terça-feira, 19 de novembro de 2013

Suécia/Portugal – A História também tem sentido de humor?





Daqui a umas horas joga-se o Suécia-Portugal entre selecções, com vista ao apuramento para uma viagem ao Campeonato do Mundo de Futebol que se realizará no Brasil.
E pronto! No que diz respeito a futebol é tudo o que sei sobre o jogo de hoje. Nem “quatros três três”, nem “losangos”, nem "pressão alta", nem “autocarros” frente à baliza... nada! Como já muita gente sabe, para se ficar “doente” da bola é preciso ser-se mordido pelo “bichinho” da dita ainda muito novo. Não fui! Na verdade, a indiferença é tal, que se ao mesmo tempo que está a passar na televisão uma daquelas partidas que toda a gente considere um grande jogo de futebol e num canal ao lado estiver a ser transmitida uma partida de “snooker” (e nem é preciso que esteja a jogar o Ronnie O'Sullivan)… fico a ver o jogo de snooker.
Sendo assim, perguntarão alguns de vós: por que dianho é que estás a falar do “Suécia-Portugal”? E perguntam com toda a razão! A verdade é que me pelo por uma boa ironia! E assim chegamos à verdadeira protagonista deste texto... e que não é, de todo, a Selecção Nacional de Futebol.
A Vera Guita é uma amiga, natural de Montemor-o-Novo. Filha de professores, Maria Emília e Vítor Guita, criadores de petiscos tão insuperáveis quanto inesquecíveis para todos o que têm o privilégio de pertencer ao seu círculo de amigos. Aluna brilhante. Cantora, desde a juventude, num dos melhores grupos corais amadores que conheço, o Coral de São Domingos. Curso superior de Filologia Germânica (chama-se assim?) tirado com excelência, a que juntou o gosto por mais uns tantos idiomas. Uma inteligência rápida, divertida, atraente. Trabalhadora. Capaz de cativar (como diria a raposa do Principezinho)... e manter amigos e amigas fieis. Professora com gosto de o ser.
Feita esta apresentação da Vera, diríamos que é uma jovem com lugar garantido em Montemor, ou pelo menos, no seu país. Errado! A Vera teve que pegar na trouxa e nas receitas de petiscos do seu Alentejo, mais a memória dos sons da nossa música... e rumar à Suécia, onde depois de dura batalha que já leva dois anos, encontrou o seu lugar de professora de várias línguas que não são a sua.
Então e onde está a ironia anunciada? A Vera é emigrante; e depois?! – perguntam novamente alguns de vós.
A ironia é que esta miúda que o Estado português chutou para fora (ai o futebol!) é que vai estar lá, no estádio sueco, mais logo, se tudo correr como previsto, cantando o Hino Nacional de Portugal antes de começar o jogo (ao que parece, tão importante) entre a Suécia e Portugal. E vai estar muito nervosa e de voz perigosamente embargada e com uma lágrima a querer fugir-lhe... mas linda, desde o alto da grande e admirável ironia do seu gesto!


Adenda:
Última hora!
O convite para a Vera cantar o Hino português foi-lhe feito pela Federação Sueca.
Esse acto da Federação Sueca, oferecendo a “prenda” do Hino cantado por uma portuguesa radicada na Suécia, era um gesto de simpatia para com Portugal e a Federação Portuguesa de Futebol.
A federação Portuguesa rejeitou a oferta e não permite que a Vera cante o Hino Nacional. Deixando de lado as tricas que parece haver entre federações, alegam que a Federação sueca não os informou atempadamente… 
Lamentando esta maldade indigente que deixou a minha amiga (que já estava no local para ensaiar o som) no estado de espírito que facilmente se imagina, direi que o feio gesto “tuga” não altera nada do que antes tinha aqui escrito.
Nem sobre a Vera... nem sobre os lamentáveis grunhos e burgessos que dirigem o futebol profissional português... nem sobre o próprio futebol.
Que ganhe pois quem calhar… (o voto é secreto)!!!

João César da Neves – Uma coisa morta trazida pelo gato...


João César da Neves é um homem com imenso para dar! Dá aulas de economia, não poucas vezes dá uma imensa vontade de lhe “remodelar” o focinho e, sobretudo... dá opiniões!
Mais uma vez, num artigo de opinião (lá está!!!) no DN, e numa entrevista ao mesmo DN e à TSF, não deixou ficar mal todos aqueles que dele já só esperam o pior.
Entre pérolas como «aumentar o salário mínimo seria a pior forma de estragar a vida aos pobres», ou de ser «suicida e estúpido» baixar a idade da reforma, mais a lenga-lenga costumeira contra as greves e todos aqueles que ousam reivindicar melhores condições de vida, dá um verdadeiro espectáculo ao meter os pés pelas mãos num emaranhado de frases confusas (e nojentas) para tentar explicar uma ideia canalha sublimada nesta frase:
Atendendo à “superioridade” dos cursos ostentados pelo senhor das Neves, não me parece, dada a minha ignara condição, que tenha ferramentas para contestar as suas opiniões com a necessária "qualidade técnica".
Ainda assim, muitos anos a virar frangos e outros tantos de observação destes cromos saídos do mais bolorento salazarismo, permitem-me afirmar com grande confiança:
A maior parte dos neurónios do César da Neves, não são neurónios. 
São lixo! Esterco, estrume, dejectos, coisas mortas trazidas pelo gato, diria mesmo merda... sei lá...

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Paulo Portas – Não mudou nada!!!


Aproveitei o “recorte”... e acabei por esquecer de que publicação se tratava. Aí, pelo meio de um trabalho jornalístico sobre a vida do irrevogável Paulo Portas, vinha esta fotografia dele, em “formato” infantil, acompanhada de uma legenda mais ou menos microscópica, dizendo: 
“Com 5 anos, Paulo Portas já gostava de política: costumava imitar Marcelo Caetano”

Costumava?! E agora... faz o quê?!!!

Rui Tavares – Agora é ler o programa...


Nas últimas eleições europeias, o BE convidou Rui Tavares para ser um dos seus deputados. Rui Tavares, na primeira oportunidade e com um pretexto que não me interessa “bulhufas”, roeu a corda ao BE e ficou-lhes com o lugar de deputado, indo acoitar-se para outras bandas, lá, noutra família política com assento parlamentar.
Nenhum partido no seu estado normal de juízo voltará a convidar Rui Tavares para o que quer que seja. Solução... fundar um partido seu!
Deve ser essa a razão da pressa de ter o novo partido “votável” a tempo das próximas eleições europeias. A única forma de ter uma chance de continuar naquele posto particularmente bem remunerado... e sem obrigações de devolução de parte do chorudo ordenado (como acontece – voluntariamente – com outros).
Quer criar uma "esquerda nova". Quer ficar “no meio da esquerda”... e quer, sobretudo – o que acho muito bem! – existir.
Parece que o nome que está em cima da mesa para baptizar o nascituro é... “LIVRE”. É um bonito nome... embora fique a pensar se não serão devidos direitos de autor ao poeta Carlos Oliveira! Adiante...
Agora (e já que anda tudo com a “ciguêra” do futebol)... basta ler o programa, para se saber se aquilo é “livre” directo, se é “livre” indirecto... se anseia chegar a ser “penalty”... ou se começa já em off-side”.

domingo, 17 de novembro de 2013

A propósito de uma réstia de luz...


Aberta uma nesga da porta... um pequeno beijo de Sol iluminou, dentro do grande espaço escuro, a criança e o seu tractor de brinquedo. Fico a pensar:
Quantas janelas e portas será preciso voltar a abrir, para que o Sol beije todo o país e todas as crianças?
Quanto tempo esperaremos até ver o Sol aquecer milhares de braços de trabalho de jovens com os seus tractores (a sério) nos campos? Com os seus barcos de pesca (a sério) no mar? Com as suas ferramentas (a sério) nas fábricas? Com escolas a sério, saúde a sério, cultura a sério, liberdade a sério... com a sua vida a sério - e feliz - reconquistada?
Quanto tempo levará a reconstruir tudo o que esta quadrilha vem destruindo há tantos anos?

sábado, 16 de novembro de 2013

Rumo a Paris...


Álvaro Cunhal teve uma breve, mas intensa relação com Paris. Ou melhor, com alguns seres humanos que, nessa altura habitavam Paris, uma cidade em que se respirava a liberdade que em Portugal ainda não passava de um projecto dolorosamente trabalhado e incansavelmente sonhado... liberdade da qual, convenhamos, mesmo estando em Paris não podia desfrutar abertamente, já que os olhos e ouvidos da PIDE se encarregavam de vigiar de perto aqueles que tinham emigrado, fosse por razões políticas, fosse apenas para matar a fome.
Dessa “vida de Paris” de Cunhal, vida tão menos dourada do que a de outros conhecidos exilados, não posso falar, por assumida “incompetência” para o fazer. Outros amigos, nomeadamente os companheiros do outro blog onde estas letras serão também publicadas, têm certamente um mundo de estórias e História para partilhar sobre o tema.
Pela parte que me toca, folgo em saber que foi ali criado Le Cercle Álvaro Cunhal” que, entre outras iniciativas, promove um encontro de dois dias, a começar hoje mesmo e a acabar amanhã, Domingo 17, encontro/convívio onde se lembrará o exilado, o lutador anti-fascista, o político, o artista... o amigo comum.
Como podem ver no programa "afixado" aqui em cima, amanhã, Domingo, haverá um déjeuner convivial (gastronomie portugaise). Mesmo atendendo a que o Palais des Congrès de Nanterre fica um pouquinho fora de mão... como resistir a um almoço assim?
Lá estarei, se tudo correr de forma tecnicamente escorreita! Parece que a seguir também haverá umas canções…

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Fim da crise – Não fumo desse tabaco...


E como que num passe de mágica... op-lá!”... acabou a crise e estamos a crescer!
E dirá algum dos leitores: então Samuel... também é pelo “quanto pior melhor”? Não festejas os números positivos?!
- Não... e também não!
Não, não defendo o quanto “pior melhor”! Nunca festejei. Ponto! Não, não festejo os “números positivos”. E porquê? Porque acho que “quanto pior, pior”... e enquanto tiver discernimento para perceber que uma qualquer melhoria - a dar-se - nos números da economia e do défice e do diabo a sete, foi conseguida com o sangue, suor e lágrimas dos mais indefesos, com o esmagamento de pensionistas e funcionários públicos, com a morte prematura de idosos sem acesso aos medicamentos e tratamentos, com o escorraçar de jovens para fora do país, com um aumento gigantesco do número de desempregados, sendo que metade nem subsídio de emprego já tem... tudo isto enquanto os ricos vão ficando mais ricos, a banca goza de protecção estatal e as grandes empresas fazem acordos milionários para sugar todo o dinheiro que é roubado a quem trabalha… ainda que reconheça os números, não, senhoras e senhores, não festejo porra nenhuma!!!
Mais... estou convencido de que este crescimento mágico é mais um número de vaudeville “martelado”, que serve de tempero para melhor se engolirmos a argamassa nojenta da nova e mais pesada austeridade que vem aí. Anunciada já como definitiva, quando todos tinham jurado que seria provisória.
É já história muito antiga. Todas os nossos males são anunciados como “provisórios”, mas, no fundo, todos sabemos que tudo é feito para que se tornem “definitivos”. É o “fado” português!

Pelo menos... enquanto o português for “suave”!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

DCIAP - Ai esta minha ingenuidade!!!...


Fantástico! Sou muito ingénuo! Perigosamente ingénuo, diria mesmo…
Então não é que estava firmemente convencido de que as investigações judiciais e os processos que daí resultam, quer acabem em condenações, quer acabem em arquivamento, tinham como único fim fazer justiça... e não “ajudar a desanuviar” isto ou aquilo?

Vítimas da imbecilidade




Leio que o "CM-Jornal" vai cometer uma série documental dedicada ao fenómeno da violência doméstica, a que resolveu dar o nome de “Vítimas do amor”.
E eu que pensava que alguém que esfaqueia a mulher, ou a espanca regularmente, ou agride verbal e psicologicamente... está a anos luz de qualquer coisa que tenha que ver com amor, antes sendo um criminoso, um sádico, um canalha, um cobarde, um filho da puta que, no limite, não passa de um doente mental... mas, felizmente, quase sempre imputável!
Quase sempre... não estivessem a sociedade, a polícia e até os juízes, nos poucos casos que chegam a tribunal, ainda infectados pela imbecilidade do ditado reaccionário “entre marido e mulher não metas a colher”... o que tantas vezes "justifica" a benevolência com que são tratados os agressores. Isto quando não se chega mesmo a insinuar que a vítima “estava mesmo a pedi-las!”
Quando vemos que ainda há responsáveis por órgãos de comunicação social que acham normal baptizar uma série sobre o tema em questão com um título que remete para o “amor”... vemos quão longe estamos de uma solução para este flagelo social, ou, sequer, de uma discussão decente e consequente sobre o tema!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Pires de Lima – Fascismo económico




Estamos a atingir um nível de abjecção política e humana a que só posso dar um nome: fascismo económico. A bota cardada da finança que mantém aberta, à força, a porta por onde há-de passar, a seguir (se nada for feito urgentemente) o fascismo político puro e duro.
Vem este desabafo a propósito da nova “ideia” do homem dos sumos e das cervejas, hoje de serviço no governo de Passos e Portas. Diz Pires de Lima que quer o “empreendedorismo” como disciplina de ensino obrigatório nas escolas. Quer que os estudantes vão estudar... para “empresários”.
Fantástico! No mundo ideal deste fanático do CDS, inscrevem-se os herdeiros num qualquer colégio finaço, pago com o dinheiro de verbas roubadas à Escola Pública e, para além de umas pinceladas de umas línguas, noções de etiqueta à mesa e aulas de condução de automóveis particularmente potentes, ensina-se-lhes, de uma forma científica, a melhor forma de fundar e gerir as empresas onde hão-de, estudos terminados, explorar os milhares e milhares de seres humanos que não tiveram o privilégio de nascer no seio de famílias ricas ou “nobres”, ou quase “nobres” de tão ricas... e que se ficaram pelas escolas dos pobres.
Ah... não sei se já tinha dito... mas acho mesmo que isto é uma forma de fascismo disfarçado de…

Fascismo económico!

Cónego Melo – Preito de gratidão


Contra uma proposta da CDU que pretendia colocar um ponto final naquela vergonha, o PS de Braga reiterou o seu apoio à permanência, numa rotunda da cidade, da estátua de homenagem ao assassino e mandante de assassinos que dava pelo nome de “Cónego Melo”.
A fazer fé na doutrina religiosa que, entre crimes, o cónego bolçava... deve estar instalado, com honras... no inferno. Ainda assim, deve gostar de constatar a dedicação que, tantos anos volvidos, alguns “socialistas” não lhe negam.
De facto, desde os idos de 1975 que ficou estabelecida a grande dívida do PS àquela figura incontornável do trauliteirismo fascista, com quem Soares (ele próprio o admite nas memórias) fez uma aliança trilateral (na outra ponta do triângulo estavam Carlucci, a CIA e milhões de marcos da Alemanha Federal e coroas da Suécia). De facto, a ajuda do cónego naquela época, dando ordens à “sua” rede de igrejas e capelas para a diabolização dos comunistas por toda a parte em que as populações estivessem sob a pata da Igreja Católica – o que naquele tempo queria dizer quase todo o país – e, na falta de melhores argumentos, organizando e chefiando as quadrilhas de bombistas e incendiários que se encarregaram da perseguição, agressão, assaltos a sedes... e mortes, se “necessário”, foi decisiva para os planos do PS.
A gratidão, quando tão documentadamente justificada, ainda que dirigida a um canalha... é sempre uma coisa muito “bonita”!
Adenda: Claro que poderia tratar-se de uma gratidão apenas local e meramente venal... e isso, sendo muito menos grave, seria ainda mais pateticamente triste.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Ainda o BES – Aleluia!!!


Salgado e Ricciardi entendem-se sobre sucessão no BES – diz a notícia. Aleluia! – digo eu.
Ou seja… os elementos da quadrilha composta pela "famiglia" do BES ergueram os pensamento para o alto, onde habita o seu "deus", deus que se manifesta entre nós, simples pelintras, na forma de notas de 500 (viste-las!), 200 (raríssimas!), 100 (de vez em quando!), 20 e 5 euros… e acharam por bem amainar um pouco as ganas com que andavam de se comerem uns aos outros.

Na verdade, abrindo um parêntesis… alguns elementos e “elementas” já o fazem há muito… que aquilo é gente para quem não há missas que cheguem para lhes arrancar o hábito e a promiscuidade dos vícios privados… enquanto vão exibindo mentirosas públicas virtudes. Fechar parêntesis.
Voltando ao tema... os primos e primas da poderosa “famiglia” Espírito Santo chegaram à conclusão de que a sua “peixeirada”, longe de ter a profundidade filosófica e tradição cultural das peixeiradas levadas à cena num qualquer mercado perto de si pelas verdadeiras e insubstituíveis peixeiras e varinas... era apenas uma parvoíce que, no limite, só lhes faria perder dinheiro.
Perder dinheiro?!!! Sacrilégio!!! E depois como é que a prima (ou lá o que ela é) vai para a Comporta «brincar aos pobrezinhos»?!
Seja como for, passada (oficialmente) a borrasca, quem ficou feliz foram os vários cavalos das várias cavalariças da “famiglia”, que já não se tinham das pernas, tal o pânico.
Pelo menos os cavalos que tiveram a grande infelicidade de ver esta cena macabra do filme “O Padrinho”... e que, compreensivelmente, já andavam de “cabeça perdida”.

Rui Machete - As emendas


Diz-me a notícia que o desastroso Rui Machete emenda as declarações sobre o novo “resgate” a Portugal.
Num espaço de tempo curtíssimo, Machete já emendou as suas declarações sobre a sua relação com o BPN, depois de recorrer à esperteza saloia a que Cavaco também recorreu, de tentar convencer os “papalvos” de que ser accionista da SLN, dona do BPN... não era a mesma coisa que ter relações com o BPN. Já emendou as suas declarações sobre o indigente pedido de desculpas aos presumidos corruptos angolanos que estavam a ser investigados, pelo facto... de estarem a ser investigados. Agora, emenda as suas declarações sobre o novo “resgate”.
Num espaço de tempo curtíssimo, são três valentes tiros nos pés! Numa contagem rápida de tiros e pés... já só lhe resta mais um pé em condições!!!
Em vez de continuar, ao pé coxinho, a fazer figuras ridículas, não estará na altura de o senhor Machete considerar (ou alguém por ele) que já são emendas a mais? Que é já pior a emenda que o soneto? Ou pior a ementa que o cianeto... ou pior amêndoa que ... ... …


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Por dentro da vida...



O “Campo Pequeno”, em Lisboa... mais tijolo menos tijolo, mais betão menos betão, mais anel menos anel, mais cobertura menos cobertura, mais reforço estrutural... tem praticamente o mesmo aspecto desde 1892. Já o interior, é outra conversa!
Na verdade, o aspecto interior daquela grande e histórica sala de espectáculos depende dos dias, depende das gentes e dos acontecimentos que acolhe.
Ontem pela tarde, numa grande festa de aniversário que (como é hábito nas boas festas de aniversário) estava cheia de música, de sorrisos, de encontros, de beijos, abraços e uma ou outra lágrima feliz... o aspecto era este:
Oito mil árvores a respirar vida, independentemente da idade. A bombear seiva por cada veio, por cada ramo, por cada folha. Ligadas por um manto vermelho... para o qual que muitos não conseguem encontrar explicação.
Um vermelho vivo que nasce e se alimenta directamente nas raízes... mas que num ciclo de vida extraordinário e sempre renovado, também as alimenta e aprofunda e faz crescer.

BES – Sabor a sangue...


Há já uns dias que sigo com algum divertimento, confesso, a novela da guerra intestina (pelo menos se considerarmos o cheiro fétido que exala) no BES, o banco que, exceptuando um curto intervalo depois de Abril de 1974, participa activamente nas decisões governativas de Portugal, desde os tempos em que pelo menos um dos seus donos andava de casa e pucarinho com Hitler e Salazar... fazendo de conta que estava também com os aliados.
Prova dessa continuidade é o facto de o actual Espírito Santo de serviço entrar nas reuniões do Conselho de Ministros com o à-vontade de quem vai reunir com acionistas, ou simples gerentes de dependência do próprio banco.
As notícias que vão chegando são uma espécie de documentário da National Geographic ao vivo... e confirmam uma característica verdadeiramente “encantadora” dos tubarões:
Nasceram e vivem para chacinar milhões de peixes miúdos... mas quando o cheiro e o sabor a sangue invadem a água à sua volta... perdem a compostura e abocanham-se uns aos outros!

domingo, 10 de novembro de 2013

"Ranking" de escolas - Receita para uma fraude


Tomem-se quatro escolas.
1. Um colégio privado de luxo, caríssimo, frequentado exclusivamente pelos filhos da alta e altíssima burguesia, recheado de betinhos e betinhas com as vidas já apontadas para os cursos superiores que têm já o pai, a mãe, os irmãos mais velhos, todos estes com capacidade para enquadrarem e apoiarem os jovem estudantes, servidos em casa por empregada que lhes confecciona os lanches a horas (ou tira os caroços das cerejas, como fazia a empregada da “infeliz” mandatária para a juventude de José Sócrates), que têm nos seus quartos individuais computares topo de gama, etcetcetcetc... ad nausea.
2. Um colégio privado daqueles que vivem do roubo que alguns oportunistas organizaram, no sentido de desviar do ensino público as verbas que permitem a alunos que, embora com menor “poder de compra” ainda têm um ambiente familiar propício ao seu desempenho escolar e actividades lúdicas e transportes confortáveis para a escola, proporcionados pelos tais fundos roubados aos alunos mais necessitados do país.
3. Uma escola pública situada, digamos, numa pequena cidade ou vila do interior, onde tudo fica perto, onde a escola fica à distância de apenas uma ruas, permitindo o gozo de tempos livres entre amigos e família, em segurança e com qualidade de vida. Uma escola onde os mais pobres têm lugar, apoio público, em alguns casos, transportes fornecidos pela autarquia... e onde a meia dúzia de casos “complicados” vindos de famílias desfuncionais e outras realidades semelhantes, estão devidamente identificados e acompanhados.
4. Uma escola pública do subúrbio de uma grande cidade do litoral, com a sua mistura feita de muitas centenas (quando não são milhares) de alunos provenientes de famílias de trabalhadores do estado, de trabalhadores do privado com poucas posses, pescadores, operários, alunos vindos de todo o lado, desde bairros pacatos, aos chamados “problemáticos”, representando várias etnias, várias culturas, várias “línguas-mãe” e um empenhamento na aprendizagem que pode ir do razoável até ao zero.
Em todas estas escolas há excepções. Em todas há estudantes estúpidos como portas. Em todas há miúdos geniais... independente da ajuda ou do travão constituído pelo seu meio ambiente social e familiar.
Posto isto... digo eu, que pouco entendo de pedagogia, que não há forma de comparar estas escolas! Não há uma forma de juntar todas estas realidades diversas, a que se pode juntar a motivação, ou ausência de motivação de um corpo de docentes sujeitos diariamente a este habitat, que pode ir do prazeroso ao terror, da realização pessoal e profissional à humilhação das agressões sofridas dentro da sala de aula... e estabelecer uma classificação (ou ranking, que é mais fino) minimamente credível. A única forma de fazer uma hierarquização minimamente séria de escolas, nestas condições, seria levando a cabo estudos de uma tal complexidade que, a chegarem a algum lado, não seriam “legíveis” por pessoas fora do sistema.
Resultado: atiram-se os dados todos para dentro de um computador, mistura-se tudo, divide-se pelo número que tiver que se dividir... e dá um “ranking”. Ainda por cima, no caso deste “ranking” com que agora não se calam, recorreram apenas às médias das notas nuns exames... o que nunca servirá para definir uma escola, em toda a sua complexidade, mas apenas os alunos que fizeram esses exames específicos.

Desculpem estar a (tentar) ocupar um espaço tão grande do vosso domingo com esta divagação pela qual, provavelmente, pouco interesse terão, embora isso não me faça sentir sozinho, porque felizmente não estou... mas tudo isto vem a propósito de uma cena vista num canal de televisão, durante um noticiário.
Um senhor (de quem não fixei o nome) com ar moderado, sereno, dando mostras de dominar os temas de que estava a falar, explicava por palavras de uma simples e clara erudição, tudo isto que eu acabei de vos dizer desta minha forma atabalhoada, tentando demonstrar que um “ranking” de escolas, a ter alguma vez alguma utilidade (isto já sou eu que digo), teria que ser feito honestamente, separando o que não é miscível... não comparando o que é incomparável.
O pivot da televisão, sem o deixar sequer acabar o raciocínio, atira-lhe, cortante, e num tom de pouquíssimo velada censura:
- Quer dizer que o senhor está a desvalorizar estes números?!!!
E o “senhor”, realmente como um senhor, disse que não… e repetiu praticamente tudo o que tinha dito antes... mas numa linguagem própria para ser usada num infantário.
Atendendo ao facto de que o negócio do ensino privado envolve muitos milhões e que, não poucas vezes, roça a falcatrua, a fraude, a corrupção (é sempre bom ver, ou rever este trabalho jornalístico sobre o tema!), é evidente que esta teimosia em repetir que no “ranking” das escolas, as primeiras não sei quantas da lista são escolas privadas, constitui um gigantesco anúncio publicitário, a valer muito... e que alguém paga.
Resta saber quantos jornalistas e comentadores o fazem de forma corrupta, ou quantos apenas não se importam, para agradar aos patrões... de se fazerem passar por estúpidos.

sábado, 9 de novembro de 2013

Bruno Nogueira – Nunca é demais...






Voltando à “vaca fria” (insisto que isto é uma frase-feita que quer dizer blá blá blá...) e para arrumar, por esta vez, o assunto da autora de resmas de papel encadernadas como livros... queria dizer que, embora o vídeo (ou áudio, conforme os casos) já tenha – e ainda bem! – invadido tudo o que é rede social, não quero deixar, também eu, de assinalar o feito do humorista Bruno Nogueira.
Na verdade, os muitos humoristas que exercem a sua arte em terras de Portugal... nem sempre acertam (para dizer o mínimo). Entre os que acertam, há os que têm alguma graça, os que têm muita... e os que têm momentos geniais.
Foi este o caso do Bruno Nogueira, que fez tudo bem nesta sua “interacção” com a declaração de Margarida Rebelo Pinto, que aqui partilhei antes. Vale a pena ouvir até ao fim!

Parabéns!!!




sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Eu, eu, eu, eu, eu...


Não é costume fazer posts sobre mim próprio... mas uma, chamemos-lhe assim, novidade no estilo de alguns comentários produzidos por vários dos meus “anónimos de estimação”, justifica-o.
Na verdade, alguns desses “inimigos íntimos” decidiram já nem fazer de conta que lêem os textos que escrevo, passando directa e exclusivamente para os comentários de carácter pessoal. A maior parte deles, dadas as considerações “filosóficas” profundas e os termos escolhidos, não chegam a ver a luz do dia.
Um, em particular, talvez por um problema de limitação de horizontes musicais, parece pensar que todos somos “Tonys Carreiras”, cobrando pelo trabalho nos recitais de canções verbas astronómicas.
Não me interessa explicar-lhes como funciona o universo precário do tipo de intervenção artística que - com orgulho – escolhi, nem queixar-me pelo facto de este e aquele, anonimamente, dizerem que nem mereço o ar que respiro. Não! Pelo contrário, talvez apenas para auto-animação, prefiro lembrar a estória do violinista... ...
Ora, andava um violinista em tournée pela África, quando, numa travessia por um parque reserva natural, toda a caravana decidiu acampar para passar a noite. Estava uma daquelas noites africanas, iluminada de estrelas e povoada pelos mais variados sons... e o violinista não resistiu à tentação de ir, com o seu violino, integrar-se naquela fantástica “orquestra”.
Para não incomodar ninguém, afastou-se bastante do acampamento. Sentou-se junto a uma grande árvore, fechou os olhos e tocou... tocou como nunca!
Passados uns bons minutos de êxtase, abriu os olhos e viu, horrorizado, que estava cercado por uns cinco ou seis leões que, aparentemente, o ouviam atentamente, sentados, completamente estáticos.
Na esperança de que a sua música, ou a demora, fizessem algum dos elementos da comitiva acampada vir em seu auxílio, o violinista não parou de tocar, tocar, tocar... para grande prazer da felpuda plateia.
Nisto, do nada, aparece um novo leão que avança decididamente para o grupo, passa pelos outros leões... e estraçalha fatalmente violino e violinista. Diz um dos outros, desolado:

- Pronto!!! Tinha que vir o raio do surdo estragar tudo!!!

“Dançam a ronda no pinhal do rei”


Quando se torna por demais evidente que os anémicos números da “diminuição” do desemprego e da “criação” de postos de trabalho, se devem essencialmente a efeitos de sazonalidade e ao êxodo de portugueses para fora de Portugal... é ofensiva para a inteligência dos cidadãos a festança com que os governantes e alguns dos seus lacaio os divulgam.
Quando parece que nem é preciso pertencer a sindicatos, ou partidos da oposição, para desmontar a propaganda e desvalorizar estes anémicos números “martelados”, bastando dar uma olhadela ao que dizem outros estudos mais ligados à realidade, sobre o aumento do desemprego para 2015... é ofensivo que os governantes e os seus lacaios insistam em fazer-nos de parvos.
Resumindo... os portugueses que procuram trabalho e que, sendo que a uma grande parte já foram retirados os subsídios de desemprego e demais apoios sociais, estão a deixar o país aos milhares. Muitos milhares! É pois natural que não compareçam nos centros de emprego portugueses, fazendo com isso baixar os números das estatísticas.
Se, vamos imaginar, no fim de um ano com milhares de mortes provocadas pelo cancro, um qualquer governante viesse para as televisões fazer uma enorme festa, apontando o facto de passar a haver muito menos portugueses doentes de cancro... chamar-lhe-íamos, sem remorso, um refinado e alternadíssimo canalha. Assim, a estes, francamente... olhem... escolham…

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O cerco de feras


Está há muito montado o cerco. Não há sinais de folga. Antes pelo contrário! A somar ao fanatismo criminoso da obsessão “austeritária” do Governo de Passos & Portas, são constantes os recados da múmia de Belém, no sentido de continuar e agravar este rumo, no sentido do “respeitinho” aos mercados. A reforçar... o coro das vozes do dono que rebentam (antes rebentassem!) como cogumelos em tudo o que é jornal, redes sociais, televisões, armados em analistas e politólogos.
Não vá dar-se o caso de os terroristas domésticos não serem suficientemente aterrorizadores para o milhão de desempregados, coagidos a aceitar qualquer pagamento por um trabalho – qualquer trabalho – pelo qual, antes, recebiam o dobro e sob a ameaça de deixarem (como milhares já deixaram) de receber qualquer apoio social, não vão os pré-reformados não ficarem suficientemente aterrorizados com a perspectiva de adiamento da reforma, se não for mesmo o esfumar de tudo por que toda a vida lutaram , não vão os jovens recusar o não-futuro que esta política lhes reserva... para falar apenas destes, não vá dar-se o caso… todos os dias os carrascos recebem ajudas do estrangeiro.
Ora é o cagão barroso a ameaçar o TC com a culpa do que suceder se as fatias de austeridade que, para além de tudo, ofendem a Constituição, forem reprovadas.
Ora é troika a ameaçar o TC com a culpa do que suceder se as fatias de austeridade que, para além de tudo, ofendem a Constituição, forem reprovadas.
Ora são agências de notação, como a Fitch, a ameaçar o TC com a culpa do que suceder se as fatias austeridade que, para além de tudo, ofendem a Constituição, forem reprovadas.
Poderia dar mais exemplos, só que o resultado seria o mesmo: mais uma mão cheia de parágrafos copiados uns dos outros, mudando apenas os nomes das feras.
Tanto insistem... que até parece que acreditam que são mesmo a Constituição da República e o Tribunal que tem por obrigação fazer respeitá-la, os culpados pela crise do capitalismo, estertor que tem tido como resultado o recrudescimento da ferocidade dos ladrões que o comandam.
Razões pelas quais termino pedindo desculpas aos “Xutos e Pontapés” por ter avacalhado o seu “O Circo de Feras” e por pedir desculpas aos habituais leitores que estariam, quem sabe, à espera de uma das minhas tiradas adjectivantes e catárticas... mas a verdade é que não quero dar nas vistas como mais um daqueles que contestam a austeridade, passando a ser mais um dos que causam repulsa à grande escritora de hipermercados Margarida Rebelo Pinto, pelo menos a fazer fé neste vídeo em que ela se “confessa”... e que aqui vos deixo, facto, aliás, que também justifica um sentido pedido de desculpas a todos vós!