quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Sempre o xinguilante jazz

 


Bailarina Negra


A noite

(Uma trompete, uma trompete)

fica no jazz


A noite

Sempre a noite

Sempre a indissolúvel noite

Sempre a trompete

Sempre a trépida trompete

Sempre o jazz

Sempre o xinguilante jazz


Um perfume de vida

esvoaça

adjaz

Serpente cabriolante

na ave-gesto da tua negra mão


Amor,

Vênus de quantas áfricas há,

vibrante e tonto, o ritmo no longe

preênsil endoudece


Amor

ritmo negro

no teu corpo negro

e os teus olhos

negros também

nos meus

são tantãs de fogo

amor.


(António Jacinto · 1924-1991)

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