domingo, 6 de julho de 2008

Compromisso (para lixar) Portugal

Periodicamente, a seita de oportunistas que se auto-denomina “Compromisso Portugal”, veste os fatinhos escuros todos iguais, agita os cérebros reaccionários todos iguais e lá produzem umas queixas, ideias ou recomendações, sempre todas iguais.
“Ai que é uma injustiça não poder despedir liminarmente um trabalhador de quarenta anos apenas porque já “ganha muito” para o substituir por um de vinte e cinco anos, a recibo verde e a ganhar 500 euros”.
“Ai que ainda existe uma data de empresas públicas que dão lucro e que o Estado nunca mais privatiza”, etc, etc, etc... “ad náusea”.
Não vale a pena perder tempo com mais exemplos pois já todos conhecemos de cor os queixumes e anseios dos nossos neoliberais, assim como as carreiras milionárias que praticamente todos fizeram a “gerir” empresas do Sector Público, sempre que não têm nada de mais lucrativo para “gerir” no privado.
Talvez para compensar o facto de se terem “descuidado” num rasgado elogio à governação do seu companheiro de ideais, José Sócrates, vêm à pressa reafirmar uma das suas mais recorrentes criticas: “Existe Estado a mais!”, desta vez por intermédio de um dos seus gurus, o inefável António Piolhoso... ou Carrapatoso, ou lá como se chama o tipo, que eu confesso... faço uma certa confusão com os nomes dos parasitas e bicharada aparentada.

sábado, 5 de julho de 2008

Vivam as colectividades populares!



Cheguei agora a casa. Duas e tal da manhã... bonitas horas!
Para descomprimir dos posts "tremendos" que estão aqui para trás e que vou publicando, como costumo dizer, em legítima defesa, hoje volto às Marchas Populares de Almada. Passei lá a noite de Sexta para Sábado, no Pavilhão Desportivo. Agora a coisa é a doer... e logo à noite lá vou novamente de Montemor para o "lado certo" do rio.
As marchas populares, normalmente não têm grandes músicas nem grandes letras. As excepções são poucas e quase todas conhecidas. De qualquer modo, o que me encanta naquele fenómeno não são as músicas, nem os fatos, nem as complicadíssimas coreografias. O que me encanta é a garra, o entusiasmo e dinamismo das colectividades populares.
Hoje ali naquele pavilhão, algumas dessas colectividades apresentam Marchas em que se vê a mistura de origens sociais e onde por vezes quase metade dos marchantes, ostenta aquele tom de "bronzeado" que só se consegue sendo filho ou filha de imigrantes africanos e lá andam eles, gingando as marchas, gritando a plenos pulmões em vez de cantar (isso não é bom), com grandes sorrisos e de mãos dadas com os "caras-pálidas" dos amigos e amigas cujos pais e avós são de cá. Os "branquelas" fornecem os genes do bairrismo castiço. Os "extra-bronzeados" tem um não sei o quê de gingado, que nem eles sabem bem porque têm, pois todos já nasceram cá, mas que dá um toque especial a tudo aquilo.
Vendo aquela cumplicidade, que de alguma maneira há-de contagiar os pais, penso com os meus botões, "Que força extraordinária podem ter as colectividades populares!"
Almada e toda aquela região, pode gabar-se de ter muitas e grandes colectividades a fervilhar de gente e actividades, mas de uma maneira geral no resto do país (salvo as honrosas excepções) é o deserto...
Antes de Abril, demos grande importância à presença e trabalho nessas associações, fizeram-se coisas extraordinárias e trabalho cultural e político de valor inestimável. Depois, por qualquer razão, dispersão, cansaço, sei lá, abandonou-se quase tudo. Foi um erro tão grande!...
E se voltássemos a pensar nisso?

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Esquecimentos convenientes



Eu sei que não sou o primeiro nem o único a ter reparado, mas mesmo já tantas horas passadas sobre a entrevista do Senhor Presidente do Conselho, não pára de me fascinar o facto de dois jornalistas tão topo de gama, de uma estação de televisão tão pública, se terem "ambos os dois" esquecido tão completa e irremediavelmente de dar sequer uma palavrinha ao chefe do Governo sobre o desemprego.
Pronto, eu sei que não deve ser coisa que lhes passe muito pelo cérebro, mas podiam, sei lá... ter pensado um minuto nos cerca de meio milhão de portugueses que estão desempregados e a quem as aldrabices e medidas cosméticas de merda de Sócrates (perdoem-me os dois palavrões) não vêm adiantar coisa nenhuma.
Ou então não foi esquecimento e aí devíamos meditar sobre o assunto muito mais seriamente!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

O menino de ouro do PS (outra vez?!...)



Palavra que tentei ver e ouvir a entrevista de José Sócrates. Ainda bem que não sou cronista, analista ou comentador político profissional, pois agora teria que inventar uma "análise" ou então, honestamente perder o cachet do trabalho.
A verdade é que por qualquer razão que me ultrapassa, a desfaçatez com que Sócrates fala do país virtual que inventou, a arrogância com que vende esse peixe e sobretudo aquela aparvalhada pronúncia que criou expressamente para esconder a sua origem em Vilar de Maçada (nome profético), quando quase todas as pessoas normais têm orgulho na terra em que nasceram, incluindo o seu sotaque, aquela mania repelente (pelo menos a mim, repele) de responder às perguntas em tom de comício, organizar as "respostas" de maneira a serem virtualmente intermináveis para obrigar os entrevistadores a terem que o interromper para fazer as perguntas, umas vezes nem parando de falar para as ouvir, outras fazendo de conta que ouve, mas retomando o que estava a dizer antes... como dizia, este conjunto de qualidades do Primeiro Ministro, tornam física e psicologicamente impossível que eu siga uma entrevista sua até ao fim e mesmo o que ouço e vejo é à custa de muita mudança de canal para "descomprimir".
Para além das causas que são visíveis no país, acredito que alguma desta minha dificuldade se deve a intolerância da minha parte.
Para além das coisas que são visíveis no país, esta é uma das que dificilmente lhe perdoarei.
Em poucos meses, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, transformou-me numa "pior pessoa"!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Crítica "literária" 2




Por estes dias viu a luz mais um insulto à memória de Humberto Delgado, em forma de um livro com o título de "O Exitus de Humberto Delgado". Defende a "teoria" de que Delgado foi morto pelos oposicionistas ao regime de Salazar e tem sido acompanhado por grande foguetório nos sites e blogs ditos nacionalistas. 
O novo livro vai buscar o seu grande rigor histórico ao facto de se basear em depoimentos e experiências pessoais... de agentes da PIDE. Para se avaliar a independência e imparcialidade do autor, um tal João Gomes, este é também o criador e administrador do site "Salazar, o obreiro da pátria" (não coloco o link, porque não quero).
Como hoje tirei o dia para fazer estes dois posts de crítica "literária", o que este triste episódio me sugere está bem claro neste excerto de um poema de Ary dos Santos:

"Foi como se não bastasse
tudo quanto nos fizeram
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam
como se o ódio fartasse
apenas os que sofreram
como se a luta de classe
não fosse dos que a moveram.
Foi como se as mãos partidas
ou as unhas arrancadas
fossem outras tantas vidas
outra vez incendiadas."

É nestas alturas que por vezes, momentaneamente, me assalta uma grande raiva e penso "rais parta a revolução das flores que deixou à solta e a rir esta espécie de canalhas"... mas depois, rapidamente passa, olho para as minhas amigas e amigos, mergulho nos seus olhos, vejo o amor com que fizeram e fazem a História... e volta, serenamente, este apreço e ternura pelos Cravos de Abril.

Crítica "literária" 1





Primeiro foi Santana, o "Menino Guerreiro" do PPD-PSD. 

É só impressão minha, ou nos últimos tempos andamos a ser governados por "cachopos"?

terça-feira, 1 de julho de 2008

Se uma Festa incomoda muita gente...



Esta é a novíssima "FARC-EP". Existem as EPs (entradas permanentes) normais, para toda a gente que quer ir à Festa do Avante e existem estas, especiais para membros das FARC. Mostram este "bilhete" à entrada e é "fartar vilanagem" como tem sido todos os anos...

Intervalo para uma curta declaração:
Eu gostava que os Guerrilheiros das FARC dizimassem os elementos das forças para-militares da Colômbia, do Exército regular, arrasassem quartéis, até um tiro nos cornos do presidente Uribe também não seria mal visto...
Em contrapartida, não concordo com a orientação política e operacional que permite às FARC sequestrar civis, sejam homens, mulheres, ou crianças, para os utilizar como moeda de troca.
De qualquer modo, as FARC não existem para fazer o que eu gosto e em última análise não fui eu a ter, durante anos a fio, milhares e milhares de companheiros, amigos e familiares, presos, torturados, assassinados a sangue frio, pelo simples facto de serem sindicalistas, comunistas, ou em alguns casos, guerrilheiros. Fosse eu colombiano e talvez os meus pontos de vista fossem radicalmente outros!...

Regressando ao tema do post, todos os anos é isto! Uns tempos antes da Festa do Avante, há sempre uns cidadãos preocupados com a nossa segurança, que vociferam contra a presença dos "terroristas das FARC" na Festa.
Este ano quem deu o tiro de partida para a romaria dos ofendidos pela presença dos tais, foi um tal José Assis, vereador do Partido alegadamente Socialista na Câmara do Seixal. Dada a proximidade, entende-se o medo do homem.
O PCP lá tem de vir pela milionésima vez, desmentir a coisa, dizer que o facto de repetir anualmente a mentirola imbecil, não a torna numa verdade... mas nem valia a pena.
Todos os anos a história se repete. Durante uns dias os jornais e blogs começam, num crescendo, a anunciar a coisa, nas vésperas atinge-se a histeria total, depois a Festa abre... e pronto! 
Ninguém consegue encontrar nem sombra do "stand" das FARC e o caso morre, num silêncio embaraçado.
Estou cansado de ver tanta gente humilhada todos os anos, sempre pela mesma "partida" do PCP. Assim sendo, este ano acabo com este mistério a revelo onde diabo podem visitar os "invisíveis terroristas".
É um espaço novo, ainda mal conhecido, reservado a organizações e actividades nacionais, digamos, menos convencionais e as FARC foram postas aí apenas para disfarcar, perdão, disfarçar.
Então é assim: 
Vão até à Cidade Internacional. Aí, encontram um pavilhão "muito giro" que é a Terra do Nunca. Lá dentro está um elevador. Tomam o elevador e descem para o piso "-5", saem, seguem em frente e lá está o "stand" das FARC, mesmo entre uma tasquinha de "gambozinos de coentrada" e outra de "imbecis de escabeche".
Assunto arrumado. Contra FARCs não há argumentos!