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domingo, 25 de agosto de 2013

Justiça – Num mundo “ideal”...



Num mundo que nem precisava de ser “ideal”... seria suposto que, para se chegar ao posto de juiz, para além dos conhecimentos técnicos (conhecimentos que qualquer aluno imbecil mas “marrão” consegue adquirir), seria necessário dar provas de uma verdadeira vocação, de senso comum (de preferência, bom senso), sentido de equilíbrio, experiência de vida, conhecimento profundo do tecido humano em que se está integrado, uma forte consciência social e política... e, já agora, uma bem estruturada e sedimentada cultura geral.
A vida encarrega-se, todos os dias, de mostrar o quanto isto é uma utopia.
Eu sei, eu sei que todo este meu primeiro parágrafo é uma espécie de manual de como “pedir demais”... mas, que diabo!, nem sempre a alternativa ao oitenta deveria ser o oito!
E assim chegamos ao assunto deste post: a decisão de uma senhora juíza, de mandar arquivar uma queixa de uma mulher agredida pelo marido, marido “extremoso” que só não agrediu também a filha, porque a mãe decidiu fazer-se agredir um pouco mais, ao separá-los.
Neste seu evidente momento de indigência mental, a senhora juíza conseguiu, de uma assentada, envergonhar a sua profissão, faltar ao respeito às mulheres (e homens) vítimas de violência... e dar um golpe na coragem que de que precisam as vítimas para quebrarem as correntes do medo e da vergonha, denunciando a violência e exigindo justiça.
Num mundo ideal, teria nessa noite havido uma instantânea “falha na linha do espaço temporal”, falha muito politicamente incorrecta (até da minha parte!), em que o marido da senhora juíza perderia, também ele, “a noção”... dando-lhe uma tareia que a deixasse internada na ala de ortopedia de Santa Maria, durante dois meses... em homenagem aos milhares de mulheres que todos os dias são agredidas dentro das suas próprias casas e às centenas que perdem a vida às mãos dos maridos, namorados... e demais “amantes”.

sábado, 24 de agosto de 2013

Viseu – O mistério dos padres paralíticos


O senhor Fernando Ruas, empenhado edil viseense e grande divulgador/impulsionador da indústria e comércio das tintas para o cabelo, gosta de dar de si a imagem de uma pessoa popular, simples e amiga do seu munícipe. Isto, claro, se o munícipe não sofrer dessa espécie de lepra que dá pelo nome de comunismo. Aí, consta que o homem fica virado do avesso. Mas adiante...
Numa demonstração prática de como se deve fazer política de proximidade, parece que o senhor Ruas andou por umas paróquias viseenses, fazendo questão de falar aos fiéis, nas missas, ora dentro da igreja e antes do culto, ora depois do culto acabar e já no adro... com o fim de, pessoalmente, entregar “às populações” chorudos cheques destinados, certamente, a fins muito louváveis.
Dizem as más-línguas do costume, que se trata de uma forma sem qualquer ética, caciquista, desonesta, criminosa mesmo, de fazer campanha eleitoral a favor do PSD.
Diz ele que não senhor, que se trata apenas de apoios já contratualizados com organizações várias... e que só se desloca pessoalmente às igrejas, por uma «questão de conveniência dos senhores padres».
Digo eu (mesmo sem ninguém me perguntar) que, não vislumbrando nenhuma razão aceitável para que os padres não possam deslocar-se à Câmara Municipal, para aí assinarem o que tiver que ser assinado e levantarem os cheques dos apoios prometidos, discretamente e sem o recurso a discursos “presidenciais” nas missas... que a coisa só deve poder explicar-se por um qualquer impedimento físico muito forte dos senhores sacerdotes.
Daí o estranho título desta crónica de maldizer!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Jornalismo de reverência – A luz no meio do nevoeiro...


Enquanto vão chegando notícias das manobras da “administração” norte-americana sobre os jornais, sobre jornalistas, sobre governos (que seria suposto serem) soberanos de países (que seria suposto serem) independentes, com o objectivo de abafar o escândalo da espionagem indiscriminada sobre o mundo (quer se trate de "aliados" ou inimigos) por parte dos EUA, vamos ficando com uma noção do grau de subserviência que toda esta gente tem para com o “império”... e de como esse império, e por tabela, o mundo, são dominados pelo complexo militar-industrial e o bandidesco gang financeiro... que são o coração e alma desse império.
Felizmente, não fossemos nós ficar deprimidos com esta demonstração de domínio esmagador do império e da falta de coluna vertebral dos dirigentes do resto do mundo... há quem se dedique a fazer-nos chegar as notícias que realmente importam, como a da chegada de mais um cão de água português à Casa Branca.
Felizmente... há “jornalismo” assim!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Joaquim Pais Jorge – Tranquilidade *


Mais uma vez, um indivíduo é forçado a abandonar um cargo.
Sai, barafustando contra tudo e todos.
Sai, chamando a todos os outros “baixos” e “podres”.
Este estado de “consciência absolutamente tranquila”, evidenciado por tantos dos demissionários de cargos dos mais variados tipos, é, sem dúvida, o aspecto mais interessante deste tipo de declarações.
Em boa verdade, este estado de “consciência absolutamente tranquila” é muito difícil de encontrar em estado puro. Encontra-se, sobretudo, em velórios... e mesmo aí, quase sempre em apenas em um dos presentes.
* Com um pedido de desculpa ao Paulo Bento.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Isto vai, meus amigos... *


Citando o meu amigo e companheiro de cantigas, Francisco Fanhais, adepto de trocadilhos “cortantes”... «Não há fome que não dê em fratura!»
Vem esta minha “parvoíce” a propósito da lata com que Pedro Lomba, um cronista oficial da direita agora promovido a membro do Governo, resolveu prometer que a embrulhada dos “swaps”, depois de anos a cozer em fogo lento e muito bem tapada, será, afinal... esclarecida ainda hoje.
É nestas alturas que eu fico mais ou menos sem palavras. Daí, recorrer novamente ao Fanhais e à sua frase preferida (mais extraordinária ainda, por vir de um ex-padre)sempre que é imperioso seguir em frente:
«Olha, pá... isto agora é fé na tábua e pé em “deus”!!!»
* Com um pedido de desculpas a todos os amigos do José Carlos Ary dos Santos... e ao próprio.

A gangrena


A ministra Maria Luís Albuquerque, que comprou "swaps" quando estava na REFER, convida para secretário de estado do tesouro Joaquim Pais Jorge, aquele que (entre outros) os vendia. Rui Machete diz que não sabia de nada do que se passava no BPN... e nem sequer achou estranho que umas acções valorizassem, em tão pouco tempo, em 150%, sem ser à custa de algo muito escuro. Tal como aconteceu a Cavaco Silva, com uma mão cheia de acções da mesma "família".
Não sabiam de nada. Não se lembram de nada. A cada sacudidela na memória, imposta pelas perguntas e revelações de documentos... lá se vão lembrando, a custo, disto e daquilo. Seja como for, nada que lhes active o “chip” da vergonha na cara.
Enquanto o país dos pagantes vai fazendo contas à vida, para saber de onde pode ainda tirar os milhares de milhões de euros que estas gigantescas trafulhices podem custar, os meliantes defendem-se uns aos outros, contratam-se uns aos outros, protegem-se uns aos outros... mentem como se não houvesse amanhã!
Sem qualquer convicção definitivamente formada sobre as suas implicações em todas estas trafulhices e uma mais do que modesta esperança de alguma vez os ver no banco dos réus, pergunto apenas:
Que favores mútuos ligam toda esta gente? Que segredos guardam uns dos outros? Que “luvas” os comprometem? Em que mais "negócios" sujaram as mãos? A quem obedecem?
Como é que, perante aquilo que seria uma vergonha insuportável para qualquer pessoa... este secretário de Estado ainda não se demitiu, ou foi demitido? Como é que a sonsa da ministra das Finanças, ou o sonso do  ministro dos Negócios Estrangeiros ainda estão instalados nos seus confortáveis gabinetes ministeriais? Como é que "aquilo" chegou a Presidente da República?
Como atacar esta doença que ameaça de gangrena todo o país... e a própria noção de cidadania e democracia?

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Cavaco... e as garantias


Subitamente, o escavacado Silva já anda a regougar loas ao “novo ciclo” e à “viragem da nossa economia”. O governo em que ele não confiava e que só está, ainda, em funções por sua obra e nossa desgraça... conseguiu, num espaço de apenas uns dias, inverter a espiral recessiva. Não espanta! Trata-se apenas de mais um item a somar aos copiosos traços de falha de carácter do Presidente.
Feita esta introdução, vamos ao assunto. Se, como se vê, o verdadeiro primeiro ministro é Cavaco Silva e o vice-primeiro-ministro é Paulo Portas... que diacho de papel é o de Passos Coelho? De parede? (repare-se na forma extremamente elegante como resisti à tentação de dizer “papel higiénico”)
Para além desta mais do que justificada dúvida, fica uma coisa que me inquieta assaz: o facto de, mais uma vez, Cavaco Silva apelar para as «garantias» que lhe são dadas sobre isto e aquilo. Desta vez (já é a segunda) é sobre a veracidade das mentiras ou a mentira das verdades da ministra Maria Luís Albuquerque.
Cavaco tem todo o direito de acreditar nas “garantias” que este ou aquele lhe dê... mas que diabo!, ele não tinha tido já “garantias” semelhantes sobre Dias Loureiro? Provavelmente também sobre Oliveira e Costa... e por aí fora...
Não estaria já na altura de começar a desconfiar das garantias?
Ou será que tem estado sempre por dentro destas tristes estórias... e mentetambém elecompulsivamente?

terça-feira, 30 de julho de 2013

Cultura – Porra... até o António Ferro era melhor!!!


Puxando a brasa à minha sardinha, viro-me hoje para a política cultural deste governo em “novo ciclo”... ou, para ser mais exacto, para a ausência, verdadeiramente enxovalhante para o país e para a inteligência, dessa política.
Por mais voltas que deem os marmanjos que nos governam, por mais números de que falem, por mais orçamentos e verdades que “martelem”... um país, ou uma qualquer geração desse ou de qualquer país, um povo, uma época, são lembrados pelas suas realizações enquanto seres portadores de espírito e sim!, pela sua criação cultural. Nunca pelo cinzentismo bacoco dos “passos coelhos”, das histéricas e irrevogáveis cambalhotas dos “paulos portas”, ou com a sonsice insuportável das “marias luíses albuquerques”, a pouca vergonha dos “machetes”.
Mais uma prova do plano miserável de destruição de Portugal que estes bandalhos estão a levar a cabo... é, seja no “velho ciclo”, no “novo ciclo” e com ou sem remodelação... a total ausência de notícias sobre qualquer actividade governativa que se pareça, ainda que vagamente, com uma política para a cultura.
Destruído que foi o Ministério da Cultura – o que é uma coisa que fica sempre bem a um país com criadores como tem Portugal – Viegas, feito “secretário”, não deu conta do recado. Provavelmente, porque não havia qualquer recado para dar conta.
A seguir, Passos contratou um empregado de que nem guardei o nome (e nem sei se foi reconduzido na remodelação), que lhe vai tratando de uns “recados” que não possam de todo ser evitados e, com a pontualidade de um relógio, vai assinando cortes sobre cortes sobre tudo o que cheire a cultura. O pobre coitado não tem existência! As pouquíssimas notícias que é possível arrancar à internet sobre actos oficiais ligados à cultura, aparecem "assinados", anonimamente, pela Secretaria de Estado.
Depois fiquem ofendidinhos e com dói dói... se os compararmos aos outros que sempre que lhes falavam de cultura, puxavam da pistola!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Rui Machete – O irrepreensível


Tal como Jerónimo de Sousa, também vejo que o problema é o governo num todo e as suas políticas... e não este ou aquele fulano em particular. Claro que vejo! Só que isso não me impede de apreciar o facto de este governo ter fulanos verdadeiramente supimpas.
Este, por exemplo, que durante uns tempos continuará a originar ruins manchetes... acha que a “podridão” está do lado dos que ousam questionar a sua passagem pela cúpula do BPN, o tristemente célebre banco laranja, cujo banditismo (por hora impune) todos estamos a pagar.
Mas vamos ser caridosos e aceitar que, como dizem os seus comparsas, o currículo do homem é um livro aberto. Isto, independentemente de, ostensivamente, numa manobra parvamente sonsa, dirão alguns, mas certamente apenas por esquecimento, lhe faltarem uns pedaços...

terça-feira, 23 de julho de 2013

A culpa é dos que vão à falência e dos malandros dos desempregados!


Argumenta o (ainda) primeiro-ministro que o governo não aumentou as suas despesas. O que aconteceu foi uma diminuição da receita em impostos, quebra de produto interno bruto, etc., etc., etc. ... tudo, como toda a gente sabe, coisas com as quais as políticas do governo nada têm que ver.
Ficamos então a saber que os milhares de falências de micro, pequenas e médias empresas, que deixam de pagar impostos e lançam no desemprego centenas de milhar de trabalhadores que deixam igualmente de pagar impostos ao mesmo tempo que deixam de ter poder de compra, o que leva a uma diminuição da produção por falta de consumo interno, o que leva à falência de milhares de micro, pequenas e médias empresas, o que leva a...
Nada disto, portanto, é da responsabilidade do governo e das suas políticas económicas! Nada disto é resultado da realidade externa que nos é imposta pela gula criminosa dos “mercados” e a que Passos se submete como um lacaio.
Como não consigo acreditar que Passos Coelho seja assim tão liminar e extensamente estúpido... tenho que regressar à minha convicção de sempre: é um canalha!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Soares – Mais do mesmo...



Zorrinho lá fez o que pode e sabe... ou seja, pouco e mal, para justificar porque é que apoiava a moção de censura dos “Verdes”, ao mesmo tempo que aproveitava para lhes faltar ao devido respeito em pleno debate... e ao mesmo tempo que o seu partido está de casa e pucarinho numas negociações com os partidos que se preparava para “censurar” na Assembleia da República. Sem saber muito bem para que lado cair, Seguro optou por baralhar e criar “ruído” fora das bancadas, enquanto falava o ainda primeiro-ministro.
Foi um atrapalhado número de equilibrismo no arame, embora com rede. Aliás, este tipo de gente tem sempre muita rede... e ainda mais “arame”.
Seja como for, o de hoje é sobre uma figura incontornável do partido de Zorrinho e de Seguro, o histórico Mário Soares, a quem não posso negar o “nervo” que o faz, quase com 90 anos, continuar a ser... igual a si próprio.
Soares sempre preferiu juntar-se com a direita, preferência em que mostrou até ser pessoa de muito boa boca. Na verdade as suas ligações foram desde o PSD ao CDS, mas não hesitou, quando isso lhe interessou, em ligar-se aos sectores fascistas da igreja católica e o seu célebre cónego bombista, ou mesmo a cultivar a amizade, que dura até hoje, do representante da CIA em Portugal, para conspirar contra a Revolução de Abril... mesmo que isso levasse – como levou – à morte de cidadãos portugueses.
Por qualquer razão obscura de cálculo eleitoralista, desta vez Soares não está de acordo com as conversações da “salvação” com o CDS e o PSD, em que o seu PS se deixou envolver ao morder o isco de Cavaco Silva.
Boa! – pensaria alguma alma mais ingénua – O homem teve um “não sei quê” de esquerda...
Nada mais errado! Soares não está contra o acordo de “salvação” por este ser a capitulação – mais uma – do PS à direita, nem por esse acordo, a ir para a frente, ser o garante da continuação das políticas criminosas deste governo de delinquentes. Não é pela continuação dos roubos e dos ataques aos direitos de quem trabalha, ou de quem já trabalhou e vê as suas reformas assaltadas. Não é pelo recrudescimento do desemprego, das falências de pequenas empresas, queda na produção nacional, da degradação da saúde, da degradação do ensino, da emigração dos jovens... da pobreza.
Não! O grande Soares não está de acordo... porque isso, no seu entender, iria dar proventos ao PCP.
Nááá... hoje nem preciso de fazer comentários...

domingo, 14 de julho de 2013

Aposto que também era uma opinião “irrevogável”...


O Vítor Dias encontrou a coisa no “Câmara Corporativa”, eu encontrei-a no blog “O tempo das cerejas”, do Vítor Dias... encontrem-na agora vocês. É um belo “achado”!
“Há quem tenha a ilusão de que o Presidente da República pode impor aos partidos, contra a vontade destes, a sua participação em governos de coligação, por vezes apelidados de salvação nacional.”


(Cavaco SilvaRoteiros VI - 2011/2012, p. 21)

sábado, 13 de julho de 2013

La mauvaise reputation *


A menos que Portas esteja a ter um surto de sinceridade e a falar exclusivamente no seu futuro... tarrenego mafarrico!, dispenso bem o futuro que nos seria proporcionado pelos planos de Paulo Portas e os seus boys e girls.
Tirando isso, o que mais se me oferece dizer é que a bendita da “reputação” do sujeito deve ser tipo gato. Quantas das famosas sete vidas é que já terá estoirado?
* E viva o grande Georges Brassens, que foi detentor e criador da melhor "Má reputação", que não teve o ensejo de conhecer Paulo Portas, mas também teve a sua boa dose de outros canalhas para aturar enquanto viveu.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Assunção Esteves – Que é que foi madame... a sardinha cagou-se?! *


Hoje quero falar do tão vistoso surto “histérico” da dona Assunção Esteves no Parlamento.
Antes de mais, devo dizer que sim, acho que a insistência em interromper os trabalhos da Assembleia da República é uma liberdade que pode acabar por ser confundida com desrespeito pelo Parlamento e pelos seus deputados. Acho que pode contribuir para alimentar o clima de desrespeito pelas instituições da democracia, desrespeito que se vê e ouve um pouco por todo o lado. Aqueles que, descuidadamente, agora aprovam tudo o que ali se grite e faça nas galerias, dificilmente terão argumentos para travar os grupos de neo-nazis, fanáticos anti-aborto, beatos moralistas, saudosos do fascismo em geral, ou outros que tais, que resolvam ir boicotar os trabalhos de cada vez que se discutir ou aprovar uma lei que não lhes agrade.
Defendo e defenderei a liberdade dos cidadão terem acesso às galerias do Parlamento... mas por uma questão de ar puro, de saúde, propagação do som e espaço para os braços, para as pernas e para os cartazes, a “casa” destas manifestações deve continuar a ser a rua.
Contra mim falo, que há bem pouco tempo participei na famosa “grandolada” ao Passos Coelho... uma estreia que, muito provavelmente, foi também a minha última “actuação” naquele palco... ou outro do género.
Posto isto, voltemos à vaca fria (acho que já não preciso mais de repetir que isto é mesmo uma frase-feita popular, que quer dizer “vamos voltar ao assunto principal”)!
Vendo o comportamento da dona Esteves no Parlamento, ocorreu-me, mais uma vez, que toda a série de clichés reservados às varinas e peixeiras, mulheres de trabalho duro e sofrido, clichés como “arrear a giga”, “descer das tamancas”, “atirar com a canastra”, “pôr a mão na anca”, “fazer uma peixeirada,etcetc... são, para além de sexistas, classistas e sobranceiros, muito injustos e, sobretudo deslocados.
Basta ver a facilidade com que uma sonsa, snob, muito bem penteada e vestida, espertalhaça, bem na vida, aproveitadora, xupista, reformada desde os 42 anitos com milhares de euros cada mês... consegue com grande maestria “arrear a giga”, “descer das tamancas”, “atirar com a canastra”, “pôr a mão na anca”, “fazer uma peixeiradaetcetc...
Deixando de lado a citação perfeitamente imbecil, direi mesmo canalha, tal o despropósito, com que resolveu “ilustrar” o acontecimento, a pretensão da dona Esteves, quanto à "revisão das regras" de acesso do público às galerias até poderia, hipoteticamente, ser discutível... mas uma coisa é certa: é urgente rever, profundamente, as regras de acesso aos lugares de deputado, em geral... e, em particular, ao lugar de Presidente da Assembleia da República!

* Observação absolutamente histórica feita por uma vendedeira de peixe do Mercado do Bolhão, a uma freguesa que não parava de cheirar, com ar desconfiado, as sardinhas. Funciona melhor imaginando o maravilhoso e musical sotaque portuense.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

As perguntas são como as cerejas...




Singelo questionário:
Desde quando é que cabe ao Presidente decidir quais os partidos que devem fazer acordos políticos?
Desde quando é que o Presidente pode excluir partidos com assento parlamentar das soluções para o país... sabendo-se (não que se trate de uma questão de números, mas sim de respeito pela democracia) que, neste momento, já estaremos a falar de um universo de mais de 20% dos eleitores?
Desde quando é que o Presidente pode “marcar” umas eleições a “trouxe-mouxe”, para uma data escolhida exclusivamente por si... e, como se isso não bastasse, decidir de antemão que tipo de governo é que deve sair dessas eleições?
Singela resposta:
Desde que foi permitido a uma besta do calibre do Sr. Aníbal Cavaco Silva tornar-se Presidente da República Portuguesa!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Sob que regime vivemos?


Sob que regime vivemos, quando o traste que faz de Presidente da República faz tudo o que o seu poder permite para evitar eleições, apenas por saber que o seu partido sairia humilhado do acto eleitoral?
Sob que regime vivemos, quando o mono que faz de Presidente da República protege o bando de criminosos garotos do seu partido, mesmo quando estes (e os seus aliados) já deram provas da mais vergonhosa falta de sentido de estado, de sentido patriótico, de competência... e até de honestidade?
Sob que regime vivemos, quando numa altura em que o conjunto de partidos que suportam o governo reunem pouco mais de 30 por cento nas intenções de voto, o líder do partido da direita mais reaccionária, dentro da coligação, neste momento com uns meros cerca de 8 por cento nas sondagens, provocou um golpe de estado, conseguindo que o seu líder, Paulo Portas, acabe detendo praticamente todo o poder dentro do executivo?
Sob que regime vivemos, quando o “novo” primeiro ministro de facto - mas não eleito - dá todos os dias provas da mais rasteira e “irrevogável” falta de palavra, de honestidade, de vergonha na cara?
Sob que regime vivemos, quando a burguesia de direita, que inventou uma espécie de democracia que serve exclusivamente os seus fartos interesses... já nem as regras dessa “democracia” manhosa respeita?

domingo, 7 de julho de 2013

Por muito degradada que esteja a palavra por estes dias...


Irrevogável, é a minha decisão de nunca mais demonstrar publicamente qualquer tipo de respeito, nem sequer institucional, por toda esta canalha.
Irrevogável é a intenção de tudo fazer para os sabotar, humilhar, prejudicar, escarnecer, denunciar.
Irrevogável é o asco que me provocam estes “cavacos” e “portas” e “coelhos” e “gaspares” e “marias luís” e “pires”, e “assunções esteves” e “belmiros” e “soares dos santos” e banqueiros e gestores e boys... e a sua colectiva e insolente pouca vergonha... mais a pouca vergonha da horda de comentadores de serviço... mais a pouca vergonha de quem quer que seja que se lhes venha a juntar para viabilizar um governo de respeitinho ao roubo do país, de respeitinho ao memorando, de respeitinho à troika, de respeitinho ao capitalismo selvagem... e, para levantar o nível “literário” recorrendo a José Saramago... de respeitinho à “puta que os pariu”!
Irrevogável é o futuro! Um futuro que será mais risonho para quem trabalha e em que esta canalha não passará de lixo da História!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Crise política – Uma pessoa lembra-se de cada coisa...



A meio da viagem intercontinental, na classe “executiva” a bordo de um “Tristar” do último modelo, o charmoso multimilionário “VIP”, atira à azougada hospedeira com quem conversava divertidamente havia horas:
- Acha que por dois milhões de dólares seria capaz de ir agora mesmo fazer sexo comigo?
A hospedeira, afogueada e rindo muito:
- Não sei... seria um caso a considerar...
- E por duzentos? – atirou ele de chofre.
- Então?!!! Ora essa... acha que sou alguma prostituta?!!!
- Bem... na verdade, essa parte está já esclarecida. Nesta segunda fase estava apenas a tentar negociar um preço melhor!
Agora porque carga de água me fui lembrar desta estória ao ler as notícias sobre Paulo Portas... isso é que eu gostaria de saber!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Vergonha!!!


Tem quase cinquenta anos de idade, vive só, é angolana, chama-se Ângela Maria, trabalha num lar de terceira idade. Provavelmente, se mantém um emprego onde a maior parte dos utentes, senão a totalidade, são brancos... é porque merece a confiança de empregadores e utentes da casa. Nada disso lhe serve de grande coisa!
Depois de ter esperado anos para ter uma casa e poder sair do quarto que o ordenado lhe permite pagar, a Autarquia de Vila Franca de Xira atribuiu-lhe um apartamento num novo bairro social. Foram  apenas alguns minutos de felicidade... até ter chocado de frente com realidade.
A realidade é uma vizinhança que, decidida e violentamente (se tiver que ser, como ameaçam) a impede de entrar, sequer, na sua nova casa. As “desculpas” para o acto abjecto e racista são várias, mas, perante as câmaras da televisão, um dos moradores – provavelmente o “diplomata” do bairro – veio falar com ela, de longe, como se ela tivesse lepra, explicando tim tim por tim tim:
«Nós aqui não temos nada contra si nem contra Angola! A culpa é da Câmara, que sabia perfeitamente que o pessoal não quer aqui “gente de cor”!
Antes de comentar, devo dizer que não tenho a menor ilusão quanto ao que se passaria se a situação fosse exactamente ao contrário. Dito isto...
Serve esta estória dos nossos tristes dias para ilustrar a tontice que é o desânimo de alguns quando vêem que uma qualquer acção de protesto, ou grande manifestação, ou greve, não provoca imediatamente a queda do governo e a mudança radical das políticas.
A verdade é que a realidade de todos os dias é feita com este povo. Não há outro. Desgraçadamente, em grande parte... é um povo assim. É uma amálgama gigantesca de gente muito boa, misturada com gente amorfa... e uma parte infelizmente muito grande "disto". Poucas coisas há mais irreais do que pensar que basta escrever “Povo”, pomposamente, com letra maiúscula, para que todo o povo passe a ser uma entidade  una, maravilhosa, progressista e amante da justiça. Poucas coisas há mais perigosas do que esquecer que uma boa parte desse povo, uma parte inquietantemente grande, é composta deste “lúmpen” retrógrado, racista, individualista, resistente a qualquer ideia de cultura, progresso, partilha ou civilização.
É nestas alturas que faz sentido lembrar que nada é para amanhã e que há muito tempo e muito, muito trabalho pela frente. Na maior parte destes casos, e perdoem-me a brutalidade, a única solução é esperar que morram (mesmo não desejando que isso aconteça a ninguém antes do seu tempo natural), já que por muitas missas em que compareça, ou muitas eleições em que até vote... um racista não deixa lugar a grandes esperanças, dado o facto de o racismo ser uma “doença” sem cura conhecida. Os únicos paliativos que vamos tendo à disposição são o “verniz” social, o calculismo político, ou a hipocrisia mais ou menos religiosa.
Infelizmente, quase todas estas bestas procriam e, desgraçadamente, formatam as crias à sua imagem e semelhança... logo, o tempo e trabalho que temos pela frente, enquanto sociedade, é multiplicado por nem sei bem quantas vezes.
Infelizmente, estas bestas vivem e procriam em todas as classes sociais!
Há que apostar nas novas gerações! Tentar o possível e o aparentemente impossível para que, geração a geração, esta “raiz” se vá quebrando e a formatação se vá diluindo. Para que o ser humano se vá distinguindo cada vez mais pela sua humanidade... e nunca mais pela origem ou cor.
Infelizmente (e lamentavelmente!), não será de espantar que, neste ou noutros casos, acções como esta, aqui relatada, resultem na possível visita ao bairro de uma caravana nocturna de carros vindos de bairros próximos, carregados de armas e da tal “gente de cor” que espalhará o terror entre estes tão valentes brancos que, como sempre, se borrarão de medo... que é a história dos racistas sempre que têm que enfrentar mais do que uma simples mulher, de quase cinquenta anos de idade, seja de que cor for... e completamente só.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Marques Mendes – 3 perguntas


Aquele senhor pequenino – por acaso, também de baixa estatura física – que dá pelo nome de Marques Mendes, não quer ficar sem “louros” na guerra contra os sindicatos e os trabalhadores. Mais exactamente, decidiu contribuir para a campanha de ataque aos professores que se disponham a fazer greve.
Disse o comentador, depois de bater no peito jurando a sua fidelidade ao direito à greve, que o que é inaceitável é marcar uma greve para um dia de exames. A seguir, para carregar bem nas cores, cuspiu esta pérola: «É a mesma coisa que os médicos fazerem greve às urgências!»
Portanto, para este canalha, o facto de os professores fazerem greve num dia de exame, é a mesma coisa que um médico ver entrar nas urgências um cidadão baleado no peito... e recusar-se a salvá-lo, por estar em greve.
1. Será que este salafrário não sabe que, ao contrário da urgência absoluta de acudir a um enfarte, ou a um tiro na cabeça... um exame de geografia pode ser adiado para a semana seguinte, sem provocar a morte do estudante?
2. Será que este bisbórria não sabe que uma greve deve ser marcada precisamente para os dias e horas em que provoca incómodo?
3. Será que este safardana não tem sequer um pingo de vergonha na cara? (OK... acho que me “estiquei”! A terceira pergunta era perfeitamente escusada...)