sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Hugo Chávez - Veja lá como me responde!


Vivo num país triste, onde a maior parte dos eleitores, pelo menos enquanto não fizermos mais e melhor para romper a barreira de silêncio e desinformação que impede a mensagem de chegar ao destino, vota repetidamente em partidos e políticos que, no dia seguinte ao voto, os enganam, os traem, os roubam; eleitores que, quando decidem “mudar”, votam nos “outros” que, em eleições anteriores, já os tinham enganado, traído e roubado.
Vivo num país triste, onde o Presidente da República em vez de cumprir e, sobretudo, fazer cumprir a Constituição que jurou, patrocina e aplaude as políticas destes políticos... que são as suas; que vive atascado nas estórias dos amigos e colaboradores de que desde há décadas se fez rodear no Governo, na Presidência... e até na casa de férias; um triste arremedo de Presidente, de gatas perante os interesses estrangeiros e o capital sem pátria, aos quais optou por prestar vassalagem.
Virando para a Venezuela, vejo um Presidente em sintonia com as necessidades e anseios da maioria do seu povo, povo que lhe vai dando o seu voto de forma maioritária, livre e democrática, eleição após eleição. É por isso que, mesmo não gostando do exibicionismo e do tom (errado) com que algumas medidas (certas!) são por vezes apresentadas, algumas das tiradas e ações políticas de Hugo Chávez fazem-me ganhar o dia.
Primeiro, porque fico sempre a imaginar quantos milhares de “filhos da pátria” ele deixa à beira da apoplexia, de cada vez que faz mais alguma coisa para tirar da miséria grande parte do seu povo, para o alfabetizar, para que os “direitos” saiam do papel e venham até às casas dos trabalhadores. Tudo isto com o dinheiro que eles tinham como coisa sua, sagrada e para sempre.
Segundo, porque imagino a cara do pascácio Aníbal, se por acaso viu Hugo Chávez, nesta conferência de imprensa que eu vi, dizer sem papas na língua que se determinado banco privado (de capital espanhol) não cumprir a lei e a Constituição, em relação com um programa de apoio à habitação, «Nacionalizo-o no interesse nacional! Pago, seja lá quanto que for aquilo que o banco valha... e nacionalizo-o!»
Quando eu pensava que já tinha visto o melhor, Chávez pega no telefone, liga para o banqueiro e, perante a sua resposta, supõe-se que desabrida, aconselha-o: «O senhor veja lá como me responde! Você diz-me que o banco não está à venda, mas olhe que eu nacionalizo-o sem qualquer problema; por isso, rogo-lhe, veja lá como é que responde!»
Claro que depois o homem, certamente a suar bastante, lá se dispôs a receber imediatamente as pessoas que antes tinha recambiado de mãos a abanar... mas valeu pelo diálogo! É com estas (e muitas outras) que Hugo Chávez compensa largamente um ou outro tique da sua exuberante personalidade que não liga bem com o meu feitio provavelmente demasiado europeizado... seja lá isso o que for.

17 comentários:

Maria disse...

'A boa educação é bonita e eu gosto!'
Por cá continuamos cada vez mais de cócoras :(

Abreijo.

Graciete Rietsch disse...

Também gostei muito de ouvir a resposta de Hugo Chávez ao banqueiro.
Valha-nos a América Latina, se os americanos não se resolverem a destruí-la. Mas creio que as massas não o permitirão.

Um beijo.

Elísio Alfredo disse...

Que sorte, hein, Samuel. E que diferença abissal entre o ditador Chavez, a governar para o povo Venezuelano, e o pas... o pas... o cácio, como bem lhe chamas, que hoje já tem muitas daqueles que lá foram, servis, dizer, o minimercado da minha rua, que não, que não votaram nele... Vê bem o bem que é poder fugir, diariamente, para a Telesur, que me mostra "os acontecimentos em pleno desarrollo...", comprometida com um serviço ao serviço das causas mais nobres.

Fernando Samuel disse...

Eis um diálogo exemplar - e que, de facto, relega para segundo plano os tais tiques...
É a diferença entre um político e os «politicos»... a confirmar que eles não são todos iguais...

Um abraço.

Anónimo disse...

Ontem ganhei a noite ao ver na TV esta conferência de imprensa dada por Hugo Chávez, hoje já ganhei o dia ao ler este teu post. Parabéns e um abraço.
Joana

JOSÈ GAGO disse...

Confesso que me irrita,solenemente
um certo tipo de folclore exibicionista deste Chavez,mas que o homem dá mostras de os ter no
devido lugar,também é verdade...!
Neste momento,estou eu a imaginar
o Sòcrates, ou o Cavaco (um deles)
a telefonar ao Ricardo Espírito
Santo a dizer-lhe:
Ò o senhor concede o crédito devido,ás pequenas e médias empresas,ou eu nacionalizo o BES!
Desculpem; Estou a sonhar...
Um abraço.
JOSÈ GAGO
ás pequenas e médias

Luis Nogueira disse...

Querido amigo:
Parece que estava a adivinhar, hoje de manhã ao abrir o teu blogue. "Queria" que tu falasses na enorme lição do Chavez a estes sofisticados f. da p. Eu não o acho exagerado, nem populista, nem nada disso. Como cmunicador é um gigante ao pé dos sub cretinos europeus todos punhos de rende e peninha no cu. E aprendeu a lição de Brecht: é preciso mostrar, mas é preciso também mostrar que se mostra. É um homem de origem humilde, um rude soldado, um patriota e sobretudo um ser ferido de amor pelo seu povo. E o Fidel? Quem se lembra dos discursos na praça da Revolução? Quem se lembra de quando nacionalizou as empresas americanas uma a uma perante a multidão de cubanos que aplaudia. É preciso que a burguesia, o capitalismo ouçam o rugido do mar. E as barbas dos cubanos, os cabelos compridos amarrados atrás em 1959? Exibicionismo? É preciso fazer ajoelhar as pandilhas, os bandidos, sacudi-los, humilhar os que a todos humilharam e continuam a humilhar. Quem o inimigo poupa, às mãos lhe porre.
Ah, antes que me esqueça, Samuel: no aporrea.org saiu um vídeo (no "La Hojilla) que mostra o banco Santander em Espanha a ser invadido por um grande grupo de cantaores e bailadores de flamenco que cantam e mimam a roubalheira dos banqueiros até a polícia correr com eles. O vídeo é o segundo de três e passa, como já disse, no programa La Hojilla de Mário Silva. Se tu pudesses trazê-lo para o teu blogue, era uma maravilha. É que isso a nossa TV não dá.

Abraço de camaradagem

Luis Nogueira

svasconcelos disse...

Resumiste tudo tão bem, Samuel!:)
Ontem quando assistia à conferência pensava " bem-feito, é assim mesmo", haja tenacidade, coragem e vontade política a favor do povo!
Como tu, também não aprecio o seu "tom", seja por feitio ou cultura, mas a verdade é que o usa em prol de "medidas certas"!

Como referiu o José Gago, em Portugal um cenário destes é (ainda) pouco provável,até porque a promiscuidade entre o sistema político e financeiro é flagrante (não é sr. cavaco?!)

Um beijo,

Manuel Norberto Baptista Forte disse...

Quanto a mim Hugo Chávez, não sendo um ser perfeito (tal "espécie" é inexistente), marca uma grande difernça ... para melhor, no espectro político mundial.

Zé Canhão disse...

Temos que queimar os cavacos.

relogio.de.corda disse...

Bravo!!! Mais um interessantíssimo post sobre a actualidade.
De facto, acho que muitas das vezes, o que falta a alguns dos nossos politícos é um pouco mais de autenticidade. A vaidade que carregam em cima, atrofia-os, torna-os arrogantes, insensíveis e transforma-os em pessoas que não são.
O Sr Cavaco, durante a sua campanha, lá foi dizendo à boca cheia que era moralmente intocável, etc, etc. Faz questão de aparecer sempre rodeado da Maria e do resto da sua prole, como se a governabilidade de um país estivesse dependente dessa visão imaculada da sagrada família cavaquista.
Bom fim-de-semana

Anónimo disse...

Meu Caro Samuel e demais amigos comentadores
Creio que é perigosa essa admiração por um homem grosseiro e autoritário como Hugo Chávez. Depois de trinta anos a viver sob um regime autoritário, de uma autoridade personificada num “iluminado”, não gostaria nada de me calhar outro do género, por mais eleito que fosse. Além disso, a Venezuela continua a ter muito mais pobres que Portugal, enquanto que o seu PIB per capita é pouco superior a metade do português. A corrupção em Portugal é vergonhosa, há ordenados mensais que são uma afronta à dignidade, mas, apesar de tudo, não seríamos muito mais ricos se essa canalhada se convertesse à honestidade.
Abraços.
Daniel

samuel disse...

Caro Daniel,

Depois de bem cirandados os diversos calibres de tiques desagradáveis de Chávez, analisadas as políticas reais de apoio ao seu povo e rompida alguma da barragem de propaganda anti Chávez com que somos bombardeados todos os dias... poderemos, estou certo, encontrar terreno comum.
Ainda temos umas arestas para limar... mas se o "champalimaud"... nós também havemos de conseguir. :-))) :-)))

Abraço.

Anónimo disse...

Samuel, sei que me entendeste. A Madeira progrediu muito mais do que os Açores, porque o AJJ é bruto e parece que assusta Lisboa. Prefiro a menor agressividade e melhor civilidade de quem tem governado por aqui. Pena é que o meu amigo Carlos César esteja a dar sinais de alguma "madeirização"...
Um abraço.
Daniel

Anónimo disse...

O Chavez tem uma coisa que falta aos portugueses e que leva a que eles sejam como são: medrosos e acagaçados.
O chavez não tem medo de morrer porque sabe que a sua luta é a favor dos necessitados. Não esquecer os Tunisinos e os egipcios que também perderam o medo da morte e é vê-los até onde irão.

correia disse...

SAMUEL VIVO NO TEU PAÍS SINTO O QUE TÚ SENTES ESTOU CONTIGO.SERÁ POSSIVEL DAR A VOLTA A ESTA COISA?

samuel disse...

Correia:

Há de ser, companheiro... tem que ser!