Não poucas vezes, os finórios da finança, venham eles das indústrias, do ramo do “patobravismo”, da pura especulação, ou das híper mercearias, chegam a um estádio em que o dinheiro a rodos já não os satisfaz. Necessitam de reconhecimento público. Querem ser conhecidos. Querem comprar mais uns pontos no acesso ao seu lugar no céu, ou despejar alguns “anti-inflamatórios” sobre as consciências.
Assim, compram jornais, rádios e televisões, que se encarregam de dourar a pílula das fortunas obscenas que conseguiram explorando o seu semelhante. Alguns forçam mesmo a nota e tornam-se moralistas, dedicam-se à caridade e às coisas da cultura (da “boa”, claro!). Fundam fundações fundamentais. Homenageiam-se em vida.
O Alexandre do “Pingo” é um deles. Tem uma fundação, com o nome do avô, dirigida pelo mais famoso assalariado do seu império, o tresloucado António Barreto. A Fundação publica dezenas de livros, igualmente fundamentais, que se encontram à venda, como seria de esperar... nas caixas do Pingo Doce.
Um dia destes, enquanto equilibrava nas mãos algumas clementinas e dois pacotes de gaspacho (que só se vende lá, infelizmente!), dei de caras com dois desses livros, destacados no meio da vasta coleção: “Filosofia em directo”, escrito por Desidério Murcho e “Liberdade e Informação”, da autoria de José Manuel Fernandes.
A minha costumeira tolice ainda me deu para começar a ensaiar trocadilhos parvos com os nomes... como, por exemplo, imaginar se um “desidério murcho” será o contrário de uma “indiferença erecta”... mas não. Nada a fazer!
Não há tentativa de humor, mesmo que tão discutível quanto o meu, que resista numa competição direta com ideia fantástica que alguém teve, naquela tão fundamental Fundação, de encomendar um livro sobre “Liberdade e Informação”, ao híper, super, maxi, ultra revolucionário “reciclado”, que é o sebento criado para todo o serviço do capital, José Manuel Fernandes.