domingo, 1 de junho de 2008

Dia Mundial das crianças...



..."filhos de homens que nunca foram meninos".

Quando se quebrará esta corrente sinistra das meninas e meninos que são escravos, operários, mineiros, camponeses, soldados, mortos pela fome ou pelas balas...
Não se deixem levar pela imagem de África estampada no meio desta fotografia. Se rodarmos este "globo" em qualquer direcção, não existe um único continente que não tenha razões para se envergonhar. Muito!

Reincarnação





Manuéééélaaa!!!

Pronto, já está. A D. Manuela lá ganhou aquilo no PSD. Afinal bastaram umas semanas de "cara séria" da D. Manuela para o seu partido ganhar carradas de "credibilidade".
Pergunto-me quantos dias esperarão os que ficaram a "andar por aí" novamente, até começarem a abocanhar as canelas da senhora.
Para já o que interessa é que eles estão com o problema da credibilidade resolvido e que subitamente a senhora não foi a Ministra da Educação e das Finanças que foi, que se transformou numa delicada humanista, social, quiçá democrata e isso é muito bom para os portugueses.
Agora só me falta acreditar nisso, o que deve acontecer, eventualmente, na minha próxima reincarnação, caso eu volte, sei lá... como porta.

sábado, 31 de maio de 2008

Que nunca se ponha a lua de mel



Gosto muito destes dois espanhóis geniais. Serrat e Joaquin Sabina.
Vou partir do princípio que Sabina é o menos conhecido pelo respeitável público deste blogue. É natural de Úbeda (Jaen) e anda nisto há muitos anos. Escreve espantosamente, compõe a condizer e tem uma voz destroçada que me encanta. Portanto vamos deixar o Serrat para outro dia e concentremo-nos no tal de Joaquin Sabina. 
Hesitei muito entre esta cantiga e uma em que faz parceria com Pablo Milanes, que compôs a música. Fica também para outra altura. Esta, a "Noche de bodas", para além do maravilhoso embalo latino-americano, tem pormenores nos versos, que me deixam rendido, como "Que o dicionário detenha as balas", ou "Que ser valente não saia tão caro/Que ser cobarde não valha a pena"...
Como a letra é toda deste calibre, o melhor é lerem-na integralmente e a seguir verem o vídeo, ou o contrário, ou tudo ao mesmo tempo...
Sobretudo, tenham um grande Sábado!

"Noches de boda"
Que el maquillaje no apague tu risa,

que el equipaje no lastre tus alas,

que el calendario no venga con prisas,

que el diccionario detenga las balas,

Que las persianas corrijan la aurora,

que gane el quiero la guerra del puedo,

que los que esperan no cuenten las horas,

que los que matan se mueran de miedo.

Que el fin del mundo te pille bailando,

que el escenario me tiña las canas,

que nunca sepas ni cómo, ni cuándo,

ni ciento volando, ni ayer ni mañana

Que el corazón no se pase de moda,

que los otoños te doren la piel,

que cada noche sea noche de bodas,

que no se ponga la luna de miel.

Que todas las noches sean noches de boda,

que todas las lunas sean lunas de miel.

Que las verdades no tengan complejos,

que las mentiras parezcan mentira,

que no te den la razón los espejos,

que te aproveche mirar lo que miras.

Que no se ocupe de tí el desamparo,

que cada cena sea tu última cena,

que ser valiente no salga tan caro,

que ser cobarde no valga la pena.

Que no te compren por menos de nada,

que no te vendan amor sin espinas,

que no te duerman con cuentos de hadas,

que no te cierren el bar de la esquina.

Que el corazón no se pase de moda,

que los otoños te doren la piel,

que cada noche sea noche de bodas,

que no se ponga la luna de miel.

Que todas las noches sean noches de boda,

que todas las lunas sean lunas de miel. 
   
"Noche de bodas" - Joaquin Sabina
(Joaquin Sabina)


sexta-feira, 30 de maio de 2008

Lição de história




Regra geral, os barbeiros reaccionários, sempre com aquela "ciguêra" do regresso de um Salazar (quando não são mesmo dois), "Que é o que este país está a precisar!", são absolutamente insuportáveis. Já os que têm inclinações progressistas embora assustem um bocadinho os clientes quando se exaltam com "esses fáxistas", sobretudo se estiverem de navalha na mão, aguentam-se melhor. Decididamente, os meus preferidos são os progressistas, mas os calmos, que foram tecendo ao longo dos anos milhares de horas de lugares comuns sobre a carestia de vida, as pensões milionárias dos banqueiros, o Cristiano Ronaldo, a massa que ganha o Mourinho, as mentiras do "Sócras"... e assim nos embalam ali sentados na cadeira, meio acordados meio a dormir... enquanto o tempo passa.
Era nesse estado de espírito de barbearia de bairro que eu estava a ouvir a entrevista do Mário Crespo ao Manuel Alegre, em que este aproveitava para vender o seu peixe sobre encontro, ou comício, ou lá o que é que vai fazer com o Louçã e mais uns amigos um dia destes. Claro que foi aproveitando também para debitar aquelas preocupações que revela quanto às desigualdades sociais, pobreza, precariedade no trabalho, etc, etc, etc... preocupações essas que lhe ocupam uma boa parte dos tempos livres. Nas "horas de serviço" está na Assembleia da República, votando a favor de algumas das leis que têm causado as realidades que "tanto o preocupam".
A dada altura, criticando com voz grave a verdadeira desgraça a que chegou a nossa agricultura e as nossas pescas, por culpa de políticas completamente erradas, tanto da Europa como dos governos nacionais, lembrou que na devida altura houve vozes que previram, avisaram, alertaram para o que se estava a passar, mas a que ninguém deu atenção, como... (aí acordei definitivamente "deixa lá ver quem foi, Samuel") ... por exemplo, o Arquitecto Ribeiro Telles, o então Presidente, Mário Soares e eu próprio (ele próprio) Manuel Alegre. Mai'nada!
Fiquei desolado. Já ninguém liga a coisa nenhuma neste país!

A próxima vez que encontrar algum dirigente do PCP, ou dos Sindicatos, que tinham a obrigação de nessa altura ter dito alguma coisa (e visto isso não disseram), eu é que lhes digo das boas! Ai digo, digo!...

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Sustos, medos e mais sustos



A minha relação com alguns jornais diários tem algo de “carro-vassoura”. Com grandes atrasos sobre a data da publicação, lá vou tropeçando neste ou naquele, dependendo dos gostos do dono do café em que estou. Desta vez calhou reencontrar essa injustificável figura que é Emídio Rangel.
Este verdadeiro Pit-Bull do “socratismo”, defensor e propagandista incansável de todas as medidas do PS e do seu Governo, está visivelmente assustado. Porquê? Simples...
Alguns eleitores que votaram PS (e até de outros quadrantes políticos) estarão, segundo o genial analista, a mudar a sua intenção de voto para o BE e (valha-nos a santa!) para os com... comun... vocês sabem... esses do PCP. Claro que estes eleitores apenas o fazem para “castigar” medidas de um governo que não entendem e não têm noção do perigo que estão a correr com esta sua atitude verdadeiramente temerária, na opinião de Rangel.
Para além de assustar o nosso querido e fofo colunista, este acto dos eleitores é profundamente injusto para Sócrates e os seus irrepreensíveis ministros, pois ao arrepio das notícias de estudos que dão conta da escandalosa e miserável dimensão das desigualdades sociais em Portugal, Rangel consegue ver que em poucos anos foram corrigidas as grandes assimetrias do País.
Aqui, confesso que Rangel consegue despistar-me um pouco. É que mesmo aqueles que imitando a avestruz, enterram as cabeças na areia, têm, quando eventualmente as erguem, uma visão mais clara da realidade do que esta.
Daí a minha dúvida. Se não é na areia, então onde diabo anda o pobre e assustado Emídio Rangel a enterrar a cabeça?

Adenda: Esta crónica de Emídio Rangel foi publicada dias antes da entrevista de Mário Soares, que comentei no post anterior. Só por "pura coincidência" é que os dois abordam o mesmo tema do "perigoso avanço dos comunistas".
Se é pura coincidência, portanto, não pode tratar-se de uma campanha anti-comunista primária e parola a começar a tomar forma, mesmo a esta distância das eleições, coisa que apenas mentes muito mal intencionadas vislumbrariam nesta óbvia e inocente coincidência.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Afinal era a brincar...



O meu pluri-remendado coração já não está calhado para grandes sobressaltos e a verdade é que o Dr. Mário Soares conseguiu assustar-me à séria à conta daquela sua história das preocupações com as injustiças e os mais desfavorecidos a pobreza, as desigualdades e...
Lá fui eu, com os bofes a sair pela boca, ver do que se tratava.
Afinal era rebate falso. Depois de muito foguetório, fumo e efeitos especiais, confirmei evidentemente, embora quase no fim da entrevista, que a real preocupação do Dr. Soares se resume ao facto de os portugueses, descontentes com as politicas do governo, poderem vir a engrossar o número de votantes no PCP e no BE.
Tudo normal, portanto. A Terra continua a girar à volta do Sol e amanhã será outro dia.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Canal da crítica *



Como já sabia que aconteceria, o Sérgio Ribeiro falou bem, claro, sereno, diferente... e pouco!
Convidaram um dos tais exóticos do PC para o debate, mas sente-se o grande incómodo que se instala quando alguém, como Sérgio Ribeiro, fala serenamente de algumas das causas dos problemas que enfrentamos e diz com aquele "ar" muito dele, quando perguntado sobre o que é preciso então fazer, "é precisa outra política!".
Ora isso não é coisa que se vá dizer no meio de tão civilizado salão, onde todos, cada qual à sua maneira, tinham o único propósito de  defender com unhas e dentes o seu sacrossanto modelo capitalista, divergindo apenas no grau de selvajaria, neo-liberalismo ou convencionalismo envergonhado com que ele é imposto. A senhora patusca, "choraminrindo" as virtudes do dito. O ex-arruaceiro Basílio do CDS, agora domesticado pelo tacho gigante, defendendo "o seu" (mais o Sócrates e o Pinho que são governantes como ele nunca viu). O tecnocrata de "centrão" de que não retive o nome, muito articulado mas sem sumo, retrato do estado em que ele e os seus iguais colocaram o país. Aquele totó reaccionário (qualquer coisa Costa), da Lusa,  que falou da plateia apenas para exemplificar como se perde uma grande ocasião de ficar em casa e calado, ruminando Códigos de Trabalho em que "se fosse ainda mais longe".
A Fátima Campos Ferreira não atrapalhou tanto como noutras ocasiões.

Ah... claro que falta o Dr. Medina Carreira, mas esse não conta. Presentemente serve apenas para dinamitar conversas, entrevistas e debates, coisa que faz com garra e estrondo. 
É assim uma espécie de taxista extremamente irritado com o trânsito... mas com um curso superior.

* Um aceno ao Mário Castrim