quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O cavalheiro vai desculpar-me, mas esta "espécie" parece-me estragada...



Eu sei que sou uma daquelas pessoas que o Senhor Presidente do Conselho detesta. Um desses que anda pela vida sem ter o coração suficientemente limpo para ver e reconhecer as maravilhas do novo Código do Trabalho e quanto os trabalhadores lhe deviam estar gratos.
Mesmo assim, há uma pergunta que, na impossibilidade de a fazer directamente nas tromb... perdão, na cara do Ministro das Finanças, faço a alguma alma caridosa que esteja “desse lado” e perceba qualquer coisa de “fiscalidade”.
Vem esta conversa a propósito desta "extremamente moderna" e genial ideia, de um trabalhador mesmo sem o seu consentimento, poder ser pago pela entidade patronal... “em espécie”!?
A minha dúvida é a seguinte e acho que não é tão “exótica” quanto isso:
Se eu for cantar ao serviço de uma qualquer Câmara Municipal que no final do concerto, quando eu for passar o recibo verde, alegue dificuldades de tesouraria e resolva (unilateralmente) pagar-me com sacas de batatas, algum dinheiro e uma fotocopiadora usada, será que posso já deixar alguns quilos de batatas para efeitos de “retenção na fonte”? E na declaração de IRS, o que faço? E quando chegar a altura de acertar contas com as Finanças, posso também pagar com a fotocopiadora, telemóveis, panelas de pressão, cobertores, ou outros artigos que me tenham sido entretanto “pagos” por outras entidades patronais?
E os senhorios, os bancos, a EDP, etc, vão ser devidamente notificados de que poderão passar a receber os nossos pagamentos também "em espécie"?
São muitas questões, reconheço, mesmo sem levar a expressão “pagamento em espécie” para a brejeirice… senão a coisa ainda se complicaria muito mais.
Alguém me ajuda?

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Espírito de... servir-se!


"Durão Barroso critica elites de Portugal por não terem espírito de serviço"
JN - 2008-08-01

Caiu-me “na mão”, durante uma paragem para um café, esta prosa já algo amarrotada do JN.
A frase nada tem de extraordinário ou de novo e todos sabemos que é assim. Basta ver e ouvir os resultados daqueles encontros cinzentos do “Compromisso Portugal” ou apreciar as artísticas danças de cadeiras e tachos dos mais conhecidos representantes dessas elites, para ficar devidamente esclarecido sobre o seu apurado “espírito de serviço”, quer dizer, o quão bem se servem de tudo o que podem.
O que é verdadeiramente espantoso é esta declaração ser feita exactamente por Durão Barroso, o oportunista que tendo ocupado o lugar mais bem colocado da cena política portuguesa, para mostrar esse “espírito”, assim que teve oportunidade de agarrar um empregozito melhor, pirou-se!
Mas também… qual é a minha admiração?! A julgar pelo seu percurso até aqui a especialidade do homem não é realmente "o serviço”.
Ele é mais “servicinhos!...”

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Há sempre algo mais duro que a ditadura!



Ontem, dia 3 de Agosto, andei quase todo o dia com um sorriso esvoaçando à minha volta, por vezes pousando nos meus olhos... muito agradável.
Isto porque ora por me lembrar, ora por ler num jornal, num blog, ver na televisão, todo o dia esteve presente a cena mítica do primeiro take do final do filme de terror que foi a vida de Salazar.
Eu sei que não é bonito brincar com, nem festejar a morte de seres, mesmo dos pouco humanos, mas se Salazar fez, à força, coincidir o fim do seu poder com a sua morte, não se pode condenar aqueles que apenas querendo festejar o princípio do fim da nojenta ditadura se vejam por esse facto obrigados a festejar concomitantemente (e esta?) a morte do nojento ditador.
Há uma coisa que nunca saberei de fonte segura. Se Salazar teve “um troço” porque caiu da cadeira e bateu com a cabeça, ou se pelo contrario, caiu da cadeira e bateu com a cabeça porque teve “um troço”. Nada que me incomode por aí além, já que como em tantas outras coisas, a ordem dos factores é completamente arbitrária e o que conta realmente é o resultado final.
Também não sei, nem entendo, o que é que ao fim de 40 anos anda a fazer a comissão (ou lá o que é) que trata das canonizações. Neste caso, canonizações de peças de mobiliário, mais precisamente, cadeiras.

Mas pronto. Voltemos à vida real, que isto não está para grandes celebrações.
Para terminar este post evocativo dessa grande figura, no aniversário do seu histórico “deslize”, o mais difícil foi encontrar uma música que estivesse à altura da compostura, “gravitas” e recolhimento, adequados à função.
Acho que encontrei!... Esta pacata composição de John Philip de Sousa, parece-me bastante, sei lá... solene.

Venha mais uma semana!

"Liberty Bell"
(John Philip de Sousa)



domingo, 3 de agosto de 2008

Couple Coffee - Alípio de Freitas





Praticamente no início deste blog, há já quase um ano, disse que o disco “Com as tamanquinhas do Zeca” era de entre todos os que foram sendo feitos com as suas cantigas (pelos mais variados artistas) o meu preferido.
Ainda não mudei de opinião. O disco é do grupo “Couple Coffee”. O grupo tem duas almas gémeas, o baixista Norton Daiello e Luanda Cozetti.

Nesta altura dos acontecimentos, já todos os meus visitantes e amigos sabem quem é (e quem foi) Alípio de Freitas. Português, ex-sacerdote católico, emigrado para o Brasil, onde “tantas fez” que acabou na prisão por duas vezes. Da segunda, foi condenado pela ditadura brasileira a mais de cem anos de prisão, dos quais, apesar da tortura, felizmente só cumpriria nove. Hoje (entre outras coisas) é o presidente da Associação José Afonso.
No seu disco, “Com as minhas tamanquinhas”, o Zeca incluiu a cantiga “Alípio de Freitas”, onde conta a história deste homem, que apenas viria a conhecer em 1980.
O que nem todos ainda sabem é que a Luanda Cozetti é filha dele.
No seu disco, os “Couple Coffee” não incluíram esta cantiga. Aliás, a Luanda raramente a canta, pois tem dificuldade em chegar ao fim sem ter a voz embargada…
Esta é pois uma gravação rara, que conta ainda com o músico convidado Júlio Pereira, que muitos caminhos calcorreou acompanhando o Zeca.

Fiquem então com “Alípio de Freitas”, na voz da “miúda da canção”, como um dia lhe chamou o Zeca ("Com a companheira e a filha, Caiu nas garras da CIA").
Espero que gostem… Bom Domingo!

Alípio de Freitas
(José Afonso)

Baía de Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza

Em Maio de mil setenta
Numa casa clandestina
Com a companheira e a filha
Caiu nas garras da CIA

Diz Alípio à nossa gente:
"Quero que saibam aí
Que no Brasil já morreram
Na tortura mais de mil

Ao lado dos explorados
No combate à opressão
Não me importa que me matem
Outros amigos virão"

Lá no sertão nordestino
Terra de tanta pobreza
Com Francisco Julião
Forma as ligas camponesas

Na prisão de Tiradentes
Depois da greve da fome
Em mais de cinco masmorras
Não há tortura que o dome

Fascistas da mesma igualha
(Ao tempo Carlos Lacerda)
Sabei que o povo não falha
Seja aqui ou outra terra

Em Santa Cruz há um monstro
(Só não vê quem não tem vista
Deu sete voltas à terra
Chamaram-lhe imperialista

Baía da Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza.

"Alípio de Freitas" - Couple Coffee
(José Afonso)



sábado, 2 de agosto de 2008

José Afonso



Parabéns, Zeca!

O Dr. José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, que alguns de nós, para facilitar, tratamos apenas por “Zeca”, faz hoje 79 anos.
Um amigo e leitor (Jorge), teve a simpatia de mo lembrar por mail. Agradeço, evidentemente, mas no caso do Zeca não era necessário. Ele faz anos a 2 de Agosto, portanto hoje, um dia depois de mim.
Setenta e nove anos é já uma idade e tanto para qualquer pessoa. Para ele, não!
Fecho os olhos, que é agora a melhor maneira de o ver bem e não vejo um homem de quase 80 anos. Vejo o mesmo brilho nos olhos, o mesmo humor fino, a mesma criatividade incontrolável, a mesma disponibilidade, o mesmo amigo, o mesmo vento de liberdade, a mesma nascente de juventude.
Ouço a sua música e embora muito nela me traga memorias do meu (do nosso) passado, continua sem fatiga a falar de futuro.
O Zeca, para o melhor e para o pior, foi um dos principais construtores daquilo que sou.

Está vivo! Faz hoje 79 anos.

"Traz outro amigo também" - José Afonso
(José Afonso) 



sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Cavaco Silva e o terrivel "suspense"



Esta é uma imagem actual do Cais da Silveira (quem me dera lá estar agora!...), a mais antiga “zona balnear” da incrível cidade de Angra, na açoriana IlhaTerceira.
Depois de termos passado um dia com os nervos em franja, à custa do tremendo “suspense” provocado pelo Presidente Alegadamente de Todos os Portugueses e já que “O drama! O horror!” tinha que ver com os Açores, não resisto a contar uma história relatada numa roda de amigos terceirenses, todos a viver em Lisboa, história essa que pode bem bater-se de igual para igual com a de Cavaco, em termos do tal “suspense” e sobretudo na conclusão.

Diz um deles:
- Malta, lembram-se da Fernandinha?... Aquele monumento... que tinha a mania de andar de bicicleta com aqueles vestidinhos de alças muito rodados e de tecido muito leve, que o vento...
- Lembramos, pá!!! Como é que havíamos de esquecer a Fernandinha?!
- Pois é. Agora a meio de Julho fui lá à terra. Numa das tardes em que fui dar uns mergulhos à Silveira, quando estava mesmo à porta do Caracol, quem é que vem a entrar na rotunda, vinda do Caminho de Baixo, de bicicleta, com um daqueles fantásticos vestidos a voar até... estão a ver? Bom. Parou a bicicleta mesmo ao pé de mim e eu “Olá Fernandinha!” e ela a tentar segurar o vestido “Olá João!”
...
...
...
- Sim, gaita!!! Então e depois? (Perguntam os amigos em coro, completamente desesperados com tanto “suspense”).
- E depois, nada!... Foi só isto!

Magalhães





Para começar, quero dizer que existir um computador portátil, de muito baixo preço, disponível para a generalidade dos mais miúdos (se assim for) é uma ideia interessante, tenha o computador o nome que tiver. 

Mas já que estamos a falar disso...

Dificilmente Portugal (ou mais propriamente a empresa privada parceira dos verdadeiros criadores do computador) irá exportar uma quantidade que se aproxime sequer dos números que nos impingem, pois não há praticamente nenhum país onde não exista uma pequena ou média empresa de montagem de material informático que não possa associar-se à Intel nesta parceria.
Tudo isto é conhecido, tudo é confirmável, sendo portanto impossível que José Sócrates não esteja a par. A dúvida que resta então é sobre que género de pessoa, político, Primeiro Ministro, o que quiserem, é que tem a refinada lata de nestas condições e com estas informações, participar naquele espectáculo "hollywoodesco" do lançamento nacional, mundial, planetário... do Primeiro Computador Português, o Magalhães?

Com esta "falabaratice" toda à volta do maravilhoso "produto do génio luso", fiquei sem perceber se o nome é inspirado no Fernão de Magalhães (que deve estar inocente nesta história), ou se no hiperactivo José Magalhães...