sexta-feira, 4 de junho de 2010

Escolas – Como destruir o tecido de um país



Um jovem casal que estivesse tentado a ficar na aldeia, apesar da falta de todos os serviços públicos, principalmente, de saúde, mas que (assim deus ajude) só são precisos de tempos a tempos... agora, perante o encerramento da escola, que essa é para todos os dias, a escola que ainda ali “segurava” mais vinte jovens casais como eles... irão finalmente embora.

O jovem casal que já se tinha aventurado na cidade ou na vila, mas em que os dois morrem por dentro de saudades da terra, da agricultura que foram educados a amar... agora que sabem não ter escola para os miúdos... já não voltarão.

Para que queremos nós gente no campo e no interior? As “florestas” de eucaliptos das grandes empresas de pasta de papel são bem cuidadas por essas mesmas empresas e as outras florestas mais tarde ou mais cedo ardem... não é?

Os campos estão ao abandono... mas se calhar iriam produzir carne, legumes, pão, fruta e verduras mais caras do que aqueles que se “produzem” nos hipermercados... ou lá onde raio é que aquilo se faz... não é?

Estou bem acompanhado (em número e qualidade) na minha repulsa por esta medida do Governo, que decide cortar brutalmente o número de escolas, sobretudo no interior do país. Mesmo assim, nem me passa pela cabeça tentar dissertar sobre este “sistema de ensino”, por respeito aos leitores que são ou foram professores e os demais estudiosos destes assuntos; mas perante mais este tremendo golpe economicista em que se fecham, cegamente, centenas de escolas, vendo mais uns milhares de crianças tendo que se levantar de madrugada, passar horas em transportes que andarão interminavelmente às voltas até as depositarem nos modernos armazéns de estudantes, amontoadas às centenas, cansadas, desenraizadas, longe da sua comunidade, longe dos amigos, longe da família... assalta-me um pensamento triste:

Não estamos a educar ou a formar esta geração de crianças, mas sim a dar-lhes um treino intensivo para a emigração!

18 comentários:

Graciete Rietsch disse...

Destruir a agricultura, maltratar a floresta, desertificar o interior, fechar escolas, são crimes que fazem sofrer as populações e de que estes sucessivos governos são responsáveis.Mas eles pagarão!!!!!

Um beijo.

salvoconduto disse...

Já faltou mais para encerrarem o próprio país...

Maria disse...

Desconfio que combinaste com o teu amigo de infância anónimo...
Pois é, em vez de abrirem mais escolas onde houvesse crianças (como fazem em Cuba, por exemplo) (esta foi mazinha...) fecham onde não há pelo menos 20. O botas fez o mesmo.

Abreijos.

Swt disse...

Muito bem! É link! É link!

Anónimo disse...

Estamos sim! Os jovens estão a sair do país, como saíram nos anos 60 os assalariados rurais e outros. Somos uma pobreza em todos os aspectos. E tudo isto acontece por falta de vontade politica, falta de planeamento, e cada vez acredito mais que é por pura burrice e incompetente do governo. Começam casas pelo telhado. Também com a qualidade do engenheiro que temos como primeiro ministro, o que é que se pode esperar! É uma pena que não sejam os que votaram neles a sofrer as consequências!

Méon, disse...

Subscrevo inteiramente!
Revoltante!

GR disse...

A desertificação é cada vez maior, tornando a situação muito preocupante.
Saberá o (des)governo e sobretudo a parva da ministra, a mesma que tantas estórias escreveu para os crianças que hoje tão maltrata, o que é sair no Inverno às sete da manhã de uma aldeia Trasmontana? Exigindo que uma criança de 6 anos se levante seis da manhã, vindo para a rua debaixo de fortes nevões, esperando por um transporte que os leva para bem longe da família e da sua aldeia?
Esta fulana deixou de ser escritora, tornando-se uma monstra salazarenta!


Bjs,

GR

O Puma disse...

A insensibilidade

à revelia do poder local

amigona avó e a neta princesa disse...

Sabes Samuel hoje não sei o que mais me dói: a raiva ou a tristeza?!
Estou contigo neste não aceitar mais este golpe contra toda uma geração de crianças e suas famílias. Enganem-se aqueles que pensam que até pode ser bom. Só uma análise objectiva e feita por vários parceiros podia chegar à conclusão de que seria bom fechar determinada escola.Caso contrário não são só as crianças que perdem (e muito!!. São os professores, as famílias, as comunidades e sim o PAÍS, este nosso belo país que continua a ser governado por estes imbecis que NÃO, NÃO foram eleitos por quem votou nele para fazerem isto!
Um abraço Samuel. Continuas a fazer-me muito bem à alma e obrigada pelo teu discernimento.
Abreijos (também à vóvó)...

lp16 disse...

Querem com que o país exista só nas grandes Cidades do recorte Litoral que são o sugadouro que esvazia o Interior cada vez mais desertificado.

Regiões inteiras sem infra-estruturas humanas, clínicas, hospitais, escolas, agricultura e actividades tradicionais a morrer...

É um ciclo vicioso e INSUSTENTÁVEL que obriga as pessoas a deslocarem-se e a permanecerem nas Metrópoles..

Até quando será isto assim>?

Antuã disse...

Encerrem o governo.

Fernando PI disse...

Sabes Samuel, isto é mais uma prova de quem está no poder, não conhece minimamente o país real. Eu vivo numa zona, onde a escola não é só o lugar para os meninos aprenderem a ler e a brincar !
A professora, na maior parte das vezes vinda de fora, é a única visita que os idosos recebem todos os dias. É a que lhe lê as cartas dos filhos emigrados e quem que leva os medicamentos. Sou de um concelho, que nos últimos 20 anos ... por estas e por outras asneiras ... perdeu cerca de metade da população.
Os "senhores" do governo, deveriam levantar o rabo da cadeira em Lisboa e ver como é o país real.
Uma aldeia com escola é uma aldeia feliz ! E não me mintam com a "coisa" de que é melhor para as criancinhas ! Assim "até os santos duvidam"!
Obrigado !

Justine disse...

O Estado está, principalmente, a querer manter a população o mais ignorante possível - quanto mais ignorante, mais moldável, mais passiva...

Ana Martins disse...

Pois estamos, e da maneira que isto (não) vai bem jeitos lhes vai dar...

Pintassilgo disse...

Os crimes desta gente são tantos que nem conseguimos recordar tanta maldade.

Elísio Alfredo disse...

E emigram para onde, Samuel? Sei o que isso é. O meu filho mais novo anda pela Noruega. Há 2 anos atrás ainda eles cá vinham aliciar jovens quadros para os ajudar. Agora acabou o tempo das vacas gordas. Emigram para onde? Um dia destes até podem dize que são engenheiros de qualquer coisa, mas como no estrangeiro não são burros e andam a par, saberão que são engenheiros de 8º ano mal feito... Emigram para onde?

correia disse...

Ouvi dizer por ai que houve um fogo ali p`ró
largo do rato e que ardeu a gaveta onde tinham fechado o "socialismo" ?" Mas quando se julgarem bem seguros....hão-de ruir com estrondo os altos muros..."

Fernando Samuel disse...

Escolas para quê?: quanto mais escolas maior é o défice...

Um abraço.