domingo, 27 de março de 2011

“La Javanaise” – O amor… no tempo de uma canção



Os menos atentos ignoram a simples existência da música francesa. Perdem muito... e há muitos anos! A música francesa continua em grande forma e a produzir espantosos intérpretes e autores.
De entre os mais atentos, alguns conhecem Serge Gainbourg. Infelizmente, muitos só o conhecem por ser o autor e intérprete de uma gravação cantada meias com Jane Birkin, a sua companheira de então, da muito gemida e suada Je t’aime moi non plus, cantiga proibida que tantos suspiros nos arrancou nos idos dos tempos de escola, em finais dos anos sessenta. Só que, conhecer Gainsbourg apenas por esta canção é uma enorme injustiça. Ao longo da sua carreira Gainsbourg compôs centenas de canções que gravou, numa farta lista de discos, canções que se espalharam por versões de outros artistas, num número difícil de calcular. Serge Gainsbourg, também escritor, actor e realizador, foi um grande da música e da cultura de França.

Hoje, mais uma vez, cometo a "graça" de publicar três vídeos de uma mesma canção. É a deliciosa “La Javanaise”. O primeiro vídeo é interpretado pelo próprio Serge Gainsgourg, naquela que deve ser uma das versões mais antigas da canção, do início da década de sessenta. O segundo é recriado pela desconcertante intérprete de jazz Madeleine Peyroux (que parece viver possuída pelo espírito de Billie Hollyday), no seu disco "Half the perfect world", de 2006. A terceira versão – a prova de fogo para demonstrar a minha teoria – é cantada por Alizée Jacotey, uma “lolita” da música pop francesa mais comercial e ligeira, num espetáculo de homenagem póstuma ao autor, realizado já em 2010.

A tal teoria que pretendo “vender-vos” é a de que só propositadamente e com manifesta má intenção... ou irremediável incompetência, se pode destruir uma grande canção. Desde que a versão seja feita e cantada com um mínimo de respeito e amor... há canções que são indestrutíveis. Algumas vão mesmo melhorando com o passar dos anos. Aqui ficam as três versões... entre dezenas possíveis. Elejam a vossa preferida. 
Ah... e escolher a versão da Juliette Greco, não vale. Essa, para além de ser a primeira, é de outro mundo... por isso é que nem a incluí aqui.

Bom domingo!

                                                         "La Javanaise" - Confesso que já estava apaixonado (mas tu não!), meu amor, mesmo antes de ter respirado o teu ar, meu amor. Na tua opinião, o que é que nós vimos do amor? Entre tu e eu... só eu fui “apanhado”, meu amor. Ah... em vão abril me consagra ao amor; o que eu desejava era ver em ti esse amor. Uma vida sem amor, não vale a pena ser vivida... mas foste tu quem quis assim, meu amor.
Não fiques zangada! Enquanto dançamos “La Javanaise”, amamo-nos... o tempo de uma canção.

La Javanaise
(Serge Gainsbourg)

J'avoue j'en ai
Bavé pas vousmon amour
Avant d'avoir
Eu vent de vousmon amour

Ne vous déplaise
En dansant la javanaise
Nous nous aimions
Le temps d'une chanson

votre avis
Qu'avons nous vu, de l'amour
De vous a moi
Vous m’avez eu, mon amour

Hélas avril
En vain me voue a l'amour
J'avais envie
De voir en vouscet amour

La vie ne vaut
D'être vêcuesans amour
Mais c'est vous qui
L'avez voulumon amour

La Javanaise” – Serge Gainbourg
(Serge Gainsbourg)



La Javanaise” – Madeleine Peyroux
(Serge Gainsbourg)



La Javanaise” – Alizée Jacotey
(Serge Gainsbourg)



12 comentários:

relogio.de.corda disse...

Serge Gainsbourg, eu gosto. O Samuel vendeu a sua teoria e eu comprei-a de bom grado.
Quanto às três versões; a original é sempre a original mas, a 3ª, na voz da mademoiselle Alizée n'est pas très mal aussi.
Continuação do bom Domingo.

do Zambujal disse...

O agradecimento dos resistentes francófonos.
Amanhã ouvirei atentamente.

Abraços

Fernando Samuel disse...

Esta minha máquina de vez em quando (com muita frequência) perde o som...
Mas como, de vez em quando (com muita frequência) o recupera.. vou aguardar para ouvir as três versões - das quais só conheço a primeira (e a da Greco, claro)

Um abraço.

Graciete Rietsch disse...

Escolho as três, mas a que me emocionou mais foi a segunda, talvez pelas imagens de Paris mostradas no video."Paris je t'aime"e gosto também muito da língua e do cinema franceses e ,claro, das cançôes.

Um beijo.

Justine disse...

Provaste e demonstraste perfeitamente a tua teoria, e eu, francófona impedernida, fiquei encantada:))
...mas posso continuar a preferir a tal versão "do outro mundo"??
Obrigada

samuel disse...

Justine:

Podes... podemos. É irresistível... :-)))

Abreijos.

Manuel Norberto Baptista Forte disse...

Eu prefiro a versão original, mas jamais (...nem no deserto) fico insensível ao que de muito bom se fez a seguir, porque apesar de muito duro de ouvido, "tocar" em temas marcantes mas com sensibilidade e por gerações posteriores, é algo que só mesmo gostando, tendo conhecimentos, e sobretudo muita sensibilidade, tal se deverá fazer.
Obrigado Samuel, por este óptimo momento, e bom ... Domingo.

Anónimo disse...

a tradução da primeira....
o resto tá bem.
l'Homme à tête de choux vive.
a minha preferida: le poinçoneur des Lilas.
anónimamente eu.

samuel disse...

Anónimo (21:31):

Obrigado!
Achei que aquela coisa de "babar-se", em português não ia ficar lá essas coisas... :-))) :-)))

Também gosto muito do "poinçonneur" e os seus "p’tits trous, des p’tits trous, toujours des p’tits trous...".

Anónimo disse...

en avoir baver: ter passado mal, ter sofrido, etc.
calão.
abraço

samuel disse...

Anónimo (03:02:):

Estava a brincar... :-))) realmente não estou a ver o Gainsbourg a babar-se. Pelo menos naquela fase da carreira. A menos que fosse no fim de um longo ensaio da célebre "Les sucettes"... :-)))
Ah... e não estou a fugir com o rabo à seringa. Não sabia mesmo o sentido daquele "bavé"... daí a volta que levou.

Abraço.

Camolas disse...

Caro Cantigueiro, grandes seleções musicais!!
Visitar-te-ei habitualmente!