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domingo, 9 de junho de 2013

Filipa Pais – Uma pequena batota...


Quando quero partilhar uma música, mas não estou com vontade de me esforçar para explicar claramente porque escolhi o que escolhi, porque é que fico, perante essa música, com o ar espantado do miúdo que assiste a algo prodigioso e, de uma forma geral, porque é que fiquei sem palavras... refugio-me numa pequena batota.
Uma das formas de fazer essa pequena batota é esconder-me atrás de uma canção cantada pela Filipa Pais... e acreditar que estou defendido. Que durante uns minutos não há um lugar mais seguro e prazeroso no mundo. Que enquanto durar a canção... tudo o que é feio não poderá atingir-me.
Apenas uma reflexão sobre a canção: desconfio que o Vitorino não tinha feito, até este dia, uma cantiga tão bonita... mas espero que volte a conseguir.
Bom domingo!
“Tocador de concertina” – Filipa Pais
(Vitorino)



domingo, 7 de abril de 2013

Hilary Hahn – Porque a beleza pode ajudar a salvar a Humanidade...


Ainda uma jovem mulher de 33 anos, a norte americana Hilary Hahn já foi antes visita “aqui de casa”. Apeteceu-me voltar a partilhar o seu génio convosco.
Como que numa tentativa de explicar o inexplicável, Hilary diz que a sua forma de tocar e entender a música, deve-se em parte ao facto ter começado a estudar, aos dez anos de idade, com um mestre russo que ia já nos mais de oitenta anos e que não se cansava de lhe falar daqueles que tinham sido os seus mestres, fazendo-a interiorizar a sensibilidade de violinistas que abarcavam mais de um século de vida.
Se não for essa a explicação para a dimensão da sua “cultura” musical, pelo menos mostra bem o respeito que os verdadeiramente grandes têm pelos seus mestres.
No primeiro vídeo, um encore do seu concerto de estreia na Alemanha, aos 15 anos de idade, pode ouvir-se como era “fraquinha” a tocar... mas escolhi o vídeo pela escolha do guarda-roupa que, nessa altura, desgraçadamente, ainda não devia ser da sua responsabilidade.
A escolha do segundo vídeo, já dos dias de hoje, serve apenas para mostrar como ela passou a apresentar-se infinitamente mais bem vestida... embora a tocar continue a ser mesma “desgraça” de sempre.
Bom domingo!
Gigue” (em ré menor) – Hilary Hahn
(J. S. Bach)



Bouree” (from Partita No. 3), Siciliana” (from Sonata No. 1)
 e
“Medley trad.” – Hilary Hahn
(Bach – Bach - Charles Ives)



domingo, 27 de janeiro de 2013

Mónica Salmaso – “Até a vista se atrapaia, ai, ai, ai...”


Hoje temos uma recolha de folclore brasileiro (um colhido, como dizem por lá). É uma cantiga deslumbrante, muito bem acompanhada à viola por Paulo Freire, que chama para a cantar, uma cantora “boa absurdo!”, segundo as suas palavras.
E é mesmo “boa absurdo”! É a Mónica Salmaso, cuja preferência pela cultura, pela música de recolha, a música mais comprometida com a qualidade literária, embora não a impedindo de ter um vasto público, não se pode dizer que lhe tenha aberto as portas do estrelato. Dá gosto ouvir correr a sua voz. Dá gosto ouvi-la ousar “falar errado”... coisa que repugna a tantos intelectuais de pacotilha.
Quanto à cantiga, o Cuitelinho” (beija-flor)... que diacho se pode dizer de uma coisa assim doida de bonita?
Espero que vos chegue ao peito, que como a letra diz no final (sim, é preciso ouvir até ao fim!), «é onde o coração “trabaia”».
Bom domingo.
Cuitelinho” – Mónica Salmaso
(Popular – Recolha de Paulo Vanzolini e António Xandó)



domingo, 9 de dezembro de 2012

Valentina Lisitsa – O paraíso...



Como dizem alguns críticos e ela própria admite, Valentina Lisitsa esteve a ponto de ser apenas mais uma jovem pianista loura… ucraniana... e, provavelmente, esquecida. Atravessado o deserto que separou a menina-prodígio da “vida real” da mulher, quiseram o acaso, a onda de popularidade que alastrou pelo "youtube" a propósito de um simples vídeo caseiro e o facto incontornável de ela ser realmente extraordinária... que tal não acontecesse.

Todos ficamos a ganhar!!!

Por qualquer razão, seja qual for o tema musical que ela interprete, quase toda a gente acaba por ficar "hipnotizada" pelas suas mãos.

Mãos assim, são a fantasia “romântica” de qualquer teclado com bom gosto, independentemente do género musical para que tenha sido concebido.

No “paraíso” para onde vão os pianos de concerto quando morrem, para além de recitais diários recheados de um público conhecedor, entusiástico e inesgotável… todas as pianistas têm mãos como estas.

Bom domingo!

Nocturno” Mi bemol, Op. 9, Nº 2 – Valentina Lisitsa
(Frédéric Chopin)


Moonlight” Sonata, Op. 27, Nº2, 3º Mov. – Valentina Lisitsa
(Ludwig van Beethoven)



domingo, 4 de novembro de 2012

Ana Vidovic – Matar saudades


Ana Vidovic já é de cá de casa. Hoje faz-nos mais uma visita e traz duas prendas.
Esta nossa amiga já passou há muito a fase de ter que provar isto ou aquilo, de ter que exibir um virtuosismo vertiginoso, ou teatralidades de expressão facial a servir de tempero.
De Ana Vidovic, hoje aquilo que se espera é que apareça de vez em quando... e que toque assim. Lenta, profunda, intensa, belíssima, única!
Só isso pode minimamente explicar a suave sensibilidade desta “tremenda” versão de uma famosa música de Stanley Myers, “Cavatina” (do filme “O caçador”), e da elegante perfeição destes “Recuerdos de la Allambra”, de Francisco Tárrega.
Bom domingo!
“Cavatina” – Ana Vidovic
(Stanley Myers)



Recuerdos de la Allambra” – Ana Vidovic
(Francisco de Tárrega)



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Maria Teresa Horta – Os artistas, esses “gandas” malucos!



Hoje é dia de artistas aqui na casa. A seguir ao adeus à tão simpática figura do Luiz Goes, calha a vez à poeta Maria Teresa Horta... só que esta está bem viva!

Tão viva, que apesar do justificado orgulho por lhe ser atribuído um prémio literário e do respeito e amizade que nutre pelos seus pares, membros do júri, que lho atribuíram... recusa-se a receber o prémio, dado que ele seria entregue por Passos Coelho.

Sem mais comentários... levanto-me e aplaudo!

Afasto de ti com
raiva surda

o corpo
as mãos
o pensamento

e apago secreta
uma a uma
as velas acesas do teu vento

liberta ponho o corpo
em seu lugar
visto a cidade
penteio um rio sedento

penso que ganho
e fujo
e não entendo

penso que durmo
mas não consigo
o tempo

E cede-se o vazio
sobre o meu ventre

e segue-se a saudade
em seu sustento

E digo este meu vício
dos teus olhos
de um verde tão lento
muito lento

Se penso que te deixo
já te quero

Se penso que recuso
já te anseio

Se penso que te odeio
já te espero

e torno a oferecer-te
o que receio

Se penso que me calo
já te grito

Se penso que me escondo
já me ofereço

Se penso que não sinto
é porque minto

Se penso que me olhas
já estremeço

(Maria Teresa Horta - “Minha Senhora de Mim”,1971)

domingo, 26 de agosto de 2012

Silvio Rodriguez... um presente de aniversário


Deixado “à solta” seria bem capaz de me esquecer do meu próprio aniversário... “habilidade” que há sempre quem se encarregue de impedir. O mesmo não acontece com os aniversários do “Cantigueiro”, que fez cinco anos... no passado dia 20 deste Agosto.
Não que seja costume os blogues prestarem contas... mas foram cinco anos divertidos, feitos de muitas ideias, acertos, erros, aplausos e críticas, que se foram espalhando por 2.940 textos, que inspiraram 33.700 comentários às amigas, amigos e restantes seres humanos que por aqui passaram, perfazendo o número de 1.250.000... a fazer fé nas contas do Sitemeeter. De há uns tempos a esta parte, a "porta do estabelecimento” vai-se abrindo a uma média relativamente estável de um pouco mais de mil vezes por dia.
Sejam todos muito bem vindos... mesmo aqueles que possam pensar que não o são!
Obrigado!
A canção de hoje, que há muitos anos me "desconcerta" sempre que a ouço, não deixando de ser a partilha que sempre são as músicas que aqui publico, é como que uma prenda também para mim, em especial... o que me desculparão, estou certo.
Recebam então a enorme canção de amor Oleo de mujer con sombrero, escrita e composta pelo grande autor e grande cubano Silvio Rodriguez, numa gravação em vídeo retirada de um documentário sueco (daí as fantásticas legendas), de 1976, em que o próprio Silvio Rodriguez, do alto dos seus, então, apenas 30 anos de idade, canta como deviam cantar os deuses... se existissem.
Bom domingo!
Oleo de mujer con sombrero” – Silvio Rodriguez
(Silvio Rodriguez)



domingo, 5 de agosto de 2012

Juan Diego Flórez – “La flor de la canela”



O vídeo de hoje tem duas figuras em destaque: o jovem maestro-fenómeno Gustavo Dudamel e o também jovem cantor peruano Juan Diego Flórez. Gustavo Dudamel é um dos muitos “produtos” de um projecto venezuelano nascido em 1975 e que a Revolução Bolivariana não só acarinhou, como ajudou a crescer. O projecto socio-artístico, conhecido como “El sistema”, dedica-se à educação musical de crianças e jovens pobres, privilegia o trabalho colectivo... mas quando aparecem os génios individuais, não há como “evitá-los”. Dudamel é a prova disso. Um dia voltarei ao tema.
O cantor Juan Diego Flórez, nova estrela do canto erudito... é uma bênção para os ouvidos e para o bom gosto. Anda já percorrendo todos os palcos importantes da ópera, mas, como alguns outros dos artista chamados eruditos, gosta de cantar músicas populares. No seu caso, ainda bem!
O problema de alguns e algumas “divos e divas” da ópera e da música clássica em geral, é não serem capazes de sair da disciplina de ferro com que moldaram as cordas vocais, sendo que depois, quando querem cantar como as pessoas “normais”, o resultado é, por vezes, tristemente fraquinho. Não é Anne Sofie von Otter quem quer!  :-)
Voltando ao nosso moço de hoje… como canta!!! Canta servindo-se da "escola vocal" como uma riqueza natural... e não como uma "maldição imposta". Teve a sorte de ter um pai que o “apresentou” às maravilhas da música popular do Peru e das suas tradicionais valsas crioulas, como a muito famosa “Fina estampa” (da qual trauteiam uns segundos). Seja como for, esta lindíssima “La flor de la canela” não fica a dever nada a nenhuma outra... e a leveza, o balanço, elegância e, sobretudo, a sensibilidade com que é cantada, acompanhada por um belíssimo arranjo para a Orquestra Filarmónica de Los Angeles, fazem dos minutos que o vídeo dura, um passo mais para a perfeição... se é que ela existe e pode ser encontrada.
Bom domingo!
La flor de la canela” – Juan Diego Flórez
(Chabuca Granda)



domingo, 29 de julho de 2012

Alisa Weilerstein – Noventa por cento disto... não se aprende!


Chama-se Alisa Weilerstein e nasceu há 30 anos em Nova Iorque. Começou a tocar violoncelo aos 4 anos de idade... e os resultados provam (entre muitas outras coisas, como a vontade, persistência, o “sacrifício” pessoal na forma de milhares de horas de trabalho que quase mais nenhuma profissão requer) que esta coisa da música, para além de provocar “estragos” irremediáveis a nível cerebral, pode ser altamente contagioso e muitas vezes hereditário (o pai é violinista, a mãe é pianista, o irmão, violinista e maestro).
Por vezes toca e grava música com a família. Hoje podemos vê-la acompanhada por uma belíssima orquestra filarmónica, a de Berlim, e dirigida por um dos maiores maestros da actualidade, Daniel Barenboin, num dos andamentos do Concerto op. 85 de Edward Elgar.
Agora, para apresentar a Alisa, podia tecer uns comentários sobre o virtuosismo arrebatador, sobre o mundo de sentimentos que põe em cada nota tocada. Podia falar apenas do seu ar encantador de heroína dramática de um filme mudo de 1900... mas não vale a pena. Cada um dos segundos deste vídeo falará por mim.
Sempre que se ouve algo assim esmagador, é recorrente que apareçam portadores de frustrações tão variadas quanto compreensíveis, que se encarregam, diligentemente, de encontrar todo um catálogo de “defeitos” a apontar. Quase sempre de ordem “técnica”. Ora é a postura, ora é a dicção, ora é o fraseado, ora é...
A Alisa, em comentários que por aí encontrei, é “acusada” de pegar no arco de uma forma algo estrambólica. A esses, peço que peguem num arco, de forma absolutamente irrepreensível... e venham cá tocar melhor do que ela.
A todos os outros, parabéns! Por reservarem alguns minutos para “ouver” esta pérola.
Bom domingo!
Concerto op. 85 – Alisa Weilerstein
(Edward Elgar)



domingo, 15 de julho de 2012

Youn Sun Nah – Com o tempo...


Nasceu na Coreia do Sul, uma excelente "desculpa" para se chamar Youn Sun Nah. Filha de maestro e actriz musical, uma mistura genética que, fatalmente... deu nisto!
Aos vinte e seis anos, já com uma carreira iniciada, na Coreia, decidiu alargar horizontes e rumar a Paris. Estudou jazz e chanson française. Deu nisto!!!
Neste vídeo podemos vê-la e ouvi-la, acompanhada por um grande guitarrista Sueco, Ulf Wakenius, num festival de jazz, em França, “terraplanando” quaisquer resquícios de resistência à excelência da sua arte que ainda pudesse restar entre a plateia. É uma interpretação arrasadora do clássico de Léo FerréAvec le temps. A canção começa apenas ao minuto e quarenta, tempo que leva a convocar a coragem de encerrar o concerto ousando "atacar" aquele tema musical perante um público francês... mas vale a pena esperar!
A voz, muitas vezes não mais do que um sussurro, entra nos corpos dos ouvintes por onde quer, não distinguindo pele, ouvidos, coração, cérebro...
Bom domingo!
* Podem seguir a letra aqui. A tradução é fracota... mas dá para ir decifrando o tão esquecido francês... 
Avec le temps” – Youn Sun Nah
(Léo Ferré)



domingo, 24 de junho de 2012

Paul McCartney – E tinha razão...


“Mesmo que tenha chovido
nós não nos importámos
Ela disse - me que um dia, em breve
o sol iria brilhar
E tinha razão
o meu amor
a minha namorada” 
("My Valentine - Paul McCartney)

Já por milhares de vezes se compuseram canções de amor. Muitas dezenas de vezes, ter-se-á recorrido à língua gestual como efeito visual... mas há sempre pormenores que tornam uma canção única.
Natalie Portman há só esta... e as canções de Paul McCartney (por enquanto) só as há feitas por Paul McCartney.
E esta é de se lhe tirar o chapéu! Feita agora, aos setenta anos, mas a lembrar o Paul McCartney da minha juventude. Aquele que, juntamente com Lennon, Ringo e Harrison, ajudou a mudar o mundo das canções... e não só.
Façam como eu. Ouçam esta pérola e deixem-se “cativar”... um conceito nunca tão bem explicado como pela raposa d’ “O Principezinho”.
Bom domingo!
My Valentine” – Paul McCartney e Natalie Portman
(Paul McCartney)



domingo, 20 de maio de 2012

O prazer das coisas em comum


Há uns anos, abri uma conversa com o Pedro Osório, em grande entusiasmo. Queria explicar-lhe que tinha “encontrado” um novo pianista de jazz, norte-americano, do qual tinha tudo na ponta da língua... excepto o nome.
Comecei por dizer que nem sabia bem o que me tinha conquistado. Não era nem o virtuosismo, nem a expressão corporal original, nem o reportório... claro que tudo era excelente, mas o mais importante é que me parecia nunca ter ouvido alguém tocar daquela forma, “falar” daquela maneira com o piano...
É o Brad Mehldau! – atirou-me o Pedro, com o rosto iluminado. Quando o Pedro falava de alguma coisa de que gostava muito, sorria com toda a cara, e o sorriso alastrava para todo o corpo, com uma espécie de brilho.
Ainda hoje não sei como é que as minhas pobre descrições o fizeram adivinhar de que novo pianista se tratava... mas fiquei contente. Afinal, tinha mais uma coisa em comum com o Pedro. Era muito bom ter coisas em comum com ele!
Aqui fica o Brad Mehldau recreando-se e recriando um clássico da música norte-americana, “Cry me a River”.
Como a riqueza criativa da reinvenção jazzística da canção, pelo pianista, fica muito mais patente se comparada com a “simplicidade” da melodia original, cantada, deixo-vos também a versão da actriz/cantora Julie London, a intérprete da primeira gravação comercial da canção, em 1955. Há muitas versões, e algumas delas com “embrulhos” bem mais luxuosos... mas, nesta altura do campeonato, começo a ficar convencido de que já não vai aparecer nenhuma versão cantada que consiga superar esta.
Bom domingo!
Cry me a river” - Brad Mehldau
(Arthur Hamilton)



Cry me a river” - Julie London
(Arthur Hamilton)



domingo, 13 de maio de 2012

Amar... até perder a razão, a cabeça, o juízo, a tramontana...


Chama-se Nolwenn Leroy. Anda agora na casa dos trinta... passados cerca de dez anos desde a sua aventura num programa da televisão francesa, dedicado à caça de talentos, o “Star academy”.
Desde então gravou vários discos com êxitos retumbantes, na área da “pop”, mas em 2010 decidiu prestar atenção à música das suas raízes bretãs. Daí resultou um disco belíssimo, com canções de autor inspiradas na música celta, algumas versões de canções tradicionais celtas, como esta fantástica “Mulheres da Irlanda”... e ainda umas tantas da sua Bretanha natal, cantadas em bretão. Felizmente, vão aparecendo jovens assim...
Não conheço a Nolwenn, mas gostei de saber que não foi “lavar as mãos ao rio” para participar, em parceria com a belga Maurane (cuja voz - a minha preferida - já nos tem visitado, como aqui, ou ainda aqui), numa grande homenagem ao reconhecido “comuna” que dava pelo nome de Jean Ferrat. Canta (cantam) uma canção que é um clássico do reportório do cantor/autor, “Aimer à perdre la raison”, com versos de Louis Aragon, imenso poeta e, também ele, um “comuna empedernido”.
A fotografia escolhida explica-se pelo facto de, tanto Aragon como Jean Ferrat, não terem deixado nenhuma indicação testamentária no sentido de impedir mulheres extremamente bonitas de cantar as suas canções.
Bom domingo!
Aimer à perdre la raison” – Nolwenn Leroy e Maurane
(Louis Aragon / Jean Ferrat)



domingo, 15 de abril de 2012

Ana Belén e Serrat



Se Joan Manuel Serrat tivesse escrito apenas uma canção em toda a vida – e como nós sabemos que isso não é verdade! – esta de hoje bastaria para lhe garantir um lugar entre os grandes autores e intérpretes. “Mediterrâneo”, chama-se a pérola.
Jogando pelo seguro, não fosse alguém não apreciar devidamente o momento... Serrat faz-se aqui acompanhar pela bela Ana Belém, qua também já por cá cantou.
Grande dupla! Grande cantiga!
Bom domingo!
“Mediterrâneo” – Ana Belén e J. Manuel Serrat
(Joan Manuel Serrat)



domingo, 8 de abril de 2012

Kyrie – Mercedes Sousa


Domingo de Páscoa... nem por isso deixa de ser domingo de música. Porque não tentar fazer uma ponte musical entre crentes e não crentes?
O maestro e excelente compositor argentino Ariel Ramirez já aqui foi lembrado com aquela que é, seguramente, a sua mais bela canção, “Alfonsina Y el mar”. Em 1964 o maestro resolveu, com a ajuda das palavras de Alejandro Mayol e Jesús Gabriel Segade, compor também uma missa a que chamou “Missa Crioula”. É uma espécie de joia, uma fiada de pérolas, cada uma com seu tema. Cada uma um momento diferente da missa. Dedicaram esta obra a duas religiosas alemãs, inspirados pelo seu trabalho solidário junto de vítimas do nazi-fascismo num campo de concentração.
Neste dia vai aqui muito bem o “Kyrie”, cantado por um coro perfeito e solado pela impressionante Mercedes Sosa. Para os cristãos, será uma forma muito bela de soltar o seu canto e fazer uma ponte com todos os outros, crentes de outras religiões, agnósticos ou ateus. Para uns e outros, serão alguns minutos de uma beleza arrepiante, do primeiro ao último segundo.
Bom domingo!
“Missa Crioula – Kyrie” – Mercedes Sosa
(Ariel Ramirez/A. Mayol e J.G. Segade)



domingo, 1 de abril de 2012

Zaz – Je veux, eu quero...



Esta miúda francesa, Zaz, passa a ser um dos mais rápidos regressos a este estabelecimento. Porque sim! Porque não há grandes oportunidades de a ouvir na nossa televisão, ou nas rádios, o que, embora hoje seja o dia das mentiras... parece mentira mas infelizmente é verdade.

Parece mentira que as televisões, rádios e demais comunicação social, movam céus e terra para divulgar toneladas de lixo anglo-saxónico, enquanto são sonegadas ao público centenas e centenas de obras magníficas, como a desta jovem cantautora francesa, e das italianas, gregas, espanholas, da América Latina, etc., etc., etc... e sim, também muitas inglesas e norte-americanas (não, não me esqueci dos rapazes... apenas resolvi generalizar ao contrário do que é costume, no feminino).

Bom domingo!

Hoje diz-nos a Zaz, numa tradução caseira e a correr:

Eu quero

Deem-me uma suite no Ritz, eu não a quero!
Joias da Chanel, eu não as quero!
Deem-me uma limousine, de que me serviria?

Ofereçam-me empregados, de que me serviriam?
Uma mansão em Neuchâtel, isso não é para mim.
Ofereçam-me a Torre Eiffel, de que me serviria?

Eu quero amor, alegria, bom humor
Não é o vosso dinheiro que fará a minha felicidade
Eu quero morrer com a mão sobre o coração
Vamos juntos descobrir a minha liberdade
Portanto, esqueçam todos os vossos clichés
Bem-vindos à minha realidade

Estou farta das vossas boas maneiras, são demais para mim
Eu como com as mãos... sou assim
Falo alto e sou franca... desculpem-me...

Acabem com a hipocrisia, eu, ponho-me a andar
Estou farta do politicamente correto! Olhem para mim,
Seja como for, não vos quero mal, eu sou assim
Eu sou assim.

Je veux” – Zaz
(Zaz)