terça-feira, 8 de junho de 2010

Cavaco Silva – O “agro-patriota”


(Giuseppe Arcimboldo)

Depois de algumas horas de discussão sobre as virtualidades do turismo interno para ajudar ao défice, uma “polémica” patética que só chegou a ver a luz do dia pela necessidade absoluta de certos “socialistas” mostrarem alguma discordância com o actual Presidente da República, este, incansável, tirou mais um láparo da cartola: a nossa intolerável dependência alimentar e o estado andrajoso da agricultura portugusa.

Portugal «precisa do contributo da agricultura», diz ele. Afinal, parece que mesmo nestes tempos "modernos", um país que possa produzir a maior parte do que consome, torna-se menos dependente de terceiros, logo, mais soberano, logo mais digno... com sorte, mais próspero e feliz.

Não posso deixar de concordar com o Presidente da República. O problema é não conseguir abstrair-me do facto de o respeitável cargo de PR ser ocupado pelo cidadão Aníbal Cavaco Silva, que antes de rumar ao Palácio de Belém já fez antes outras coisas na vida.

Num “esforço de memória”, por alturas de 1985 (e mesmo antes...), quando havia já sido consumada a devolução das terras da Reforma Agrária aos latifundiários, pelos delinquentes Soares e Barreto, quando as grandes propriedades agrícolas, agora nas mãos de grandes empresas, ou dos agrários de sempre, começaram a transformar-se em verdadeiras minas para atrair e escoar dinheiros da Europa, a troco de não produzir nada, ao mesmo tempo que os pequenos e médios agricultores, não podendo viver das míseras migalhas que sobravam das fortunas entregues aos grandes, foram definhando e abandonando as explorações, pergunto-me: onde estava então Cavaco Silva? Que fazia Cavaco Silva antes de ser atacado por este surto de “agro-patriotismo?”

Acho que me recordo... de qualquer modo, sei bem o que gostaria que ele fizesse agora...

11 comentários:

Antuã disse...

O Cavaco Guarda-livros cada vez está mais imbecil.

Lídia Craveiro disse...

Realmente, é preciso ter lata. O homem ou é muito esquecido, ou está a tentar fazer-nos parvos. Já se esqueceu o que fez aos fundos comunitários destinados a desenvolver a agricultura e que foram convertidos em jipes e carros de luxo pelos agricultores que todos conhecemos bem.

Graciete Rietsch disse...

E também se esqueceu dos cortes que a UE impôs à nossa produção agrícola, para não falar do crime que foi matar a REFORMA AGRÁRIA.

Um beijo.

Manuel Norberto Baptista Forte disse...

"Que fazia Cavaco Silva antes de ser atacado por este surto de “agro-patriotismo?". Que eu me lembre em tal matéria do então 1º M Cavaco Silva nada fez pela Agricultura durante dez anos em que esteve, como chefe de mais um (des)Governo, pós 25/11/1975. Se o próprio fizer um pequeno esforço de memória (tempo têm-no e suficiente, e até tem acessores) certamente, que a sua acção foi = 0, isto em termos de olhar com olhos de ver para os problemas que a mesma já atravessava, resolvê-los, ou até minorá-los, mas não, foi deixando que os produtos da estranja cá fossem entrando e lá ajudou também a pagar, para abater.
Ele que se entretenha a passear no Palácio de Belém, e a ... apanhar ar fresco.

Suq disse...

è com estas intervenções agropecuárias e pichiculas que o levamos na frente!


O Homem está ora na pesca ora a cavar a cova onde nos eatamos a afundar!

jrd disse...

O que fazia?...
Aplicava as poupanças no BPN, porque o seu negócio era outro.

Fernando Samuel disse...

Cavaco , no seu reinado, foi de uma eficácia tremenda na destruição da agricultura, e das pescas, e etc...

Um abraço.

Pata Negra disse...

Ele sabe bem que já não temos batatas nem tomates para lhe "amandar" à cara! De facto, é preciso ter escárnio e descaramento:
já correram o mundo em férias, sabem que não temos dinheiro para ir ao estrangeiro, e pedem-nos para não irmos; entregaram a agricultura e as pescas aos interesses dos estrangeiros e dão-nos a grande novidade de que já não temos agricultura; fecham tudo o que é serviços na província e dizem-nos que é preciso combater a desertificação do interior; pagam anúncios para estimular o consumo e apelam à poupança; parece que é preciso diminuir as despesas do estado e a frota de Belém tem 120 automóveis... porra! ai se eu não precisasse dos meus tomates!...
Um abraço sem pachorra

correia disse...

Infelizmente o dito cujo não é guarda livros;é professor,para mal dos nossos pecados.Debita teorias para um mundo arruinado,a jovens estudantes que tomarão como bom aquilo que o vendedor lhe forneçeu.
Terá certamente uma estátua no poço ou na fonte de boliqueime não acredito no entanto que a história o absolva.

Cloreto de Sódio disse...

Agora é que as eminências pardas do regime se lembraram que temos hectares e hectares de terras a produzirem... rigorosamente nada. Sou eu que estou maluco ou são eles que são parvos?

Anónimo disse...

Fazia agro-pastorícia. Sobretudo pastorícia