sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Presidenciais 2011 – Um toque de surrealismo... vá lá... de parvoíce


Nos idos da minha escola primária, portanto, há quase cinquenta anos, era usual exibirmos, pelo menos alguns de nós, a habilidade de saber de cor uma lengalenga de contornos surreais, que nos parecia, não só ser o suprassumo do humor, como vir a propósito... sabe-se lá hoje de quê.
          Era meia noite em ponto
          Só faltava um quarto de hora
          O sol raiava entre as trevas de um claro dia
          Um homem, sentado num banco de pau-pedra
          Apoiado numa mesa de pernas para o ar
          Lia o seu jornal sem letras
          Com os seus óculos sem lentes
          À luz de um candeeiro apagado...

...e a coisa continuava por aí fora até à exaustão. Permanece o mistério sobre o que nos faria recitar a lengalenga e ainda por cima achar-lhe graça, a que vem agora somar-se outro ainda maior: Por que carga de água fui eu lembrar-me desta estória ao apreciar o desenvolvimento mediático dos “argumentos” de campanha de (quase!) todos os candidatos à eleição para Presidente da República? 

Será que esta campanha está, na verdade, a atingir níveis de "surrealismo" superiores ao das nossas lengalengas de garotos?
Será que os candidatos do sistema estão de facto interessados em, até ao fim da campanha, não fazerem mais do que escavar e atirar toneladas de lixo para “tapar” o vazio das ideias políticas que era suposto estarem em debate? 
Será que só o meu candidato, Francisco Lopes, está disponível para discutir política (a Presidência da República é um cargo político!), deixando no seu devido lugar e claramente separadas as questões criminais, das questões políticas (ou mesmo éticas), nestas tristes estórias das ações hipertrofiadas de Cavaco Silva, no BPN, ou dos textos de prosa poética/publicitária de Manuel Alegre, no BPP?
Faça-se a justiça de registar que Fernando Nobre também não quer falar destas sujeiras... mas na verdade, Fernando Nobre não quer falar disto, nem de quase nada, já que, ostensivamente, detesta política e políticos, detesta partidos... e baralha-se um pouco a discutir assuntos cuja complexidade ultrapasse a da galinha a correr com pedaços de pão no bico. Desconfio até que a sua costela monárquica o faz detestar a própria República a que quer presidir... mas isso nunca veremos.

11 comentários:

Antuã disse...

A lenga-lenga assenta bem a qualquer candidato à excepção de Francisco Lopes.

Maria disse...

Olha-me pra esta lenga-lenga... também a usei e já nem me lembrava...
Falando de presidenciais, eu acho que a honestidade e seriedade andam um pouco arredias de quase todos os candidatos. Salva-se o nosso!
Vamos votar Francisco Lopes, pois claro!

Abreijo.

anamar disse...

Lenga-lenga, nunca tem jeito, mas que ajuda á memória, ajuda...
O resto, logo se vê...
Abreijo

CRN disse...

Essa da galinha a correr com um bocado de pão no bico, arrancado a bocas famintas de crianças mal tratadas pelo flagelo que significa o capitalismo, tem uma base lógica tremenda, sobretudo quando, natureza de qualquer humano, antes de morrer à fome a galinha se transforma em alimento, nem que seja recheada de pão.

Graciete Rietsch disse...

Estou de acordo com o post e os comentários anteriores. Por isso só posso repetir
VAMOS VOTAR FRANCISCO LOPES

Parabéns e um beijo ao CANTIGUEIRO.

Fernando Samuel disse...

O semanário Sol de hoje faz uma lenga-lenga semelhante de propaganda do Cavaco...

Um abraço.

JOSÈ GAGO disse...

Se o assunto não fosse tão sério
diria que que o confronto Cavaco/Alegre está bem ao nível dos
comparsas jorge jesus/Vilas-Boas..
O jogo é muito mais sério, como disse, mas a parvoice, o provincianismo, e as jogadas rasteiras são, absolutamente, iguais! Há! e o cheiro também...
Mas se no futebol os árbitros dependem muito da fruta para pautar
as suas actuações, na politica o que estamos a precisar é de um árbitro com "tomates" para meter esta malta na ordem...!
E,ele está aí, chama-se FRANCISCO
LOPES, mas temos de ser nós a fazer
a nomeação...
Um abraço
J.Gago

Justine disse...

Ao menos a gente achava graça às lenga-lengas surrealistas da nossa infância. Agora nem isso, só repugnância e tédio...

J. Monginho disse...

Caro amigo, continua a pensar que só tens 50 anos que a gente acredita.

Conversando aqui com a Judite,
a lenga-lenga era mais ou menos assim:

Era meia noite em ponto
Só faltava um quarto de hora
O sol raiava entre as trevas de um claro dia
Um homem nu com a faca no bolso
sentado num banco de pau-pedra
Apoiado numa mesa de pernas para o ar
Lia o seu jornal sem letras
Com os seus óculos sem lentes
À luz da candeia apagada
dizia calado
o Mundo é uma bola quadrada
que gira parada.

um abraço

Pata Negra disse...

A primeira vista devíamos discutir outras coisas para lá do BPN mas o BPN é um símbolo do estado a que chegámos! Não há nada para descobrir numa estrumeira por demais que nos acalente o fumo que ela solta mas no curral há um porco com diarreia e chama-se BPN!
Isto, apesar, de, provavelmente o BPN não servir para construir um único voto o desvoto! O cavaco tem os votos contados!...
Um abraço e viva o Chico

Pr. Dario disse...

Muito melhor o lengalenga de outrora que o lenga-demagocócita de nossos representantes, ótimos artistas circenses, diga-se de passagem.

Deixo registrado a forma que conheci o surreal:

Era meia noite em ponto,
Um homem nu com a mão no bolso,
Sentado em um banco de pedras feito só de madeira,
Lendo um jornal sem páginas,
Sob a luz de um lampião apagado,
Quando de repente, bem na frente, atrás de si,
Surge um cadáver vivo trazendo em uma das mão um punhal sem lâminas,
que só faltava o cabo,
E cravando-lhe no coração bem no meio da barriga, o homem cai em pé murmurando a seguinte frase:
A terra é uma bola quadrada que gira parada em torno do sol.

É isso!