A senhora Isabel Jonet terá amigos a sério? Daqueles capazes de lhe dizer olhos nos olho “ó mulher, cala-te!”?
Eu sei que retirar frases de um contexto pode ser um erro, ou mesmo uma maldade para com um entrevistado... mas a frequência com que isso acontece à senhora Isabel Jonet já deveria ter acendido uma qualquer luz de alarme no seu cérebro.
Desta vez atira pela boca fora: «Sou mais adepta da caridade do que da solidariedade social». É, sem sombra de dúvida, um direito que lhe assiste.
Ainda assim... a verdade é que por mais voltas que se deem e por mais injusto que isso seja para com a “caridade”, exércitos de beatas arrogantes sempre mais inclinadas a invocar a ira e os castigos de Jeová do que o amor de Cristo, responsáveis por muitas gerações de “caridadezinha”, acabaram por identificar a caridade, não com a poética e bíblica noção de amor incondicional (e desinteressado) pelo próximo, mas sim com exibição pessoal, interesseirismo para ganhar o céu, ou mesmo muitas vezes, pura arrogância "superior" para com o pobre, que intimamente se condena enquanto publicamente se “ajuda” com a esmolinha.
Na prática, a caridade tornou-se um descargo de consciência, o acto pontual de dar uma coisa qualquer ao pedinte e deixá-lo lá... sentado na mesma esquina, a pedir.
Pelo contrário, a solidariedade social, não negando a importância de dar, pontualmente, uma ajuda a alguém em situação desesperada, pressupõe uma atitude que implica a compreensão das causas da pobreza e da exploração que a originou. Implica a disponibilidade para lutar a favor da erradicação dessas causas. Implica lutar pela justiça, para todos, na Terra e não por ganhar, individualmente, o céu.
Está a senhora Isabel Jonet, como já disse, no pleno direito de, intimamente, preferir a caridade à solidariedade social; mas, voltando ao primeiro parágrafo, deveria ter amigos verdadeiros que a aconselhassem a não dizer estas baboseiras em público.





