sexta-feira, 16 de julho de 2010

Barack Obama & George Bush – Apenas mudou a embalagem



Os afegãos em idade adulta, ou mesmo os mais jovens, poderão ter como certo que já não será no decurso da sua vida que verão o Afeganistão livre das tropas de ocupação, desde que foi divulgada a existência de ferro, ouro, lítio, cobre, etc., etc., em quantidades astronómicas e no valor de milhares de milhares de milhões de dólares.

O mesmo podem esperar os cidadãos do Iraque, pelo menos enquanto ainda houver por lá o que explorar, tanto nas jazidas de petróleo, como no multimilionário negócio da “reconstrução” que empresas norte-americanas dividem entre si... sendo que algumas pertencem a alguns dos responsáveis pela destruição que justifica esta “reconstrução”.

É perfeitamente claro, menos para quem se recusar a ver, que o golpe militar fascista nas Honduras, está coberto de impressões digitais da CIA e dos falcões do Pentágono, que desenharam o golpe em conluio com a estrema direita hondurenha e com o apoio financeiro dos grandes proprietários locais e os ainda maiores proprietários de empresas norte-americanas naquele país.

Ninguém engole a justificação de luta contra o narcotráfico e questões de segurança com que os EUA “explicam” a verdadeira ocupação militar da Costa Rica, com milhares de marines, helicópteros e navios... alegadamente a pedido da "presidenta", uma "socialista" muito chegada à CIA... uma estirpe de "socialista" que nós bem conhecemos em Portugal. Isto a juntar à fortíssima presença militar na Colômbia, com várias bases militares, o apoio incondicional ao assassino Álvaro Uribe, até há poucos dias no poder, a crescente arrogância com que tratam a América Latina como sendo o seu quintal e a agressão constante aos países que, legitimamente, o não permitem.

Entretanto, as movimentações provocatórias e ameaçadoras, no Golfo Pérsico, continuam.

Entretanto, o apoio incondicional aos ultras israelitas, nunca é posto em causa.

E porquê, perguntar-se-á, publicar aqui esta lista de factos mais do que conhecidos? Porque cada vez me é mais difícil entender os ingénuos que andaram e andam a aclamar Barack Obama. Falo apenas dos ingénuos, porque aos que de forma consciente apoiam esta política externa dos EUA, pouco tenho a dizer.

Quando chegará o dia em que a maioria desses ingénuos acabe por descobrir que George Bush e Barack Obama, tirando algumas nuances de estilo e discurso, são apenas embalagens da mesma mercadoria?

Antes que algum comentador me venha lembrar que Obama é “democrata” (o que nos EUA, por vezes, significa ser mais reaccionário do que os nossos mais convictos militantes do CDS), que produz belíssimos discursos e pertence a uma minoria étnica, historicamente oprimida e explorada... eu respondo que vá dizer tudo isso às vítimas inocentes que diariamente morrem às mãos do exército dos EUA e aos povos que, um pouco por todo o mundo, vêem a sua soberania escarnecida e as suas riquezas roubadas e a saírem dos seus países nos bolsos dos “amigos americanos”.

10 comentários:

Maria disse...

Nem mais! Inspiradíssimo estás, mais uma vez...

Abreijos.

Graciete Rietsch disse...

Absolutamente de acordo.

Um beijo.

Antuã disse...

São os ladrões do Universo todo.

correia disse...

ATÉ QUE A ALQUIMIA TRANSFORME MERDA EM OURO OS POVOS DO MUNDO NÃO TERÃO SOSSEGO.

Anónimo disse...

Olhe que não ...olhe que não...

Sempre houve democratas nos EUA, que foram homens e mulheres muito progressistas....

Existe do bom e do mau, como em todos os paises , e em todos os partidos, até no seu....

samuel disse...

Anónimo 10:20):

Presumo então que é isso mesmo que pensa que eu escrevi... que não estou "informado", como você parece estar, da existência de gente boa e gente má em todo o lado... para usar o seu chavão.
É triste... mas de facto, cada um lê como sabe e entende o que pode... :-)

Elísio Alfredo disse...

Não concordo contigo num pequeno pormenor, Samuel, que os factos anunciados sejam "mais do que conhecidos...". Pelo menos aqui em Castelo Branco constato, todos os dias, o zombiismo da generalidade. Mesmo de muitos que têm a obrigação de andar a par.
Um abraço.

Luis Nogueira disse...

O problema do "anónimo" é que ele, além de mais ou menos ágrafo, não digere, i.e., trabalha mal para o lado do neurónio. Parece o Sócrates que, quando o acusam de qualquer coisa que fez, fala logo na Coreia do Norte ou na Mongólia Exterior. É difícil dialigar com gente que continua sempre com o mesmo discurso-cassette mesmo quando lhe mudam o interlocutor. Este espécime que escreve acima é aquilo a que já os tomistas de 2ª ordem chamaavam um "viciado no argumento 'ad hominem'.
Bem sei, bem sei que estou a gastar cera com ruim defunto, mas já o nosso Beato São Francisco nos pedia brandura com a nossa irmã cavalgadura... Isto sem menosprezo para a irmã cavalgadura.

Mas a sério, começa a faltar-me paciência para os vermículos da Internacional Socialista & Associados...

Luis Nogueira

Elísio Alfredo disse...

Ó Luís Nogueira, até podemos dizer como o Anónimo diz, que há anónimos bons e anónimos maus. Até conheço anónimos que passam a vida a lamentar que os outros anónimos não façam como eu próprio, que ponho o nome e ponto final. Assim ficávamos a saber quem é o anónimo desanónimo... Esta foi boa, não!?

Dylan disse...

Acho a sua crítica bastante exagerada. Obama foi uma lufada de ar fresco no panorama da política internacional e estratégia norte-americana:

- são constantes as censuras aos métodos israelitas
- pela voz de Hillary Clinton, os EUA não se meteram no golpe das Honduras
- mais do que uma vez, mostrou-se a favor da criação de um estado palestiniano
- a desmobilização progressiva do Iraque
- a possibilidade do fim do embargo a Cuba
- a criação do primeiro plano de reforma do sistema de saúde americano

Negar isto é cair no discurso dos conservadores norte-americanos e de parte da esquerda europeia, recheada de tiques estalinistas.