Já cansa, para lá do que é suportável, a dolorosa parolice de certo “jornalismo” português que, infelizmente, invadiu tudo o que é meio de comunicação social.
A cobertura despesista, nova rica e bacoca, que as televisões nacionais fizeram do casamento dos dois meninos ricos ingleses, sendo um neto da Rainha e ela, neta da sua estimável avó... que não sei quem seja, esteve ao nível da náusea. Quanto aos parolos “jornalistas” para lá enviados, incumbidos de fazer diretos ridículos, estavam enfiados em cubículos, seguindo a cerimónia em minúsculos monitores de vídeo... o que quer dizer que teriam comentado melhor e em melhores condições se estivessem em Lisboa, no seu local de trabalho, ou até em casa, seguindo o casório pelas imagens fornecidas pela televisão britânica.
O que irrita mais é pressentir que muitos destes “jornalistas”, embora se reclamem republicanos, são suficientemente parolos para, lá no fundo e por razões inexplicáveis, acharem que um, Rei, uma Rainha, um príncipe, ou uma princesa, “valem” mais do que um Presidente da República livre e democraticamente eleito, ou os seus filhos e netos. Na verdade, se algum Presidente ousasse (e alguns ousam... ah! se ousam!) casar um neto ou uma neta com aquela obscena exibição de soberba e uma tão pornográfica despesa... cairia – e muito bem! – o Carmo e a Trindade.
Portanto, nas cabeças dos “jornalistas” que escreveram e aprovaram a publicação desta extraordinária “notícia”... isto é uma informação importante. Mais, isto deve querer dizer que acham normal – quiçá, desejável e justificável – que a mulher do Príncipe nunca repita uma única peça de roupa.
Entretanto, sem que a maioria destes "jornalistas" se aperceba e uma boa parte dos restantes faça por ocultar, as páginas da História vão passando, carregadas de gente, de lutas, de dificuldades, de injustiças, de guerras, fomes... essas sim, reais!
O que será preciso fazer para voltarmos a ter jornalismo feito por verdadeiros jornalistas... ou, entretanto, enquanto estes não aparecerem, pelo menos uma informação produzida por pessoas normais?