domingo, 17 de outubro de 2010

Céu




Poderíamos ser levados a pensar que os músicos brasileiros estarão prestes a esgotar o filão de todas as possíveis experiências e cruzamentos de músicas e ritmos, cruzamentos e experiências a que vão dando novos nomes, criando assim novos sons, novas maneiras de colorir a nossa vida.

É nestas alturas que sabe muito bem ver aparecer alguém, em plena juventude, fazendo as tais coisas novas, inesperadas e surpreendentes. Como faz esta jovem Céu.

A Céu passa mais tempo fora do Brasil do que dentro, embrenhada na alquimia das suas fusões de Hip-Hop internacional e urbano com balanços africanos já temperados por muitos anos de “emigração” para o Brasil. O seu visível apreço pela música popular brasileira e pelos seus melhores criadores fá-la, de vez em quando, abrir portas no edifício do seu imaginário electrónico, para que “velhotes” como eu possam entrar... e achar muito bom.

É o caso da cantiga de hoje, uma das várias que a própria Céu escreveu, dedicada à “rainha” África... tão maltratada, explorada, desconsiderada, mas sempre e interminavelmente, mãe.

Bom domingo!


África
(Céu)

Dê água pra Ela beber
Dê roupa pra Ela vestir
Saúde pra dar e vender

Dê paz pra Ela descansar
Adubo pra Ela crescer
E rosas pra Ela enfeitar

África, cadê 

Seu trono de Rainha, cadê

Dona da Realeza, cadê

Mãe da matéria-prima, cadê

Vai levar vida inteira pra lhe agradecer.

“África” – Céu
(Maria do Céu Whitaker Poças)


5 comentários:

Graciete Rietsch disse...

Mesmo muito lindo. E a África bem precisa que mostrem, neste caso e muito bem através da música, as riquezas que tem e lhe são roubadas. Um beijo.

Fernando Samuel disse...

Céus!!!; isto é mesmo bom...


Abraço e bom domingo.

Justine disse...

Muito bela, a canção. E ela, a cantora, também!

O Guardião disse...

Não conhecia a cantora que tem, diga-se em abono da verdade, uma voz muito boa.
Cumps

Pata Negra disse...

Eu já não tenho é idade para coleccionar tanta coia boa. Mas esta fica!
Obrigado pela revelação porque é com contruções destas que nos construímos.