Se um qualquer automobilista, culpado, por condução irresponsável, de um acidente de que resultam vários feridos graves, disser, passados muitos dias e ao menor sinal de alívio das dores, que isso é a prova de que a sua condução era a mais acertada e que continuará a conduzir exactamente da mesma forma... o mínimo que se diz é que se trata de um imbecil, ou mesmo de um louco furioso.
Que dizer então de um grupo de bandalhos, organizados em partido do governo, que ao menor sinal de “melhoria” dos números da economia, já vomitam que é preciso manter a «continuidade da linha governativa»?
E se, ainda por cima, esses sinais de melhoria não passarem, afinal, de falsos sinais?
- E se o aumento do emprego corresponder quase apenas a trabalho sazonal, logo, precário e incidindo principalmente num universo de salários de miséria, bem abaixo do Ordenado Mínimo?
- E se o aumento das exportações estiver (quase) apenas apoiado num acréscimo da produção de uma refinaria e na venda dos combustíveis aí refinados?
- E se o aumento das importações, em vez de coincidir com uma qualquer melhoria do poder de compra dos portugueses, estiver ligado, principalmente, ao aumento da importação de crude para alimentar a tal refinaria?
- E se o aumento da actividade no sector do turismo tiver como única explicação o facto de estarmos no verão e de sermos cada vez mais atractivos para os estrangeiros endinheirados... por estarmos, nós e o país, a ser vendidos a preço de saldo?
Os exemplos poderiam continuar... mas se formos analisando todos os “sinais” que o governo nos quer impingir como “viragem”... que nomes se pode chamar a esta gente... mesmo àqueles que, para fazer o contraponto à mentira oficial, vão "pedindo calma", dizendo que “não se pode embandeirar em arco”... enquanto todos os outros – governantes, analistas e comentadores oficiais – embandeiram?





















