Foi feito um estudo sobre a honestidade e sentido cívico dos habitantes de várias cidades do mundo. A experiência que lhe serviu de base consistiu em “perder” propositadamente um número fixo de carteiras, doze, para ser exacto, contendo uma quantia certa em dinheiro, para além de cartões e fotografias de família com indicações claras para a identificação dos “proprietários”. Depois, esperaram pelas reações mais ou menos cívicas dos cidadãos.
Lisboa ficou num triste último lugar, com apenas uma das doze carteiras devolvida... e ainda assim – pormenor curioso - por ter sido encontrada por um casal de turistas. A situação social ou económica não pode servir como justificação, já que, por exemplo, Bombaím ficou em segundo lugar, com nove carteiras devolvidas.
O meu amigo estava visivelmente impressionado com a notícia!
- Lisboa é uma amostra de pessoas de todo o país... achas mesmo que nós, como povo, somos assim, tão atreitos à carteira do próximo?
- Assim tanto... não tenho a certeza. De qualquer modo, companheiro, olhando para alguns “notáveis” que este país tem produzido, de onde achas que vieram os “oliveira e costa”, os “valentins loureiro”, os “isaltinos”, os “dias loureiros”, tantos e tantos governantes e autarcas do centrão, tantos banqueiros e gestores do nosso “querido” capitalismo de casino... ... ... achas que apareceram aqui de escantilhão, caídos de Marte?
... e entretanto a nossa conversa foi sendo submersa pelo ruído ambiente vindo das restantes mesas do café, onde se discutiam coisas realmente importantes, como a dúvida sobre se Jorge Jesus agrediu ou não o polícia (e se existem de facto bofetadas... no braço)... se o Cristiano Ronaldo foi ou não para a cama com a “Miss Bumbum”...


