quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Cavaco Silva – "Isto" não é, nem será nunca, o meu Presidente!


Cavaco Silva, como sabemos, já leva dois anos como ministro das Finanças, dez anos como primeiro-ministro, cinco como Presidente da República e, convenhamos, a sua única “obra” digna de registo é a construção da sua própria imagem. Uma imagem de seriedade sem mácula, de competência inquestionável... o que é um feito verdadeiramente notável, se atendermos que é uma construção feita a partir de matéria prima tão rasca.
Até esta altura, pensava que a coisa mais rasteira que ele tinha produzido nesta campanha tinha sido a nojenta troca de palavras com uma pobre transeunte, lembram-se?, «A ver se o Senhor Cavaco me arranjava qualquer coisinha, eu precisava de um bocadinho de reforma...» - há risos na comitiva cavacal” - e a seguir, sem sequer a ouvir, desatou a falar da “miserável” reforma de 800 euros de Maria Cavaco Silva, gabando-se a seguir do facto de «ter que a sustentar», numa série de afirmações machistas e parolas... que eu entendi como sendo, muito provavelmente, o resultado de uma qualquer espécie de vírus à solta no Algarve do passado... veja-se o triste caso de Zézé Camarinha, embora este com um pouco menos de estudos.
Estava enganado! A poucos dias do fim da campanha eleitoral o homem conseguiu regougar a afirmação mais suja de toda a campanha. Basicamente, defende que se deve votar nele de forma a que ganhe já no dia 23 de Janeiro, porque uma segunda volta ficará muito cara ao país, que está sem dinheiro... e enervará ainda mais os “mercados”.
É habitual ouvir alguns saudosos do fascismo, ou simples imbecis, questionando a democracia exatamente pelos seus alegados custos financeiros. Confesso que não esperava ouvi-lo da boca de um Presidente da República de um país onde, há apenas trinta e sete anos, se fez uma Revolução como aquela que vivemos no dia 25 de Abril de 74.
É revoltante e desprezível! Mesmo sabendo que, antes de Abril, Aníbal Cavaco Silva nada fez para que a Revolução e a conquista da liberdade e da democracia acontecessem! Mesmo sabendo que, depois de Abril, nada fez para as defender!

14 comentários:

Elísio Alfredo disse...

Nem o meu.

Anónimo disse...

Meu caro Samuel, veja a pérola que encontrei. http://rotundaseencruzilhadas.blogspot.com/2010/10/uma-prenda-para-todos-os-portugueses.html

Maria disse...

Pois meu também NÃO!

relogio.de.corda disse...

No meio disto tudo, quem anda enervada sou eu e mais outros tantos milhões de portugueses que não vêem maneira desta gente dar o lugar a outros para que outros possam ter oportunidade de tornar este país produtivo e não uma mera conta de subtrair dinheiro a quem trabalha e vive de ordenados vergonhosos.
No Domingo, eu digo-lhes como é...

Anónimo disse...

Caro Samuel
Primeiro, obrigado pela clareza, objectividade e sensibilidade do teu post anterior. Este terreno anda há muito a desperdiçar as boas sementes que lhe são oferecidas. Dir-se-á que dia virá, mas vai-se tornando cada vez mais tarde e enquanto isso acontece aprofundam-se as desigualdades.
Apetece gritar "Acordai!", como aquele poema de José Gomes Ferreira.
Por último, já assisti/participei em muitas campanhas eleitorais mas esta do Cavaco é do mais desonesto, reaccionário e sem qualidade a que assisti. Ele ficava tão bem enquadrado naqueles tempos em que preencheu uma determinada ficha bem condizente com a sua qualidade.
Agora, é mesmo para acabar, por hoje, um abraço até um qualquer encontro sempre por uma boa razão.
E até Domingo ainda há muito a fazer e a chamar à razão
Um abraço do Norte
Valdemar

Anónimo disse...

Samuel, se calhar o homem não sabe o aconteceu nesse tal 25 de Abril. É que, como ele não lê jornais...
Um abraço.
Daniel

Anónimo disse...

pois é! so se lembra do que aconteceu no 25 de abril... mas foi o 25 de novembro que houve liberdade para todos! senao saimos duma ditadura e entravamos noutra! voces é que nao sabem o que aconteceu nesse tal 25 de novembro! so se lembram ate abril!

Eduardo Miguel Pereira disse...

Samuel, tenho de tirar o meu chapéu a este magnifico post.
Revejo-me totalmente em tudo o que aqui foi dito, e sublinho ainda o nojo que sempre me meteu ele recusar-se a usar um cravo no 25 de Abril.
Coisa mesmo de Salazarento ressabiado e nojento.
Domingo, todos às urnas para corrermos com ele !

samuel disse...

Anónimo (22:24):

É a sua opinião, meu caro...
Mesmo assim, lembro-lhe que Cavaco Silva em nada contribuiu, sequer, para o 25 de Novembro. Mesmo nessa altura, ainda andava a cuidar lá da sua vidinha e entrou na política só em 1980, mais coisa menos coisa.
Em termos daquilo que, por essa altura, mais mexeu com a nossa História, seja o nosso 25 de Abril, seja o seu 25 de Novembro... o homem não passou de um inútil.
Cavaco apenas serviu para integrar nos seus governos uma cáfila de oportunistas, abrindo assim as portas ao bando de aproveitadores, trafulhas e ladrões que todos conhecemos, alguns já a contas com a justiça... e, claro, para encher os bolsos aos parasitas que "mamaram" milhões e milhões de fundos comunitários para abater barcos de pesca e marinha mercante e manter milhares e milhares de hectares de terras ao abandono... para além da destrição do nosso tecido produtivo industrial, uma bênção para os grandes grupos económicos, os seus verdadeiros patrões,

É um traste!

Graciete Rietsch disse...

Cavaco é um digno representante de tudo o que escreveu na ficha para a PIDE. O homem não tem um pingo de vergonha , apenas tem capacidade para nos continuar a enterrar se fôr reeleito PR.

Um beijo.

GR disse...

Mais nada se pode esperar de um tipo que se inscreveu por vontade própria na PIDE.

Hoje na Antena 1 o Blog Cantigueiro foi o escolhido, pela melhor campanha feita para o candidato Francisco Lopes.
Fiquei muito orgulhosa.

Parabéns!

Bjs,

GR

Anónimo disse...

Os cavacos e seus cúmplices ficam muito mais caros.

Antuã

relogio.de.corda disse...

GR não sabia disso... Nesse caso, é um merecido destaque sim senhora. Parabéns ao autor do blogue!!!!!!!!!

Fernando Samuel disse...

«Nada fez», antes pelo contrário, quer antes que depois de Abril...

Um abraço.