganhas e eleições perdidas, sempre garantindo um tacho aqui, um cargo ali, independentemente daquilo que estão, ou não, habilitados para fazer.

É o caso brilhante da nossa já aqui e aqui antes falada Sónia Sanfona, jovem “socialista” extremamente disponível, que num espaço de meses vimos como deputada do PS, relatora (???) de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (com o brilhantismo que se viu), candidata a presidente da Câmara de Alpiarça nas últimas eleições, as quais perdeu para a CDU. Como o lugar de vereadora da Câmara não estava à altura do fulgor das suas capacidades, ei-la nomeada pelo Governo de Sócrates para o cargo de Governadora Civil de Santarém!

Não há muito tempo, os Governadores Civis eram figuras respeitadas pela generalidade das populações dos seus distritos, pelo seu passado e obra feita enquanto políticos, intelectuais, ou profissionais de alta craveira nas mais diversas actividades. Muitas vezes a comunidade nem sequer tinha a percepção das suas simpatias partidárias, mas sim da sua envergadura enquanto figuras públicas de qualidades reconhecidas. Agora, pelas mãos incompetentes de José Sócrates, que fazem singrar à sua volta exércitos de gente suficientemente incompetente para não fazer sombra ao chefe, temos “governadores civis” meros boys & girls do partido. Chegámos à era das “sónias sanfonas”.

Porque o governo de Sócrates já não respeita nada nem ninguém?

Porque o cargo de Governador Civil, efectivamente, já não vale nada?

Porque é urgente voltarmos a falar da regionalização... mas desta vez, a sério?

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Mário Barradas (1931-2009)


Mário Barradas acompanhado pelo encenadorr Joaquim Benite (à direita na imagem) com o qual preparava uma nova grande produção.

Mário Barradas foi um açoriano micaelense especial. Encenador e actor. Incansável, de uma energia e entusiasmo que “contaminavam” benignamente quem o rodeava. Entregou a sua vida ao teatro. Foi o pioneiro da primeira grande e séria aventura de descentralização teatral depois de Abril, criando o Centro Cultural de Évora no Teatro Garcia de Resende (hoje CENDREV), onde viria a funcionar uma também pioneira escola de formação teatral, responsável pela profissionalização de muitos jovens actores e de uma grande parte dos técnicos de teatro e demais artes do espectáculo que encontramos a trabalhar um pouco por todo o Alentejo.

Durante muito tempo e porque por vezes tenho sorte, quase sempre que ia a Évora fazer fosse o que fosse, tinha o prazer de o encontrar na rua e inventávamos tempo para um café e para pôr a conversa em dia.

Embora nos últimos tempos soubesse que era muito improvável encontrá-lo ali, continuava a ser possível... agora não será mais.

As minhas visitas a Évora serão mais tristes!