Naquela época conturbada a que a inenarrável Zita Seabra se refere, só não havia microfones de jeito ou em quantidade, para os “cantos livres” e demais espectáculos em geral; para tudo o resto era um vê se te avias de microfones aos milhares, instalados por toda a parte e às ordens do PCP.
Como se tratava de espionagem da RDA, segundo ela, os principais microfones eram instalados nos gabinetes de ministérios e de tudo o que eram órgãos de poder, em ares condicionados que eles, espertalhaços, financiavam. Já os malandros dos russos (isto agora digo eu) tinham por costume instalar microfones nos tractores e camionetas que ofereciam às cooperativas e UCP da Reforma Agrária. Acho que havia interesse estratégico em escutar os arrotos dos trabalhadores agrícolas do Alentejo e do Ribatejo, depois de uma ou duas cervejinhas... ou até um ou outro traque, a seguir ao almoço... mas adiante!
Depois de mais esta estorieta da imprestável Zita, espero várias coisas:
1. Que se saiba realmente o que se passou.
2. Que o Procurador Geral da República, que se mostra tão interessado na estória, não deixe de perguntar à denunciante:
a. Porque raio é que encobriu, durante anos, uma estória de espionagem financiada por um país estrangeiro.
b. Porque é que, tendo há tão pouco tempo escrito um livro de memórias tão “vistoso” e rico em pormenores, se esqueceu de um “pormenor” com um tal gigantismo.
3. Que, preventivamente, Zita Seabra fique detida, exactamente por ter encoberto um caso de espionagem ao mais alto nível, até que tudo fique esclarecido.
4. Que quando tudo estiver esclarecido haja consequências sérias para os participantes, nomeadamente para os “instaladores de microfones”, para os mandantes portugueses e alemães... e no caso da serôdia denunciante, duas hipóteses:
a. Se for tudo verdade, que Zita Seabra vá parar com os costados à prisão, por encobrimento de espionagem.
b. Se for tudo mentira, que Zita Seabra vá parar com os costados à prisão, pagando pelo que será uma porca e gigantesca calúnia!




