sábado, 30 de abril de 2011

Silva Pais – O assassino “ofendido”


Leio, com algum espanto, que dois sobrinhos do assassino Silva Pais, o último diretor da PIDE, decidiram processar vários dos criadores envolvidos numa peça de teatro que foi à cena no Teatro Nacional D. Maria II, peça escrita a partir do livro “A filha rebelde”, que retrata a vida de Annie Silva Pais, filha do assassino e casada com um diplomata suíço. Annie Silva Pais, cansada da opressão vivida em Portugal e na sequência da sua estadia em Cuba, onde teve vários contactos com Che Guevara, viria a aderir publica e abertamente à causa da Revolução cubana.
Parece que os “ofendidos” pedem uma indemnização de 30.000 euros para "castigar" aquilo a que chamam ofensa à memória de Silva Pais, por em três falas da peça se insinuar que o biltre estaria ligado aos assassinatos de Humberto Delgado e da sua secretária.
Lembre-se que o assassino Silva Pais estava a ser julgado exatamente pela participação nesses crimes, quando morreu de causas naturais seis meses antes de ser lida a sentença.
É exatamente isso que alegam os espertalhaços dos sobrinhos. O tio Silva Pais nunca foi condenado por aqueles crimes.
Portanto, amigas e amigos, não se deixem levar na conversa de que qualquer chefe de assassinos é tão assassino como os operativos seus subordinados, pois por debaixo de qualquer pedra podem sempre existir vermes que se transformem em descendentes “ofendidos” e ciosos da memória dos seus criminosos antepassados.
Pensando bem... alguém conhece alguma fotografia ou vídeo de Salazar, Rosa Casaco, ou  Silva Pais, apanhados no acto de assassinar alguém? Existe alguma confissão assinada por algum deles? Salazar foi alguma vez condenado em tribunal por algum dos crimes, torturas e assassinatos que ordenou? Portanto, muito, muito cuidado!
Quanto aos “ofendidos” sobrinhos, desconheço se pedem a indemnização apenas por falta de dinheiro... mas aquilo que lhes falta, sem sombra de dúvidas, é um mínimo de vergonha na cara.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Israel/Palestina – O “perigo” da paz


A histórica aproximação da Fatah e do Hamas, que pode pôr um fim à desunião palestiniana e inaugurar uma nova fase nas negociações para a paz na região, bem como para a autodeterminação da Palestina, que assim passaria a dialogar com o mundo a uma só voz, está a deixar muito nervosos os falcões fascistas no poder em Israel, bem como os seus patronos no Pentágono e na Casa Branca. A casta de ultras que detém o poder em Tel-Aviv, tal como os seus patronos norte-americanos, preferem “negociar” com palestinianos divididos. Enquanto os vão matando. Compreende-se.
O estado de “nervos” é tal que Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelita, não hesitou em afirmar que «há que fazer uma escolha entre a paz com o estado hebraico e os islamitas». Já o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, o fascista Avigdor Lieberman, mais "ousado", não teve dúvidas em afirmar que Fatah e Hamas ultrapassaram uma «linha vermelha», recorrendo mesmo à pouco velada ameaça com o «vasto arsenal de medidas de retaliação que o Estado hebraico pode acionar».
Ninguém tem dúvidas sobre o “vasto arsenal de medidas” e a grande vontade de o utilizar, que vai na cabeça da extrema direita israelita. Aquilo que espanta é que tantos milhares de judeus que são pessoas decentes, filhos e netos de gente de bem que foi vítima às mãos dos nazis, não reaja mais expressivamente ao facto vergonhoso de ver o seu governo, em tantas ocasiões, usar os mesmos métodos de que já foram vítimas há décadas.
Isso só me faz ter ainda mais respeito por aqueles que, corajosamente, ali se opõe a esta política de extrema direita dos fanáticos religiosos e demais fascistas sem Deus que se veja... ou se possa minimamente respeitar.
A aptidão dessa extrema direita no poder para mimetizar a crueldade dos carrascos de outrora, entende-se... tal foi a “proximidade pactuante” que alguns dos fundadores tiveram nesse tempo com os agressores. A passividade de todos ou outros é bem mais difícil de entender.
Tudo a demonstrar que, um pouco por toda a parte, mesmo entre nós, aquilo que era suposto nunca mais acontecer, está constantemente a acontecer... de novo.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Paulo Portas – Lei das compensações


Pronto... provavelmente para compensar, temos o CDS-PP, que é conivente.

Sócrates – O mitómano excelentíssimo



Independentemente do que venha ou não a acontecer ao ministro das Finanças, Teixeira dos Bancos... que francamente, é para o lado que eu durmo melhor, adorava ter um vislumbre dos pensamentos que passaram pelas cabeças de Maria de Lurdes Rodrigues, António Correia de Campos, Mário “jamé” Lino, ou Manuel Pinho, quando ouviram Sócrates, numa entrevista, dizendo da boca pra fora «Nunca deixo cair ministros. Não faço isso».
Numa adaptação livre do pensamento filosófico de uma outra grande figura da nossa caderneta de cromos... é preciso nascer duas vezes para se ter tão pouca vergonha na cara!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Cavaco Silva e o facebook – Para além de tudo o mais...


... confesso que não sei o que, por estes dias, me irrita mais em Aníbal Cavaco Silva; se o novo-riquismo tecnológico-bacoco da utilização do facebook como (quase) órgão oficial da Presidência da República, se o barulho infernal de escopro e martelo que o homem faz a escrever os textos. Para compensar, a escrita cuneiforme é muito bonita de se ver... apesar do cascalho que fica espalhado pelos jardins do palácio.
E lá veio mais um apelo à “marmelada democrática” do “tudo unido num governo maioritário” de todos os partidos... PSD, CDS e PS, entenda-se!
Seja como for, é uma grande inquietação esta forma “cavacal” de avançar no tempo a três distintas velocidades: tecnologicamente, já chegou à internet e ao facebook; a escrever, parou na escrita cuneiforme dos sumérios de há 5.500 anos; intelectualmente, ainda está na idade das cavernas.
É espantosa a capacidade do país... que ainda vai resistindo a esta gente!

25 de Abril de 2011 – Uma espécie de crónica...


(Abel Manta – “Detenção”)

O meu 25 de Abril deste ano foi passado entre Montemor-o-Novo e Avis. Sempre entre amigos. Sempre entre sentimentos e sorrisos quentes. Ao som de músicas familiares.
A noite de 24 passou-se em Montemor, com um “íntimo” concerto de amizade entre técnicos, músicos, eu e o José Jorge Letria, que aceitou o meu desafio de vir até aqui para ler o seu longo, belo e emocionante texto poético, a que chamou “Uma carta ao Zeca”. Lida à mistura com um bom punhado de canções do mestre, que escolhi tendo o cuidado de incluir algumas das (infelizmente) menos conhecidas, esta “Carta ao Zeca” resultou num “objecto cultural” que nos deu tanto prazer... que não vai ficar por aqui. Nasceu um novo espectáculo que irá andar por aí... provavelmente, acompanhado de um livro/CD... e cimentado por uma amizade de muitos anos.
O dia 25 foi reservado para Avis. Como as canções que tinha para cantar neste dia foram transferidas para o 1º de Maio, fiquei livre de ir até Avis apenas como público, embora um dos grupos convidados a participar na festa tenha um “som” e um reportório que saem deste computador/estúdio em que escrevo... e seja dirigido por uma tal Maria do Amparo. O grupo ia cantar o “Livre” (não há machado que corte...) e a “Grândola”, uma na abertura da festa e a outra a fechar.
A festa era o próprio 25 de Abril, ou melhor, uma encenação/recriação dos anos que o antecederam, das lutas que o tornaram inevitável e da festa que se seguiu. Foi uma realização da companhia de teatroVivarte e valeu bem a viagem.
Ali se ouviu falar da fome nos campos, das lutas por melhores salários e horários de trabalho um pouco menos desumanos; ali se viu a presença constante da GNR, defendendo os interesses dos latifundiários; ali se assistiu à representação da tortura de Germano Vidigal no posto da GNR de Montemor, tortura que resultou na sua morte às mãos dos torturadores. O assassínio seria registado no relatório como “suicídio”.
(Nesta altura, alguns elementos do público optaram por se afastar e deixar correr algumas lágrimas às escondidas. Um deles canta no tal nosso “Grupo de Cantares de Ervedal”... e ainda não é capaz de olhar para “aquilo”... mesmo tantos anos passados e sabendo que é uma representação)
Ali chegaram cartas da guerra, escritas no mato, contando a morte de mais um camarada e falando dos vivos, cá e lá, trespassados de saudades; ali os capitães e soldados marcharam novamente sobre Lisboa e derrubaram o fascismo...
Rapidamente chega a festa, a leitura integral d’ “As portas que Abril abriu”, a “Grândola vila morena”, música popular improvisada, danças entre os soldados, ceifeiras e camponeses atores e atrizes, misturados com o público, onde estão, já avançados na idade e carregados de História, alguns desses camponeses e ceifeiras a sério... e a gente mais nova que ali estava enchendo o grande largo do Convento de São Bento da Ordem de Avis.
Como aquilo não era uma festa de gente distraída, andavam por lá rondando, no fim, três figuras vestidas de negro, três cangalheiros com pastas de executivo onde se podia ler “FMI”, “BCE”, ou “Troika”...
Tudo isto a mostrar que entre a linha do Atlântico e a Espanha há um país. Um país que só aparece nos jornais se o padre fugir com uma paroquiana, se alguém matar o vizinho, ou se um homem morder um cão. Um país com gente que ainda tem sonhos e projetos diferentes daqueles que fazem as primeiras páginas e as aberturas de telejornais.
Um país que está longe do pensamento único da anestesiada e soporífera “comemoração” de um Abril traído e em coma, nos jardins do Palácio de Belém. Um país que resiste!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Serviço Nacional de Saúde – Infelizmente não é para rir...




Leio que o Hospital Egas Moniz exige que os doentes levem de casa a medicação de que vão necessitar durante o internamento. Outra notícia dá-me conta de que o Hospital dos Capuchos cobra centenas de Euros por um medicamento que era suposto ser dispensado a doentes crónicos... gratuitamente.
Lembram-se do Raul Solnado e da sua “Guerra de 1908”? O soldado oferecia-se para ir para a guerra... mas o exército exigia-lhe que levasse espingarda. O Solnado contava a “estória” com muita piada, a gente ria...
Infelizmente, estas duas notícias (seguidas de explicações com um ar vagamente manhoso) não são um sketch cómico do Solnado. São a nossa realidade. Uma realidade canalha!

FMI – É da sua natureza...


Durante o jantar, antes do concerto de homenagem ao Zeca e ao 25 de Abril, aqui em Montemor (correu muito bem, obrigado!), um amigo estava entre o estupefacto e o indignado com a notícia de que o FMI lucra centenas e centenas de milhões com as “ajudas” que comete contra os países em dificuldades financeiras, como a Grécia, a Irlanda, ou Portugal.
Perguntei-lhe se alguma vez tinha ouvido falar de algum prestamista, em qualquer parte do mundo, que tenha aberto a sua loja de penhores, não para ganhar muito dinheiro à custa da desgraça alheia, mas sim por espírito de solidariedade para com as pessoas do seu bairro...
Parece que não!
Prometi-lhe que hoje faria uso das minhas habilidades com o “Photoshop” para lhe oferecer uma imagem que ilustrasse a nossa conversa.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Dia 25 de Abril



("Liberdade" - Maria Helena Vieira da Silva)




domingo, 24 de abril de 2011

Ary dos Santos – As portas que Abril abriu


(Nikias Skapinakis – “Delacroix no 25 de Abril”)

Hoje, dia 24 de Abril, quanto mais se aproxima a noite, mais intensa se torna a memória dessa fantástica mudança de data, mudança de vida, mudança da noite para o dia, que foi a entrada no dia 25 de Abril de 1974.
Por muito que alguns lamentem não ter, a tempo, liquidado nas prisões todos aqueles que traziam Abril a germinar no pensamento; por muito que outros se “arrependam” de o ter feito; por muito que se queira mascarar de evolução aquilo que foi revolução; apesar das muitas gavetas onde se foi guardando, escondendo, exilando e tentanto amordaçar as conquistas de Abril... Abril fez-se e está aí!
Lembrá-lo, ativamente, todos os dias, é já defendê-lo. Cantá-lo, é já fazê-lo avançar... para que se cumpra. Livre, justo e plural, tal como foi sonhado.
Eu sei que hoje é domingo, e que aos domingos é dia de música aqui na casa... mas quem é que diz que este poema e a voz do Ary não são uma canção?


Vale bem a pena ganhar estes oito minutos e meio a ouvi-lo e recordá-lo.


Bom domingo!
“As portas que Abril abriu” – Ary dos Santos
(José Carlos Ary dos Santos)



sábado, 23 de abril de 2011

Boa Páscoa!


Aí está a Páscoa. Mais uma festa religiosa cristã adaptada de outra, judaica, em que os cristãos mais rigorosos... ou pelo menos mais sinceros, se veem ingloriamente soterrados pela festança daqueles milhares e milhares de “cristãos” sempre prontos a celebrar a Páscoa, da boca pra fora, quando na realidade já só a celebram da boca pra dentro, em copiosas e abrutalhadas comezainas, no fim das quais qualquer tentativa de “louvor” só poderia manifestar-se em forma de arroto...
Por mim... celebro uma outra espécie de “Páscoa” sempre que chega chega Abril... e durante todo o ano, sem data ou hora marcada. Na verdade, em vez de um, tenho muitos protagonistas a quem lembrar. Muitas mulheres e homens que, em outros tantos “Calvários”, ou “Jardins das Oliveiras”... que por cá se chamavam Aljube, Caxias, Forte de Peniche, Tarrafal... deram o melhor da sua vida – por vezes, a própria vida – para que a minha (a nossa) pudesse ser melhor, não um dia... provavelmente no céu, mas sim agora e aqui.
A esses canto! Celebro o seu exemplo... enquanto luto para que isso não se transforme numa religião.

Tenho um amor em Viana, ó ai, tenho outro em Ponte-de-Lima, ó ai... *


«Presidente ouve passos». Quando há dias vários órgãos de comunicação veicularam esta notícia, incluindo, como se vê na imagem, o telejornal da RTP1, muita gente gozou o seu pedaço. Embora não tenha falado disso aqui, também andei por aí a dizer umas graçolas sobre o “estado mental” do Presidente. Fiz muito mal!
Afinal, seja lá o que for que tem o chefe do estado a que chegámos... deve ser coisa altamente contagiosa. Devo estar doido!
Como se não bastasse também ouvir “Passos”, ainda por cima ouço “vozes”.
* Tenho um amor em Viana, ó ai
Tenho outro em Ponte-de-Lima, ó ai
Tenho outro em Ponte-de-Lima
   Tenho outro mais abaixo, ó ai
   Tenho outro mais acima, ó ai
   Tenho outro mais acima
   Lá     
   Lá     
   Lá     
   Lá     





sexta-feira, 22 de abril de 2011

Não, não são todos iguais!


A conversa corria solta no pequeno café. Aquilo que não falta nos dias que vivemos são assuntos para discutir, debater, esclarecer. A “culpa” do povo que “vive acima das suas possibilidades”, ir ou não ir reunir com a “troika”, saber se a “dona banca” quer mesmo ajudar-nos... ou ajudar-se... a austeridade "inevitável", quem obrigou Portugal a destruir a sua agricultura, indústria e pescas... e quem na “europa connosco” ganhou com essa destrição... o que é isso de pôr "Portugal a produzir"...
Na mesa mesmo ao lado, um amigo tentava ganhar um companheiro de mesa para a causa sindical. Trabalho difícil! Aquele amigo já está bastante infectado pela propaganda dominante: “são todos iguais”, “eles querem é tacho”, “não querem mas é trabalhar”, “não vale de nada ser sindicalizado”... “tanto faz serem da CGTP como da UGT”... “são todos iguais”...
O primeiro fazia o que podia... explicava-lhe as muitas lutas que têm sido seguidas de conquistas, como isso vai compensando as muitas derrotas e, sobretudo, tendo já convivido com muito dos tais sindicalistas “vermelhos” e, noutra empresa, com os outros, da UGT, quais as grandes diferenças que distinguem o verdadeiro militante sindical de (quase) todos os restantes. Diferenças tão evidentes que por vezes parece bastar um olhar para se perceberem.
O meu amigo debatia-se com a falta de uma “imagem” forte, capaz de apoiar a sua teoria. Sem querer interromper a conversa, prometi-lhe que mal encontrasse uma imagem suficientemente boa enviá-la-ia para os dois, por mail...
Seguiu mesmo agora. É esta... e fica aqui a ilustrar a estória.

Otelo Saraiva de Carvalho (2) – E se te calasses, pá?


Na realidade, não pretendia voltar a tropeçar nesta figura tão cedo, mas, quem sabe, ressabiado pelas críticas que choveram de todos os lados, Otelo Saraiva de Carvalho em vez de assumir que a sua frase infeliz «se soubesse como o país ficava, não tinha feito a Revolução» - como se o 25 de Abril fosse dele, ou não tivesse sido feito sem ele - foi uma bela borrada... pelos vistos, decidiu contra-atacar partindo para a pura provocação.
Agora defende que aquilo que Portugal precisa é de «um homem honesto como Salazar». Claro que a seguir produz uma fiada de baboseiras que, supostamente, explicariam e justificariam a frase... mas já não adianta!
Depois de se dizer que o que faz falta é alguém como Salazar... nada mais adianta!
Sendo assim, e como só se desilude quem tenha estado iludido (felizmente não é o meu caso), este post é apenas um simples “upgrade” sobre aquilo que penso a propósito deste imenso parvalhão cheio de si mesmo... mas que acho mais simples e económico nem dizer. Penso que já se percebeu.
Claro que, como quase sempre acontece, tinham que ter partido do nosso convívio, à frente, Homens como Salgueiro Maia, Vasco Gonçalves, Costa Martins, Rosa Coutinho, Vítor Alves...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O Primeiro de Janeiro – Triste jornaleirismo!


Quando era miúdo gostava muito d’ “O Primeiro de Janeiro”. Não lia o jornal, mas deliciava-me com as tiras de banda desenhada do “Reizinho”, do “Zé do boné”... depois, seguimos caminhos diferentes e deixei de lhe pôr a vista em cima por muitos anos, até agora... mas só de vez em quando e mesmo assim, apenas na sua versão virtual, ou digital, como queiram.
Hoje tropecei nesta capa do velho jornal, onde alguém, a mando, ou pelo menos com a bênção da direção, achou normal e adequado, a propósito de uma notícia sobre uma greve de transportes, transformar com uma “habilidade gráfica” o título onde aparentemente se lê “Que Páscoa”, num título onde efetivamente se lê “Que asco”.
Independentemente da greve em si, de ter ou não sido entretanto desconvocada, de ser ou não justa... tudo assuntos para outra e, sobretudo, mais informada conversa, o que raio é que vai na cabeça de um “jornalista” para fazer este tipo de “jornalismo”?
Se é que de todo existe, onde estará a linha que separa o chamado jornalismo “tabloide” do “imbecilóide”?

Emigrantes/Imigrantes – Sempre no sítio errado...


Não. Eu também não tenho uma solução milagreira para o sério problema das migrações e para os dramas humanos que elas expõe cruamente aos olhos de todos.
Seja como for, esta notícia que nos conta como a França dos “direitos do homem” (com a benção da UEbarrou a entrada a estes comboios de imigrantes oriundos do Magrebe, mostra-nos com clareza qual é o momento exato em que, para os governantes e muitos cidadãos europeus, sempre a bater com a mão no peito e a arrotar “democracia” requentada, os homens e mulheres, quase sempre ainda jovens e com o sonho de uma vida melhor, vindos da Tunísia, ou do Egito, ou da Líbia, ou seja de onde for, Norte de África ou não... mas todos fugindo da fome ou da guerra, deixam de ser aqueles maravilhosos “rebeldes”, admiráveis “lutadores pela liberdade” e heróis das muitas “praças tahrir desse mundo, que têm enchido entusiasmadas páginas de jornais... para passarem a ser apenas mão de obra eventualmente tolerada, uma grande inconveniência... ou quase lixo que se deixa na rua.
Como dizia... perdem o "encanto" no preciso momento em que vêm bater à porta das “democracias” europeias... venham de comboio, de barco, ou em carroças.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Soares – Sem sombra de surpresa


Confesso que quando vi as notícias das recusas, por parte do PCP, dos Verdes e do BE, à participação nas reuniões com a troika do FMI e dos outros... pensei logo com os meus fechos éclair e um colchete: Danou-se! E agora o que é que vai dizer o doutor Soares, “balhamedeus”?!
Agora a sério, esta notícia, já repescada, garantindo que Mário Soares não ficou surpreendido com a recusa do PC... também não me surpreende nem um pouco. Soares já conhece relativamente bem os comunistas portugueses, mas nada que se compare com o conhecimento e convívio que tem tido com o FMI e a “europa connosco”, de que foi (e é), entre nós, o principal lacaio. Sabe muito bem, portanto, que uns e os outros não ligam.
Os seus amigos americanos vieram sempre em “seu auxílio” de cada vez que os capitalistas portugueses precisaram muito e era necessário alguém de fora para fazer o trabalho sujo de esmagar os direitos dos trabalhadores e roubar ordenados e pensões, permitindo aos seus amigos do PS salvarem a cara e manterem as aparências... mesmo que o “socialismo” já estivesse (sempre esteve!) na gaveta.
Nas duas vezes em que fomos roubados pelo FMI, a primeira em 1977 e a segunda em 83, o principal pretexto para as dificuldades e para a brutal austeridade foi o “choque petrolífero”. Das duas vezes o povo pagou duramente a restituição dos milhões que os capitalistas sentiam fugir-lhes das mãos. Das duas vezes, era primeiro-ministro Mário Soares.
Na verdade, para além do pretexto do "choque petrolífero", o país afundou-se, em 1977, em resultado do violento boicote internacional à Revolução de Abril, somado à massiva fuga de capitais criminosamente cometida pelos senhores “do antigamente”, que em vez de terem os dentes partidos por essa traição, foram recompensados com rios de dinheiro do FMI.
Na verdade, para além do repetido pretexto do "choque petrolífero", o país voltou a afundar-se, em 1983, principalmente porque grandes empresas e a banca, começaram a ficar estranguladas com as novas políticas monetárias da Reserva Federal dos EUA e a consequente subida dos juros, imposta pela chegada ao poder dos neoliberais, curiosamente, os “gurus” políticos e económicos do inútil que agora lidera as hostes da São Caetano e do PSD.

De todas as vezes Portugal foi "aliviado" de copiosas toneladas das suas reservas de ouro.
Resumindo... embora o calhordas Soares tenha aproveitado esta sua “não surpresa” pela recusa do PC em colaborar com o FMI, não para valorizar essa posição de coerência, ou para constatar (ainda que discordando) a existência de uma posição e projeto alternativo na defesa do interesse e soberania nacionais, mas sim para cantar louvores ao FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia (que é para isso que é pago há muitos anos)...  eu, pela minha parte, quero afirmar que também não fiquei surpreendido com essa recusa... mas pelas razões certas.
Colaborar, seria como se alguém viesse assaltar-me a casa e eu, voluntariamente, ainda me dispusesse a ajudar os ladrões a embalar as minhas coisas e levá-las para a carrinha. Não contem comigo! 

Outro mundo é possível... mesmo que por enquanto tenha que me deixar roubar.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Alyssa Monks - Dançando à chuva


De súbito, a chuva a bater insistentemente no vidro do escritório em que me sento para escrever. E se de repente a vizinha da frente viesse para a rua armada em Teresa Torga, completamente nua... dançar à chuva... e acabasse molhada da cabeça aos pés, a espreitar aquilo que eu faço sentado ao computador, com a cara atrevida e curiosa colada ao vidro alagado?
Não. Esta “fotografia” não é da minha vizinha... nem é sequer uma fotografia. É um quadro a óleo da jovem artista plástica Alyssa Monks, que para pintar desta maneira deve ter uma “pancada” ainda bem mais forte do que a tal minha vizinha teria... se existisse.

Fernando Nobre – Um “de La Vieter”... fica sempre bem numa lista!


Exceptuando essa gente “daninha” dada ao comunismo... e essas coisas terríveis... Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre, o candidato a candidato a Presidente da AR, que é tão “poucochinho” que continua a falar em ser «nomeado Presidente», em vez de eleito, já antes apoiou quase tudo o que mexe.
Na verdade, desde monárquicos a republicanos, desde o Bloco de Esquerda ao PS, passando pelo PPD (do CDS, Maçonaria ou Opus-Dei não há notícias), o homem já foi apoiante, mandatário ou simpatizante. Tudo, sempre, para «servir Portugal». Quanto a Portugal... esse tem vindo generosamente pagando, fazendo correr muito, muito dinheiro, para os cofres da AMI, que embora realizando algum trabalho meritório, é, paralelamente, uma grande "empresa familiar" que sustenta há anos praticamente toda a (numerosa!!!) família Nobre.
Sendo assim e muito naturalmente, terá sido sondado pelo PS, além do PSD, para integrar uma lista de deputados à Assembleia da República. Quanto ao PSD, as condições em que foi sondado, agradaram-lhe. Já quanto ao PS, enquanto o próprio sondado admite ter sido sondado, os dirigentes do Rato negam ter sondado o sondado e entrincheiram-se na bruma do mistério.
Nestas condições, não admira que esteja já em embrião a formação de um movimento – cívico, obviamente! – que terá como missão a recolha de fundos para a construção do Monumento ao Sondado Desconhecido.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Páscoa – E agora o que é que eu digo ao coelhinho?


Segundo leio, um pesquisador diz que «a data da Páscoa pode ser modificada». Segundo a mesma fonte, o homem, um inglês da Universidade de Cambridge, é especialista em metalurgia e materiais... para além de ser um cristão profundamente decidido a resolver as «contradições mais persistentes da Bíblia»... dado que, pelos vistos e pelo menos em relação a este tema, há por lá uns problemas com uma quarta-feira misteriosa, com o calendário judaico, mais o calendário não sei de quem...
Ainda é isto que nos vai safando! Mesmo no meio dos maiores apertos há sempre “cientistas” prontos a investigar coisas realmente importantes.

Líbia – Continuam as “manobras”...


Voltando à Líbia, por muito que o assunto esteja a esfriar em termos de interesse da chamada opinião pública, as notícias vão chegando. Sem o mesmo alarido de há uns dias... mas vão chegando.
São constantes notícias de avanços e recuos, ora das tropas e mercenários do até há bem pouco, amigo e protegido dos EUA e das restantes maiores potências ocidentais... ora das tropas “rebeldes” e mercenários que agora são os novos amigos e protegidos exatamente das mesmíssimas potências ocidentais... e dos EUA.
Os nomes das cidades atacadas, conquistadas, reconquistadas, cercadas e libertadas, consecutivamente por uns e outros, vão-se sucedendo, acompanhados do rol de vítimas inocentes, erros de cálculo, danos colaterais.
Curiosamente, muita de toda esta frenética ação passa-se à volta da cidade petrolífera de Brega... como se tudo naquele conflito, as restantes cidades, as lutas, os mortos de um e de outro lado, os “rebeldes”, os fiéis, as potências ocidentais e os EUA, estivessem numa espécie de órbita à volta da cidade de Brega e do seu petróleo... o que me leva a perguntar:
Haverá ali fiéis de Brega e “rebeldes de Brega, agressores de Brega e vítimas de Brega, criminosos de Brega e heróis de Brega, ou haverá apenas, de um e do outro lado, simples “peões de brega”?

Quem é o "inteligente" desta corrida?

domingo, 17 de abril de 2011

“Cancionário” – E o que o Paredes havia de gostar disto?!


Uma das demonstrações do génio de Carlos Paredes é a sua capacidade de permanecer presente na música que se faz hoje, de tocar o cérebro e sobrevoar as cordas e as mãos de alguns – poucos – guitarristas. São coisas simples, por vezes quase imperceptíveis. Aqui a escolha de uma certa sequência harmónica, ali uma súbita aceleração... como um sobressalto da respiração ou dos batimentos do coração, acolá a força e intensidade inesperadas com que se “diz” uma frase. Tudo numa toada inexplicavelmente portuguesa, que tanto pode andar a passear pelo Arco do Almedina, como em Alfama, como a rasar as águas do Tejo, a geometria dos esteiros e memórias de avieiros, ou a convocar estórias de ceifeiras alentejanas...
Um pouco de tudo isto está gravado no código genético da música original deste jovem guitarrista e compositor, Ricardo Parreira. Uma música a descobrir e consumir sem reservas!
Parece que estou a ouvir o Paredes, deliciado com a música do Ricardo Parreira: «Ó amigo... sabe que cheguei a temer pelo futuro da guitarra portuguesa... mas de repente começaram a aparecer estes miúdos fantásticos...»
Bom domingo!
Cancionário” – Ricardo Parreira
(Ricardo Parreira)


sábado, 16 de abril de 2011

Quem gosta de ser roubado?


O apelo do cartaz que anuncia esta concentração, parece simples. A adesão deveria ser imediata, numerosa... e unitária. 

De facto, quem gosta de ser roubado?
O busílis da questão está em passar da queixa ao protesto e do protesto à luta consequente contra os ladrões.
... e, já gora, levar a luta até ao voto!

Fernando Nobre – Nem a galinha quer ouvir falar dele...


Nota prévia: Com este regresso ao tema, que não será o último, não pretendo "massacrar" nenhum dos públicos apoiantes e mandatários da campanha presidencial de Fernando Nobre, tais como o Vitorino, o Luís Represas, a Margarida Pinto Correia, Paco Bandeira ou o Rui Veloso... se bem que destes todos, apenas o Vitorino me tenha intrigado bastante.

É verdade. Segundo notícias de última hora, a famosa galinha que corre esgazeada com um bocado de pão no bico, não vai votar em Fernando Nobre, em Lisboa... nem em parte alguma. Como um mal nunca vem só, não há bicho-careta, desde Soares até aos próprios “colegas" do PPD-PSD (embora uns bem mais do que outros) passando pelos “Homens da Luta”, que não manifeste abertamente vastas dúvidas sobre a utilidade desta “contratação” de Pedro Passos Coelho e muitos torcem mesmo nariz à geometria tão variável da espinal medula do tenaz candidato a Presidente da Assembleia da República. Tão candidato... que até ameaça amuar se os outros deputados não o elegerem para Presidente, coisa que, ao que parece, ele não sabia que não podia ser decidida por Passos Coelho... e abandona o lugar de deputado para que terá acabado de ser eleito. Evidentemente, Nobre abandonará o lugar de uma forma extremamente cívica e carregada de cidadania.
Há, porém, uma voz que não alinha nas críticas. Uma outra luminária política e ex-presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, acha que o apoio de Nobre é «positivíssimo», portanto, digo eu, a um pequeno passo de ser “positivérrimo”... ou mesmo “importantasso”. Acha mesmo mais: acha que o facto de Nobre já ter, em política, apoiado publicamente tudo o que mexe – excetuando os odiosos comunistas – é uma prova de que o homem é um verdadeiro «barómetro» do que é militância cívica.
Portanto, já sabem. Quando virem sobre as chaminés ou telhados esses artefactos, sempre criativos, sempre a guinchar com um som roufenho, sempre a rodar ao sabor do vento que sopre nesse momento... lembrem-se de que não são “cataventos”. São “barómetros”!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Paulo Portas – “Tridente” (curto improviso sobre o tema)


Uma das amigas sentadas à mesa na esplanada, não é muito chegada aos jornais, telejornais e notícias de uma maneira geral. Perguntou-nos:
- Quando vocês falam do Paulo Portas e dos submarinos, estão sempre a falar desse “tridente”... é “tridente” para cá, “tridente” para lá... que raio é que é isso do “tridente”?
- Amiga... a coisa já vai explicada no nome: tri-dente. "Tri-dente" é o tipo de sorriso que deveriam hoje exibir Paulo Portas e os demais envolvidos no negócio dos submarinos, se tivessem sido “devidamente recompensados”. Infelizmente... ainda não foram!

Muito se evoluiu desde o tempo em que eram pendurados. Agora são “suspensos”...


A vida mais recente da inenarrável Fátima Felgueiras dava uma banda desenhada cómica que bem poderia servir de ilustração para os tão férteis anos de governança “socretista”, tal o brilhantismo, a profundidade, a consistência política, o aprumo ético.
Agora, foi condenada a um ano e oito meses de prisão, por participação económica em negócio... mas com pena suspensa. O título que me dizia «Fátima Felgueiras vai recorrer da decisão» confesso que me assustou. Não querem lá ver que ela teve um baque de consciência e vai exigir cumprir a pena?!... Mas não. Era o costume... o que me trás às minhas habituais considerações.
Primeiro, adoro a expressão jurídica “participação económica em negócio” para caracterizar um crime, já que é uma forma maravilhosa de não dizer coisa nenhuma. Participação económica em negócio pode ir desde a minha bica da manhã (ou não estou a participar economicamente no negócio?) até este fantástico negócio do nosso cavacal Presidente.
Segundo, e perdoem-me a vasta ignorância jurídica, mas se o cidadão julgado não cometeu aquilo de que foi acusado, é absolvido, ilibado, desculpe qualquer coisinha... por aí. Se em tribunal se prova que cometeu o crime de que é acusado, mas o juiz acha que é pouco importante, que o réu é muito boa pessoa, sem antecedentes criminais, que foi sem querer, que está muito arrependido, que jura que foi a primeira e última vez... pode perdoá-lo, desculpá-lo, “vai e não peques mais”. Agora se tudo é provado e tudo é suficientemente grave para o réu ser condenado em um ano e oito meses de prisão... por que diacho é que a pena há de ser suspensa?
Seja como for, a indescritível Fátima está convencida de que tem razão, de que o que fez não foi nada de repreensível, que o dinheiro desviado e pago indevidamente não foi uma coisa nem outra e que, muito provavelmente, tudo não passa de uma campanha negra, coligação negativa, infâmia, etc., etc... como disse: uma excelente banda desenhada cómica para ilustrar os tão férteis anos de governança “socretista.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Otelo – O homem que “fez sozinho” o 25 de Abril... e se arrependeu


(Otelo Saraiva de Carvalho)

Andei anos e anos a dizer que Otelo Saraiva de Carvalho é pouco mais do que um tolo autoconvencido com a mania das grandezas... e fui quase sempre bastante incompreendido por alguns amigos.
Otelo Saraiva de Carvalho veio finalmente em meu socorro. Agora basta-me dizer-lhes: 

Estão a ver?! Eu não dizia?!

João Oliveira e CDU - Mais uma campanha eleitoral


Assim que começou a tomar forma a “ameaça” de uma nova campanha eleitoral, assim que ficou claro que Sócrates não hesitaria perante nenhuma provocação, desde que que isso lhe garantisse a crise política que o transformasse em vítima em vez de culpado pela situação a que chegámos, em reincidente candidato em vez de simples ex-primeiro-ministro, com a perspetiva de poder continuar a governar, tomando todas as medidas que o grande capital exige que se tomem... mas podendo desculpar-se com a "culpa dos outros", as “ordens” do FMI e da “ajuda” externa... também eu decidi que não mudaria uma letra às posições que tomei em anteriores eleições, tanto autárquicas, como legislativas, ou as mais recentes presidenciais... mas com uma ligeira nuance:
Desta vez deixei “escapar” a informação de que me sentiria melhor não repetindo a experiência de ser candidato, ou mandatário, voltando à situação de apoiante, estatuto que (por motivos corriqueiros) as pernas, a coluna e o coração muito agradecem. Nunca saberei se iria ou não ser convidado... e isso não é importante. Aquilo que conta é que sou apoiante da lista da CDU para o distrito de Évora e de todos os homens e mulheres que, por todo o país, vão mais uma vez dar o melhor de si pelas listas conjuntas do PCP e dos Verdes e pelas ideias e sonhos que elas projetam para o futuro. Um futuro que se quer (e exige) melhor.
Só para “testar” as emoções desloquei-me a Évora para estar presente na apresentação da lista de candidatos. A equipa foi renovada, alguns elementos ainda são aqueles com quem já fiz campanha e, claro, como um bom trabalho deve ser reconhecido, o cabeça de lista continua a ser o João Oliveira.
Gosto muito do João Oliveira. Belo deputado, um poço de energia, sorriso aberto, simpatia sincera, convicções sem máscara, discurso fácil e claro. Evidentemente, o João Oliveira vai envelhecendo... caminhando a passos largos para se tornar mais um “dinossáurio” do PCP. Agora já tem 31 anos!
Resumindo... não me sinto nem por um momento (ninguém deve sentir-se!) menos responsabilizado, pelo facto de ser “apenas” apoiante. Se o fizermos de forma ativa, “contaminando” os mais próximos e lançando sementes de dúvida no cérebro de outros que ainda se julgam distantes... muito melhor!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Troikas e baldrocas


Dominique Strauss-Kahn, presidente do FMI, Jean Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu e Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, são as caras das três entidades que nos invadiram e tomaram o poder, a convite dos vendidos que nos "governam". São a troika que anda na boca dos nossos comentadores e jornalistas nas últimas horas.
Como temos um jornalismo televisivo tão parolo quanto subserviente, agora os telejornais têm equipas a seguir a “troika” para todo o lado, descrevendo cada passo, cada espirro, cada olhar dos seus elementos. Quanto tempo irá durar a paranóia jornalística?
A “troika” veio a pé do hotel até ao Terreiro do Paço.
A “troika” está a admirar as arcadas do Ministério da Finanças.
A “troika” está a entrar para a primeira reunião.
A “troika” agora vai almoçar.
A “troika” está finalmente embrenhada nos assuntos da coisa pública...
A “troika” agora foi à casa de banho... está com outros assuntos “entre mãos”...

Haja pachorra! Não nos bastava a gravidade da situação?!