sexta-feira, 11 de julho de 2008

Ingrid Betancourt e a "outra" Betancur




Os poderosos "holofotes" de propaganda apontados à agora ainda mais mediática figura de Ingrid Betancourt, passados que são os mais que justificados momentos de felicidade junto da família e amigos, mostram-nos com estrondo que a ex-refém iniciou uma "cruzada" pela libertação (que se deseja) dos restantes homens e mulheres retidos na selva pelas FARC. Para isso, ainda não se sabe se vai utilizar peças de teatro, livros, filmes, séries de televisão, peregrinações a Fátima para somar à peregrinação a Lourdes, se tudo ao mesmo tempo... mas vê-se que a actividade é frenética. Curiosamente, talvez para não aborrecer o seu mais recente "ídolo, herói e benfeitor", o narco-fascista e mandante de assassinos Álvaro Uribe, Ingrid continua a não ter uma palavra para os muitos milhares de colombianos que foram já assassinados por Uribe e seus antecessores e para as suas famílias (muito menos selectas que a sua!...), nem para os milhares de presos políticos que o presidente mantém nas suas prisões, nem para os milhares de "desaparecidos", que só muito raramente aparecem e quando o fazem... é enterrados em valas comuns.
Todos faríamos bem em desviar a vista da brilhante luz dos holofotes que estão sobre Ingrid Betancourt e olhar à volta... para a realidade de um país controlado pelo negócio da droga, pelos assassinos das forças "para-militares", por forças militares regulares e de polícia minadas pela corrupção e ao serviço do capacho da CIA, Álvaro Uribe. 
O que posso fazer hoje para ajudar é, por exemplo, copiar aqui a seguir o post publicado por Vítor Dias, no "O tempo das cerejas", já que é possível alguns dos meus leitores não serem visitantes do seu blog (o que é pena).


E agora solidariedade com

outra Betancur colombiana

(e seu marido)


Uma vez mais graças a uma preciosa informação do meu amigo e camarada Carlos Almeida, é importante que se saiba: nestes dias de regozijo pela libertação de Ingrid Betancourt, há uma outra mulher colombiana também com esse mesmo apelido - só que escrito Betancur (por ser hispânico e não afrancesado) - de seu primeiro nome Sónia que, desde 22 de Abril, vive horas, dias, semanas e meses de angústia e de dor com a sua pequena filha Chiara Rivera.
É que, desde aquela data, não sabem do paradeiro, estado ou situação de Guillermo Rivera Fúquene, seu marido e pai, comunista e membro do Polo Democrático Alternativo que governa o munícipio de Bogotá, e ainda e sobretudo Presidente do Sindicato dos funcionários da autarquia da capital do país.
Foi visto pela última vez no já referido dia 22 de Abril, às 6.30 da manhã, numa rua do bairro «El Tunal» onde tinha ido levar a filha à escola, em Bogotá, onde reside. Uma testemunha e câmaras de video instaladas no local atestam que foi abordado por um grupo de agentes policiais e foi forçado a entrar num carro da Polícia Metropolitana.
Apesar de todas as iniciativas da família e dos seus companheiros e dos apelos de organizações sindicais internacionais (ver aqui comunicado e carta a Uribe da ITUC (International Trade Union Confederation), quatro meses depois do seu desaparecimento, as autoridades dependentes do Presidente Álvaro Uribe não prestam nenhum esclarecimento cabal sobre este drama (que se deseja não se transforme em mais um crime.)
Daqui lanço um apelo sincero à expressão de formas de solidariedade com Sónia Betancur que permitam salvar a vida de seu marido e do pai da pequena Chiara Guillermo Fúquene. E conto, daqui por 15 dias, poder informar os leitores de «o tempo das cerejas» do número de blogues que se referiram a este assunto.
(Publicado por Vítor Dias, em 10.07.08)


Estado da Nação


"Desastre" (1932) - Maria Helena Vieira da Silva


Queria fazer um texto sobre o debate. Durante a pesquisa para encontrar uma imagem que se adequasse, encontrei este "Desastre" da Vieira da Silva.
Como hoje não me sinto capaz se escrever nada daquilo que vocês costumam simpaticamente classificar de "assim e assado, mordaz e com humor e tal"... refugio-me na arte dela e deixo os textos por vossa conta.
Sintam-se à vontade para encher a caixa dos comentários. A casa é vossa!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Refugiados




Segundo as Nações Unidas, as várias ONGs no terreno e as pessoas de bom senso, refugiado é todo aquele que se vê obrigado a fugir do seu país, por sentir a sua segurança ou mesmo a vida seriamente ameaçadas por motivos que podem ir da cor da pele à confissão religiosa, das convicções políticas à simples pertença ao grupo social "errado", guerras ou desastres naturais.
Ainda segundo estas organizações, devem andar pelo mundo, deslocados das suas terras, vivendo precariamente em acampamentos sem um mínimo de condições, sofrendo toda a sorte de humilhações, fome, doenças, violações de direitos e outras bem mais íntimas, cerca de 20 milhões de homens, mulheres e crianças (dados de 2005).
A estes milhões de refugiados devemos acrescentar muitos milhares de mulheres e homens que, ou porque não tiveram tempo de fugir, ou em muitos casos porque fugir estava fora de causa, povoam as prisões de muitos países, arrostando com as consequências das suas ideias, posições públicas e actos. São os presos políticos.

Em Londres, do alto do seu Bentley, da sua vida de luxo e cara descarada de trafulha, o advogado "espertalhaço" Vale e Azevedo, diz-se também "um refugiado político".
Não vou cair na facilidade de chocar os leitores com fotografias de campos de refugiados, por contraste com as do jurista refastelado num clube de ténis londrino, nem fazer as contas a quantas crianças daquelas seriam alimentadas e medicadas por um ano inteiro, apenas com o valor do Bentley...
O homem diz que é um refugiado político... e pronto. Será provavelmente um direito que lhe assiste.

O que eu gostava, numa tentativa, talvez muito pateta, de equilíbrio de forças, era que pelo menos alguns dos refugiados "a sério" tivessem igualmente o direito de dizer a Vale e Azevedo (e seus pares), o que pensam sobre o estatuto de refugiado a que ele diz ter direito e sobretudo, poderem dizer-lho na cara.
Quando digo "dizer-lho na cara", quero dizer literalmente na cara, podendo ser de mão bem aberta ou de punho cerrado, conforme a inspiração do momento.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Mas o tipo não tinha ido embora?!




Pertenço ao número dos ingénuos que pensava ter-se visto livre dessa figura indesculpável que dá pelo nome de Luís Filipe Scolari. Sobre a sua "obra" no futebol nacional pouco ou nada tenho a dizer, pois o futebol pouco ou nada me interessa, o que não é em si (neste caso, em mim) uma qualidade nem um defeito, antes uma característica, embora sempre vá dizendo que me parece não ter conseguido algo sem precedentes...
Na verdade o que eu já não suportava era o chorrilho de spots publicitários indigentes, as entrevistas cheias de idióticas frases misteriosas, as ideias ultra reaccionárias, o patrioteirismo parolo pago (evidentemente) a peso de ouro e a sua mítica psicologia de escaparate de supermercado, tão do agrado de alguns comentadores como útil (dizem) no sacrossanto balneário.
Mas como disse, os ingénuos que como eu, pensavam que tudo isto era passado, desenganem-se. As nossas televisões pelos vistos vão continuar a brindar-nos com as tiradas do "felipão", pelo menos a julgar pela presença reverente e em directo na primeira conferência de imprensa do treinador, agora no Chelsea, numa sala a que já nos tínhamos habituado para seguir de perto o nosso "special one" Mourinho, igualmente ao serviço dessa grande figura de homem de negócios e grande humanista que é o milionário russo Roman Abramovich, que já nem tem sequer acanhamento em admitir publicamente que fez fortuna recorrendo à corrupção e sabe-se lá que outras "habilidades".
Ok!... O bilhar será talvez um bocadinho mais parado e solitário... mas acho que vou ficando por aqui... "à tabela".

terça-feira, 8 de julho de 2008

Armas de destruição em massa



Por muito politicamente incorrecto que possa parecer, a verdade é que tenho uma genuína curiosidade sobre qual seria o resultado de um encontro, troca de impressões, cimeira, o que se quiser chamar, entre o actualíssimo "G8" e a já velhota "G3", essas duas verdadeiras armas de destruição em massa.
Devo esclarecer que embora reconheça o facto de a "G3" já ter dado cabo de muitas vidas, acho que não foram tantas como as que o "G8" e os seus antecessores conseguiram até hoje destroçar e sobretudo, fê-lo de forma muito menos hipócrita!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Mal empregadas árvores!



Por estes dias (ah!... se fosse apenas por estes dias...), se pegarmos em qualquer um dos chamados jornais de deferência, perdão, de reverência (ai!!!...), "de referência" e começarmos a recortar as manipulações, as mentiras descaradas, as campanhas de desinformação, a propaganda do governo, a demagogia de certa oposição, os fretes feitos aos donos, sempre disfarçados de notícias ou artigos de opinião e o desporto, entendendo-se obviamente por desporto o futebol mais o rasto de "lixo" que os seus principais dirigentes vão deixando atrás de si, a promiscuidade com o poder político, a corrupção, as histórias de saias da Carolina (mesmo sem lagarto pintado), a vida íntima dos jogadores e uma ou outra namorada mais "incontornável"... o que é que fica? Pois!...
Por isso é que eu já quase só consulto jornais na net, pela qual, diga-se, pago bastante e assim poupo a vida a uma catrefada de belíssimas árvores.

Cabeças há muitas!...


(Fotografia da figura de cera do museu, ligeiramente "modificada" por mim)

Segundo vários órgãos de comunicação social, um alemão de 41 anos, durante a inauguração do Museu de Cera Madame Tussauds, em Berlim, quando passava na zona em que as figuras representam personalidades da História alemã, não terá "engraçado" com a presença de Adolf Hitler e driblando os seguranças, foi-se ao "fuhrer" e arrancou-lhe a cabeça.
A falta que este radical alemão fez, digamos... aí por volta de 1920!...
É que nem o "Mein Kampf" teria sido publicado e tinha-se poupado... não vale a pena estar a explicar!
Agora vem ligeiramente tarde e francamente, mesmo não devendo esquecer aquela sinistra figura, temos agora outras "cabeças" a que devemos estar muito, muito atentos.