domingo, 30 de janeiro de 2011

Renato Teixeira – Os autores, esses desconhecidos


No mundo das cantigas identificamos, antes de tudo, as cantoras e os cantores. Independentemente dos conceitos de cada um de nós sobre o que é cantar mal ou bem, tendo uma "bela" voz ou nem por isso, são os intérpretes o veículo das melodias e das palavras que nos empolgam para enfrentar a vida, que nos enternecem, ou que, muito simplesmente nos divertem. As cantigas ficam para sempre ligadas aos seus intérpretes. De tal modo que, quase sempre, ouvimos dizer que esta ou aquela canção é de fulana ou de beltrano, que a cantam, independentemente do facto de uma enorme parte dos intérpretes de canções nunca ter composto ou escrito canção alguma.
No entanto, por detrás de cada cantiga existem autores. Aqueles que apenas escrevem letras ou músicas, ficando na sombra e aqueles, a que gosto de chamar “cantautores” e que, com mais ou menos voz, dão a cara pelas suas obras, cantando-as.
Esta é a altura certa para a entrada em cena do nosso convidado de hoje, o brasileiro Renato Teixeira, criador e defensor da música “caipira” (não confundir com o subproduto mais comercial, a música “sertaneja”), instalado há muitos anos nos corações de uma boa fatia do povo brasileiro. Renato Teixeira nasceu em 1945, tem a arte de fazer grandes canções e seria por cá também muito conhecido, não fosse o facto de nós não “pescarmos” quase nada de música brasileira e portanto, para nós, a sua canção mais conhecida ser apenas aquela canção fantástica "da Elis Regina”... a “Romaria”.
Renato Teixeira gosta de explicar as suas canções, ou, pelo menos, dar uma ideia da razão por que as escreveu. Por vezes o desespero é tanto, o milagre é tão necessário, que mesmo aqueles que não sabem como rezar, esperam comover a Santa apenas com o seu olhar... – diz ele a propósito duma passagem da sua “Romaria”.
Sobre quem aqui vem cantá-la com ele, para além de dizer que já é repetente e de repetir que se trata de uma cantora que na sua vida “normal”, não poucas vezes (para mim, claro!) pisa o risco do “brega”, o nosso “pimba”... mas em brasileiro, é bom constatar que continua a fazer estas “fugas” para cantar grandes canções, normalmente em duos memoráveis. Aí está ela, a Ivete Sangalo, sentada, sem levantar “poêrapoêra”, muitíssimo grávida e acariciando discretamente o bebé enquanto canta... iluminando a mina escura e funda, o trem da nossa vida...
Bom domingo!
“Romaria” – Ivete Sangalo e Renato Teixeira
(Renato Teixeira)



13 comentários:

Manuel Norberto Baptista Forte disse...

Samuel, bom dia e desejo (também)de um bom domingo.
Obrigado por esta preciosidade, onde se entende as palavras ditas, por vozes inconfundíveis, e uma música encantadora na verdadeira acepção da palavra.
Para ouvir e re-ouvir ...

Pata Negra disse...

Era para ir a Fátima, já não vou! Já rezei a minha canção - grande como certos corações!
Um abraço dominical

do Zambujal disse...

Obrigado pelo que domingueiramente nos ofereces. E pela (mal empregada...) resposta que desta à chispalhada no cravodeabril.

Bom domingo também para ti, para vocemecês

Fernando Samuel disse...

Iluminando e muito...

Um abraço e bom domingo para todos.

Graciete Rietsch disse...

Muito lindo. Comovente!!

Um beijo.

Justine disse...

Abençoado Renato, e obrigada pela lição:)))
Abraço

Maria disse...

Maravilhoso! E não se trata de um duo, mas de um trio (aposto que o bebé, enternecido com toda esta envolvência, terá sorrido e batido o pezinho...).
É admirável esta sua dualidade, Samuel: duro nas críticas político-sociais e sensível - tão sensível! - aos pequenos-ENORMES pormenores, como o acariciar da barriga da gestante que tem no sorriso toda a luz do seu estado de graça.
Parabéns por ser quem é e obrigada por mais esta terna partilha.

Maria Pereira

Malaca disse...

Boa Noite Samuel
Seu admirador de há longos anos entro no seu blog pela primeira vez para lhe agradecer o seu bom gosto por estas preciosidades.Vale sempre a pena apontar caminhos.
M. Malaca

Maria disse...

Muito bom! Não conhecia esta versão :)

Abreijos.

Anónimo disse...

Quando uma canção se torna maior que o seu autor, o autor cumpriu o seu dever. Esta é uma das minhas preferidas, das que mais me tocam a alma. A primeira vez que a ouvi na interpretação da Elis, depois de ela "se ter morrido", os olhos nublaram-se-me.

relogio.de.corda disse...

Bem...finalmente vim aqui e acabo o dia, despedindo-me de um domingo em grande estilo.
Também não conhecia esta versão, muito boa, por sinal. A Ivete é bem melhor assim do que aos saltos no palco (grávida, também não dava muito jeito):).
Obrigada por partilhar.
Boa semana para todos.

Anónimo disse...

Seu "sacana".
No domingo ás 4H choro porque oiço um coro de Alentejanos na Baixa da Banheira cantando para a sessão pública com o Jerónimo. Hoje segunda-feira choro por esta coisa tão bela a que assisti no teu blog. Arre porra que já é choro a mais mas que nos deixa tão bem.

correia disse...

OBRIGADO SAMUEL.ASSIM VALE A PENA REZAR!