
Segundo as Nações Unidas, as várias ONGs no terreno e as pessoas de bom senso, refugiado é todo aquele que se vê obrigado a fugir do seu país, por sentir a sua segurança ou mesmo a vida seriamente ameaçadas por motivos que podem ir da cor da pele à confissão religiosa, das convicções políticas à simples pertença ao grupo social "errado", guerras ou desastres naturais.
Ainda segundo estas organizações, devem andar pelo mundo, deslocados das suas terras, vivendo precariamente em acampamentos sem um mínimo de condições, sofrendo toda a sorte de humilhações, fome, doenças, violações de direitos e outras bem mais íntimas, cerca de 20 milhões de homens, mulheres e crianças (dados de 2005).
A estes milhões de refugiados devemos acrescentar muitos milhares de mulheres e homens que, ou porque não tiveram tempo de fugir, ou em muitos casos porque fugir estava fora de causa, povoam as prisões de muitos países, arrostando com as consequências das suas ideias, posições públicas e actos. São os presos políticos.
Não vou cair na facilidade de chocar os leitores com fotografias de campos de refugiados, por contraste com as do jurista refastelado num clube de ténis londrino, nem fazer as contas a quantas crianças daquelas seriam alimentadas e medicadas por um ano inteiro, apenas com o valor do Bentley...
O homem diz que é um refugiado político... e pronto. Será provavelmente um direito que lhe assiste.
O que eu gostava, numa tentativa, talvez muito pateta, de equilíbrio de forças, era que pelo menos alguns dos refugiados "a sério" tivessem igualmente o direito de dizer a Vale e Azevedo (e seus pares), o que pensam sobre o estatuto de refugiado a que ele diz ter direito e sobretudo, poderem dizer-lho na cara.
Quando digo "dizer-lho na cara", quero dizer literalmente na cara, podendo ser de mão bem aberta ou de punho cerrado, conforme a inspiração do momento.