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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Ricardo Rodrigues – É o que fazem as pressas


Devo confessar que nenhuma das várias estórias envolvendo Ricardo Rodrigues, o escorregadio e (pelo menos para mim) algo repelente pavão que tem lugar na Assembleia da República como deputado do PS, me interessou alguma vez por aí além... muito menos esta farsa dos gravadores surripiados a meio de uma entrevista.
Assim sendo, quando ao passar os olhos pelas notícias do julgamento e condenação do indivíduo dei de caras com a palavra “suspensão”... fui percorrido por um leve arrepio.
Que diabo! Por tão pouca coisa, não será um pouco excessivo “suspender” o homem?! Por causa de dois gravadores que juntos devem valer para aí 200 euros... e um atentadozito à “liberdade de imprensa”... que, nos dias que correm, deve andar a valer ainda menos que os ditos gravadores?!
Depois é que percebi que aquilo que foi suspenso... foi simplesmente uma parte das actividades parlamentares do deputado.
É para eu aprender a não ler notícias de viés... sem ter treino específico para tal!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Mandela e Mubarak - Crónicas de um mundo muito desequilibrado


Sucedem-se as notícias sobre as depressões, angústias e ataques de coração de Hosni Mubarak, nestes primeiros dias em que cumpre uma pena de prisão perpétua. Provavelmente, está mesmo muito doente... e morrerá em breve. Provavelmente este conjunto de notícias são apenas a preparação da opinião pública para a transferência do preso para uma dos seus belos palacetes.
Seja como for... e vindo aqui muito a propósito dizer que sou contra a pena de prisão perpétua, a imagem que me fica é a de um mundo extremamente desequilibrado. Só a título de exemplo e deixando de fora os numerosos casos de figuras da nossa História colectiva de luta contra o fascismo:
Enquanto Nelson Mandela cumpriu 27 anos da sua (injusta e criminosa) pena de prisão perpétua, o canalha Mubarak, por uma razão ou por outra, é bem capaz de cumprir apenas algumas semanas da sua.


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Isaltino Morais – E vai mais um!!!


Os espertalhaços que o defendem e os incompetentes (serão???) que o acusam… deixaram prescrever o crime... deixando assim escapar o corrupto!

Deve ser mais uma forma de incentivo e moralização para os milhões de portugueses que suportam dia a dia o esmagamento da chamada crise, e do fanatismo “austeritário” do governo PSD/CDS, com desemprego, cortes nos salários, roubo dos subsídios de férias e natal, aumentos  generalizados de impostos e as mais variadas taxas, cortes nos apoios sociais, destruição dos mais variados direitos, conquistados ao longo de décadas de luta...

Sim! Que esses, nem pensem em ousar uma "mentirinha" que seja, nas suas declarações ao fisco!


sábado, 11 de fevereiro de 2012

Paula Teixeira da Cruz – Ensaio


Segundo esse grande periódico de referência que é o gratuito “Destak”, Paula Teixeira da Cruz está em período de ensaios. A crer no título da notícia, a ministra admite que novo mapa judiciário ainda pode ser alterado por ser apenas um “ensaio”.
A ministra defende que o “texto” pode ser melhorado pelas “críticas construtivas” de que anda à procura.
Eu também sei que um bom ensaio (ou vários, se for necessário) pode contribuir para o aperfeiçoamento de quase tudo... mas a ver pelas reações generalizadas ao “texto” do primeiro “ensaio” da ministra... parece que decidiu começar com um guião muito, mas mesmo muito mau.
Assim como se o Coro de S. Carlos começasse os ensaios de uma nova produção da “Carmen”... mas com música pimba... ficando depois à espera de que chegassem as milagrosas “críticas construtivas”, que acabariam por transformar o inesquecível êxito “Afinal havia outra”, ou a tão celebrada "Mãe querida mãe querida", numa das árias de Bizet... quem sabe, a própria “Habanera”...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Isaltino – Apanhem-no à falsa fé, porra!



Enquanto vão sendo interpostos recursos dos recursos dos recursos, de sentenças proferidas e a proferir, transitadas em julgado ou a transitar... o inenarrável Isaltino Morais vai folgando.
Os seus advogados já nem pretendem negar os seus crimes. Limitam-se à táctica vergonhosa de alegar que estes ocorreram há já muito tempo... e pedem, desavergonhadamente, a sua prescrição.
O Ministério Público tenta, por estes dias, mais uma chance de o caçar, desta vez por mais um crime de fraude fiscal. Desconfio que, no pé em que as coisas estão, mais depressa o apanharão por fumar o seu charuto num qualquer lugar proibido.
Seja como for e estando longe de querer ensinar o ofício ao MP, ou à Judiciária... não estaria na altura de fazer chegar ao seu "convívio" um agente infiltrado que o convencesse a beber uns copos e ir ao Pingo Doce roubar um pedacito de polvo e um champô?
É que a coisa nunca falha! Dá condenação certa!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Pinto Monteiro – Bem antes pelo contrário...


O Procurador Geral da República, Dr. Pinto Monteiro, procurou causar um belo efeito geral na República, pedindo «distância entre a Justiça e a Política».
Assim, de repente e na generalidade, até dou razão ao senhor Procurador... mas, nalguns casos, infelizmente, sou obrigado a discordar dele.
Na verdade, acho que muitos políticos, uns ainda no activo, outros já regressados às suas vidinhas, deviam estar muitíssimo mais “próximos” da Justiça. Para ser mais exacto, o que quero dizer é que deviam estar presos!!!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Miguel Sousa Tavares, Cavaco... e o tiro


Aqueles de entre vós que estejam em dia mais pachorrento... ou, pelo contrário, atacados de um forte desejo de autoflagelação, podem ver e ouvir, neste link, o sempre profundo Miguel Sousa Tavares dizendo coisas. Desta vez é em dose familiar. Fala da Madeira, disserta sobre a Justiça, dá uns bitaites sobre o papel dos sindicatos na chamada “concertação social”... não resistindo a tentar enxovalhar a CGTP com as provocações costumeiras...
Não conseguiu prender-me a atenção por aí além... até ter dito, com profundidade (acho que já disse que ele é profundo), que Cavaco Silva «deu um tiro no pé».
Pois... se calhar... mas atendendo às famosas declarações cavacais sobre a “pensão de miséria” e à tão inútil, quanto esfarrapada “explicação” que veio dar dias depois, tudo isto somado ao seu já longo historial de vida coerentemente “anibalesco” e, sobretudo (como muito bem exorta o Sérgio), para a sua vasta e demolidora "obra política"... já que o Miguel Sousa Tavares decidiu falar sobre o tiro no pé, bem podia ter dito em qual dos quatro!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

??? à americana?


Li no “Cravo de Abril” uma referência certeira a esta notícia. Nada de novo! Os cinco cidadão cubanos presos e condenados nos EUA a penas obscenas, por crimes inexistentes, acusados de terrorismo, exatamente aquilo que combatiam... viram, mais uma vez, um recurso ser recusado.
Provado que foi o facto de os “jornalistas” responsáveis pela campanha pública de ódio que ajudou a criar o clima para a condenação dos patriotas cubanos, terem sido pagos diretamente pelo governo para fazer esse trabalho sujo de distorção de factos e calúnia... os advogados de defesa acharam por bem recorrer das sentenças.
Nada feito! O governo do “democrata” Obama mandou dizer que não senhor, que o tribunal deve ignorar esses factos, já que em nada são ilegais, nem terão contribuído para o desfecho da farsa a que, hipocritamente, chamaram julgamento.
É por essas e por outras que fico gelado quando vejo a “nossa” ministra da Justiça fazer títulos de jornais (independentemente do texto que os acompanha), dizendo querer «uma justiça à americana».
A “justiça” que condenou estes patriotas e antiterroristas. A “justiça” da tortura institucionalizada de prisioneiros. A “justiça” de Guantánamo, Abu Grahib e das prisões secretas. A “justiça” das penas de prisão perpétua para crianças. A “justiça” da pena de morte.
É mesmo isto que quer, senhora ministra?

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Cavaco Silva e Bertold Brecht


(Montagem surripiada ao “5dias.net”)

Não, senhor Aníbal! Parece que o poema original não foi, afinal, escrito por Bertold Brecht, mas sim pelo pastor luterano Martin Niemöller… mas isso agora não interessa nada! O que interessa é que a sua “adaptação” está muito bem achada. Espero que não se importe que eu a divulgue...

Primeiro levaram o Oliveira e Costa
Mas eu não me importei,
porque não era presidente do BPN

Depois, apertaram com o Dias Loureiro
mas eu não me importei,
porque não era da SLN, nem tinha negócios offshore

Depois prenderam o Duarte Lima
mas eu não me importei,
porque nunca conheci a secretária do Tomé Feteira...
nem cometi (há o caso das acções e da Coelha... mas que diabo...) fraudes no BPN

Agora, estão a subir a escada...
estão a bater-me à porta...

E quando percebi
Já era tarde!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Face oculta... com o rabo de fora


(Instalação de Tim Noble e Sue Webster)

Aí está o grande, o gigantesco julgamento! Muitos milhares de páginas de processo em 130 volumes, com mais de 300 apensos. 36 arguidos, mais de 50 advogados, mais de 500 testemunhas.
Algumas das testemunhas têm tanto que ver com o processo, como eu com a exploração de água em Marte... como será o caso do ex-Presidente da República, Jorge Sampaio.
Não foi preciso esperar horas, sequer, para que o “habilidoso” Sá Fernandes começasse a tirar coelhos da cartola.
Está tudo de “consciência tranquila” e todos ficam enxofrados com a mera suposição da sua participação na lixarada que todo este processo é.
Uma boa parte do dinheiro ganho com as negociatas levadas a julgamento, será enterrado nas contas bancárias dos milionários advogados (sempre os mesmos!)... provando que o Sérgio Ribeiro estava carregado de razão quando disse que «A corrupção deve valer a pena, mas nunca a de pena de prisão», nesta bem humorada coleção de conselhos aos corruptos.
Durante anos, milhões de euros serão esturricados em milhares de viagens para o Tribunal de Aveiro. Durante anos, rios de recursos humanos e financeiros serão canalizados para este espectáculo. Depois, se houver algumas condenações, teremos mais alguns anos de recursos, incidentes, mais recursos, golpes de teatro, ainda mais recursos...
Depois... nada. O esquecimento. A impunidade.
Escrevo tudo isto para demonstrar que já percebi como é que se faz dos portugueses tolos, como é que se “enche a tulha e bebe vinho novo, ou dança a ronda no pinhal do rei”:
Em vez de se julgar cada acusado pelos crimes de que está indiciado, sozinho, assistido (obviamente) pelo seu advogado, permitindo apenas um número razoável de testemunhas que tenham de facto algo de relevante a dizer... garantido uma Justiça rápida e por isso mesmo, mais justa (seja para condenar ou seja para absolver), atascam-se as salas de tribunal com centenas de réus, advogados, testemunhas, jornalistas e mirones... chamando-se à coisa, pomposamente, “Mega Processo”.
Claro que espero estar, desta vez, enganado... mas a História diz-nos que esta técnica quase nunca falha! Dentro de alguns anos teremos a confirmação.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Fátima Felgueiras - As “felgueiras” são como as cerejas...


As “felgueiras” são como as cerejas... tirando a cor, o sabor, o formato... e mais umas tantas coisas. Mas na verdade, como se vê, fala-se numa, aparece logo outra. Neste caso, a mãe.
Vamos lá ver se percebi bem a notícia…
1. Fátima Felgueiras foi acusada de uma catrefada de alegados crimes.
2. Fátima Felgueiras foi absolvida de vários desses crimes, não por se provar que não os tenha praticado… mas porque prescreveram. Ainda nesse mesmo julgamento, foi condenada pelos restantes crimes, que não estavam prescritos.
3. Fátima Felgueiras recorreu e, como entretanto tinham aparecido uns “crimes” novos, o tribunal perguntou-lhe se não importava de ser julgada também por estes. Como ela disse que sim senhor, que se importava e muito, não pôde ser julgada nem pelos crimes novos, nem pelos crimes velhos… e foi absolvida de todos eles.
4. O Ministério Público pode recorrer. Não quanto a estes novos crimes, nem quanto aos que já estão prescritos, mas apenas da absolvição tais crimes de que foi acusada e condenada (com uma sentença que afinal era da treta) logo no primeiro julgamento… sabe-se lá bem para quê!
Portanto, está tudo “azul”… menos o célebre e tão falado saco.
Decididamente, não! Não percebi patavina da notícia!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Maria de Lurdes Rodrigues – Uma acusação “corajosa”


Maria de Lurdes Rodrigues, no tempo em que era feliz, fustigava os professores a seu bel prazer e dava alegres entrevistas ao Expresso, em poses azougadas... como a que esta fotografia documenta.

Todos nos lembramos da estória. O Ministério da Educação, então dirigido pela dona Maria de Lurdes Rodrigues, encomendou diretamente ao advogado João Pedroso, por quase 300.000 euros, uma espécie de colectânea de toda a legislação portuguesa relacionada com a Educação. Foi feito um primeiro contrato em 2005, depois, descobriu-se que as verbas acordadas não chegavam, sequer, para começar a coisa... e foi feito novo contrato em 2007. Mais tarde, o ME desistiu do trabalho, que nunca foi acabado, embora tenha sido pago.
Já nessa altura houve quem pensasse que ninguém conhecia a João Pedroso a “especialização” que aconselhasse a sua contratação.
Já nessa altura houve quem pensasse que o fim daquele contrato era mais entregar a verba ao advogado, do que obter qualquer trabalho em troca.
Já nessa altura muita gente sabia que dentro do ME e do aparelho do Estado existiam muitas centenas de juristas, capazes de fazer tão bem, ou melhor, aquele trabalho.
Finalmente, agora, com o ano de 2011 já a meio, o Ministério Público produziu alguém capaz de elaborar a acusação de crime de prevaricação (e não sei o quê mais) com que, por estes dias, brindam a ex-ministra, dois dos seus mais diretos colaboradores e o próprio João Pedroso.
Ainda bem que assim é, pois toda a gente envolvida merece, das duas uma: ou a condenação adequada aos atos de que estão acusados, ou a total ilibação de qualquer suspeita.
Sobre o processo em si não tenho qualquer opinião... pois casos destes não se devem julgar com “opiniões”, mas sim com provas irrefutáveis. Já sobre o tempo que demorou esta acusação, até ver a luz do dia e, sobretudo, a altura escolhida para a fazer... aí sim, tenho uma opinião: É uma vergonha!
Não se pode deixar de ficar com a impressão de que o “braço da lei” sofreu, mais uma vez, do “Síndrome Vale e Azevedo”, que, como estamos lembrados, só foi acusado depois de ter descido do trono do seu Benfica. Não se pode deixar de ficar com a impressão de que, neste caso, mesmo já não estando a cidadã Maria de Lurdes Rodrigues sentada na cadeira do Ministério da Educação, desde 2009, alguém esperou até que o Partido Socialista saísse do poder. Até que houvesse novo Governo, nova Assembleia, nova maioria. Não fosse o diabo tecê-las!...
Não se pode deixar de ficar com a impressão de que haverá bastantes mais processos à espera de uma “aberta”...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Justiça – Magistrados “Xerox”


(Georges de La Tour – “O batoteiro”)

Se, no futuro, acontecer haver sentenças iguais em vários tribunais ao mesmo tempo, com as mesmas penas aplicadas tanto a multas de estacionamento, como a assassinatos de vizinhos, ou assaltos a bancos... não se preocupem. Os magistrados não estarão bêbados nem loucos; estarão simplesmente a lembrar os belos tempos em que copiavam copiosamente nos testes que lhes dariam acesso exatamente à profissão de magistrados.
Nada de especial, portanto... pelo menos a ver pelo tipo de “sanção” imposta aos “esforçados e estudiosos” candidatos: a passagem de todos... com um 10... o que constitui, igualmente, uma decisão profundamente injusta para com aqueles (os patetas honestos) que não copiaram, para além de um enxovalho para aqueles que "se sentem".
Mais uma estória francamente inspiradora... capaz de gerar uma grande confiança no futuro da justiça portuguesa e cimentar o respeito da sociedade pelos seus juízes e demais representantes da Lei. Uma estória augurar um  ambiente, no mínimo, equívoco, para os julgamentos e investigações em que estes “magistrados” sejam acometidos por este tipo de valores ético-batoteiros.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Muito se evoluiu desde o tempo em que eram pendurados. Agora são “suspensos”...


A vida mais recente da inenarrável Fátima Felgueiras dava uma banda desenhada cómica que bem poderia servir de ilustração para os tão férteis anos de governança “socretista”, tal o brilhantismo, a profundidade, a consistência política, o aprumo ético.
Agora, foi condenada a um ano e oito meses de prisão, por participação económica em negócio... mas com pena suspensa. O título que me dizia «Fátima Felgueiras vai recorrer da decisão» confesso que me assustou. Não querem lá ver que ela teve um baque de consciência e vai exigir cumprir a pena?!... Mas não. Era o costume... o que me trás às minhas habituais considerações.
Primeiro, adoro a expressão jurídica “participação económica em negócio” para caracterizar um crime, já que é uma forma maravilhosa de não dizer coisa nenhuma. Participação económica em negócio pode ir desde a minha bica da manhã (ou não estou a participar economicamente no negócio?) até este fantástico negócio do nosso cavacal Presidente.
Segundo, e perdoem-me a vasta ignorância jurídica, mas se o cidadão julgado não cometeu aquilo de que foi acusado, é absolvido, ilibado, desculpe qualquer coisinha... por aí. Se em tribunal se prova que cometeu o crime de que é acusado, mas o juiz acha que é pouco importante, que o réu é muito boa pessoa, sem antecedentes criminais, que foi sem querer, que está muito arrependido, que jura que foi a primeira e última vez... pode perdoá-lo, desculpá-lo, “vai e não peques mais”. Agora se tudo é provado e tudo é suficientemente grave para o réu ser condenado em um ano e oito meses de prisão... por que diacho é que a pena há de ser suspensa?
Seja como for, a indescritível Fátima está convencida de que tem razão, de que o que fez não foi nada de repreensível, que o dinheiro desviado e pago indevidamente não foi uma coisa nem outra e que, muito provavelmente, tudo não passa de uma campanha negra, coligação negativa, infâmia, etc., etc... como disse: uma excelente banda desenhada cómica para ilustrar os tão férteis anos de governança “socretista.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Justiça – Muito verdete e poias de pombo...


Há de existir uma explicação para o facto de tantos juízes deixarem tão mal a simples ideia de justiça. Há de existir uma falha qualquer no percurso de formação de juízes, mesmo enquanto serem humanos, para que tão repetidamente desvalorizem os crimes de teor sexual, cometidos contra crianças.
Um indivíduo de São João da Madeira, acusado de ter abusado sexualmente de duas crianças, de oito e dez anos, suas vizinhas, foi a julgamento. Mais uma vez, um juiz, depois de os factos terem sido suficientemente provados, ao ponto de justificarem uma sentença de quatro anos de prisão, mandou o condenado para casa com “pena suspensa”. A mesma casa onde vivem as vítimas. Não decretou sequer qualquer medida que o impeça de se aproximar delas.
«Vá para casa e não faça mais asneiras!» - disse o magnânimo magistrado.
“Asneiras?!” Asneiras tipo o quê? Trincar caramelos tendo dentes postiços? Chapinhar nas poças de água da chuva com os sapatos novos? Deitar a língua de fora ao senhor prior? Asneiras?!
Que se terá passado na cabeça deste juiz durante o "julgamento"?
“Condenou” o abusador por ser pedófilo, ou por ser incompetente ao deixar-se apanhar?
Passou todo o tempo do “julgamento” a fantasiar que a coisa se passava no seu gabinete de juiz, com ele e duas rapariguinhas ou dois rapazinhos da mesma idade?
Que raio levará tantos juízes a simpatizar com os pedófilos que deveriam condenar?
Que merda!

quinta-feira, 10 de março de 2011

EUA - Estado de Illinois e o seu Governador – Um passo rumo ao futuro


Quem, passando por aqui e lendo à pressa uns tantos textos avulsos, decida que este é mais um blog escrito por um antiamericano ferrenho, movido a ódio a tudo o que venha dos EUA... é porque nunca viu as minhas várias estantes de CDs e DVDs, ou a estante inteiramente reservada aos velhinhos policiais da “Coleção Vampiro”... mas adiante.
Para mostrar que não é só na música, cinema e livros, que os “ianques” são capazes de me dar alegrias, aqui vai um aplauso para algo completamente diferente: o Governador do Estado de Illinois.
Apesar de a execução de penas de morte estar suspensa há mais de uma década naquele Estado, depois de uma série aterradora de 13 “assassínios de estado” cometidos contra condenados que, segundo veio a revelar-se posteriormente, estavam inocentes, facto que se tornou insuportável para qualquer cidadão dotado de uma consciência de pessoa de bem... faltava ainda dar o passo decisivo: abolir a pena de morte.
Foi isso que agora fez o Governador Pat Quinn, depois de muitas negociações com famílias de vítimas, líderes de igrejas e militantes contra a pena de morte. «Encontrámos os erros que foram feitos vezes sem conta. Não é possível criar um sistema de pena de morte perfeito, livre de erros» - disse ele. Pat Quinn foi, até há pouco, defensor da pena de morte. A crua realidade fê-lo mudar de opinião. Está de parabéns!
O Governador Quinn e o Estado de Illinois passam a fazer parte da minoria de estados norte-americanos que aboliram a pena capital, até agora eram apenas 15 (entre 50). Restam todos os outros que acham o assassínio a sangue frio de presos que considerem culpados, uma medida aceitável entre seres humanos, mesmo com o tremendo historial de erros imperdoáveis que envolveram muitas dessas condenações e execuções.
Sendo possível indemnizar e pedir desculpas públicas a um condenado, por vezes já no “corredor da morte”, embora com grande embaraço e humilhação do sistema judicial e os cidadãos envolvidos diretamente no julgamento, sempre que se descobre mais uma condenação errada... confesso não entender como conseguem dormir aqueles que descobrem a inocência de uma pessoa que, entretanto, já mandaram assassinar.
Há ainda muito caminho por fazer, mas lá chegaremos! Para já, não deixemos de assinalar estes momentos que constituem um passo na direção do futuro.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Óscares - “Inside Job” (A verdade da crise)


A cerimónia de entrega dos Óscares deste ano teve vários momentos interessantes. Se fosse crítico de cinema teria matéria para umas boas páginas; não sendo o caso, fico-me por um pequeníssimo “pormenor” da festa que, dado o limitado “glamour” dos documentários no meio de tal aglomerado de estrelas, poderia passar despercebido.
O Óscar para melhor documentário foi atribuído a "Inside job", de Charles Ferguson e Audrey Marrs, um trabalho que pretende ser um retrato do lamaçal, da podridão, da pulhice e dos crimes que estão na origem da “crise financeira” que ainda atravessamos e sofremos.
Antes de agradecer a toda a gente, como é norma nestas alturas, Charles Ferguson optou por começar o seu discurso dizendo: «Perdoem-me, mas eu preciso começar dizendo que, três anos após a horrível crise financeira causada por uma grande fraude, ainda nenhum executivo foi para a cadeia. E isso está errado!»
Claro que alguns dos presentes o ovacionaram, outros fizeram de conta... mas isso não altera a crua verdade do que ele disse: não há condenados, se exceptuarmos o caso particular de Bernard Madoff, que não passando de um ladrão comum, curiosamente, diz que os bancos - e logo, os seus gestores - foram seus “cúmplices”.
Seja como for, gostei!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

E falando em corruptos... alegadamente, claro!


Para não ter que inundar o texto com os “alegados” e “alegadas” do costume, seguem-se alguns exemplares dessas sempre indispensáveis palavras, que os leitores farão então o favor de colocar onde acharem mais conveniente, à medida que forem lendo.
alegado, alegada, alegados, alegadas, alegadamente, alegado, alegada, alegados, alegadas, alegadamente, alegado, alegada, alegados, alegadas, alegadamente, alegado, alegada, alegados, alegadas, alegadamente, alegado, alegada, alegados, alegadas, alegadamente, alegado, alegada, alegados, alegadas, alegadamente 
(acho que já chega!)
A juíza Ana Cristina Silva veio juntar-se aos numerosos portugueses que não têm grandes dúvidas de que o “apoio” do futebolista Luís Figo a Sócrates foi comprado. Também não parece haver dúvida de que o “boy” Rui Pedro Soares é o corruptor por detrás da manobra da tentativa de compra de “convicções” e apoios de várias figuras públicas.
Segundo li, a propósito da transcrição de uma das escutas ligadas a este imbróglio, na fase em que andavam a sondar as figuras públicas que estariam “disponíveis” para dar o seu “apoio” a Sócrates, quando ainda tentavam chegar a Tony Carreira (o que não veio a acontecer) e Luís Figo era ainda apenas uma hipótese, um dos “boys” terá dito: «Já temos o apoio da Inês de Medeiros e da Isabel Alçada!» Passadas as eleições, a primeira “ficou” deputada do PS e a segunda, ministra da Educação... o que é apenas um pormenor curioso, como é evidente!
A Juíza decidiu levar o caso a julgamento, perante a acusação da 9.ª Secção do DIAP de Lisboa e não teve dúvidas de que existem indícios fortes de que Soares, perante o aproximar das eleições legislativas de 2009, «pôs em execução uma estratégia para obter o apoio à candidatura do PS por parte de figuras públicas beneficiárias de simpatia popular».
Confesso que, independentemente do desfecho da coisa… é bom vê-los sentar os corruptos rabos no banco dos réus... mas há, pelo menos, duas coisas que não entendo:
1. Se existem elementos suficientes para levar a julgamento Rui Pedro Soares, Américo Thomati e João Carlos Silva, que no papel de corruptores ativos, andaram a usar dinheiros da PT e Taguspark para comprar o “apoio” de Luis Figo, porque diacho é que não há elementos para levar o “pesetero” futebolista e súbito admirador de Sócrates a tribunal, enquanto corrupto, ainda que passivo?
2. Se Sócrates, vamos apenas supor, teve conhecimento de que estava a conseguir um apoio público para a obtenção de um bem, o cargo de primeiro-ministro, tendo os seus colaboradores obtido esse apoio recorrendo à corrupção, isso, para além de ser uma coisa “muito feia” não o candidata igualmente a ir sentar-se com os outros no mesmo banco... mas isso já é sonhar demasiado alto!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

José Sá Fernandes – É para aprenderes!!!


Nem que José Sá Fernandes se faça rodear, em casa ou no escritório, de fotografias de Domingos Névoa e da "Bragaparques", como sugiro nesta fotomontagem, conseguirá ter mais presente a recordação do dia aziago, em que, enquanto cidadão e vereador da Câmara Municipal de Lisboa, resolveu bulir com a corrupção instalada na sociedade.
Mesmo depois de ter provado que o grande empreendedor bracarense, interessado nos terrenos da antiga Feira Popular, se serviu da corrupção descarada para tentar conseguir os seus fins, José Sá Fernandes não só o viu absolvido, como indemnizado, como agora vai sofrendo as várias retaliações “a que tem direito” por não se ter calado.
Aí está mais uma retaliação, agora (e também mais uma vez) sobre o irmão Ricardo, que o ajudou. Desta vez é acusado pelo Ministério Público... por usar “gravação ilícita”.
Enquanto no Parlamento as já várias iniciativas do PCP, no sentido de criminalizar o enriquecimento ilícito e combater a grande corrupção vão sendo sistematicamente chumbadas, ao mesmo tempo que se assiste à encenação do “peditório” do Correio da Manhã, contra o mesmíssimo enriquecimento ilícito (não digo que não se deva assinar), na verdade, o sinal que o “sistema” envia para a sociedade, é este:
Mesmo que veja com esses dois que a terra há de comer, algum funcionário receber um anafado maço de notas e tenha fotografias, vídeos, gravações áudio, testemunhas oculares ou mesmo de Jeová... não se meta nisso! Faça de conta de que não viu, não soube, nem estava cá nessa altura, ou arrisca-se a arranjar uma data de problemas que lhe podem sair bem caros!
Outro mundo há de ser possível!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Casa Pia - Estertor na lama


Quanto aos desenvolvimentos no lamaçal do caso Casa Pia, na frente, nada de novo. As reações à manobra meio demente que alguém encomendou ao energúmeno Silvino sucedem-se. Como se pode ver neste artigo, um apenas entre tantos outros, as manobras não param, as revelações de e sobre o “jornalista”, que depois de pago para escrever um livro de Carlos Cruz, perdão, da ex mulher, resolveu "descobrir" a nova verdade de Carlos Silvino, sucedem-se. Apenas duas reflexões:
1. É uma pena que, ao escolher este artigo do “Sol”, perfeitamente ao acaso, num passeio pela internet, tenha acabado por descobrir que a hiperativa jornalista Felícia Cabrita pertence ao grupo restrito de, vá lá... "distraídos", que quando querem dizer que a vida de alguém ficou de pernas para o ar, se alterou gravemente, ou seguiu um rumo completamente diferente do que até aí... dizem que «deu uma volta de 360 graus»... ou seja, na realidade ficou exatamente como estava e virada para o mesmo lado.
2. Muito mais importante do que o número um e mesmo sabendo que é pedir demais, gostaria muito que esta mais do que justa ira que se pressente nas reações dos rapazes vítimas do pedófilos que repetidamente se serviam dos alunos da Casa Pia, os fizesse falar ainda mais alto, mais claro e mais irredutivelmente sobre os seus agressores, todos os seus agressores, para que, no caso de este miserável processo ser reaberto como pretendem os condenados, não só os culpados acabassem com as penas agravadas, como – e isso seria o melhor de tudo – acabassem sentados no banco dos réus e igualmente condenados, aqueles muitos que não chegaram sequer a sentar lá o rabo.
Mas como já disse... sei que isso é pedir muito!