domingo, 20 de junho de 2010

José Saramago, Luís Cília, “Contracanto”...




Estávamos em 1968. Luís Cília, o grande divulgador da poesia portuguesa, mostrava-nos em disco (“La poesie portugaise de nos jours et de toujours – 1, de 1967)” e aqui, num programa da TV francesa, este “Contracanto”, escrito por um autor pouco conhecido.

Contracanto

Aqui longe do sol que mais farei
Senão cantar o bafo que me aquece?
Como um prazer cansado que adormece
Ou preso conformado com a lei

Mas neste débil canto há outra voz
Que tenta libertar-se da surdina
Como rosa-cristal em funda mina
Ou promessa de pão que vem das mós

Outro sol mais aberto me dará
Aos acentos do canto outra harmonia
E na sombra direi que se anuncia
A toalha de luz por onde vá.

(José Saramago)

“Contracanto” – Luís Cília
(José Saramago / Luís Cília)

12 comentários:

Maria disse...

Nem sei há quantos anos não ouvia esta cantiga...

Abreijos.

GR disse...

Muito bonito, não conhecia.
A belíssima Voz de Cília.
Bs,
GR

leonardo disse...

Samuel obrigado por evocar a dupla Saramago Cília...no youtube poderá encontrar tb "não me peçam razões" e "Dia não"... uma destas versões foi gravada na escola de Colos.. onde tb um dia você cantou... um abraço

leonardo

Graciete Rietsch disse...

Que lindo!!!!!
Mas o "autor pouco conhecido" já era SARAMAGO.

Um beijo.

Manuel Norberto Baptista Forte disse...

Inesquecíveis ...

jrd disse...

Um documento notável, um dos discos clandestinos da minha juventude, que oiço frequentemente.

linhadovouga disse...

Bonito. Grande escolha para este dia.

Fernando Samuel disse...

E trinta anos depois era Prémio Nobel da Literatura...

Um abraço.

CRN disse...

Samuel,

Toca agradecer-te.

O Puma disse...

Até sempre

Streetwarrior disse...

Olá.
Queria deixar 1 abraço e gostaria de deixar o link do meu novo Blog

http://espirra-verdades.blogspot.com/

A minha 1ª mensagem,é acerca da Dinastia Rothchild e da sua influência na manipulação dos mercados finaceiros,compra de governos e fomentação de guerras desde o Séc 18.
Se puder,gostaria de receber a sua apreciação e ler o seu comentario.

Obrigado
Nuno Guerreiro

Méon, disse...

Belíssima bi-evocação!
Só posso mostrar-me grato!