
Tão lesto como me foi possível, lá fui tirando umas fotografias, durante a palestra de Vítor Constâncio, sobre o estado da nossa economia, economia essa que não pára sossegada, ora andando para os lados, ora andando para trás, ora avançando vertiginosamente... como podem ver pelas duas únicas imagens nítidas que consegui, tal é o frenesim...
Igualmente frenética é a torrente de informações que brota do cérebro de Constâncio a uma tal velocidade, que se não fossem as doses cavalares de calmantes que toma antes de fazer estas comunicações, não apanharíamos uma só palavra, quanto mais uma ideia. Assim a coisa fica insuportavelmente analgésica, mas entende-se praticamente tudo.
A função deste governador tem sido basicamente a de estender a passadeira para as medidas do governo avançarem devidamente "justificadas" pelo Banco de Portugal, mesmo quando vem apenas confirmar coisas que já todos sabíamos e que só o governo não admitia, mas atendendo a que o que um Governador de um banco central pode fazer realmente de decisivo num país integrado na Zona Euro não justificaria nem metade do ordenado que Constâncio ganha no Banco de Portugal, para "merecer" o resto do gordo vencimento o homem tem de fazer estes fretes a José Sócrates.
Ficamos assim a saber que o crescimento vai ser bastante menor do que o "previsto", que a inflação vai ser bastante maior do que a "prevista" e que a existirem variações nestas novas "previsões" será sempre para ainda pior.
A reter, fica a recomendação de nem pensar em baixar impostos, de nem pensar em fazer uma actualização intercalar dos vencimentos daqueles milhares de portugueses que já por vários anos consecutivos vêem o seu poder de compra baixar por serem liminarmente intrujados exactamente quanto à inflação "prevista". Poucas horas depois lá estava na televisão o genial Sócrates confirmando que realmente, "aumentos agora nem pensar pois isso iria prejudicar justamente os que precisam"... (confesso que esta não "apanhei" na totalidade).
Como excepção numa tarde de revelações e previsões negras, uma única boa notícia. Segundo o imparável Constâncio, esta altura é a ideal para o governo lançar reformas e tomar medidas ainda mais restritivas e gravosas, pois dada a dura e generalizada crise, as pessoas podem "compreendê-las melhor".
É essa a chave da questão. Não temos compreendido devidamente os nossos esforçados governantes!






