domingo, 3 de agosto de 2008

Couple Coffee - Alípio de Freitas





Praticamente no início deste blog, há já quase um ano, disse que o disco “Com as tamanquinhas do Zeca” era de entre todos os que foram sendo feitos com as suas cantigas (pelos mais variados artistas) o meu preferido.
Ainda não mudei de opinião. O disco é do grupo “Couple Coffee”. O grupo tem duas almas gémeas, o baixista Norton Daiello e Luanda Cozetti.

Nesta altura dos acontecimentos, já todos os meus visitantes e amigos sabem quem é (e quem foi) Alípio de Freitas. Português, ex-sacerdote católico, emigrado para o Brasil, onde “tantas fez” que acabou na prisão por duas vezes. Da segunda, foi condenado pela ditadura brasileira a mais de cem anos de prisão, dos quais, apesar da tortura, felizmente só cumpriria nove. Hoje (entre outras coisas) é o presidente da Associação José Afonso.
No seu disco, “Com as minhas tamanquinhas”, o Zeca incluiu a cantiga “Alípio de Freitas”, onde conta a história deste homem, que apenas viria a conhecer em 1980.
O que nem todos ainda sabem é que a Luanda Cozetti é filha dele.
No seu disco, os “Couple Coffee” não incluíram esta cantiga. Aliás, a Luanda raramente a canta, pois tem dificuldade em chegar ao fim sem ter a voz embargada…
Esta é pois uma gravação rara, que conta ainda com o músico convidado Júlio Pereira, que muitos caminhos calcorreou acompanhando o Zeca.

Fiquem então com “Alípio de Freitas”, na voz da “miúda da canção”, como um dia lhe chamou o Zeca ("Com a companheira e a filha, Caiu nas garras da CIA").
Espero que gostem… Bom Domingo!

Alípio de Freitas
(José Afonso)

Baía de Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza

Em Maio de mil setenta
Numa casa clandestina
Com a companheira e a filha
Caiu nas garras da CIA

Diz Alípio à nossa gente:
"Quero que saibam aí
Que no Brasil já morreram
Na tortura mais de mil

Ao lado dos explorados
No combate à opressão
Não me importa que me matem
Outros amigos virão"

Lá no sertão nordestino
Terra de tanta pobreza
Com Francisco Julião
Forma as ligas camponesas

Na prisão de Tiradentes
Depois da greve da fome
Em mais de cinco masmorras
Não há tortura que o dome

Fascistas da mesma igualha
(Ao tempo Carlos Lacerda)
Sabei que o povo não falha
Seja aqui ou outra terra

Em Santa Cruz há um monstro
(Só não vê quem não tem vista
Deu sete voltas à terra
Chamaram-lhe imperialista

Baía da Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza.

"Alípio de Freitas" - Couple Coffee
(José Afonso)



15 comentários:

salvoconduto disse...

Excelente vídeo. Excelente homenagem!

Bom Domingo!

Maria disse...

Foi no espectáculo do Coliseu, em Abril deste ano, que conheci a estória ao vivo, e que conheci os Couple Coffee. Voltei a estar com o Alípio de Freitas no dia 24 de Abril, no Carmo...

Obrigada, Samuel.

Abreijos

Cristina disse...

Linda homenagem Samuel...também estou aqui com a voz embargada.
tenha um lindo domingo,e receba beijos no coração.

Ana Camarra disse...

Pois eu foi como a maria, mas não vi no Coliseu vi em casa...
Samuel, olha já percebi que és o Samuel cantor, olhosgrandes e barba, poucachinho careca, também, estive quase para e contratar este ano para o jantar comemorativo do 25 de Abril...mas somos uns tesos, não contratámos...
O mundo é mesmo muito pequenino, não é?

abreijo

zambujal disse...

De memórias destas se faz o canto, e o futuro, e o futuro do canto, e o canto do futuro. Destes cantos se faz a memória e o futuro.
Um abraço

Lúcia disse...

Bem bonito. Adorei! Obrigdo, Samuel.
Beijos

Lúcia disse...

Bem bonito. Adorei! Obrigdo, Samuel.
Beijos

Justine disse...

Que pérola rara nos ofereces, Samuel.
O domingo já clareou. Um excelente domingo para ti também:))

São disse...

Que psoos fazer mais do que agradecer?!...
Parabéns (embora atrasados) para si ...e ao Zeca.
Feliz domingo, com a Maria.

elvira carvalho disse...

Depois de uma cirurgia, estou voltando aos poucos a visitar os amigos.
E foi muito bom encontrar aqui esta bela homenagem ao nosso Zeca.
Embora atrasados os meus parabéns aos dois.
E sim homens como o Zeca, não morrem nunca, por muito que isso custe a alguns.
Um abraço

deblogemblog@gmail.com disse...

Porra, quem não se comove! Por acaso ninguém me surpreendeu e as lágrimas também já pouco molham...

Delfim peixoto disse...

definitivamente, Zeca sempre, e Alípio também

Oliva verde disse...

Só conhecia Alípio através da voz do Zeca. Foi uma maravilha conhecer, também, os "Couple Coffee" e esta magnífica voz!
Obrigada, também, por contribuires para manter aqui, connosco, o nosso Poeta!

Fernando Samuel disse...

E quem é que pode não gostar de uma coisa destas? (só os que não gostam destas coisas, mas esses...)

Anónimo disse...

Samuel,
muito obrigada!
Beijos da rapaiguinha da canção,
Lu!