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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Yuja Wang – Também deve ser bom para o Chopin...


(Yuja Wang by Peter Adamik)
Devo confessar que, não poucas vezes, o excesso de “sofrimento” facial evidenciado por alguns executantes de música, que pode ir da chamada erudita ao jazz (muito dele não menos erudito), tende a deixar-me em stress. Na verdade, ao topar três ou quatro daqueles “sofridos” esgares, que me soem a falso... desmobilizo e tenho o concerto estragado, o que por vezes até é injusto para os executantes, alguns excelentes, mas que, infelizmente para mim, decidiram juntar ao show aquele extra de encenação, para impressionar o público.
Sendo assim, adoro aqueles que verdadeiramente se esbandalham a tocar, como era o caso do Carlos Paredes, ou como é o caso de Keith Jarrett, sem, por um momento que seja, tentarem enganar ninguém... e amo os outros, aqueles que, independentemente do virtuosismo técnico, partilham connosco o enorme prazer de tocar um instrumento. Aqueles que, despudoradamente, tocam música, seja de quem for... como se fosse sua.
E assim chegamos à convidada de hoje, a chinesa Yuja Wang, que no próximo dia 10 deste mês completará 24 anos. A jovem Yuja nasceu em Pequim, onde começou a estudar piano aos seis anos; aos catorze mudou-se para o Canadá, para continuar os estudos... e hoje mora por aí, nos ouvidos de muitos e nos corações daqueles mais atreitos...
Desde que vi este concerto (num canal de televisão que vale a pena) e depois consegui encontrar o vídeo, ainda continuo a não saber o que dizer, a não ser que é muito raro ver uma coisa assim. A Yuja Wang, mais do que tocar como se a música fosse dela, toca-a como se estivesse a compô-la em tempo real, para nós, ainda improvisando algumas passagens e revelando um gozo ao fazê-lo, uma felicidade e um tão desconcertante prazer físico... que pode até ser constrangedor para algum espectador mais puritano.
Não deixem de ver o segundo vídeo, em que a Yuja, ainda criança, toca exatamente a mesma peça, ainda com um "som" de estudante, pose de menina-prodígio... mas revelando já alguns dos tiques de interpretação que viria a aperfeiçoar com o tempo, como é o caso, por exemplo, da maneira de tocar (lá à moda dela) logo o terceiro e o quarto compassos...
Bom domingo!
“Valsa, Op. 64 Nº2” – Yuja Wang
(Chopin)


“Valsa, Op. 64 Nº2” – Yuja Wang (10 anos)
(Chopin)