sábado, 10 de novembro de 2007

Conta-me...


Não, infelizmente a "fotografia" não é minha, é do Goya! 
"Fuzilamento de 8 de Maio de 1808"


Tal como alguns snobs que se gabam de ler literatura estrangeira, mas nas versões originais, snobs, entenda-se, apenas pela "modéstia", também eu costumo ver a série "Conta-me como foi", que passa na RTP1, na versão original da TVE "Cuéntame cómo pasó".

As duas versões pretendem retratar o clima social e político que se viveu a partir dos anos sessenta do Séc.XX, cá e lá. Gosto da portuguesa, acho que gosto um pouco mais da espanhola. Uma faz-me ver a outra e vice-versa...

No último episódio de "lá", o pai-de-família e o irmão, bem em cima da hora da morte de Franco, teceram vários comentários sobre as vítimas da Guerra Civil Espanhola como "os que morreram  pela Espanha e pela Igreja" que foram sepultados com todas as honras pela ditadura e "os outros" que continuam a ser "rojos anónimos que se jodieran".

Em Espanha, pelos vistos, até em simples series de TV, a honra dos caídos pela liberdade e a reconciliação da sociedade, está a fazer o seu caminho (apesar da palhaçada montada pelo Vaticano há uns dias, onde se "fizeram" quase 500 beatos, mas todos do lado de Franco).

Eu já invejava os espanhóis pelo apego e amor que têm à sua música e à sua cultura em geral...

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

A (bendita) 5ª linha









Andava a dizer que não, mas o Manuel Correia do "Puxapalavra" fez o passe com tanto jeito... que lá vai!
Se bem percebi, agarra-se num livro à balda, vai-se à página 161 e transcreve-se a primeira frase completa a partir da 5ª linha. Ora então,

"A arquitectura, a arte civil por excelência, aquela que, entre todas, mais directamente contribui para a felicidade dos povos, a que os governos sempre vigiam como um dos mais vivos interesses nacionais, é em todo o Portugal, mesmo em Lisboa, a negação mais flagrante de todos os princípios da arte e do gosto."
In "As Farpas" de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão
(a edição que tenho é uma prenda muito recente e não, infelizmente não é a da fotografia!)

Não vá o demo tecê-las, não vai ser afinal por mim que a corrente será quebrada. Assim, passo a bola (espero que ainda não tenham sido "atingidos") à Trilby do "Ai o Cócó", à Minerva McGonagall do "Avada Kedavra", à Avelaneiraflorida do "Cantares de Amigo", ao José Gomes do "Chuviscos" e finalmente, ao Fernando Samuel do "Cravo de Abril".

Devo esclarecer que o critério usado para a escolha das "vítimas" foi assaz sofisticado: a eito pela lista abaixo, tentando excluir aqueles que me lembro de já terem entrado na brincadeira.

A ideia




No blog "O Mundo Perfeito", a Isabela lembrou-se de uma cena parlamentar de que eu também me lembro. 
Já há uns meses, num debate na Assembleia (confesso... às vezes vejo os debates), a deputada dos Verdes Heloísa Apolónio, propôs que a vacina contra o cancro do colo do útero fosse incluída no Plano de Vacinas.
José Sócrates fez imediatamente uma "peixeirada" das suas e de mão na anca, pouco faltou para tratar a deputada abaixo de atrasada mental. Que "isso não podia ser", que isso "não se praticava em país nenhum" e mais umas aldrabices que lhe foram ocorrendo na passada.
Agora, com o total descaramento a que nos vai habituando, anunciou exactamente essa medida, como uma grande carta na manga e com aquele sorrisinho cínico e arrogante de quem teve o exclusivo da "ideia".
Não faço ideia do que é que apeteceu a Heloísa Apolónio dizer-lhe ou fazer-lhe naquele momento, mas apoio!
Afinal o problema do nosso Primeiro Ministro que vai ganhando avanço a todos os outros que lhe conhecemos é mesmo um problema de carácter!

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A esperança




"Mas sei que uma dor assim pungente
não há-de ser inutilmente..." 

Esta canção sempre me arrepiou quando a ouvia na época em que o Brasil ainda vivia em ditadura e nós já respirávamos a liberdade.                

          O melhor é lerem tudo (incluindo o link), ouvirem a Elis no vídeo e "adaptarem" livremente como então eu fazia...

O bêbado e a equilibrista
elis regina
Composição: João Bosco e Aldir blanc

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos...

A lua
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens!
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Prá noite do Brasil.
Meu Brasil!...

Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora!
A nossa Pátria
Mãe gentil
Choram Marias
E Clarisses
No solo do Brasil...

Mas sei, que uma dor
Assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança...

Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar...

Asas!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar...




Um certo tom




Ok! Sócrates terá "ganho" o debate com a triste figura do Santana Lopes (grande coisa...).
Mas tirando isso, mesmo entre os seus seguidores, alguém ainda suporta aquela arrogância, aquele leve enfado, aquele particular "tonzinho" de voz?
Ou então aquilo é uma técnica para o pessoal não reparar muito no significado daquilo que diz, enquanto se vai irritando com a forma como o diz...

terça-feira, 6 de novembro de 2007

O "debate"


Que fiasco!
Como diz Jorge Palma, 
"Quero o meu dinheiro de volta!"

Juntas médicas?!





No acto em que "deu" pessoalmente e em público a devida baixa à funcionária Ana Maria Brandão, o Ministro das Finanças Teixeira dos Santos estava com cara (justiça lhe seja...) de quem tinha vontade de partir as trombas à junta "médica" que o pôs naquela situação.
Isso não o livra de ser um dos responsáveis pela criação do clima em que não há canalha que não se sinta no direito e obrigação de se exceder no "zelo", no "rigor", ou no "lambe-botismo" aos chefes.
Não estaria na altura de se saber quem são estas juntas "médicas", com nomes e caras e tudo, para não serem sempre e só as suas vítimas a passar pela humilhação pública da divulgação da sua privacidade em situações de tão grande fragilidade?