Não fiz o serviço militar. Não digo cumpri, pois isso já suporia a admissão de estar obrigado a tal. Acho que apenas em ocasiões absolutamente excepcionais é que um país pode permitir-se dispor das vidas dos seus jovens... e apenas naqueles casos muitíssimo raros em que se pudesse considerar a guerra em causa como justa. A guerra do “meu tempo”, que matava os meus colegas de escola e os jovens de Angola, Guiné e Moçambique... não o era!
Isto para dizer que exceptuando aquela pequena janela que, por um curto espaço no tempo, se abriu em 74, por mais que goste deste ou daquele militar enquanto ser humano, a vida militar não me diz coisa alguma, não tenho qualquer respeito pela chamada disciplina militar (que não passa de autoridade cega e brutal) nem pelos famosos “princípios” que na maior parte dos casos não passam de formas de aplicar a lei do mais forte, nem me comovo por aí além (embora respeite) a arreigada camaradagem que ainda hoje une os militares que fizeram a Guerra Colonial... já que ela é fruto, simplesmente, do violento trauma vivido em grupo, em que cada um dependia do companheiro de armas para se manter vivo.
Ainda por cima, quase todos os tais militares “diferentes” que assomaram à tal “janela do 25 de Abril”, não tardaram a ser afastados, ostracizados, colocados em prateleiras, ou mesmo humilhados depois de morrerem, como foi o caso do Salgueiro Maia, o herói “inconveniente” a cuja viúva o miserável calhordas Cavaco Silva negou uma pensão... enquanto as concedia a “pides”.
Resumindo, tanto me faz que exista o Colégio Militar, como não! Tanto me faz que haja não sei quantas ruas com os nomes de ex-alunos... como que as ruas passem a ser numeradas à moda do centro de Espinho. Tanto me faz que os alunos do Colégio Militar andem vestidos de pequenos paquetes de um qualquer hotel de luxo (que explore trabalho infantil), como que passem a vestir-se de entregadores de pizzas.
Sendo assim, quer seja para "matar o colégio", o tremendismo encontrado para definir a entrada do demónio na forma de raparigas no colégio, se bem entendi a estorieta, quer seja para manter como está... qualquer uma das duas opções que faça parar a difusão do anúncio nas televisões, com a insuportável lamúria sobre o “bendito” colégio e o desfile de “notáveis” a tremelicar de emoção indignada... terá o meu incondicional apoio!





