sábado, 12 de março de 2011

Novas medidas de austeridade – “Suficientes” por mais quantos dias?


Em mais um acto de miserável provocação, ou como se de uma competição com o PPD-PSD se tratasse, ou então para mostrar, à bruta, à cavacal criatura que não, não «há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos» (como se a cavacal criatura não fosse especialista!), o bando de mentirosos e trafulhas que ocupam o Governo, tentam provar que sabem e podem ser mais neoliberais do que Passos Coelho e os seus pares. Que podem ser mais rasteiros do que a sombra do cão de Angela Merkel.
Depois de várias medidas que foram outras tantas machadadas nas conquistas de Abril e nos direitos dos portugueses (excepto os mais ricos, obviamente!), momentos em que sempre houve, como agora mais uma vez, canalhas como este, prontos a “saudar as medidas”, ou como estoutro, a dizer que “agora sim, vai ser suficiente!”, aí está mais um PECaí está mais um “arrastão” feito aos bolsos, direitos e qualidade de vida dos trabalhadores.
Este acto de miserável provocação, como já disse, revela-se ainda mais cobarde, se atendermos ao facto de tanto Sócrates como Teixeira dos Santos, terem passado o dia anterior na casa das decisões políticas, o Parlamento, onde, numa fantástica demonstração de desprezo pelos deputados, não disseram uma única palavra sobre este novo PEC, feito à medida dos "mercados":


Mais precariedade; despedimentos mais baratos que, afinal e ao contrário do que juraram há meia dúzia de dias os reles mentirosos que estão sentados nas cadeiras de primeiro-ministro e ministro das finanças, serão para todos os contratos e não apenas para os novos; mais impostos; menores gastos com medicamentos; cortes no ensino; cortes nos orçamentos autárquicos; redução de várias prestações sociais; congelamento de todas as pensões; roubo em boa parte delas, e por aí fora... que a lista é longa.
Em todo este rol de medidas, mais uma vez não há uma linha de incentivo à produção nacional, à criação de emprego com direitos, à reanimação da economia, à soberania. Em todo este rol de sacrifícios e sacrificados, mais uma vez não se vislumbram os bancos, as grandes organizações de jogatana bolsista, a Galp, os grandes grupos económicos e os seus donos, com as suas caras de perfeitos alarves mais uma vez escarrapachadas nos jornais, exibindo os seus milhares de milhões conseguidos com a exploração desenfreada de quem trabalha e a fuga generalizada aos impostos. Este é um regime cobarde, apenas capaz de roubar aos pobres para dar aos cada vez mais ricos.
Ainda pensei em “trabalhar” a fotografia da velha parede de tijolos aqui em cima, como se tivesse pegado num spray e ido à rua escrever, a quente, o que me vai na alma... mas por uma questão de decoro, opto por não o fazer. Fica a parede em branco. Fica por conta da vossa imaginação.

11 comentários:

trepadeira disse...

Não imagino nada que,sem descer ao nível da canalha,lá possa escrever.

Um abraço,
mário

salvoconduto disse...

Uma ternurinha ver os tais dos mercados a rir-se e a aumentar os juros da dívida logo após o anúncio.

Já aqui tenho comentado que a vida lhes corre de feição, nem sequer têm medo de esticar a corda...

Às vezes acontecem tsunamis outras vezes não...

E o povo pá?!

Anónimo disse...

A meu ver, os tijolos da parede servem para serem atirados à cara desta autêntica mafia tenebrosa que se instalou no poder e está a destruir, rapidamente e em força, este país que é o nosso.

Campaniça

Justine disse...

A indignação vai crescendo dentro de nós, perante tanta indignidade...

relogio.de.corda disse...

Subscrevo o comentário do amigo Trepadeira. Este texto, sublime, uma vez mais, deixa-me sem comentários.
Está tudo dito nestas linhas.

do Zambujal disse...

O que tu escreveste, no uso da tua imaginação, está excelente.
Reproduziria!

Grande abraço

Suq disse...

Há sempre uma azinheira para o Alentejano, uma tenda para o cigano, o mastro para a bandeira, o governante impostor, a magia da porta de continuidade com a parede de tijolo cru.

Graciete Rietsch disse...

Será que pior é impossível?
De queda em queda cada vez mais nos aproximamos do abismo..

Um beijo.

José Costa disse...

Em momentos de estupefacção perante a arbitrariedade e a pouca vergonha eu costumo exclamar invariavelmente o mesmo: Ai os cabrões!

Anónimo disse...

Samuel
Para quem gosta, como eu, de ver os noticiários e os programas de debate foi ver os "comentadores" todos contra as medidas sócráticas rosadas. O ranhoso do PSD só falou ás tantas a dizer que não apoia as medidas mas, e a moção de censura onde está. Já não sei que mais chamar a estes FDP e só não parto a TV porque não sou sózinho em casa. Nojo e asco é o que sinto por estes piolhosos que só sabem lixar os pobres e indefesos.
Vitor sarilhos

Fernando Samuel disse...

Entretanto, dentro de algum tempo será necessário, ainda, mais um PEC - ou dois, ou três...

Um abraço.