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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Sábado de memórias boas


À hora a que este post se publica automaticamente, estou eu em ensaios com o “meu” pianista. Trata-se de alinhavar a minha participação musical na tarde prazerosa que se vai viver na Voz do Operário, entre amigas e amigos... lembrando o José Carlos Ary dos Santos.
A ideia e o convite irrecusável foram da “Associação Conquistas da Revolução”. Os pormenores do elenco e horário podem ver-se no cartaz...

Apareçam...


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Em cada esquina um amigo – Lá chegaremos, Zeca!


Olá, Zeca!
Como não tenho a menor intenção de falar de morte... este recado é só para dizer que a saudade aqui por casa não abranda.
A tua Grândola está a fazer um sucesso fantástico... por boas razões, mas nem sempre da forma mais acertada. Mas isso são contas de outro rosário.
Como deves calcular - já que me conheces - não estou a falar na afinação vocal dos espontâneos cantores e cantoras, nem tão pouco do facto de quase ninguém saber a letra da cantiga... pois nesta segunda “arte” sempre foste tu o campeão.
Seja como for, cantando mal ou bem... havias de gostar de ver as idades da maior parte da malta que anda a cantar-te, por vezes pela primeira vez. Quem sabe se nalguns, mesmo que pouco a pouco, a coisa pega e frutifica?
A propósito... dentro de algumas semanas estarei de novo no júri do “Festival Cantar Abril”, inventado pela Câmara de Almada, e que instituiu um prémio com o teu nome. Há um belo punhado de malta nova que vem a concurso e, sobretudo, a convívio, mostrar as suas cantigas originais que falam de liberdade e futuro, ou recriar as canções da resistência e de Abril. Destas, como aliás nas edições anteriores, quase metade dos títulos a concurso... são teus.
Não fiques acanhado e, muito menos preocupado. Ninguém leva a mal!

Um abraço apertado.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Hoje – “Amigos Maiores que o Pensamento”



Hoje, mais logo à noite, no Teatro Sá da Bandeira de Santarém, o Pedro Barroso, o Manuel Pires da Rocha (Brigada Víctor Jara), o Rui Pato (grande acompanhador e companheiro do Zeca), o Paulo Sucena, o Paulo Vaz de Carvalho, Rubro... e até eu, vamos estar no palco, cometendo poesia, memórias e canções.
Temos uma boa desculpa: o acto é dedicado ao Adriano, ao Zeca... e a Abril.
Se estiverem pelas redondezas, não se fiquem. Saiam de casa. Apareçam por lá e cantem connosco!
Até mais logo!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

José Niza – 1938/2011


José Niza com José Afonso e Adriano Correia de Oliveira

Morreu o José Niza. Amigo. Músico. Médico. Deputado. Militante do PS. Produtor de vários dos discos do Zeca. Compositor de uma bela mão cheia das melhores cantigas do Adriano Correia de Oliveira. Autor da primeira “senha” musical do 25 de Abril, “E depois do adeus”.
Em 1972, a pedido do Zeca, foi ouvir-me cantar e propôs-me a gravação do meu primeiro disco, “O cantigueiro”, de que foi o produtor. Um ano depois convidou-me para participar no grande disco “Fala do homem nascido”...
O resto é História. Cada um seguiu caminhos diferentes, mas nunca deixámos de partilhar aquilo que resiste a (quase) tudo: o apego às nossas cantigas... e a amizade pessoal.
Quando participei, há alguns meses, num espectáculo em sua homenagem, em Santarém, disse-me que tinha alguns originais a que gostaria que eu desse uma vista de olhos... não chegámos lá.
Zé, aqui fica a tua “Roseira brava”, que o Adriano cantava, e que eu levei a uma festa do 25 de Abril no Coliseu, acompanhado pela Maria (que já não quer andar nestas vidas...) e por aquela revoada de malta tão nova... sem os quais não haverá quem cante as tuas canções... ou as minhas... sem os quais não haveria sequer futuro...
Um abraço, Zé!
“Roseira brava” – Maria do Amparo/Samuel/Oficina do Canto
(António Ferreira Guedes/José Niza)



terça-feira, 26 de julho de 2011

Noruega – Lembrando Bertold Brecht




Para além destas linhas em que quero deixar um pensamento solidário para com os familiares e amigos das vítimas do massacre na Noruega, não estou disponível para contribuir, de qualquer forma que seja, para a promoção, divulgação de ideias e muito menos das “explicações” dos motivos (por vezes, quase justificativas) que levaram o bandalho assassino a fazer aquilo que fez.
Os jornais televisivos estão a fazer esse triste trabalho muito bem... sem necessitar da minha ajuda, numa cobertura histérica, onde só falta a divulgação dos nomes, moradas e telefones, das hipotéticas vítimas constantes das dementes listas de cidadãos a abater no futuro, um pouco por todo o mundo.
Já o clima social e político que, num crescendo, vai permitindo o aparecimento de tumores abjectos como este... esse merece toda a atenção e vigilância.
Como escreveu Bertold Brecht, «Isso que aí está, esteve quase a governar o mundo. Mas os povos dominaram-no. No entanto, desejaria não ouvir o vosso triunfante canto: o ventre, donde isto saiu, ainda é fecundo.»
25 de Abril sempre, fascismo nunca mais!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

25 de Abril de 2011 – Uma espécie de crónica...


(Abel Manta – “Detenção”)

O meu 25 de Abril deste ano foi passado entre Montemor-o-Novo e Avis. Sempre entre amigos. Sempre entre sentimentos e sorrisos quentes. Ao som de músicas familiares.
A noite de 24 passou-se em Montemor, com um “íntimo” concerto de amizade entre técnicos, músicos, eu e o José Jorge Letria, que aceitou o meu desafio de vir até aqui para ler o seu longo, belo e emocionante texto poético, a que chamou “Uma carta ao Zeca”. Lida à mistura com um bom punhado de canções do mestre, que escolhi tendo o cuidado de incluir algumas das (infelizmente) menos conhecidas, esta “Carta ao Zeca” resultou num “objecto cultural” que nos deu tanto prazer... que não vai ficar por aqui. Nasceu um novo espectáculo que irá andar por aí... provavelmente, acompanhado de um livro/CD... e cimentado por uma amizade de muitos anos.
O dia 25 foi reservado para Avis. Como as canções que tinha para cantar neste dia foram transferidas para o 1º de Maio, fiquei livre de ir até Avis apenas como público, embora um dos grupos convidados a participar na festa tenha um “som” e um reportório que saem deste computador/estúdio em que escrevo... e seja dirigido por uma tal Maria do Amparo. O grupo ia cantar o “Livre” (não há machado que corte...) e a “Grândola”, uma na abertura da festa e a outra a fechar.
A festa era o próprio 25 de Abril, ou melhor, uma encenação/recriação dos anos que o antecederam, das lutas que o tornaram inevitável e da festa que se seguiu. Foi uma realização da companhia de teatroVivarte e valeu bem a viagem.
Ali se ouviu falar da fome nos campos, das lutas por melhores salários e horários de trabalho um pouco menos desumanos; ali se viu a presença constante da GNR, defendendo os interesses dos latifundiários; ali se assistiu à representação da tortura de Germano Vidigal no posto da GNR de Montemor, tortura que resultou na sua morte às mãos dos torturadores. O assassínio seria registado no relatório como “suicídio”.
(Nesta altura, alguns elementos do público optaram por se afastar e deixar correr algumas lágrimas às escondidas. Um deles canta no tal nosso “Grupo de Cantares de Ervedal”... e ainda não é capaz de olhar para “aquilo”... mesmo tantos anos passados e sabendo que é uma representação)
Ali chegaram cartas da guerra, escritas no mato, contando a morte de mais um camarada e falando dos vivos, cá e lá, trespassados de saudades; ali os capitães e soldados marcharam novamente sobre Lisboa e derrubaram o fascismo...
Rapidamente chega a festa, a leitura integral d’ “As portas que Abril abriu”, a “Grândola vila morena”, música popular improvisada, danças entre os soldados, ceifeiras e camponeses atores e atrizes, misturados com o público, onde estão, já avançados na idade e carregados de História, alguns desses camponeses e ceifeiras a sério... e a gente mais nova que ali estava enchendo o grande largo do Convento de São Bento da Ordem de Avis.
Como aquilo não era uma festa de gente distraída, andavam por lá rondando, no fim, três figuras vestidas de negro, três cangalheiros com pastas de executivo onde se podia ler “FMI”, “BCE”, ou “Troika”...
Tudo isto a mostrar que entre a linha do Atlântico e a Espanha há um país. Um país que só aparece nos jornais se o padre fugir com uma paroquiana, se alguém matar o vizinho, ou se um homem morder um cão. Um país com gente que ainda tem sonhos e projetos diferentes daqueles que fazem as primeiras páginas e as aberturas de telejornais.
Um país que está longe do pensamento único da anestesiada e soporífera “comemoração” de um Abril traído e em coma, nos jardins do Palácio de Belém. Um país que resiste!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Dia 25 de Abril



("Liberdade" - Maria Helena Vieira da Silva)




domingo, 24 de abril de 2011

Ary dos Santos – As portas que Abril abriu


(Nikias Skapinakis – “Delacroix no 25 de Abril”)

Hoje, dia 24 de Abril, quanto mais se aproxima a noite, mais intensa se torna a memória dessa fantástica mudança de data, mudança de vida, mudança da noite para o dia, que foi a entrada no dia 25 de Abril de 1974.
Por muito que alguns lamentem não ter, a tempo, liquidado nas prisões todos aqueles que traziam Abril a germinar no pensamento; por muito que outros se “arrependam” de o ter feito; por muito que se queira mascarar de evolução aquilo que foi revolução; apesar das muitas gavetas onde se foi guardando, escondendo, exilando e tentanto amordaçar as conquistas de Abril... Abril fez-se e está aí!
Lembrá-lo, ativamente, todos os dias, é já defendê-lo. Cantá-lo, é já fazê-lo avançar... para que se cumpra. Livre, justo e plural, tal como foi sonhado.
Eu sei que hoje é domingo, e que aos domingos é dia de música aqui na casa... mas quem é que diz que este poema e a voz do Ary não são uma canção?


Vale bem a pena ganhar estes oito minutos e meio a ouvi-lo e recordá-lo.


Bom domingo!
“As portas que Abril abriu” – Ary dos Santos
(José Carlos Ary dos Santos)



sábado, 23 de abril de 2011

Boa Páscoa!


Aí está a Páscoa. Mais uma festa religiosa cristã adaptada de outra, judaica, em que os cristãos mais rigorosos... ou pelo menos mais sinceros, se veem ingloriamente soterrados pela festança daqueles milhares e milhares de “cristãos” sempre prontos a celebrar a Páscoa, da boca pra fora, quando na realidade já só a celebram da boca pra dentro, em copiosas e abrutalhadas comezainas, no fim das quais qualquer tentativa de “louvor” só poderia manifestar-se em forma de arroto...
Por mim... celebro uma outra espécie de “Páscoa” sempre que chega chega Abril... e durante todo o ano, sem data ou hora marcada. Na verdade, em vez de um, tenho muitos protagonistas a quem lembrar. Muitas mulheres e homens que, em outros tantos “Calvários”, ou “Jardins das Oliveiras”... que por cá se chamavam Aljube, Caxias, Forte de Peniche, Tarrafal... deram o melhor da sua vida – por vezes, a própria vida – para que a minha (a nossa) pudesse ser melhor, não um dia... provavelmente no céu, mas sim agora e aqui.
A esses canto! Celebro o seu exemplo... enquanto luto para que isso não se transforme numa religião.

sábado, 19 de março de 2011

Hoje – Avenida da Liberdade




Hoje vou até Lisboa, para me encontrar com uma (grande) mão cheia de amigos. Sinto-me “tocado” por uma espécie de “espírito de despachante oficial”... quero dizer, apetece-me despachar para os quintos dos infernos estas políticas de direita que oprimem os trabalhadores e arruínam o país...  e de passagem, também os lacaios que as têm posto em prática.
Hoje vou até Lisboa, porque tenho umas coisas para dizer... que soam muito melhor ditas de viva voz.
Hoje vou até Lisboa e, por razões de ecologia e higiene democráticas, descerei a pé a Avenida.
Hoje vou até Lisboa, para falar, cantar, gritar, dar abraços, passear... na Avenida cujo nome, para mim (um aceno para os muito que detestam o acordo ortográfico), será sempre escrito com maiúsculas; será sempre a Avenida da Liberdade!
Até logo!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Há muito mais futuro que passado


(25 de Abril - fotografia de Nuno Ferreira Santos)

De eleições, destas eleições, falaremos mais logo, amanhã, depois... mas agora,
O sonho é ainda uma criança!
Sigamos a criança... sigamos o sonho!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

José Carlos Ary dos Santos – 27 anos


Faz hoje vinte e sete anos que o José Carlos Ary dos Santos nos legou a tarefa de tomar conta da sua obra e da sua memória. Por isto e por aquilo, por falta de tempo ou de atenção, nem sempre o teremos feito tão bem quanto deveríamos... mas sempre que o fazemos, é com o coração.
Atrevam-se a perder um pouco mais de oito minutos de uma qualquer irrelevância e ganhem-nos, ouvindo o poema “As portas que Abril abriu” da melhor maneira imaginável: dito pelo Ary.
Ninguém corre perigo. Apenas alguns de nós sentirão, como eu sentirei, aquela fantástica palmada no ombro... aquela espécie de sismo com que ele festejava a onda de aplausos que o traziam do palco até aos bastidores, a perguntar: saiu bem? Achas que gostaram? E toda a gente “lá fora” ainda gritando AryAryAry!”... ou “Vinte e cinco de Abril sempre, fascismo nunca mais!”... o que queria dizer exatamente o mesmo.


“As portas que Abril abriu” – Ary dos Santos
(José Carlos Ary dos Santos)


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Vítor Alves, "Capitão de Abril" – Não foi para isto...


Provavelmente, a cobertura que os jornais e a televisão fizeram da notícia da morte de Vítor Alves, um dos artífices da Revolução de Abril, como se pode ler, por exemplo, aqui, ou aqui, ou aqui, ou aqui, ou aqui, é respeitosa e adequada... provavelmente.
Mesmo assim, está a levar-me à náusea o desequilíbrio entre essas notícias e a cobertura paranoica, doentia, mórbida e destrambelhada no seu exagero, da morte (lamentável) de Carlos Castro, essa pobre figura de pobre cronista "social", levada a cabo por todos os canais de televisão e pela imprensa, ocupando metade dos telejornais e vendendo papel à tonelada.
Trinta e cinco anos de contrarrevolução trouxeram-nos ao estado em que estamos e, desgraçadamente, também a esta comunicação social indigente.
A sério... não foi para isto que se fez o 25 de Abril!