quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Preservativo - Finalmente... a aprovação do Vaticano




Nem por isso dou grande atenção à "rede" de distribuição de piadas por mail... mas perante esta, rendo-me.

Quando uma coisa tem graça, tem mesmo! Pronto.

Teria muito mais... não fora a triste realidade de a posição do Vaticano, sobre o uso do preservativo, ter já feito (ainda faz) tantas vítimas.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Paula Teixeira da Cruz – Provocação




Sérgio Ribeiro chamou (e bem!) a atenção para a lamentável intervenção da ministra da Justiça.
Quando se vê uma hipócrita, como parece ser o caso de Paula Teixeira da Cruz, colocar no mesmo plano a grande Greve Geral do passado dia 24, as manifestações de protesto que a acompanharam e a patética meia dúzia de “incidentes” e “casos de violência” gratuita que se deram, com isso, à socapa, questionando o próprio direito às manifestações e à greve, embora declarando defendê-lo... não é possível deixar de pensar (pelo menos) duas coisas:
1. A ministra não passa de uma sonsa.
2. Os famosos “casos de violência” (histericamente procurados pela comunicação social medíocre), excluindo as raras iniciativas de pequenos grupos de irresponsáveis, são, como a História nos tem demonstrado repetidas vezes, “encomendas” do poder, executadas por profissionais da provocação... muitas vezes, elementos das mesmas “forças de segurança” encarregadas da repressão.



Património Mundial – O fado já cá canta


Já cá canta! O fado é Património Imaterial da Humanidade. Parabéns a todos os que se empenharam no projeto da candidatura!
Parabéns a (quase) todas as cantadeiras e cantores!
Parabéns a tantos e tantos fados!
Parabéns aos grandes poetas populares e também aos “outros”!
Parabéns aos grandes músicos e a todos os que só “dão uns toques”... mas por amor.
Parabéns a todos os que fazem do fado mais um posto de combate ao fatalismo, ao saudosismo retrógrado, ao marialvismo bafiento...
(sobre) Viva a música portuguesa!

domingo, 27 de novembro de 2011

Elis Regina - Tatuagem


Acho que não conheço ninguém que tão bem escreva canções no feminino. Fica-se (eu fico!) com a impressão de que o Chico Buarque tem dentro de si várias mulheres, com vidas e estórias carregadas de paixões, alegrias, dramas, tragédias... mulheres que, de vez em quando ganham vida e “cantam”, servindo-se da sua voz e das suas palavras.
Uma dessas mulheres tem lugar cativo no universo de canções do Chico: Elis Regina.
As “versões” de Elis são definitivas. Tornam-se o molde. A matriz a partir da qual tudo se compara. Esta sua arrasadora interpretação de “Tatuagem” é um grande exemplo disso mesmo.
Em princípios dos anos setenta do Século XX, quando ainda não havia “telediscos”, Elis resolveu inventar um. Uma canção que já era um espanto, torna-se verdadeiramente incendiária. Por momentos, aquela relação da intérprete cantora com o intérprete músico... é, para dizer o mínimo, perturbante.
Eu sei que, neste caso, o músico (grande músico!) era César Camargo Mariano, o grande amor da sua vida. O amor que para além dos fantásticos frutos musicais que fez nascer, “produziu” seres humanos e talentos como o de Pedro Mariano e de Maria Rita. Mesmo assim... em que estado ficará um “pobre” pianista, quando a cantora, ainda por cima, sendo a Elis Regina, resolve encará-lo e cantar uma canção destas, desta maneira?
Bom domingo!
“Tatuagem” – Elis Regina
(Chico Buarque /Ruy Guerra)



sábado, 26 de novembro de 2011

Madeira – Independência sim, separatismo não!






Com uma História, uma identidade, uma língua e uma cultura próprias e distintas, o povo ibérico da Catalunha tem sentimentos bastante “fortes” quanto à sua “pertença” à Grande Espanha. Sobre esse problema, tem tomado as mais diversas atitudes, sobre as quais só poderá tomar partido (a estar interessado em tal) quem conheça minimamente aquela realidade.
Uma das palavras de ordem do povo catalão, criada com o acerto que cada um ache por bem atribuir-lhe, é: “Independência sim, separatismo não!”
Inspirado pelo grande paralelismo histórico entre a Catalunha e a Madeira, já que são sobejamente conhecidas tanto a História, como a cultura, como a língua daquele arquipélago, História, cultura e língua que o distinguem, radicalmente, do todo que é Portugal... um tal Miguel Sousa, que conseguiu chegar a vice-presidente do PSD-Madeira, depois de recitar várias das baboseiras típicas de Jardim, sobre o “contenente” e o “colonialismo” de Lisboa, decidiu adoptar a tal palavra de ordem catalã... e aí vai disto: 

...o que, podendo parecer uma coisa ridiculamente triste, é afinal um sinal de esperança para quase todos os grandes imbecis, que assim vêm provada a sua chance de também poderem chegar a lugares e cargos normalmente considerados importantes.

Cigarros “chocantes”


Para compreensível desgosto dos fumadores mais impressionáveis, chega a notícia de que entrará em cena, em princípio já no próximo ano, a obrigatoriedade exibir nos maços de cigarros “imagens chocantes”.
Como abandonei a “modalidade” vai para sete anos, provavelmente não terei voto na matéria... mas mesmo assim, ante de começarem à procura de fotografias tremendas de pulmões assim e assado e etc., vendo o actual preço dos maços de tabaco que eu habitualmente consumia à razão de ligeiramente mais de dois por dia, o que é que querem mais chocante para colocar à vista e bem grande, para além desse preço... e de perceberem quanto do preço são impostos, cobrados pelos legisladores que estão tão "preocupados" com a nossa saúde?
Estão ver o efeito? Dois maços por dia, a 4€ cada, vezes trinta dias... 240 Euros por mês... ou seja, a pensão de sobrevivência de alguns milhares de portugueses. 

Chocante, não é?!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Lixeiras a céu aberto


Caso não tenham reparado, esta foi, em dia de Greve Geral, a capa do jornal “i”, de que agora é director o asqueroso fascista António Ribeiro Ferreira... aquele que ainda há pouco tempo defecava diariamente “crónicas” na última página do Correio da Manhã... a que dava o nome de “Diário da Manhã”, o velho pasquim de Salazar.
Este governo de ladrões tem os aliados que merece!

Repelente!


Cada pessoa terá a sua versão, a sua interpretação e explicação para todos os números que envolveram a Greve Geral.
Dependendo do lado de que está, cada pessoa tem uma diferente sensibilidade para entender a luta de classes e os fenómenos que a impelem. Cada pessoa dará um sentido aos abusos, actos de prepotência, tentativas de identificação prévia de grevistas, chantagem e ameaças directas que sempre fazem “companhia” ao momento de coragem e sacrifício pessoal que é aderir a uma greve... realidade que mais uma vez, largamente, se verificou.
Dito isto, o único número que realmente me impressionou, foi-me atirado pela televisão, enquanto almoçava. O Governo do meu país, até às não sei quantas horas, estimava que a adesão à Greve Geral, no sector público... era de 3,6 por cento.
Seria, de forma destacada, a anedota do ano... não fora o facto de revelar, de forma crua, um Governo formado por gente repelente. Gente sem carácter para gerir nada. Nem um condomínio de prédio. Vulgares vigaristas. Reles salafrários. Canalhas!!!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Greve Geral!




Que seja um grande dia de afirmação do repúdio desta política!

Que aqueles que fazem greve sintam o conforto de estarem do lado certo da História!

Que aqueles que não participam por medo, falta de enquadramento, desânimo... não venham a arrepender-se muito, por não terem engrossado as fileiras de quem resistiu!

Que aqueles que ficam de fora, rosnando "vão mas é trabalhar!"... ... (não vale a pena!)

Viva a Greve Geral!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Enquanto estou ausente...




Não tenho tempo nem "net" para posts... mas esta imagem, só por si,  já é todo um discurso...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Espanha – Não vale a pena tentar esconder...




Mariano Rajoy, o reaccionário para quem o PSOE perdeu as eleições em Espanha, tem, visivelmente e depois de várias tentativas falhadas, a tenacidade largamente reconhecida às lapas, para se agarrar ao poder. Desgraçadamente, tem também o mesmo carisma, criatividade, ideias, capacidade de comunicação...
Lá, como cá, assistiremos a essa novidade política que que é a “degradação na continuidade”, em que tanto faz o PSD suceder ao PS, como o contrário...
Seja como for, aquilo que me “convoca” nestas eleições espanholas não é o facto de a crise ter derrubado mais um governo, independentemente da sua orientação. Aquilo que é verdadeiramente espantoso é que varrendo o “Google” e os jornais, quase de cabo a rabo, fica-se com a ideia de que apenas o PP e o PSOE concorreram ao acto eleitoral.
Nada mais falso! A subida da "Izquierda Unida", de dois deputados para onze, demonstrando que conseguiram sacudir o fardo do “voto útil”... pelo menos a ver pela extraordinária votação (que não é reflectida no número de eleitos), somada à subida de outras forças de esquerda, mostram que há muito mais gente a mexer para aqueles lados do que aquilo que a imprensa do sistema quer fazer crer. Mostram que lá, como cá, há muitos milhares de cidadãos que não se conformam.
Voltando ao princípio e à “entusiástica” figura do novo presidente do Governo espanhol, com o seu discurso soporífero... direi que, provavelmente, ele é a prova de que, afinal, existe esperança para António José Seguro.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Reles... ou "Os Três Trastes Tigres" (*)


Há dias, numa entrevista, o actor José Pedro Gomes comentou com muita graça a intensão da troika ocupante e dos seus lacaios locais, de aumentar os horários de trabalho em mais meia hora por dia. Disse ele que, com a nova peça já escrita, encenada e ensaiada, não estava a ver como raio é que iam conseguir acrescentar mais meia hora ao espectáculo.
É esta preciosa capacidade de, mesmo nos momentos mais cinzentos, conseguirmos fazer do humor e do riso, combustível para a nossa necessária resistência, que nos ajuda a suportar a visão, audição e leitura de bandalhos como o protofascista João Duque e a sua apologia da censura, manipulação e controlo da informação por parte do governo, afirmando que isso é “a bem da nação”... mesmo sabendo que não é.
Ou como o sociopata, perdão... sociólogo (que alguns, inexplicavelmente, identificam como uma figura "de esquerda") Manuel Villaverde Cabral, que de uma penada, resolveu desrespeitar décadas de luta de milhões de trabalhadores (e o sacrifício da vida de muitos deles) pelos seus direitos, condições de trabalhos e duração da jornada desse mesmo trabalho... afirmando que é perfeitamente aceitável acabar com o 1º de Maio... dado que a comemoração desta data «é a mesma coisa» que o 25 de Abril... mesmo sabendo que isso não é verdade.
Ou como o calhordas Vital Moreira que, embora não concordando (segundo diz) com os cortes de salários no sector privado, acha, no entanto, que é aceitável o aumento dos horários de trabalho, para se conseguir uma maior “produtividade”... mesmo sabendo que isso é mentira.
Muitas carradas de ânimo e “combustível” serão necessárias para resistir a lixo deste calibre!

* Desculpa lá, Ana Deus...

domingo, 20 de novembro de 2011

Sílvio Rodriguez – Canción del elegido


La ultima vez lo vi irse
entre el humo y metralla
contento y desnudo:
iba matando canallas
con su cañón de futuro.”
(Sílvio Rodriguez – letra completa aqui)

Descobri a música cubana (que verdadeiramente me interessa) apenas depois de Abril. Curiosamente, primeiro, pela voz da muito jovem castelhana exilada em Paris, Elisa Serna, descoberta, produzida e acarinhada por vários dos seus amigos e companheiros da canção de intervenção de Espanha, como Paco Ibañes. Uma das faixas do seu disco de 1972, “Quejido” editado pela lendária editora “Le Chant du monde” era a canção de Pablo Milanés, “Pobre del cantor”... em que fiquei “viciado”.
Depois, exactamente com Pablo e Sívio Rodriguez, foi a descoberta do mundo da “Nova Trova”, com que mantenho um namoro até hoje.
Sílvio Rodriguez gravou em 1978 um grande disco. Chama-se “Al final de este viaje”. Sem orquestrações, sem enfeites, sem contemplações. Apenas voz e guitarra. Fazem parte desse belíssimo trabalho canções como “Ojalá”, uma pérola chamada “Oleo de mujer con sombrero”, “La era está pariendo un corazón” (uma das várias canções que durante a sua carreira foi dedicando ao “Che”)... e esta coisa tremenda que é a nossa cantiga de hoje, “Canción del elegido”.
Esta canção não tem “explicações” nem “manual”. Ouve-se até ao fim, de um fôlego, e fica-se sem grande coisa a dizer... a não ser que é pena ter acabado.
Bom domingo!
Canción del elegido” – Sílvio Rodriguez
(Sílvio Rodriguez)



sábado, 19 de novembro de 2011

Assunção Cristas – Olha a fruta fresquinha!!!


Ó minha cara Assunção Cristas. Eu também acho que as crianças deveriam comer fruta “natural”, comida caseira acabada de fazer e confeccionada com os melhores produtos... sei que os boiões de comida para bebé (embora você se tenha “esticado” um pouco ao dizer que não são adequados para alimentar as crianças) não substituem os produtos frescos.
Acontece, cara Assunção, que nem todas as mães e pais dão esses boiões de comida industrial aos seus filhos por preguiça. O caso é que nem todas as mães que (também) trabalham fora de casa têm oportunidade para, pelo menos durante esses dias de trabalho, preparar com tempo a comida das crianças... e sim, é verdade, cara Assunção, nem todas a mães têm empregadas em casa. É estranho, não é? Mas é a mais pura verdade!
Seja como for, aquilo que me encanzinou nas suas declarações, não foi a sua súbita descoberta das maravilhas da comida caseira e das frutas frescas, mas sim a razão dessa “descoberta”.
Por causa da crise?! Para “compensar”...  ou para tentar "desvalorizar"a subida do IVA na comida para bebés?!
Realmente, cara Assunção Cristas, por vezes não é aquilo que se diz, mas sim porque razão se diz e em que momento, que torna algumas declarações verdadeiramente suicidárias... ou, pelo menos, lamentáveis.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Cavaco Silva e Bertold Brecht


(Montagem surripiada ao “5dias.net”)

Não, senhor Aníbal! Parece que o poema original não foi, afinal, escrito por Bertold Brecht, mas sim pelo pastor luterano Martin Niemöller… mas isso agora não interessa nada! O que interessa é que a sua “adaptação” está muito bem achada. Espero que não se importe que eu a divulgue...

Primeiro levaram o Oliveira e Costa
Mas eu não me importei,
porque não era presidente do BPN

Depois, apertaram com o Dias Loureiro
mas eu não me importei,
porque não era da SLN, nem tinha negócios offshore

Depois prenderam o Duarte Lima
mas eu não me importei,
porque nunca conheci a secretária do Tomé Feteira...
nem cometi (há o caso das acções e da Coelha... mas que diabo...) fraudes no BPN

Agora, estão a subir a escada...
estão a bater-me à porta...

E quando percebi
Já era tarde!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Contra os ladrões, marchar... marchar...




Miguel Macedo, ministro da Administração Interna, cumpriu o inexorável “princípio de Peter”. Subiu para o primeiro degrau da incompetência. Ainda há poucos meses o víamos e ouvíamos, falando “grosso” na bancada do PSD, massacrando as trapalhadas e mentiras de Sócrates... e aí está ele agora, membro de um governo de mentirosos e trapalhões. Atabalhoado, dando respostas redondas e evasivas, seja qual for o problema com que o confrontem.
Resolveu prometer mais 1100 polícias em 2012. Mesmo que consiga a proeza de levar o amigo Gaspar a descoser-se com o dinheiro para os ordenados... espero que os novos polícias sejam grandes amantes das caminhadas a pé, ou praticantes apaixonados de ciclismo... e, claro, que tenham um grande sentido de humor.
É que a manter-se a realidade anedótica desta notícia, ou desta outra, isto para dar apenas dois exemplos entre muitos... os homens e as mulheres vão ter muito que dar à perna.

Sim, amigos, o ambiente que se vive é de chumbo! Todavia...




Sim, amigos, o ambiente que se vive é de chumbo! Todavia, ainda é possível sair à rua e ver abertas de sol... promessas de um tempo melhor que aí vem.
Aconteceu-nos ontem. Saímos à rua no preciso momento em que o António Gervásio depositava na nossa caixa de correio um “Avante!”. É uma das suas ocupações: percorrer energicamente a cidade, a pé, distribuindo informação, propaganda... e estes excedentes do jornal, que sobraram da semana anterior.
O António Gervásio, para quem não souber, é um Homem, um camponês de quase oitenta e cinco anos... mas que continua a achar que a malta nova lhe trava o passo nas muitas iniciativas de rua e porta-a-porta em que faz questão de participar.
Teve uma vida cheia. Uma vida que dava um grande filme sobre a História do Alentejo. Aos dezoito anos de idade entrou para o PCP. Há sessenta anos, percorria ele esta terra grande, de cima abaixo e para todo o lado, fazendo milhares de quilómetros em bicicleta, clandestinamente, reunindo, mobilizando, esclarecendo, lutando com os seus companheiros camponeses, dia a dia, pela dignidade, pelo pão, pela liberdade, pela Reforma Agrária que haveria de chegar um dia...
Antes de Abril sofreu a morte de Catarina Eufémia... mas esteve na vitória que foi a conquista da jornada de trabalho de oito horas. Foi repetidamente preso e torturado... mas participou no momento luminoso da fuga da prisão de Caxias, no automóvel de Salazar, oferecido por Hitler.
Depois de Abril, viveu todos os minutos da mais bonita conquista da Revolução, a Reforma Agrária por que tinha lutado toda a vida. Assistiu ao milagre da produção, da terra partilhada, do pleno emprego...
Até a contra-revolução se abater sobre o Alentejo, ancorada em leis espúrias e decisões criminosas de Barreto e Mário Soares, ofensiva que, para liquidar a Reforma Agrária, viria a servir-se de todos os meios. Até do assassínio de trabalhadores.

Hoje continua, esclarecida e lucidamente a afirmar sem desânimo, que a Reforma Agrária é necessária.
Desculpem-me esta inusitada “aula” de História... mas este post, que aparentemente não servirá para nada, pode muito bem ser lido por algum jovem que, mesmo não deixando de ser quem é, ganhe a vontade de ser também, pelo menos um pouco como o António Gervásio.
Como disse, o ambiente que se vive é de chumbo! Todavia...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

João Duque – “A bem da nação”




O injustificável Miguel Relvas encomendou um “estudo” que legitimasse a planeada destruição da RTP e do Serviço Público de Televisão. O “grupo de trabalho” estudou, estudou... e fez a vontade ao ministro. Foi mesmo mais longe... “decretando” a extinção da ERC, que nada tem que ver com o assunto em foco.
Sobre o “estudo”, as reações são várias, como se pode ver aqui, aqui, ou aqui...
Pelo que vou conhecendo das várias figuras que compuseram o conjunto de “estudiosos”, fica claro que foram escolhidas figuras que (nalguns casos) não escondem o seu ódio à televisão pública, logo, perfeitamente “isentas”... mas a figura que me interessa é a do cabecilha do dito grupo, João Duque.
João Duque, que já nos habituou às opiniões ultraliberais com que nos agride quase diariamente, quando não está a vender umas aulas de Economia no ISEG, deu a cara pelo resultado do “estudo”. Mas esta frase, dita de viva voz, define o espírito que está presente em toda a “coisa”, quando quis caracterizar o canal de notícias que, de futuro, viria ser “controlado” diretamente pelo Governo, via Ministério dos Negócios Estrangeiros.
«Se quiser manipular mais... ou manipular menos, opinar, modificar... é da sua inteira responsabilidade, porque estamos convencidos de que o faz a bem da nação... porque foi sufragado e eleito para isso.»
Esta frase fantástica apenas confirma aquilo que já pensava do “economista” João Duque, mas, mais do que tudo, demonstra que por detrás de muitos “neoliberais” e das suas tretas pseudo-libertárias, se escondem vulgares fascistas... só que são fascistas demasiado cobardes para se assumirem como tal.

Governo Passos/Portas – Não se faça confusão!


Perante esta notícia, poderíamos ser levados, ou por uma deslocada caridade devota, ou por uma desaconselhável displicência ateia, a averbar esta desgraça nacional apenas na conta da incompetência dos nossos governantes.
Nada mais errado! Se é verdade que alguns são de facto bastante incompetentes, não é menos verdade que aqueles que realmente contam, sabem muito bem aquilo que fazem.
A sua tarefa, que cumprem com vontade e a competência necessárias, é destruir um património do Estado, que levou décadas a construir, erguido pelo esforço e os impostos de várias gerações de trabalhadores, património que agora lhes é roubado, desavergonhadamente, para enriquecer alguns amigalhaços, nacionais e estrangeiros... e nalguns casos, como é sabido, os próprios decisores políticos.
Portanto, que não se faça confusão! Estamos e ser governados por vulgares salteadores! Mais tarde ou mais cedo (antes cedo que tarde!), terão que ver-se a contas com a justiça!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Pedro Miguel Silva Martins – Mais um génio...




Eu sei que se ganham pontos preciosos num debate, quando, mesmo enfrentando canalhas, se lhes dá o tratamento reservado aos adversários dignos de respeito.
Eu sei que nos comentários e crónicas do dia a dia, não devemos apelar aos panos encharcados nas trombas, aos cotovelos pelos dentes dentro, etc., etc...
Eu sei que no confronto de ideias nos blogues, está na moda fazer muitas vezes referência “ao outro”, ao “imaginário colectivo”, à “viagem ao interior”, a uma "cultura dos afectos", à “representação da realidade”, aos “contactos entre o Ego e o Self”... pelo menos até o post se parecer com um prefácio de ensaio de “psicologês”... ou então com um catálogo de exposição de artes plásticas ou dança contemporânea.
Eu sei que em tudo isto tenho falhado, repetidamente.
Mas que dizer, quando nos sai ao caminho uma figura alvar como esta, do garoto que faz de secretário de estado do Emprego, carregado de cursos e com assento numa cátedra de Universidade inglesa, a afirmar, numa declaração mentirosa, desavergonhada, circular, interminável, atabalhoada e de que já não sabia como sair... que o ordenado mínimo nacional «não é realmente baixo»?
Assim, convenhamos, não é fácil!!!

Álvaro Santos Pereira – Ali há coisa ruim...


Será dos ministros? Será bicharada que anda para ali encrustada nas carpetes e cortinados do gabinete do ministério e que acaba por se alojar nos cérebros dos ministros, levando-os a, praticamente, só dizerem asneiras de cada vez que abrem a boca? Mistério.
A verdade é que à semelhança do “saudoso” Manuel Pinho que, enquanto tudo desabava, decidiu que a crise tinha acabado... também este destrambelhado Álvaro Santos Pereira se levantou da cama com uma irreprimível vontade de proclamar o fim da crise... para apenas alguns minutos depois, penosamente, ter que dar o dito por não dito.
O mundo está como está. As notícias que chegam do resto da Europa são desesperantes. A convulsão é generalizada. A realidade portuguesa, inexorável, atira-lhes à cara os números da queda da produção industrial, ou da continuada recessão... mas não há nada a fazer! A sanidade mental dos ministros da Economia, se acaso existia... resolve abandoná-los assim que passam a porta daquele edifício malino.
Vasco Santana produziu uma das minhas piadas preferidas (certamente por deformação profissional da minha parte) quando afirmou num dos seus filmes: «Tenho uma voz pequenina, mas em compensação, bastante desagradável».
Se fizesse de Álvaro Santos Pereira, poderia dizer: «Tenho uma carreira pequenina, mas em compensação, bastante ridícula!»

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Cavaco - Realidade bifocal


Uma antropóloga brasileira, de seu nome Miriam Goldenberg, escreveu um livro sobre a grande complexidade das relações entre humanos, a que deu um título integralmente copiado de um verso da canção “Vaca sagrada”, de Caetano Veloso:
“De perto ninguém é normal”
Vê-se bem que nem a antropóloga, nem o cantautor, conhecem o “nosso” Aníbal Cavaco Silva. Se seguissem, como nós, as várias, sempre importantes e sobretudo esclarecidas declarações que ele tem cometido nos EUA, a milhares de quilómetros de casa, veriam que...

de longe também não!


domingo, 13 de novembro de 2011

Summertime - Sara Sant'Ambrogio



“One of these mornings
You're going to rise up singing
Then you'll spread your wings
And you'll take to the sky”
("Summertime", da ópera "Porgy and Bess")
A escolha de "Summertime" para sonorizar este domingo apresenta várias (quase) impossibilidades.
Como conseguir dizer alguma coisa original sobre esta canção, sobre a ópera de que faz parte, “Porgy and Bess, ou sobre os autores, George Gershwin, Ira Gershwin e DuBose Heyward?
Como escolher entre as mais de trinta mil versões gravadas por outros tantos intérpretes, que vão desde novos músicos e cantores de jazz até aos vários nomes da música erudita que a cantaram e cantam?
Como deixar de lado a esta versão comovente de Peter Gabriel, resultado da sua participação num fantástico disco colectivo de tributo a Gershwin? Como contornar Billy Holliday? Como dispensar Ella Fitzgerald e Louis Armstrong juntos? Como esquecer a versão de voz destruída e “quimicamente impura” de Janis Joplin?
Assim sendo, proponho que façam como eu: soletrem mentalmente a letra, pelo menos as partes de que se lembram... enquanto ouvimos esta estranha forma de “cantar” com o violoncelo que nos oferece a surpreendente Sara Sant’Ambrogio.
Bom domingo!
Summertime” – Sara Sant’Ambrogio
(DuBose Heyward e Ira Gershwin / George Gershwin)



sábado, 12 de novembro de 2011

Selecção Nacional


Por mais que eu fale ou escreva acerca do meu vasto desinteresse sobre o fenómeno futebolístico, há sempre aqui ou ali um amigo a tentar ganhar-me para a causa. Lá estava este, deixando arrefecer o café irremediavelmente, para me explicar (com algum pendor patriótico) as várias incidências do jogo da “nossa Selecção em Zenica, que se diz “Zenitza”... e que o empate foi deste modo... e o relvado estava daquele... e que o Paulo Bento assim... e que o apuramento assado... e que dominamos durante todo o tempo... e que o Ronaldo, ah!... o Ronaldo...
E eu, que tenho esta “ciguêra” de ver tudo em canções, ia ouvindo... mas deu-me para me lembrar do Frei Hermano da Câmara (há dias assim!) e ficar entretido a cantarolar “de mim para comim”...
Era o rapaz da camisola verde
Negra madeixa ao vento
Bósnia maruja ao lado

Orçamento de Estado 2012 – Abrir Janelas...


Aí está o «orçamento do roubo dos salários e pensões» aprovado na generalidade. Agora vai passar à votação na especialidade, dizem...
Quanto a mim, não é preciso ser um génio para ver que nada ali é grande “especialidade”.
Cumpre-se a capitulação. A venda do país a retalho segue a bom ritmo.
Como já disse num comentário noutro blog, a propósito desta gente... estes “migueis de vasconcelos deveriam começar a ter cuidado ao passarem junto a janelas altas. É que nunca se sabe...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Merkozy & Sarkozel


(O cartoon valeu bem o trabalho de traduzir o texto)

Por muito que isso custe ao pessoal do Castelo, do Bairro Alto, de Alfama, da linda Madragoa e “outros bairros seus iguais”... a marcha da UE é liiiiiinnnda!!!!
Agora a sério, apesar dos “não!” escandalizados dos “dirigentes europeus” e dos “nem pensar!” do vazio Durão Barroso, todos em coro garantindo a saúde do Euro e o risonho futuro da União Europeia, batendo solenemente no peito... como se os problemas europeus e do Euro remetessem, não para a política, mas para a área da investigação cardio-torácica... a verdade é que se adensam os fumos da verdade inconveniente sobre a partilha de poder entre a Alemanha e a França, protagonizada pela frau Merkel e o monsieur Sarkozynho, manobra que passaria por “despachar” vários países para fora da Zona Euro.
Por mim... nem se deveria ter entrado, mas enfim...
Na verdade, não sei o que é mais ridículo; se imaginar os dois trastes como Imperadores da Europa... se como demenciais “presidentes” do condomínio de um prédio em ruínas.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Quando falta a pachorra...


Você fazem ideia (não, não fazem!) da enxurrada de esterco que algumas cabeças se deram ao trabalho de produzir, para tentar conspurcar este último post, sobre o aniversário de Cunhal?
Ele foram os insultos costumeiros, ele foram vídeos com discursos de Salazar e marchas da Mocidade Portuguesa, da Legião e de tropas nazis, ele foi o já habitual “vão mas é prá Rússia” (sim, ainda há quem mande para a Rússia)...
Cada qual com as suas particulares características, todos no entanto partilham a profunda imbecilidade de pensar que os seus “comentários” veriam a luz do dia.
Todos eles, com o coro dos doutores do governo, presidente, mais o rancho dos “pinas mouras”, dos “cantigas esteves”, dos “bragas de macedos” e demais “brilhantes economistas”, mais a vara de analistas, politólogos e derivados... lembram-me de uma singela estória, passada numa escola, estória que prazerosamente lhes dedico.
O professor, pedia aos alunos exemplos de palavras que terminassem em “LH”, seguidos de uma vogal... como palha, folha, etc.
Depois de vários exemplos bem sucedidos vindos de vários alunos, o Miguel respondeu: “pombo-correio”.
E o professor espantado: Ó Miguel! Mas onde raio é que o pombo-correio tem o “LH”?
- Na anilha, setôr... na aniLHa!!!
(E os amigos e amigas... desculpem a má disposição, mas há dias em que a pachorra é um bem muito escasso)

Álvaro Cunhal (10.11.1913 – 13.06.2005)


Todos os dias nascem milhares de seres humanos. Nascem rodeados e condicionados pelas realidades mais diversas. Nascem do amor, do acaso, da violência... mas todos, todos com o inalienável direito a conquistar um lugar no grande navio da História.
A grande maioria vem engrossar as fileiras dos explorados pelos “senhores da Terra”.
Muitos, pela sua “diferença”, estão condenados à discriminação, às humilhações, ao martírio.
Outros, exatamente por serem “diferentes”, serão capazes de, ainda que milimetricamente, desviar o leme e o rumo do navio... para melhores portos, praias mais suaves, manhãs mais claras, dias mais justos...
Este, Álvaro Barreirinhas Cunhal, nascido a 10 de Novembro, há 98 anos, foi, e até ao limite das suas forças, um ser humano decididamente muito diferente... como eu tive o grato privilégio de constatar.
“Até amanhã...”