segunda-feira, 19 de abril de 2010

Um belo par de jarras



Não vou falar das prioridades no que diz respeito à reconstrução das zonas afectadas pelo temporal na Madeira. É evidente que o alindamento e recuperação da baixa do Funchal, com o objectivo de atrair turistas e alimentar a auto-estima local era um objectivo importante. Foi transformado na prioridade numero um. Sobre os restantes trabalhos de reconstrução, a minha vista de leigo diz-me que as casas continuam no chão, os caminhos escangalhados, as pessoas desalojadas...

De qualquer modo, este texto de “reflexão” pós fim de semana não pretende ir por aí. Assim, destaco apenas três pontos:

1. Os madeirenses estão de parabéns pela sua bonita Festa da Flor.

2. Tanto a Jardim como a Sócrates, ficam-lhes mesmo a matar não só esta súbita “amizade”, como os chapéus de pulha, perdão... de palha.

3. Tenho imensa pena de que estas ausências festivas do Primeiro Ministro nas terras de Alberto João, ou de Cavaco Silva recém chegado da sua forçada digressão europeia, tenham afinal durado tão pouco. Se por qualquer razão, climática ou outra, as suas viagens durassem três ou quatro meses, poderíamos começar a ter uma ideia dos benefícios que as suas ausências definitivas trariam ao país. Assim, só por uns dias, não dá para perceber...

domingo, 18 de abril de 2010

“Desenredo” - Me espanta tudo o que vejo...



Nesta altura do campeonato já toda a gente entendeu que gosto da Roberta Sá. Também... o que é que há pra não gostar? Hoje, a sua brasileira e doce serenidade vem fazer companhia ao já maduro grupo “Boca Livre”, há mais de trinta anos nos caminhos da MPB.

"Desenredo" é uma canção em que gosto de tudo, o que a candidatou, há muito tempo, para integrar este grupo “selecto” das nossas partilhas domingueiras. É hoje.

Bom domingo!

Desenredo
(Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro)

Por toda terra que passo
Me espanta tudo o que vejo
A morte tece seu fio
De vida feita ao avesso

O olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso
Mas quando eu chego
Eu me enredo
Nas tranças do teu desejo

O mundo todo marcado
A ferro, fogo e desprezo
A vida é o fio do tempo
A morte é o fim do novelo

O olhar que assusta
Anda morto
O olhar que avisa
Anda aceso

Mas quando eu chego
Eu me perco 

Nas tramas do teu segredo

Ê, Minas
Ê, Minas
É hora de partir
Eu vou
Vou-me embora pra bem longe

A cera da vela queimando
O homem fazendo o seu preço
A morte que a vida anda armando
A vida que a morte anda tendo

O olhar mais fraco anda afoito
O olhar mais forte, indefeso
Mas quando eu chego
Eu me enrosco
Nas cordas do teu cabelo

Ê, Minas
Ê, Minas
É hora de partir 

Eu vou
Vou-me embora pra bem longe

"Desenredo" - Boca Livre e Roberta Sá
(Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro)

sábado, 17 de abril de 2010

Governo lida mal com um Parlamento em forma de arena. Mais uma vez... dá nisto!...

Vaticano, pedofilia... e as palavras dos outros



O vendaval de escândalo que tem abalado a Igreja Católica, não poupando mesmo o Papa, fez e fará correr rios de tinta. Desatado o nó que as vítimas traziam na garganta, alguns há décadas, soltou-se um caudal de denúncias, que não para de crescer, onde nos são contadas as estórias asquerosas de padres que repetidamente abusaram sexualmente de crianças, nalguns casos não poupando sequer as portadoras de deficiências.

Do muito que se tem escrito, destaca-se, por um lado, a hipocrisia desavergonhada e fria de alguns representantes da Igreja, na sua defesa formal e desapiedada da instituição, desrespeitando as vítimas, por outro, aqueles que, de boa fé, tentam justificar os silenciamentos, encobrimentos e cumplicidades das hierarquias religiosas, embora estejam contra os crimes... e por fim, aqueles que, libertos de peias e fidelidades religiosas mal dirigidas, denunciam sem meias palavras este fenómeno, como sendo um dos maiores crimes dos nossos dias.

Estes últimos, não poucas vezes usam o humor – sim, o humor pode ser uma arma – para melhor ilustrar o seu pensamento. Alem disso, talvez o sopro de liberdade que impele os seus textos, os faça escrever melhor. Apenas três exemplos, lidos aqui pela blogosfera, sendo que apenas consigo identificar a proveniência do primeiro.

1. Pormenor de um texto muito bem escrito, como sempre, no regresso de Rui Vasco Neto ao seu blog, retratando as movimentações do Vaticano: «Um jogo de vergonhas que só ganha quem não tem».

2. Grande “reflexão”: um blogueiro, até admite a possibilidade da existência de Deus... mas sobre este papa é taxativo. «Não existe!»

3. Genial adaptação de um velho ditado popular aos nossos tempos:

«Quem tem boca vaia Roma!»

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ilusões



Quem se der ao trabalho de fixar os olhos nesta imagem, durante alguns segundos, verá que tudo ganha movimento, tudo está a mexer. É mentira! Nada se move. A única coisa que está a acontecer é o vosso cérebro a deixar-se enganar por uma ilusão de óptica.

Vem isto a propósito de um post bem humorado e certeiro do “Cravo de Abril” sobre as inauditas guerras das esquadras “laranja” e “rosa”, com a ajuda esporádica do “comando” do CDS, guerra que tanto “agita” o nosso meio político, judicial, comunicacional... o que afinal também é mentira!

A parafernália de “armamento” dos dois exércitos sociais-democratas - que apenas se distinguem entre si pelo “laranja” e pelo “rosa” – não passa de armamento táctico. São verdadeiros arsenais de estrondosas bombas de lama, que têm como único objectivo esconder o escândalo provocado pelo anterior ataque do “inimigo”, criando um novo escândalo. Tal como as forças policiais e militares reais, também estas “armadas” dão às suas operações nomes sonantes: Cova da Beira, Diploma de Sócrates, BPP, Face Oculta, BPN, Freeport, Submarinos do Portas, o novinho em folha e a fervilhar de novidades, Taguspark, etc., etc., etc... ad nausea.

Ninguém está realmente interessado em fazer justiça, em investigar profundamente, em saber a verdade, em defender elevados valores. Como não sou capaz de deixar uma frase feita “sossegada”, a todas estas lutas pretensamente justiceiras, chamo:

“Ilusão de ética”

Cantigas e estórias...



Daqui a poucas horas farei a pequena viagem que me levará até Alpiarça, ao encontro de um bom punhado desses “maduros” que saem de casa para se encontrarem e falarem destes temas... com este tipo de “artistas convidados”. O Sérgio contará grandes estórias da nossa recente História, eu tentarei ser a banda sonora. Este tipo de “madureza” pode encontrar-se um pouco por todo o país, com uma forte incidência em militantes e simpatizantes da CDU. A tendência (e esperança activa!) é de que a “doença” alastre.

Até logo ainda tentarei encontrar a voz que ontem perdi no Coliseu dos Recreios... mas isso é outra estória.

TGV - Janela de oportunidade de negócio


(Casas típicas da Costa Nova do Prado - Aveiro / Recuperação ou recriação dos velhos "palheiros" piscatórios)

Cavaco silva, salvo uma ou outra excepção, encontrou a forma ideal de mostrar, com grande veemência, a sua profunda discordância com as políticas de José Sócrates e do seu governo: fazer as promulgações... mas contrariado. Aí temos mais uma! O TGV Lisboa/Madrid vai partir, por enquanto para obras, mas Cavaco acha que falta isto e aquilo e, na dúvida... promulga. Contrariado.

Feliz deve estar o Ministro das Obras Públicas Transportes e Comunicações, António Mendonça, um “ex” que, agora livre da grande opressão politico-ideológico-partidária em que antes vivia, logo se viu livre para sonhar, já não com “amanhãs que cantam”, mas com “amanhãs que vão ao banho”. Com o TGV, «Lisboa pode transformar-se na praia de Madrid!» – disse ele há uns dias, numa genial antevisão da vocação de um Portugal guiado pela mão do seu patriótico Governo.

Eu também estou feliz. Se há coisa que me deixa desvanecido (para compensar estas baboseiras que se ouvem) é ver abrir-se uma janela de oportunidade de negócio. Estou ainda indeciso entre três:

1. Alugar barracas de praia.

2. Fabricar e vender bolas de Berlim.

3. Fabricar, empacotar e vender batatas fritas caseiras.

Talvez me decida pela terceira, em homenagem à Costa Nova do Prado, a minha saudosa e aveirense praia da juventude... e o seu slogan que nunca esqueci:

«Baaaatatinha friiita! A menina chora e a mãezinha grita!»

Que irá vender Sua Excelência o Senhor Ministro?!