domingo, 11 de julho de 2010

We shall overcome



A fantástica canção de hoje começou a tomar a forma actual, nos EUA, como canto religioso Gospel, logo por volta do ano 1900. Friso os EUA, pois a melodia que lhe dá origem, poderá ter sido ouvida a pescadores sicilianos, mais de trezentos anos antes, por religiosos alemães, transformando-se então no canto sacro que com alguns desses alemães protestantes viajou para a América do Norte, onde a comunidade negra começou a moldá-la á sua maneira de cantar e de estar na vida e no trabalho duro.

Depois de “descoberta” por estudiosos da música nos EUA, grupo em que se incluía o grande Pete Seeger. Pete não só a deu a conhecer ao mundo, como lhe introduziu algumas “afinações” nas palavras, que talvez tenham contribuído para transformar o singelo “espiritual”, numa avassaladora canção de protesto e esperança (activa), canção que foi “banda sonora” das lutas pelos direitos civis, lutas laborais, etc., etc., em centenas e centenas de manifestações, comícios, piquetes de greve... ou simples concertos de canção de intervenção.

Até hoje, viu centenas e centenas de versões, fez correr rios de lágrimas pelos rostos de gente solidária e determinada a viver num mundo novo. Viu Bob Dylan “apropriar-se” de uma das suas frases melódicas para criar o célebre “Blowin’ in the wind”... o que foi bom! Viu outros utilizá-la despudoradamente para fins em tudo contrários ao seu espírito... o que é execrável.

Quando fui “atingido” por esta canção pela primeira vez, foi exactamente por esta versão que aqui proponho, cantada pela Joan Baez nos anos sessenta do século passado. Nessa altura, quando começava a abrir os olhos e o coração para o que haveria de vir, quando ainda mal começava a descobrir a música portuguesa que mudaria a minha vida e que passaria mesmo a ser a minha vida, esta canção, esta letra, esta voz, ficaram-me gravadas para sempre. Ainda hoje, enquanto escrevo este texto e ouço de novo “We shall overcome”, sinto o arrepiar de pele que senti... bem antes de ter feito vinte anos.

Bom domingo!

Nós venceremos, nós marcharemos de mãos dadas, nós viveremos em paz, nós seremos livres, nós não temos medo, hoje!
No fundo do coração eu acredito, nós venceremos, um dia!

We shall overcome
(Charles Albert Tindley, Zilphia Horton,
Frank Hamilton, Guy Carawan
and Pete Seeger)

We shall overcome,
We shall overcome,
We shall overcome, some day.

Oh, deep in my heart,
I do believe
We shall overcome, some day.

We’ll walk hand in hand,
We’ll walk hand in hand,
We’ll walk hand in hand, some day.

Oh, deep in my heart,

We shall live in peace,
We shall live in peace,
We shall live in peace, some day.

Oh, deep in my heart,

We shall all be free,
We shall all be free,
We shall all be free, some day.

Oh, deep in my heart,

We are not afraid,
We are not afraid,
We are not afraid, TODAY

Oh, deep in my heart,

We shall overcome,
We shall overcome,
We shall overcome, some day.

Oh, deep in my heart,
I do believe
We shall overcome, some day.


“We shall overcome” – Joan Baez
(Charles Albert Tindley, Zilphia Horton, Frank Hamilton, Guy Carawan and Pete Seeger)

10 comentários:

Maria disse...

Lindo!!!!
E não temos medo HOJE nem nunca!
Excelente para começar um domingo (ou outro dia qualquer)...

Abreijos.

Sal disse...

Lindíssima!
E concordo, we shall overcome!
beijinho

Graciete Rietsch disse...

Maravilhosa canção tão adaptada aos dias de hoje. Maravilhosa voz. Maravilhoso Pete Seeger.
Um beijo grande, amigo e camarada, que nos apresentas canções tão lindas, para além das tuas.

Pata Negra disse...

Nós venceremos, nós marcharemos de mãos dadas, nós viveremos em paz, nós seremos livres, nós não temos medo, hoje!
No fundo do coração eu acredito, nós venceremos, um dia!

smvasconcelos disse...

É lindo! Obrigada pela partilha. também me arrepiei.
beijos,

Fernando Samuel disse...

Com coisas destas passa-se um domingo bem passado...

Um abraço.

Justine disse...

Some day!!

samuel disse...

Poesia alentejana:
(TENTOU deixar aqui uns “versos” as 18:30)

Como a sua “identificação” deixa adivinhar que é o costumeiro anónimo dos mil nomes, já conhece as regras da casa e sabe, portanto, onde pode guardar os versinhos manhosos.
Como não demonstra grande inteligência, o que é aliás recorrente, passou-lhe pela cabeça que eu, por distracção, iria deixar ficar aqui “aquilo” a conspurcar o meu texto, a canção e, sobretudo, o espírito que está por detrás deles.
Pode esperar sentado!

anamar disse...

Também me senti bem a ouvi-la no serão da 2...
Abracinho
:))

do zambujal disse...

... e sentimo-nos outra vez,de cada vez, com os tais vinte anos que são os nossos.

Um abraço