Ontem passou mais um Dia Mundial da Água. Discretamente, a mostrar que os “dias mundiais” disto e daquilo servem para pouco mais do que gerar dois dias de conversas de ocasião sobre os assuntos e algumas poucas boas intenções.
Entretanto, a situação não é animadora. Como se não bastasse o facto de a água potável ser um bem escasso, ou mesmo inexistente em algumas regiões, como se não bastasse o crime continuado de existirem governos que utilizam a escassez de água como arma, cortando-a ou deixando-a correr a conta gotas, a seu bel-prazer, como (só a título de exemplo) o governo de Israel faz aos palestinianos, como se não bastasse tudo isso, o que já seria demais, temos que assistir à incúria ignorante ou conscientemente criminosa, que por todo o planeta envenena, inquina, destrói as escassas reservas de água própria para consumo humano, polui rios, lagos, oceanos.
Daí que hoje seja um facto estabelecido a tragédia humanitária de vermos, por exemplo, que o número de crianças mortas pelo consumo de água imprópria é superior ao número de crianças vítimas de guerras. Quase dois milhões de crianças com menos de cinco anos, todos os anos. Para além dos vários milhões de jovens e adultos vitimados por doenças ligadas ao consumo de águas contaminadas.
Na esmagadora maioria dos casos, bastaria bom senso, luta efectiva contra a miséria, boa governação e investimentos comprovadamente acessíveis à economia mundial, para reverter esta situação... o que nos mostra que a justiça é um bem ainda mais escasso do que a água potável.






