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sábado, 13 de outubro de 2012

Tocar a reunir



Por vezes, em situações muito particulares, fazer unidade não requer horas de reuniões e negociações, debate de posições, cedências ou coligações formais.
Basta ter um objectivo comum, dar uma olhadela interessada a quem vai estar (não vá o diabo tecê-las)... e ir!
É o que farei, hoje pela tarde, ali na Praça de Espanha, rodeado de uma bela mão-cheia de artistas que, se ainda não descobriram como se deve fazer tudo aquilo que se deve fazer, uma coisa já descobriram: não será com a troica!
Seremos muitos e a função seguirá até às tantas! Tantos que alguns de nós se organizaram para ir em grupo. No “trio” que formarei com o Fanhais e o Janita, teremos tempo para apenas uma canção cada.
Cantarei uma canção do Zeca, “Tinha uma sala mal iluminada”. Porque é de uma actualidade desconcertante, porque gosto muito e para que fique claro que só a morte física impede o Zeca de estar ali connosco. 

De pé!

domingo, 23 de setembro de 2012

Stacey Kent – Uma pausa para refrescar... e seguir viagem


Ao longo da vida fui alvo de várias atenções do Júlio Isidro, um profissional de rádio e televisão que, numa época em que os cantores como eu pareciam sofrer de lepra (uma situação tão grave e real, que fez muitos mudar de caminho) nunca deixou de me convidar para os seus programas e de divulgar a minha voz. Fico a dever-lhe mais uma: ter-me lembrado há poucas horas a Stacey Kent que, por pura distração, andava injustamente afastada das minhas audições.
Stacey Kent é uma jovem norte-americana atípica. É culta e alimenta um interminável interesse por outras culturas e línguas. Isso explica, provavelmente, o facto de os vários prémios e tremendos elogios da crítica que já recebeu, serem maioritariamente ingleses, franceses...
A atração pela música francesa levou-a a adquirir um francês invejável. Da mesma maneira, a paixão que “contraiu” pela música brasileira fê-la não achar suficiente ficar-se pelas versões em inglês e francês de canções como “Águas de Março”... e aí a temos, com o seu português cheio de pronúncia brasileira, a descobrir e a encantar-se com Portugal e a incluir no mais recente disco “O comboio”, uma canção com letra do poeta português António Ladeira.
Nos vídeos que partilho hoje, podemos ouvi-la (só ouvir também é bom!) cantar a pérola escrita e interpretada em 1971 por Carole King e tornada ainda mais famosa na versão de James Taylor,You’ve got a friend... e a atrever-se a cantar em francês uma daquelas canções que se julgaria só serem possíveis na voz da autora, BarbaraLe mal de vivre.
Já disse que a Stacey é uma norte-americana atípica. É-o também enquanto cantora de jazz, um género de artistas de quem muitas vezes se esperam verdadeiros números circences em palco e fogos de artifício vocais. Com ela, não! Com ela só há a melodia recriada sobriamente, com extremo bom gosto e um admirável respeito pelos autores, as letras (que ela diz tornarem a sua vida melhor)... e a voz doce.
Ouvir Stacey Kent tem o mesmo efeito de bálsamo que tinham alguns beijos sobre as nossas infantis feridas... reais ou imaginárias.
Bom domingo!
You’ve got a friend” – Stacey Kent
(Carole King)



Le mal de vivre” – Stacey Kent
(Barbara)


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Luiz Goes (1933-2012) – É preciso acreditar


 “Tu que crês num mundo maior e melhor
Grita bem alto que o céu está aqui
Tu que vês irmão, só irmãos em redor
Crê que esse mundo começa por ti

Canta, canta como uma ave ou um rio
Dá o teu braço aos que querem sonhar
Quem trouxer mãos livres ou um assobio
Nem é preciso que saiba cantar”
(Excerto de “Cantiga para quem sonha” – Leonel Neves/João Gomes)

Partiu o Luiz Goes. Deixou-nos a memória das suas cantigas coimbrãs e da sua emocionante e emocionada voz clara.
Na última vez em que cantámos juntos, numa homenagem ao José Niza, em Santarém (com o José Niza presente), apesar dos setenta e tantos anos, ainda terminava a sua “Cantiga para quem sonha” com um final corajoso e irrepreensível, uma oitava acima do normal, para “inveja” dos colegas.
Conheceu-me junto ao Zeca, ainda nos meus vinte anos e não sei o que captou da relação dele comigo, que o fez continuar sempre a tratar-me como se eu fosse eternamente aquele miúdo que precisava de ser acarinhado, provavelmente, por ousar cantar “aquelas coisas deles”.
Cantava que “É preciso acreditar que a canção de quem trabalha é um bem pra se guardar”. Pelo menos alguns de nós acreditámos... e acreditamos!
Até sempre, Luiz!


Cantiga para quem sonha” – Luiz Goes
(Leonel Neves/João Gomes)



“É preciso acreditar” – Luiz Goes
(Leonel Neves/Luiz Goes)

 


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Prata na canoagem – Parabéns!



Parabéns!!!
Sei que eles não remam numa lanchinha... mas em jeito de homenagem e porque todos os pretextos são bons para ouvir a voz insuperável da  Ladeiras... aqui fica:
“Rema” – Brigada Victor Jara
(Tradicional dos Açores)



quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Zeca (José Afonso/2 Ago.1929-23 Fev.1987) – Vá... chama-me agora miúdo!...



Tenho o privilégio de não precisar de andar por aí a agitar, freneticamente, bandeiras com o nome do Zeca nas datas assinaláveis, como a de hoje, ou quando aparecem os microfones e as câmaras de televisão. As minhas bandeiras com o Zeca bordado em memórias tão simples quanto bonitas, trago-as dentro e agito-as sempre que quero... ou quase sempre que canto.

Na verdade, contam-se por muito poucos os cantos livres, ou recitais, ou pequenos e médios concertos, ou grandes comícios, em que as canções do Zeca não me “aconteçam”, com a naturalidade de quem canta o que é seu.
Um dia destes hei-de pôr pés ao caminho, para ir “cravar” aos legítimos proprietários desta fotografia, uma cópia menos “ensaropilhada” do que esta... que mesmo assim, pela raridade (eu nunca guardei imagens, recortes e esse tipo de memorabília), me deu uma grande alegria quando pousou aqui em casa, oferecida por uma amiga.
Lá está o Zeca, fazendo uma das coisas que me ensinou - não saber as letras de cor - e eu, com vinte anitos ainda abismados pela fantástica oportunidade de lhe segurar as letras, depois de momentos antes ter praticado “O cantigueiro”, que gravaria pouco tempo depois, ainda em 1972.
Zeca, a quantidade de letras tuas que transporto no meu dossiê de cantigas é tal... que quando nos encontrarmos de novo, poderemos fazer um recital de horas... e voltarás a poder cantar aquelas que... tu sabes.
Mas não é pra já, companheiro... ainda não é pra já!


"Tinha uma sala mal iluminada" - José Afonso
(José Afonso)




sábado, 14 de julho de 2012

Couço – Mais um regresso


Em Abril de 2010 escrevi AQUI algumas palavras sobre um regresso ao Couço para cantar algumas canções. Agora que estou de partida para lá, mais uma vez, não vejo razões para acrescentar quaisquer palavras ao que então escrevi... a não ser sobre o prazer de mais um regresso, outra vez para cantar, desta vez ainda com melhores condições técnicas, acompanhado de excelentes músicos... e das cantigas que fazem parte do que decidi ser um concerto de homenagem ao Manuel da Fonseca, concerto que, contra ventos e marés... vai acontecendo.
Até logo!

terça-feira, 22 de maio de 2012

Zeca sempre... e ainda outra vez... e sempre que for preciso!




Não anunciei a “performance” previamente para não ficarem a pesar-me na consciência os catastróficos engarrafamentos que isso produziria nas várias entradas de Lisboa... mas na verdade, ontem pelo fim da tarde estive a cantar na Sociedade Portuguesa de Autores, na “Sala Carlos Paredes”.
Tratava-se do “Dia do Autor” e a Cooperativa entregava prémios aos mais antigos trabalhadores da casa e a diversos autores. Dos livros ao cinema, da música ao teatro... e quase tudo o que faz mexer a cultura.
Como os critérios para a atribuição destes prémios e medalhas de honra se cingem ao mérito artístico reconhecido por todos os pares, o meu público de “laureados”, simples amigos e alguns verdadeiros camaradas de “armas”, cobria todos os espectros das sensibilidades políticas... desde Isabel do Carmo a ex-ministros, ou a maestros muuuuito à direita.
Daí ter-me dado tanto prazer aceitar o convite para ali cantar algumas canções do último autor da lista de homenageados do dia: José Afonso.
Daí ter-me dado tanto prazer encerrar o punhado de canções que escolhi, com os “panfletários” Vampiros.
Daí ter-me dado tanto gozo que lá por volta da terceira repetição do refrão, já uma parte do público estivesse a cantar em coro “eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada”.
Alguns, mesmo, com convicção!


Um sábado verde


O último sábado estava a querer provar-me que, como diz uma das famosas “leis de Murphy”, tudo o que pode correr mal, corre! Senão vejamos.
Primeiro, fui obrigado a deslocar-me a Lisboa em transportes públicos, o que, sendo muito agradável em dias bonitos (só a travessia da ponte, em comboio, vale o passeio todo), fica bastante toldado quando todas as ligações entre a casa, os transportes e o destino, se fazem à chuva, ou sob ameaça.
Segundo, chegado ao destino (as instalações do ISEG), o único cliente, para além de mim e da “minha” Maria (que em muitas destas provações me serve de providencial Amparo), presente no bar onde fui beber um café, era o execrável João Duque, director daquela instituição de produção (por grosso) de economistas e gestores.
Felizmente, a estória fez muito rapidamente agulha para o lado “iluminado” do dia. O que ali me levava era a Convenção do Partido Ecologista Os Verdes e, depois de acertada com eles a hora a que seria conveniente estar por ali, mais para a tarde, fomos almoçar. Eu, um surpreendente hamburger de coelho, com alecrim, cogumelos de chorar por mais e uma fatia de pão torrado com puré de ameixa por cima. Ela, um crepe “misterioso”... mas que era muito bom - disse-me.
A “cerveja em cima do bolo” foi tratar-se de um belo espaço, nada convencional e nada caro, e mesmo ali à mão de semear.
Depois foi voltar para o auditório do ISEG, onde decorria, animada e bem participada, a Convenção, juntar os “meus” jovens cantores... e apresentar publicamente o resultado prático de um desafio que “Os Verdes” me fizeram há já uns meses: criar e produzir duas músicas que possam vir a ser consideradas (e outras haverá futuramente) “as músicas dos Verdes”.
Aquilo que se pretendia era que as canções falassem dos temas que são caros aos nossos amigos ecologistas... mas sem que a coisa ficasse a soar demasiado a “Hino”. Fizemos o possível. Eu escrevi as duas músicas e uma das letras ("Era uma vez a Terra" - a mais "juvenil") e pedi ao Nuno Gomes dos Santos a letra para a outra ("Canto Verde"). Produzi musicalmente as gravações, recorrendo as vozes jovens... e pronto! Quem esteve presente na Convenção ouviu-as em primeira mão.
Ouçam-nas agora, em segunda mão... e se tiverem paciência e tempo para tanto, digam o que acharam. A crítica faz crescer! (nem que sejam “altos” nas canelas)



sexta-feira, 11 de maio de 2012

Bernardo Sassetti (1970-2012)


Por muito, muito tempo... sempre que vir algum medíocre convencido (e há tantos!), assassinando músicas enquanto martiriza um piano, não poderei deixar de pensar em quão estúpida foi esta morte do Bernardo Sasseti. Grande pianista, excelente compositor, e até onde me foi dado saber, um belo ser humano.
Um abraço solidário à família e amigos pessoais.







sexta-feira, 20 de abril de 2012

Hoje – “Amigos Maiores que o Pensamento”



Hoje, mais logo à noite, no Teatro Sá da Bandeira de Santarém, o Pedro Barroso, o Manuel Pires da Rocha (Brigada Víctor Jara), o Rui Pato (grande acompanhador e companheiro do Zeca), o Paulo Sucena, o Paulo Vaz de Carvalho, Rubro... e até eu, vamos estar no palco, cometendo poesia, memórias e canções.
Temos uma boa desculpa: o acto é dedicado ao Adriano, ao Zeca... e a Abril.
Se estiverem pelas redondezas, não se fiquem. Saiam de casa. Apareçam por lá e cantem connosco!
Até mais logo!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O Adriano faz hoje anos



O Adriano faz hoje anos. Grande Adriano! Adriano Correia de Oliveira. Uma das memórias mais queridas da nossa música inteligente. Uma voz irrepetível. O Adriano faz hoje 70 anos de uma vida interrompida mas inapagável.
Tinha apenas mais dez anos de idade do que eu... no entanto, faz já trinta anos que morreu. O que prova que houve qualquer coisa de muito errado nesta história.
Há uns anos “cometi” um disco (fora do circuito comercial) que serviu de material de apoio para uma série de espectáculos de homenagem a este companheiro de cantigas, risos e tristezas.
Esta “Canção tão simples”, com versos de Manuel Alegre e música de José Niza é uma das faixas. Hoje, então, canto eu para o Adriano... uma cantiga das dele. Com um abraço. Como um abraço.

domingo, 11 de março de 2012

Maria Gadú e Marco Rodrigues – “A valsa”


O Brasil nunca se cansa de mostrar a sua inesgotável capacidade de produzir artistas fantásticos. Portugal também... embora com menos “colorido” e em muito menor número (uma questão de temperamento e escala).
Hoje juntam-se aqui, Brasil e Portugal, numa cantiga viciante que já anda por aí a tocar nas rádios e que até eu ouço muito... logo eu, que nem telefonia tenho em casa. Trata-se de “A valsa”, da autoria da cantora brasileira Maria Gadú, com a participação do fadista português Marco Rodrigues.
Ela e ele, do melhor que a nova geração está a produzir lá e cá. Ela e ele, desafiadoramente “diferentes”, o que é muito bom, já que amálgamas cinzentas de pensamento único e gosto uniformizado... já temos de sobra.
Estou certo de que vocês já ouviram falar dela, dele e desta misteriosamente bela canção, uma valsinha brasileira irremediavelmente contaminada pelo fado... só que ainda não a tínhamos ouvido todos juntos, vocês e eu. É hoje.
Bom domingo!
“A valsa” – Maria Gadú e Marco Rodrigues
(Maria Gadú)



domingo, 4 de março de 2012

Sol baixinho... (só pra seguir uma teima)


(Ilha de Santa Maria - Açores - fotografada por Ana Loura)

Tive a sorte de ter contacto com a grande música tradicional portuguesa, ainda muito jovem. Um “serviço” que nunca poderá ser verdadeiramente “pago” ao Adriano, ao Zeca e a todos aqueles que se deram à tarefa revolucionária de não nos deixar perder o fio à meada da História, do contacto entre a sua música e aquela que fazia o povo.
Muitas vezes há quem pergunte de onde poderá ter saído o carácter por vezes tão profundo de alguma da nossa música tradicional. Como em tudo o que tem que ver com as gentes, devemos procurar as respostas na terra. Procurar entre essas mesmas gentes, nas suas fadigas, alegrias, crenças, medos, amores. Devemos procurar ao nível da terra... e mais abaixo: entre as raízes.
Se há lugar no país em que essas raízes são uma mistura de persistência de séculos com encantamento diário... é nos Açores.
Tudo isto... por não saber muito bem o que dizer deste (viciante) “Sol baixinho”, recolhido por Artur Santos em 1858, em Santa Maria. O tema foi, então, acompanhado a preceito pelas “violas de arame” de Augusto Cabral e João Soares... e cantado de forma totalmente inexplicável por Virgínia de Andrade Cabral.
Bom domingo!
“Sol baixinho” – Virgínia de Andrade Cabral
(Popular - Ilha de Santa Maria - Açores)



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Olá, Zeca!




 Na passagem destes vinte e cinco anos, quero dizer-te (entre tantas coisas que não é preciso dizer) que sempre conseguiste deixar-me arrepiado com a interpretação desta tua música que hoje aqui lembro. A demolidora garra e concentração com que te empenhaste em transformar a tua interpretação deste poema de Jorge de Sena... numa espada. Brilhante. Necessária. Com o som que produzem só algumas (muito raras) espadas.
É uma interpretação inultrapassável, servida genialmente pela desconcertante simplicidade do acompanhamento da viola do Bóris. Canto-a muitas vezes ao vivo, acompanhando-me à viola, sozinho. Porque é importante que se ouça... e também para provar exactamente o que acabo de dizer sobre a tua "versão".
Fazes-me falta, amigo! Para tudo... e para renovar o reportório de apresentações em frases curtas, entre cantigas... que fazias tão bem. Até o humor meio surreal com que temperavas esses intervalos me dá ainda combustível para o caminho.
Vemo-nos um destes dias... mas dá-me mais vinte e cinco anos, para além destes que já passaram, pois tu é que partiste cedo demais, meu sacana!

"Epígrafe para a arte de furtar" - José Afonso
(Jorge de Sena/José Afonso)



domingo, 12 de fevereiro de 2012

Ergue-te ó sol de verão! Somos nós os teus cantores...


Depois do dia de ontem, sobretudo depois das horas passadas no Terreiro do Paço... ficou esta canção do Zeca a soar-me na cabeça, insistentemente. Resolvo então partilhá-la com os leitores/ouvintes dos domingos.
Primeiro, porque é uma obra-prima. Segundo, porque faz parte do disco histórico “Cantigas do Maio”. Terceiro, porque por mais do que uma vez, pareceu-me ouvi-la (apeteceu-me ouvi-la), cantada em coro naquela praça repleta de gente.
Bom domingo!
“Coro da Primavera” – José Afonso
(José Afonso)



segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Eu não quero o que tu queres, que eu sou doutra condição *


A “panzerMerkel sonha com o dia em que consiga, oficialmente, instalar em cada país europeu um comissário ao serviço da Alemanha, forçando e garantindo orçamentos “nacionais” que sejam inteiramente favoráveis aos seus interesses e incondicionalmente subservientes para com o seu poder.
Passeia-se por onde muito bem lhe apetece, pesadamente, dando ordens, deixando atrás de si o trilho das imponentes “lagartas”. Agora decidiu interferir abertamente na campanha presidencial francesa, apoiando o seu “pequeno” aliado Sarkozy que, valha a verdade, já antes lhe tinha prestado o mesmo serviço.
Perante esta consolidação do poderio dos dois grandes lacaios do capital sem pátria na Europa, Sarkozy e Merkel, que fazem os restantes pequenos lacaios, sentados nas cadeiras governamentais da UE? Uns, como Passos Coelho, já nem se dão ao trabalho de levantar as calças e endireitar as costas. Outros, muito raros, ensaiam tímidas encenações de “revolta”... que acabam, recorrentemente, em capitulação. Foi assim na Irlanda, foi assim na Grécia. Aí estão as repetições. Tanto num país, como no outro, governantes comprometidos até ao pescoço com esta política, em discurso para consumo interno, clamam pela sua soberania ameaçada, quais virgens no meio de um bordel.
Todos estes “pequenos” estados, Espanha, Itália, Grécia, Irlanda, Portugal... poderiam, em vez de fazer de conta que não se conhecem, repetindo como um mantra, “os outros é que estão mal”, juntar-se à volta de uma mesa e ensaiar em uníssono um berro bem em cheio na cara da “panzer” Merkel e dos omnipresentes e eternamente nervosos mercados. Mas não!
Há, para além da pequenez e da cumplicidade com esta política de agressão aos povos, pelo menos duas características que unem os políticos que o grande capital tem à frente dos países da UE: o egoísmo e a cobardia.
Seja como for... esta minha “conversa” é mera retórica, já que nunca sairemos deste lamaçal com os mesmos governantes e as mesmas políticas que nos atascaram nele!


* Do refrão da cantiga “Uns vão bem e outros mal”, do Fausto... que é sempre bom voltar a ouvir.


domingo, 22 de janeiro de 2012

António Zambujo - Contaminação


O som não se propaga no vácuo. Precisa de ar. Sem ar não há sons, não há música, não há vida.
A boa música ganhou o gosto das grandes viagens, para melhor respirar, para melhor se propagar. Quando é transportada por gente inteligente, regressa dessas viagens contaminada com o que viu, com o que ouviu, com o que viveu. E torna-se melhor. Traz mais vida e mais ar. Transforma-se numa coisa única. Extraordinária.
Assim fez esta “Chamateia”, já de si uma mistura de Chamarrita com Sapateia, feita por dois autores a “brincar” com os nomes da música tradicional dos seus Açores... e transportada para a Bulgária, terra das vozes “misteriosas”, pelo António Zambujo. Em boa hora!
Bom domingo!
Chamateia” – António Zambujo e Vozes Búlgaras “Angelite
(António Melo de Sousa/Luis Bettencourt)



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Pedro Osório (1939-2012) – Cantemos até ser dia!


Até sempre meu amigo!
Cantemos mais uma vez esta tua cantiga. Porque é fantástica (não éramos todos?), porque estou no coro com a Joana, a Madalena, o Carlos, a Maria. Porque nos divertimos muito. Porque valeu a pena o nosso "SARL". O Grupo Outubro. Os milhares de quilómetros de canções. O teu piano acompanhando a minha voz. A tua "inegociável" qualidade. A interminável curiosidade. A alegria. Porque valeu a pena... tudo.
“Cantemos até ser dia” – Teresa Silva Carvalho
(Pedro Osório)



quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Bonito!




Esta noite, até pouco antes da hora a que este texto vai para o ar, estive acompanhado por um grupo de reformados e pensionistas da ARPI de Montemor-o-Novo e rodeado da tecnologia digital que permitiu registar uma bela mão cheia de cantigas que eles decidiram gravar. Daqui por algumas semanas estará tudo num CD.
Sobre a gravação não há grande coisa a dizer. São as cantigas populares de que eles gostam, cantadas, tocadas e gravadas como é possível. Pequenas capacidades técnicas, pequenas vozes... tudo resto foi em grande.
Podia ficar agora aqui alinhando estórias de vidas cheias de História. Do mapa de “moengas” que é todo este Concelho para cada uma destas pessoas. Cada herdade, cada leira de terra que bebeu o seu suor. Podia ficar a contar os desmandos que tiveram que suportar, sendo que aqueles que suportam agora não são menores do que os antigos. Da falta de respeito pela sua vida de trabalho, afronta que enfrentam com a incredulidade magoada de quem esperava que a vida lhes tivesse reservado um futuro um pouco mais próximo dos sonhos que acalentaram...
Podia... mas não vou! Se eles foram capazes de reservar uma noite para cantar para mim e para os gravadores, resultado de muitas e muitas tardes de ensaios de cantigas em coro, também eu devo ser capaz de achar que esta coisa bonita se sobrepõe (por hoje) à fealdade daquilo que nos rodeia.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Manuel da Fonseca – Gostar... é fazer alguma coisa por isso!




Hoje, dia 9 de Dezembro, terá lugar mais uma sessão de cantigas e conversa à volta da grande figura de escritor e ser humano que foi Manuel da Fonseca. Em palco estaremos eu e o Cândido Mota (encarregado da conversa), acompanhados pelos meus músicos.
A coisa vai dar-se em Montemor-o-Novo, às 21:30, no auditório da Biblioteca Municipal. Curiosamente, Montemor é o primeiro lugar em que canto depois de ter deixado de habitar... em Montemor. Esta autarquia local foi uma das que quiseram acolher este projecto de espectáculo de canções e poesia.
Infelizmente, ainda apenas 5 “contratantes” se chegaram à frente, tendo sido já realizadas três sessões. Mesmo sabendo que toda a gente tem noção de que este é um espectáculo profissional, em que todos os participantes são pagos (já que este é o único trabalho que têm), logo, tornando-se evidente que sou parte interessada e estarei a puxar a brasa à minha sardinha (e à dos meus músicos e técnicos)... mesmo assim não me coíbo de desabafar convosco que é uma pena ser tão difícil fazer vingar projectos deste tipo e com esta temática e postura artística.
Infelizmente, apesar de serem muitas as pessoas que dizem ser uma grande pena não haver mais destes espectáculos, ser muito importante organizar mais destas sessões de música e poesia, pessoas que a bem dizer não passam sem as canções de intervenção, para quem as canções são parte da luta cultural, “Então e quando é que temos um trabalho novo?”, “Para quando uma vinda cá à nossa terra?”... depois é quase inexistente a tradução desse “grande interesse” em actos concretos.
Felizmente, ao que me dizem, a sessão de Montemor vai ser animada com a presença de muitos amigos do Manuel da Fonseca. Até lá!