
Hoje, para intercalar nas “idas” até à sala... perdão, até Pequim, para continuar a seguir os Jogos, proponho duas pequenas reflexões sobre jornalismo, ou melhor, jornalistas. A primeira é uma tristeza, mas... paciência! A segunda é igualmente uma tristeza para a qual já vou tendo menos paciência.
A primeira: Relendo uma "Visão" já de aqui “à atrasado” como se diz no Porto, encontro um artigo de uma jornalista (que não vou denunciar), sobre um craque português qualquer (ao qual não vou fazer publicidade), que alegadamente ajudou na campanha de marketing político de Barack Obama e agora estará por cá, para ajudar Manuela Ferreira Leite. O assunto não me interessa rigorosamente nada, mas apenas por acaso, apanhei um pormenor delicioso no texto. Apesar de num destaque do texto se dizer que o homem “vive há mais de dez anos nos EUA”, portanto pouco mais que dez, senão teriam escrito “quase vinte”, presumo, pouco mais à frente, a articulista afirma “apesar de ser muito reservado e pouco conhecido em Portugal (está nos EUA há muitos anos)...” e vai por aí fora.
É isto que acontece quando para alguns dos nossos opinionmakers dez anos é quase metade da sua vida e é portanto compreensível que não ligassem muito a estes problemas quando ainda andavam numa “C+S” qualquer.
É por isso que para alguns deles, de 1990 para trás, não se passou nada. Dez anos, são efectivamente “muitos anos”. Mesmo assim são felizes, como aqueles peixes pequeninos de aquário, que tendo uma memória (em alguns casos) de apenas dois segundos, nadam alegremente milhas e milhas dentro da sua bola de vidro, vendo sempre cenários "nunca vistos" e fazendo constantemente "amigos novos".
A segunda: Exceptuando o PCP, o BE (até onde eu sei, o PS também já "recebeu" os trabalhadores) e algumas excepções individuais, como Batista Bastos... o silêncio embaraçado e algo embaraçoso da parte da maior parte dos jornalistas que têm o seu empregozinho, em relação ao que se está a passar com o “Primeiro de Janeiro”, deixa-me com aquela impressão amarga de que os jornalistas portugueses, enquanto classe, já viram melhores dias!...
Perante este cenário de falta de consciência de classe (ou de coragem, sei lá...), não seria de pensar em deixarem de utilizar entre eles (alguns, como disse) aquele tratamento de “camaradas”?
Chamem-me antiquado, mas para mim, “camarada” é toda uma outra coisa!...
Mais franca, mais solidária, mais camarada...




