quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A esperança




"Mas sei que uma dor assim pungente
não há-de ser inutilmente..." 

Esta canção sempre me arrepiou quando a ouvia na época em que o Brasil ainda vivia em ditadura e nós já respirávamos a liberdade.                

          O melhor é lerem tudo (incluindo o link), ouvirem a Elis no vídeo e "adaptarem" livremente como então eu fazia...

O bêbado e a equilibrista
elis regina
Composição: João Bosco e Aldir blanc

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos...

A lua
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens!
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Prá noite do Brasil.
Meu Brasil!...

Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora!
A nossa Pátria
Mãe gentil
Choram Marias
E Clarisses
No solo do Brasil...

Mas sei, que uma dor
Assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança...

Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar...

Asas!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar...




7 comentários:

Brancamar disse...

Obrigada pela sua visita.
Foi bom recordar a voz de Elis Regina e a letra por ela interpretada.
"Mas sei que uma dor assim pungente não há-de ser inútilmente...", realmente estes versos calam fundo e "...o show de todo artista tem que continuar...".Bela canção, música e letra! Gostei do seu blog Vou voltar.
Um abraço

Anónimo disse...

Nossa?! QUe maravilha, nÈ?

Sophiamar disse...

" Uma dor assim pungente não há-de ser inutilmente."

A nossa não foi.E Abril floriu!

Beijinhossss

Rui Vasco Neto disse...

Fui só eu que vi aquela expressão nos olhos da elis, neste clip? Por detrás de toda a pose, de toda a coca, de todo o alcoól, de todo o talento, espreita e vê comigo samuel: tanta, mas tanta tristeza.
Aquilo não são olhos. São manchas torturadas.

samuel disse...

Ela era de facto assim. O fogo da merecida alcunha de "pimentinha" era para disfarçar.
Passou para a filha alguma tristeza no olhar, momentos da voz... espero bem que o resto, não.

Luis Eme disse...

Que boa lembrança...

Claudia Perotti disse...

Samuel,

Agradeço-te a visita em minha página e a delicadeza do teu comentário.

Elis em mim é eterna. Deixou-nos preciosidades interpretadas com uma belíssima voz.

Beijinhossssss