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quarta-feira, 6 de março de 2013

Hugo Chávez (1954-2013)


Morreu Hugo Chávez. Enquanto alguns milhões de venezuelanos choram a perda de alguém que lhes mudou a vida para melhor, outros, dentro e fora da Venezuela, esfregam as mãos de contentes. É sempre assim quando desaparece uma figura desta dimensão e, sobretudo, desta controversa importância.
Pela minha parte, junto-me àqueles que lamentam a perda. No balanço pessoal que faço das qualidades, carisma, boas intenções, trabalho realizado, combates travados (e contra quem), das muitas contradições e uma mão cheia de características com que - mais do que uma vez o disse - não simpatizava... o balanço é francamente positivo! O que de muito bem Chávez fez no seu país e ao seu povo mais merecedor e necessitado, tem toda a minha simpatia e apreço, ao passo que quase tudo o que de “mal” fez contra as oligarquias nacionais e o imperialismo do vizinho do norte, não me faz correr uma lágrima, muito pelo contrário.
Nas nossas televisões, até agora, ninguém conseguiu mais do que aproveitar o momento de luto para tentar enlamear a memória do polémico estadista, ainda que recorram a insinuações e meias palavras que não escondem o ódio vesgo que os patrões lhes ordenam que agrafem nas caras e nos comentários.
Nos corredores da CIA e de Washington a festa deve ser rija! Viram-se finalmente livres de um adversário de peso, um adversário que não lhes mostrou medo... sem terem necessidade de o assassinar, como não poucas vezes devem ter planeado.
Entre a corrupta e vendida oligarquia venezuelana a festa deve estar delirante, tal a espectativa da vingança das suas repetidas derrotas, vingança que devem estar a saborear por antecipação.
Espero que o povo venezuelano, depois de chorar o seu líder agora falecido, saiba separar a obra do homem, unir-se à volta do seu sonho colectivo e encontrar no seu seio aqueles que sejam capazes de continuar a levar por diante, a consolidar e a melhorar, o projecto de autodeterminação, dignidade e justiça social que a Revolução Bolivariana foi capaz de trazer à Venezuela.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Isabel Jonet – Terá amigos?


A senhora Isabel Jonet terá amigos a sério? Daqueles capazes de lhe dizer olhos nos olho “ó mulher, cala-te!”?
Eu sei que retirar frases de um contexto pode ser um erro, ou mesmo uma maldade para com um entrevistado... mas a frequência com que isso acontece à senhora Isabel Jonet já deveria ter acendido uma qualquer luz de alarme no seu cérebro.
Desta vez atira pela boca fora: «Sou mais adepta da caridade do que da solidariedade social». É, sem sombra de dúvida, um direito que lhe assiste.
Ainda assim... a verdade é que por mais voltas que se deem e por mais injusto que isso seja para com a “caridade”, exércitos de beatas arrogantes sempre mais inclinadas a invocar a ira e os castigos de Jeová do que o amor de Cristo, responsáveis por muitas gerações de “caridadezinha”, acabaram por identificar a caridade, não com a poética e bíblica noção de amor incondicional (e desinteressado) pelo próximo, mas sim com exibição pessoal, interesseirismo para ganhar o céu, ou mesmo muitas vezes, pura arrogância "superior" para com o pobre, que intimamente se condena enquanto publicamente se “ajuda” com a esmolinha.
Na prática, a caridade tornou-se um descargo de consciência, o acto pontual de dar uma coisa qualquer ao pedinte e deixá-lo lá... sentado na mesma esquina, a pedir.
Pelo contrário, a solidariedade social, não negando a importância de dar, pontualmente, uma ajuda a alguém em situação desesperada, pressupõe uma atitude que implica a compreensão das causas da pobreza e da exploração que a originou. Implica a disponibilidade para lutar a favor da erradicação dessas causas. Implica lutar pela justiça, para todos, na Terra e não por ganhar, individualmente, o céu.
Está a senhora Isabel Jonet, como já disse, no pleno direito de, intimamente, preferir a caridade à solidariedade social; mas, voltando ao primeiro parágrafo, deveria ter amigos verdadeiros que a aconselhassem a não dizer estas baboseiras em público.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Submarinos – Ser solidário *


É uma grande injustiça! Diria que é mesmo uma enorme crueldade!
Falo dos coitados dos corruptos alemães, ligados ao negócio dos submarinos do Paulo Portas, corruptos que, não tendo a felicidade de viver neste paraíso à beira-mar plantado, foram rapidamente identificados, encontrados, acusados, condenados... e presos.
Acho, por isso, ser um toque de grande crueldade para com esses homens obrigá-los a seguir, pelos jornais e televisões, as notícias que dão conta da vida que levam os seus “sócios” portugueses. Negando, sonegando, adiando julgamentos repetidamente, fazendo desaparecer documentos dos arquivos dos ministérios, vivendo à grande, nalguns casos (imagino) ocupando grandes cargos...
Repito. É uma crueldade que nem o facto de serem alemães (o que não desclassifica automaticamente ninguém) e corruptos, justifica. Têm toda a minha solidarität!
* Desculpa lá, Zé Mário Branco, por ligar o nome desta tua grande canção a tais calhordas...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Japão – Uma lição dura


(Central nuclear de Fukushima, antes do desastre)

Tendo decidido aqui falar do que se passa no Japão, não recorrerei a imagens de destruição de vidas ou de bens, nem dos resultados deste ou de anteriores desastres nucleares, tanto os acidentais como os provocados, alguns deles com resultados horrendos. Aqui em casa este assunto trata-se com pinças e com os nervos à flor da pele. Por respeito para com milhões de crianças, mulheres e homens japoneses... e pelos nossos familiares que lá estão.

Contra um abalo de terra com esta grandeza, pouco há a fazer, a não ser aquilo que o Japão soube fazer ao longo dos anos: estar preparado e construir com competência. Contra um tsunami de tal maneira devastador, nada se pode opor. Já no que respeita às centrais nucleares, que em todo o mundo passam por ser seguras, a despeito das muitas dezenas de incidentes que têm no seu historial, é nestas alturas que vem à memória o gigantesco desastre de Chernobyl e de mais uns tantos grandes sustos... o que nos leva àquela que será, muito provavelmente, a única “boa notícia” no meio de toda esta tragédia.

Como podemos constatar pelas notícias, como resultado das incertezas que vêm do Japão e das suas centrais nucleares em risco, vários governantes mundiais estão a pôr em causa os seus próprios programas nucleares de energia, como foi o caso da alemã Angela Merkel. Fazem-no, uns, por sincera tomada de consciência; outros, apenas por cobardia... para evitar o embate com a opinião pública dos seus países; outros, os piores, por pura demagogia.

Seja como for, nos próximos tempos não veremos os governantes defendendo o nuclear como a única alternativa viável, os grandes lobbies do petróleo e do nuclear não boicotarão tão violentamente as pesquisas e descobertas no campo das energias renováveis e não veremos burgessos que já são podres de ricos, virem para as televisões tentar impingir-nos a construção de centrais nucleares em Portugal, apenas para ficarem ainda mais podres de ricos.

Se nos últimos sessenta anos se tivesse investido nas “renováveis” alternativas aquilo que se enterrou em investigação nuclear, tanto para o consumo energético como para a indústria de armamento, já hoje teríamos formas de energia virtualmente gratuitas e, muito possivelmente, seríamos capazes de nos fazermos transportar apenas com a força do pensamento...