domingo, 21 de novembro de 2010

Os senhores da guerra – Adeus!



Errata:
Têm toda a razão os leitores que apontam o erro "cronológico" na criação dos dois blocos político-militares. Na verdade não estava a pensar nas datas, mas sim no princípio da coisa, quando escrevi o texto... mas isso não é desculpa para o erro.
A Nato foi criada para agredir o campo socialista e os países que o compunham, sob o pretexto da “ameaça comunista”, e só depois foi oficializado o Pacto de Varsóvia, para responder a essa agressão. Obrigado pelos reparos!
Opto por não emendar o texto, para não pregar a partida aos leitores/comentadores, que prezo, retirando-lhes o sentido aos comentários.

Abreijos!

Os grandes senhores da guerra partiram. Deixaram cá apenas uns lacaios a tomar conta de assuntos menores. Partiram contentes... «a Cimeira de Lisboa foi um grande, grande sucesso», dizem eles. Portugal, tudo leva a crer, continuará a ser um dos covis da matilha.

Vamos ser sinceros. Concordando-se ou não com os motivos que levaram à sua criação, a NATO, criada com o único objectivo de combater o Pacto de Varsóvia (leia-se campo socialista)... fazia sentido para alguns. Inventada uma “guerra”, mesmo que “fria”, havia a necessidade de existirem dois exércitos para representar as forças em presença. Depois (quem sabe se também por ter dado demasiada prioridade à “guerra fria”) o campo socialista soçobrou, deixando os países que o compunham nas mãos do capital, a Rússia nas mãos de vulgares ladrões e o mundo à mercê de uma única potência imperial, com o seu velho “braço armado”, a NATO... mas sem "inimigo".

Assim, a NATO, deixou de ser o que era (e que já não era flor que se cheirasse), para passar a ser um simples esquema de vigaristas e negociantes de armamento, que não querem perder o negócio das armas, de generais que não querem perder os postos, de políticos corruptos que não querem perder os tachos.

Agora passou a ser preciso “inventar” os “inimigos”, ano após ano, para continuar a fazer correr o rio de dinheiro diariamente arrancado ao suor dos trabalhadores em cada país, para justificar as obscenas fortunas que são gastas para a nossa alegada defesa. Neste novo «Conceito de Lisboa» que deixa Sócrates à beira de qualquer coisa parecida com um orgasmo, cabe tudo e o seu contrário, desde o “terrorismo global” até aos “crimes informáticos”. Tudo é uma oportunidade de negócio, a que “em boa hora” – pelo menos a ver pelos festejos – se veio juntar a Rússia com a sua associação à negociata multimilionária do “escudo antimíssil”.

Partiram os senhores da guerra, concentremo-nos nos nossos próprios vigaristas, sentados na governação, a mando dos que por detrás deles realmente governam... para no próximo dia 24 lhes esfregarmos na fronha uma bela e grande Greve Geral!

Como é domingo, assinalo a partida dos senhores da guerra com uma música a propósito. Foi gravada e muito cantada pelo grande Grupo Outubro, corriam ainda os anos setenta. Desgraçadamente, como bem se pode ver e ouvir, a cantiga persiste, atual. Desgraçadamente, até alguns dos nomes dos locais em que os senhores da guerra vão cometendo os seus crimes... são ainda os mesmos. Basta acrescentar os nomes dos “teatros de guerra” atuais, já que as vítimas, essas são sempre as mesmas!

Bom domingo!

Os senhores da guerra
(Pedro Osório)

Os senhores da guerra
São os reis da competência
Matam dez mil homens
Sem problemas de consciência

Se não fosse a economia
De mercado concorrente
Decerto os senhores da guerra
Não matavam tanta gente

A guerra é um bom negócio
Que não se pode perder
As armas só dão lucro
Se houver a quem as vender
E todos nós tarde ou cedo
Temos de morrer

Os senhores da guerra
Fazem contas cuidadosas
Deixam dois por cento
Para obras caridosas

Calcula-se o rendimento
Em função do investido
O lucro é de 3000 dólares
Por cada corpo abatido

Biafra ou Palestina
Bangla Desh ou Polinésia
O Chile ou a Argentina
A Coreia ou a Indonésia
Fornecem carne p'ra canhão
Em primeira mão

Os senhores da guerra
São pessoas respeitáveis
Vão passar as férias
Em montanhas saudáveis

Mergulham as carnes tenras
Em piscinas de água quente
Enquanto os seus mercenários
Matam muita, muita gente

E cada nova guerra
Que conseguem fabricar
Será mais um mercado
P'ra morrer e p'ra pagar
Até que o dia chegará
Em que a bomba rebentará
Nas suas mãos
E a guerra terminará.

“Os senhores da guerra” – Grupo Outubro
(Letra e música: Pedro Osório)


19 comentários:

Enfermeiro de serviço disse...

Samuel, não cresceste e continuas a ver o mundo por detrás de muros.Ou te fazem a vontade e restabelecem o mundo dos Gulag, ou decretas que todos os que não o querem fazer são uns cabrões. Aliás estás constantemente a fazê-lo. Canta Samuel, canta porque esta malta que sobra dos teus amigos não te merece...

filipe disse...

Resta-nos a atitude higiénica de remeter os lacaios à sua suja e abjecta condição de Andeiros da actualidade, saudando a dignidade combativa da grande manifestação realizada hoje, esta uma sólida garantia de que não está perdida a dignidade nacional dos portugueses.
Um abraço.

César Ramos disse...

Samuel

Espero que, aldrabilhas como este Sócrates insiste ser, falhe os prognósticos todos!

É mais do que óbvio: Pacto de Varsóvia arrumado na gaveta, de uma forma séria a NATO devia ter ido para o lixo há 'bué' de tempo!! E os 'tachos', entretanto?!

Pois aí... é que a porca torce o rabo e, estamos cá nós, para custear este paint-ball em que a tinta é sangue!

Obrigado pelo poema de Osório e a música exaltante!

Faço votos e, se for preciso, até rezarei para que a porra da bomba lhes rebente nas patas!

Abraço e bom domingo
César Ramos

Anónimo disse...

Quando a Nato foi criada (1949), ainda não havia Pacto de Varsóvia (1955).
Quanto à opinião estou de acordo.
Paz Sim. Nato Não,
Homem das Cavernas

Maria disse...

E foi muito bom ouvir o Grupo Outubro Manifestação abaixo!!!
Mas não foi o Pacto de Varsóvia que foi criado para fazer frente à Nato? Ou será que a hora da noite me leva a não ler bem o que escreveste?
:)))))

Abreijos

Fausto disse...

Um pequeno pormenor no magnífico texto, mas que pode levar a alguma confusão. A NATO não foi criada para combater o Pacto de Varsóvia uma vez que este ainda não existia. A NATO foi parida a 4 de Abril de 1949 e, só 6 anos depois, é que aparece o Pacto de Varsóvia, em 14 de Maio de 1955.
Abraço

samuel disse...

Aos comentadores atentos:

Obrigado!

samuel disse...

Enfermeiro de serviço:

Sempre o mesmo carroceiro! Sempre a mesma boçalidade, tratando por "tu" e malcriadamente, quem nunca (felizmente!!!) lhe deu confiança para isso.

Quanto ao resto, enfermeiro, já que está de serviço... vá lá... vá lá mudar as arrastadeiras e os pensos e depois desinfecte-te. Desinfecte-se muito! Mergulhe a cabeça no desinfectante... :-))) :-)))

Maria disse...

A Nato é a "nata" de um leite azedo que vai alimentando os que, brincando à "Guerra e Paz", vomitam caridadezinhas com promessas de pombas brancas depenadas. Enquanto isso, multiplicam-se, ensanguentados, os dividendos nos seus bolsos. E PORTUGAL, que está "de tanga", recebe-os magestosamente. Os esfomeados, ao longe, não alcançam as migalhas do banquete, pisadas no chão, como eles...

Maria Pereira

trepadeira disse...

Oxalá,oxalá.
Um abraço,
mário

alfa disse...

Cantigueiro sempre atento.
bjss

Fernando Samuel disse...

Actualíssimos, estes senhores da guerra!...

Um abraço.

Leão sem fé disse...

E a guerra fria acabou agora e foi na terra de nossa senhora de Fátima que se fizeram as pazes.
Que coincidência, só falatava que fosse no dia 13 de Maio.
Vamos ver que guerra vai começar agora.

relogio.de.corda disse...

Boa música, sim senhor.

Enfermeiro de Serviço disse...

Pois é Samuel: Os criadores do Pacto de Varsóvia até tinham pensado em pré-inventar o TGV para facilitar a circulação dos seus protegidos. Azar do caraças enganaram-se e fizeram um muro. Tá claro que a intenção era parar as tropas do Ocidente e evitar o risco de uma invasão! Mas eu percebi-te e à tua claque: O Pacto de Varsóvia e o muro de Berlim era para evitar que os ocidentais fossem lá comprar géneros nas lojas especiais, roupa interior que faltava por cá.
E é mesmo Samuel, que as arrastadeiras te valham para corrigir essa linguagem polida e artística: Aceita esta devolução :-))) :-))) que me parece caviar estragado.
Não ganhes juízo não! Ou isso ainda era do tinto de Borba onde foste apoiar aquele rapaz candidato a servir de carro vassoura? O que apesar de tudo era bem visto, desta vez tens hipótese de não ser o último. Mas não desistas, mais umas bifanas vendidas na Atalaia e ainda tens mais uma ou duas hipótese de entrar em Belém... Enfim, figuras tristes de moço pequeno.
PC:, perdão, PS: Se não quiseres expor a carneirada à minha prosa infectada não publiques porque eu sei que tu és um amplo democrata que só usa esta tribuna para de forma simpática ofender as ovelhas ranhosas que não comem do teu caviar:Praí meia dúzia de milhões milhões de desalinhados.
Quanto ao "tu" de que não gostas, retiro e ponho Vexa. Sempre fica mais de acordo com o carinho que aqui se tratam os tugas desalinhados!

Graciete Rietsch disse...

Continuamos a dar cobertura aos senhores da guerra!!!
Como é possível?

Um beijo.

samuel disse...

Enfermeiro de Serviço:

Ohhh... coitado! Afinal isso ainda está pior do que parecia! :-))) :-)))

Aristides disse...

Que país este que pariu enfermeiros de serviço tão reles. Se eu adoecer, só espero que esse aí esteja de folga.
Abraço

Joseph disse...

Este enfermeiro de serviço, arenga, arenga e não diz nada de jeito...
Conversa de «Herbanário» em sala de operações...
É urgente uma desinfecção!