terça-feira, 23 de março de 2010

A morte que se bebe



Ontem passou mais um Dia Mundial da Água. Discretamente, a mostrar que os “dias mundiais” disto e daquilo servem para pouco mais do que gerar dois dias de conversas de ocasião sobre os assuntos e algumas poucas boas intenções.

Entretanto, a situação não é animadora. Como se não bastasse o facto de a água potável ser um bem escasso, ou mesmo inexistente em algumas regiões, como se não bastasse o crime continuado de existirem governos que utilizam a escassez de água como arma, cortando-a ou deixando-a correr a conta gotas, a seu bel-prazer, como (só a título de exemplo) o governo de Israel faz aos palestinianos, como se não bastasse tudo isso, o que já seria demais, temos que assistir à incúria ignorante ou conscientemente criminosa, que por todo o planeta envenena, inquina, destrói as escassas reservas de água própria para consumo humano, polui rios, lagos, oceanos.

Daí que hoje seja um facto estabelecido a tragédia humanitária de vermos, por exemplo, que o número de crianças mortas pelo consumo de água imprópria é superior ao número de crianças vítimas de guerras. Quase dois milhões de crianças com menos de cinco anos, todos os anos. Para além dos vários milhões de jovens e adultos vitimados por doenças ligadas ao consumo de águas contaminadas.

Na esmagadora maioria dos casos, bastaria bom senso, luta efectiva contra a miséria, boa governação e investimentos comprovadamente acessíveis à economia mundial, para reverter esta situação... o que nos mostra que a justiça é um bem ainda mais escasso do que a água potável.

Super Mário (Lino)





Não vou ficar para aqui a tecer teorias sobre as relações que um ministro das obras públicas tem ou não que ter com as empresas que de alguma forma dependem do “estado de humor” do seu ministério, mas é fácil imaginar que essas relações, quando se trata de uma gigantesca empresa cimenteira, poderão estender-se a muitas centenas de grandes obras, valendo muitos e muitos milhões...

A fazer fé nesta notícia, o ex-governante, que ainda há bem pouco tempo deixou a pasta do Ministério da Obras Públicas, Mário Lino (ainda envolvido na trapalhada do “Magalhães”), “poderá” estar a caminho da administração da CIMPOR, por indicação do governo, através da Caixa Geral de Depósitos.

Se for verdade... chiça que o homem é rápido!!!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Alfredo Dinis "Alex"


“Tipografia clandestina” – Gravura de José Dias Coelho

Alfredo Dinis “Alex” foi um jovem militante e dirigente do Partido Comunista Português, no tempo em que isso podia custar a vida. Foi o que lhe aconteceu, apenas com 28 anos de idade, a 4 de Julho de 1945, quando foi assassinado por Salazar.

Quem conhece a sua história não necessitaria deste post... mas quem não conhece não perde nada em ficar a conhecer mais um exemplo de “quanto custou a liberdade”. Aqui fica o anúncio de uma boa oportunidade para o fazer:

Ciclo de cinco debates sobre o Alex e o Partido e a importância dos dois na vida nacional, nas lutas operárias e no Concelho de Loures.
O ciclo de debates acabará com um comício, a 4 de Julho, na localidade onde, exactamente há 65 anos, Alex foi assassinado pela PIDE. No primeiro debate será apresentada uma brochura com informação e documentos sobre Alex. Todos os debates serão acompanhados por uma exposição relativa a Alex.

27/3: Loures, Palácio dos Marqueses da Praia e Monforte, 16h.
Convidado: Domingos Abrantes
Tema: Contexto Histórico

24/4: S.Julião do Tojal, Bombeiros do Zambujal, 16h
Convidado: Albano Nunes
Tema: Organização do Partido

8/5: Santa Iria de Azoia, Casa da Cultura, 16h
Convidado: José Ernesto Cartaxo
Tema: Lutas Operárias

29/5: Sacavém, Sport Grupo Sacavenense - Sede
Convidados: Conceição Matos e José Casanova
Tema: Forças Repressivas e Resistência

19/6: S. Antão do Tojal, Grupo União Lebrense, 16h
Convidado: Gustavo Carneiro
Tema: Imprensa

4/7: Bucelas, Bemposta, G.M. e R. da Bemposta, 15,30h
Comicío com Jerónimo de Sousa, seguido de romagem ao Memorial ao Alex, na Estrada da Bemposta.

José "Forrest Gump" Sócrates Pinto de Sousa



Já que o primeiro ministro, durante umas declarações a propósito da Meia Maratona de Lisboa, ensaiou uma piada (involuntariamente?) dizendo que tinha «muito prazer em atravessar a ponte a pé»... eu sinto-me à vontade para também só por graça, evidentemente, dizer que estava na esperança de que este ano fosse “ao estalo”...

domingo, 21 de março de 2010

Mais uma promessa não cumprida!



Admito que a coisa possa ter tido os seus momentos, aqui e ali, ao longo do dia de ontem. De qualquer maneira, ou eu não entendi bem o princípio da coisa, ou, quem sabe, criei expectativas muito exageradas em relação a esta estória do “Vamos limpar Portugal”... ou então isto foi mesmo um grande fiasco.

É que, até à hora em que estou a escrever isto, o Governo de Sócrates continua em funções!!!

Monika Leskovar - Uma espécie de abraço...



Quando há uns dias divulguei aqui a belíssima guitarrista Ana Vidovic, chamei a atenção para uma sua “cúmplice” musical que no segundo vídeo, gravado quando as duas não teriam mais que 11 ou 12 anos de idade, ameaçava vir a ser violoncelista, tal o empenho que punha no “percurso”. Disse então que voltaria a falar dela. É hoje.

Chama-se Monika Leskovar. Croata, embora nascida na Alemanha, em 1981. Ao contrário da sua amiga guitarrista, que aposta num instrumento e reportório em que apenas necessita de uma cadeira, um microfone... e público, a Monika, com o seu violoncelo, integra-se em orquestras, grupos de câmara, formações e projectos diversos. A sua carreira, desde o princípio, é um desfilar de prémios e um mar de prazer para os sentidos de quem tem a sorte de se encontrar com a sua arte.

Escolhi um vídeo em que está quase sozinha em palco... se é que se pode estar “quase sozinho” quando acompanhado por uma pianista do calibre desta Petra Gilming, com que partilha esta peça musical.

A Monika Leskovar toca com um violoncelo Vincenzo Postiglione, de 1884, que lhe foi entregue pela cidade de Zagreb e pela Filarmónica de Zagreb. Em boa hora o fizeram!

Bom domingo!

“Rapsódia Concertante – 3. Dança” – Monika Leskovar
(B. Papandopulo)

sábado, 20 de março de 2010

José Sócrates – Anedota reciclada








Já todos ouvimos contar pelo menos uma das muitas versões da anedota “Quantos ***** são precisos para mudar uma lâmpada?” A adaptação evidente da batida piada para o nosso Primeiro Ministro é:

- Quantos Sócrates são precisos para mudar uma lâmpada?
- Um. Enquanto segura a lâmpada o mundo todo gira em volta dele...

O mundo pode estar a arder e as pontes a ameaçar derrocada que toda e qualquer pergunta que se lhe faça sobre o assunto tem como único objectivo insultá-lo ou atacá-lo pessoalmente. Mais ainda, a esses modernismos, tipo Comissões Parlamentares de Inquérito, nem dirige a palavra, pois só responde no Parlamento, onde vai de 15 em 15 dias.

Sinceramente... depois de tantas provas dadas, alguém ainda esperaria outra resposta deste PM, que fosse, sei lá, menos demagógica, arrogante... e mentirosa?