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domingo, 4 de março de 2012

Sol baixinho... (só pra seguir uma teima)


(Ilha de Santa Maria - Açores - fotografada por Ana Loura)

Tive a sorte de ter contacto com a grande música tradicional portuguesa, ainda muito jovem. Um “serviço” que nunca poderá ser verdadeiramente “pago” ao Adriano, ao Zeca e a todos aqueles que se deram à tarefa revolucionária de não nos deixar perder o fio à meada da História, do contacto entre a sua música e aquela que fazia o povo.
Muitas vezes há quem pergunte de onde poderá ter saído o carácter por vezes tão profundo de alguma da nossa música tradicional. Como em tudo o que tem que ver com as gentes, devemos procurar as respostas na terra. Procurar entre essas mesmas gentes, nas suas fadigas, alegrias, crenças, medos, amores. Devemos procurar ao nível da terra... e mais abaixo: entre as raízes.
Se há lugar no país em que essas raízes são uma mistura de persistência de séculos com encantamento diário... é nos Açores.
Tudo isto... por não saber muito bem o que dizer deste (viciante) “Sol baixinho”, recolhido por Artur Santos em 1858, em Santa Maria. O tema foi, então, acompanhado a preceito pelas “violas de arame” de Augusto Cabral e João Soares... e cantado de forma totalmente inexplicável por Virgínia de Andrade Cabral.
Bom domingo!
“Sol baixinho” – Virgínia de Andrade Cabral
(Popular - Ilha de Santa Maria - Açores)