sábado, 16 de fevereiro de 2008

Os "ases"



Que raio de volta se dá a um país em que os donos de casinos tratam com o Governo como se ele fosse o seu banco enquanto ao mesmo tempo alguns banqueiros gerem os bancos como se fossem casinos?

Primeira página




Havia antigamente nos regulamentos militares, uma norma que determinava que o sargento devia saber ler e escrever, pois podia dar-se o caso de o seu oficial superior não saber. Isto devia-se ao facto de os filhos da nobreza que não tinham a fina inteligência que os poderia levar a bispos ou cardeais, nem a esperteza para gerir propriedades, ou seja, os que eram umas bestas, normalmente abraçarem a carreira militar, entrando directamente para oficiais superiores, embora analfabetos.
E a que propósito vem a recordação desta página brilhante da nossa história castrense? Pois bem, a propósito da capa do DN de 15 de Fev. de 2008, ou seja, ontem. Se tiverem a amabilidade de clicar na imagem da "estimada" capa, verão com facilidade que vários dos títulos correspondem a notícias que mereceriam posts, mas hoje, ou por estar sem pedalada para vôos mais altos, ou porque estou em dia de ser picuínhas, apenas embiquei com o "raça" da notícia sobre o Congresso da CGTP. 
Ia tudo muito bem, com uma fotografia a puxar para o "artístico" e tudo, mas o jornalista não se conteve e lá vai disto, acrescentou mais uma legenda de significado profundo, mesmo sobre a dita fotografia, "Congresso de um sindicato em crise". Com maior profundidade que o comentário, só mesmo a ignorância, (ou será a má fé?) que o produziu!
Voltando à história de abertura, nestas alturas faz muita falta em alguns destes jornais, um "sargento" que saiba ler e escrever, para dizer aos "oficiais superiores" da Redacção, entre outras coisas, que a CGTP-IN não é um sindicato!!!
Mas isto, lá está... é apenas o meu mau-feitio.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Brando país




Enquanto as muitas vítimas dos pedófilos do famoso "Processo Casa Pia" esperam indefinidamente para verem o seu caso avançar nem que seja uns centímetros, enquanto o país vai descobrindo a conta-gotas as manobras dos "santarrões" que geriam o BCP para roubarem o estado e os clientes, enquanto grandes médicos necessitam de muitos milhares de euros de "incentivos" para fazerem operações, quais vedetas do bisturi, enquanto se vêem "saír" inexplicavelmente das áreas protegidas e reservas ecológicas, milhares e milhares de hectares de território que é prontamente ocupado por empreendimentos turísticos e afins, enquanto (desgraçadamente) temos que continuar a encarar todos os dias com os "projectos" de José Sócrates (não, não estou a falar das célebres casas), nós lá vamos, levados... levados, sim!
Todos? Não. Ainda há gente com quem "não se brinca". Os intrépidos escuteiros!
Uma empresa de electrodomésticos e similares, aceitou retirar da comunicação social uma campanha de publicidade, que dava pelo nome genérico de "A Parvónia", constituida por vários anúncios e que lhes deve ter custado uma fortuna, porque os escuteiros protestaram, alegando que a dita campanha os "punha a ridículo".

Apenas duas observações:
1. A retirada da campanha é uma coisa boa, há que o admitir, já que os anúncios eram uma bela bosta.
2. Além de má, a campanha era algo redundante, pois uma boa parte dos escuteiros que tenho visto ao longo da vida, não precisa da "ajuda" de nada nem ninguém, para cair no ridículo.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

"O afundanço"





Tal como em Portugal, também os franceses elegeram para os governar, um demagogo. Lá, para Presidente da República, cá, para "Presidente do Conselho".
Lá como cá, os votos vieram de uns tantos convictos, muitos adeptos do conceito oportunista do "voto útil" e finalmente, uma multidão de gente que foi pura e simplesmente enganada.
Se eu soubesse elaborar estudos comparativos e muito científicos de perfis "sócio-politico-qualquer coisa", podia fazer aqui um brilharete. Assim, fico-me apenas por umas poucas comparações de características evidentes dos ditos.

- Característica em que Sarkozy é pior que Sócrates:
     Sarkozy tenta "pôr a render" a exposição da sua vida íntima nos media, de uma forma algo abjecta.
- Característica em que Sarkozy é melhor que Sócrates:
     Sarkozy não assina projectos de casas.
- Característica em que Sarkozy é igual a sócrates:
     Sarkozy também gosta de andar às corridinhas para mostrar "não se sabe bem o quê em corpo são".
- Característica em que Sarkozy é muito melhor que Sócrates:
     Sarkozy não tem a mania de dizer que é socialista e de esquerda.

Numa coisa os franceses estão a ultrapassar-nos... é na rapidez com que estão a descobrir o erro cometido. Ao que parece vão demonstrá-lo com algum estrondo (espera-se) nas próximas eleições autárquicas.
Sarkozy desce nas sondagens como um seixo num fundão da curva de um rio. Neste caso, uma curva da História. Iremos, também nós, aprender alguma coisa?

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

É tão difícil!



Por vezes quando vejo, obviamente compadecido, as notórias dificuldades dos nossos ministros, secretários e outros dirigentes em geral, que negam aeroportos, que confirmam a seguir, anunciam pontes que mudam a seguir "e fica o caso encerrado" para se reabrir a seguir, as casotas do Sócrates (dignas do diploma, diga-se), os "problemas de comunicação" de tantos, as promessas falhadas de todos... pergunto-me se esta coisa de governar não será peso demais nos ombros dos nossos pobres governantes.
Aí lembro-me deste poema de um alemão baixinho que escrevia coisas "grandes" e que se chamava Bertold Brecht.


"Dificuldade de governar"

No fim do texto do poema podem ouvi-lo dito magistralmente pelo Mário Viegas, oferta do Hertz.


1. Todos os dias os ministros dizem ao povo como é difícil governar. 
Sem os ministros o trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas se o chanceler não fosse tão inteligente. 
Sem o ministro da propaganda mais nenhuma mulher podia ficar grávida. 
Sem o ministro da guerra nunca mais haveria guerra. 
E atrever-se-ia a nascer o sol sem autorização do Führer?
Não é nada provável e, se o fosse, nasceria por certo fora do lugar.

2. É também difícil, ao que nos é dito, dirigir uma fábrica. 
Sem o patrão as paredes cairiam e as máquinas enchiam-se de ferrugem.
Se algures fizessem um arado ele nunca chegaria ao campo sem as palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem, senão ele, lhes poderia falar na existência de arados? 
E que seria da propriedade rural sem o lavrador?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3. Se governar fosse fácil não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina e se o camponês soubesses distinguir um campo de uma forma para tortas
não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
É só porque toda a gente é tão estúpida que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4. Ou será que governar só é assim tão difícil 
porque a exploração e a mentira
são coisas que custam a aprender?



terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Pensar alto






E o que é que as minhas amigas e amigos pensam desta, digamos, "justiça", que condenou pela primeira vez desde o 25 de Abril, um trabalhador, pelo crime de "manifestação ilegal", neste caso o nosso amigo e sindicalista João Serpa, do Sindicato da Construção Civil do Sul, sem testemunhas, sem advogado do Sindicato, sem nada? Hein?!

(pausa para pensarem um pouco)

Ah! Vocês pensam isso e depois eu é que sou o mal disposto... o malcriado...
Está de facto na altura de cada vez mais, pensarmos juntos e em voz bem alta!

Gira-discos







A Ernesta do "Cabra de Serviço", decidiu ou por fazer anos no Dia dos Namorados que aí vem, ou porque sim, iniciar um género novo de corrente, em que as "vítimas" confessam as músicas que eram especiais na sua adolescência. Ora aí vai...

Na época, em minha casa, por razões que não interessam para nada, o aparelho de rádio só era ligado para os noticiários e por vezes, durante o almoço, os Parodiantes de Lisboa. Assim, para além de uma música qualquer que passasse na Emissora Nacional antes de começarem as notícias, ou da Banda de Quadrazais dos Parodiantes, se quizesse realmente ouvir música tinha que me socorrer de colegas da escola que tivessem gira-discos. Os campeões dos "singles" eram um cromo da minha turma e a irmã, cujos pais achavam graça a que quase todos os fins de semana os filhos organizassem bailaricos debaixo do grande alpendre que dava para o jardim. Tive rapidamente que convencer todo o pessoal de que não dançava por não gostar (o que mantenho até hoje) para continuar a frequentar os ditos convívios dançantes. A mania de não dançar acabou por ser recompensada, pois acabei promovido a confidente das alegrias e desgostos das minhas e meus colegas dançarinos e, o que é muito importante, por "controlar" as músicas que se ouviam.
Dessa actividade bailante, a minha música preferida era uma que já aqui postei, a Françoise Hardy e o seu "Tous les garçons et les filles de mon age...", que servia como uma luva à minha "personagem" de solitário.
Practicamente ao mesmo tempo, por culpa de um extraordinário padre de cujo nome (injustamente) não me lembro, fui assaltado irremediavelmente pelas músicas de um tal Dr. José Afonso, que cantava e compunha uma "espécie" de baladas que o nosso professor de moral achava que devíamos conhecer... Ao fim de todos estes anos continuo a não conseguir eleger uma das cantigas do Zeca, como "a cantiga".
Agora a maldade é ter que passar esta corrente de facto diferente, a mais umas vítimas, poucas, porque convém não abusar e que serão:

A Maria, do "O Cheiro da Ilha"
(Por ser a primeira visita regular do Cantigueiro e para saber como andávamos de música lá pelo Oeste)
O José Manangão do "Poesia no Popular"
(Porque já aqui disse que tem 66 anos e tenho mesmo curiosidade de saber com que cantigas se divertiam eles e elas nos anos 50, antes das "tecnologias")
Finalmente, o Rui Vasco Neto, do "Sete Vidas Como os Gatos"
(Porque no meio do Atlântico e sem televisão, seria certamente diferente... talvez para melhor )

Não me deixem ficar mal...