terça-feira, 21 de setembro de 2010

Banco do Vaticano – Lava mais branco?



Desculpava-se um notório pecador: «A carne é fraca... mas em compensação o molho está óptimo!»

Deve ser essa a desculpa do senhor Ettore Gotti Tedeschi, director do Banco do Vaticano, que está a ser investigado por lavagem de dinheiro.

Embora o visado se declare «perplexo», na verdade, o que parece é que o “exemplo" do célebre arcebispo Paul Marcinkus, responsável pelo criminoso descalabro do Banco Ambrosiano, há já alguns anos, afinal fez escola!

José Sócrates & Helena André, Lda. – Um monumento à falta de vergonha



Há dias assistimos a mais uma das inúmeras peças da mais rasteira propaganda, que são a imagem de marca do inútil que faz de primeiro ministro. Desta vez era a pomposa inauguração de mais uma creche, com direito à presença das televisões e ao adereço de mau gosto que é a ex “sindicalista” ministra do trabalho, Helena André.

O demagogo e mentiroso compulsivo aproveitou a ocasião para gabar a obra inexcedível do seu Governo, nomeadamente no que respeita à rede de creches. Chamou-lhe reforma «silenciosa, mas grande», dizendo que Portugal já ultrapassou a meta europeia em termos de cobertura.


Andou bem o “Jornal de Negócios”, que logo no mesmo artigo em que veiculou esta notícia, esclareceu que a creche tão pomposamente inaugurada pelo primeiro ministro, era afinal uma creche privada, construída pelo “Grupo Auchan”, que irá, no futuro, construir mais algumas, sempre junto aos seus hipermercados e para servir, prioritariamente, os seus funcionários.

Isto leva-nos a outro artigo, também do “Jornal de Negócios”, onde se desmonta este mito, ou melhor, esta grande aldrabice, das centenas de creches “criadas” pelos governos de José Sócrates.


Se estes números estão certos, repito: andou bem, o “Jornal de Negócios”!

Como disse a abrir, este homem é um inútil! Quando cair do lugar (mais cedo do que tarde, espero!) as suas “qualificações profissionais” serão tão imprestáveis quanto ele o foi para o país. Terá a sorte, como tantos outros antes dele, de vir a ser recompensado pelo seu trabalho político em favor dos “grupos auchans” e "sonaes" deste mundo, com um qualquer lugar de vogal ou administrador não executivo numa qualquer grande empresa, o que lhe permitirá manter o nível de qualidade do guarda roupa que o fez “o primeiro ministro mais bem vestido do mundo” e, há bem poucos dias, o homem “mais sexy” de Portugal... pelo menos na cabeça das votantes leitoras do Correio da Manhã... e alguns leitores, muito provavelmente.

Adenda: Espero que ninguém venha insinuar que o “Jornal de Negócios” não passa de um panfleto controlado pelos comunistas...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Marcelo Rebelo de Sousa – A velha anedota



Não, não estou a chamar velha anedota ao professor Marcelo. Pelo menos, não desta vez. O caso é que, um pormenor da sua última homilia na TVI me lembrou a velha anedota «Era um general tão estúpido, que até os outros generais deram por isso!»

Veio-me à lembrança esta velha anedota a propósito das queixas do professor sobre o seu “general” Pedro Passos Coelho, o “líder da oposição”, como gostam de lhe chamar alguns “generais” – igualmente estúpidos – da nossa comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa não faz a coisa por menos.

No que toca à peregrina ideia de Reforma Constitucional avançada pelo líder do seu PPD-PSD, discorda de praticamente tudo, colocando mesmo a coisa ao nível do disparate, tiro no pé, infantilidade, ignorância, o que se quiser... isto, claro, no que tem que ver com o sentido de oportunidade («Estamos numa borrasca e o PSD quer vender óculos de sol?»), com algum do conteúdo e com o modo de apresentação da proposta.

No que diz respeito à figura escolhida por Passos Coelho para dirigir os trabalhos de uma comissão (e os seus vários e públicos desencontros) que levaram à elaboração do projecto, o conhecido calhordas Paulo Teixeira Pinto, o monárquico ex banqueiro, ex Opus Dei, ex governante do PPD em governos de Cavaco Silva, aí a coisa ainda piora, pois Marcelo Rebelo de Sousa, se ainda admite, como qualquer pessoa admite, o direito ao cidadão Teixeira Pinto de tentar atirar para a Constituição algumas das suas ideias políticas – por muito estranho que seja ver a Constituição da República “revista” por um monárquico – já no que diz respeito às questões que mexem com direitos dos trabalhadores, relações laborais, estabilidade no emprego e nível de vida, aí o comentador reconhece que nenhum português entende que raio de autoridade moral tem um indivíduo como aquele, nadando em dinheiro ganho nas condições vergonhosas que se sabem, para vir mexer com a vida de quem trabalha.

É por isso que há dias em que gosto de ouvir o professor Marcelo. De vez em quando, acerta... se bem que isso é uma coisa que até os relógios parados são capazes de fazer. Duas vezes por dia.

Execução orçamental... e intolerância



(Post feito a brincar, mas sobre um assunto sério, a propósito de muitos dos comentários sobre os comunistas, que se encontram nas verdadeiras montureiras em que se tornaram as caixas de comentários de alguns jornais “respeitáveis”, na sua versão para a internet, seja sobre a candidatura presidencial de Francisco Lopes, seja pelas opções políticas sobre a economia, seja... sobre o que for)

Embora esteja disposto a admitir o incómodo diário que causamos, confesso que já vai cansando esta eterna mania de nos classificarem como sectários, totalitários e intolerantes, à mais pequena discordância que mostramos para com a ideologia dominante e a política de direita que nos trouxe até ao atoleiro em que estamos, no mundo e no país.

Cansa, primeiro, por ser muito injusto, já que de uma maneira geral, somos uns doces de pessoas; segundo, porque o conceito de “tolerância” é detestável e arrogante. Devemos conviver e dialogar (ou não) com os outros e as suas diferenças... não “tolerar”.

Só para dar um exemplo do meu vasto bom feitio: perante a situação económica e a espessa incompetência dos seus mais directos responsáveis actuais, o que mais se ouve por parte de uma “alegada” oposição, é ruído e pedidos de explicações sobre a “execução orçamental”. Fosse eu o “intolerante” que às vezes por aqui alguns querem fazer crer... e já estaria a borrifar-me para o orçamento e a exigir a “execução”, sim, mas dos culpados pelo estado a que chegámos. Alguém me ouve a exigir tal coisa? Alguém?!

Limito-me a esperar e desejar, tão activamente quanto posso, que os culpados sejam corridos... e isso ninguém me pode levar a mal. Se possível, até pode ser apenas com votos...

domingo, 19 de setembro de 2010

A amizade



Muitos dos meus amigos vieram com as nuvens, com o sol e a chuva como única bagagem. Fizeram a estação das amizades sinceras, a mais bela estação das quatro da Terra. Têm a doçura das mais belas paisagens e a fidelidade das aves de passagem... têm gravada nos corações uma ternura infinita, mas, por vezes, há nos seus olhos um brilho de tristeza.

Então, eles vêm aquecer-se na minha casa e tu, também... tu virás!

Poderás voltar a partir para lá das nuvens e de novo sorrir a muitos outros rostos; dar, à tua volta, um pouco da tua ternura, sempre que alguém queira esconder de ti a sua tristeza. Como não sabemos o que a vida nos guarda, é bem possível que eu já não importe... mas se me restar um amigo que realmente me entenda, esquecerei as minhas lágrimas, as minhas penas...

Então - quem sabe? – irei à tua casa aquecer o coração na tua lareira.


Não, não me deu uma súbita vontade de cometer uma prosa poética. Trata-se apenas da tradução, muito “caseira”, como é hábito, da canção “L’amitié”, da Françoise Hardy da minha adolescência, uma das várias faixas da banda sonora dos (poucos) momentos felizes dessa época tão cinzenta... e por tantas razões.

Eu sei que os médicos me mandam afastar dos doces, mas esta canção e este vídeo são uma tentação irresistível.

Bom domingo!

“L’amitié” – Françoise Hardy
(Jean-Max Rivière / Gérard Bourgeois)

sábado, 18 de setembro de 2010

José Mourinho, Gilberto Madaíl – Uma comédia triste...



Para quem, como eu, aprecia o fenómeno futebolístico com a distância segura do desinteresse, esta démarche do patusco Gilberto Madaíl em nome da Federação Portuguesa de Futebol, é de um ridículo capaz de fazer rir as pedras da calçada... o que só é bom para as pedras da calçada, mais habituadas a chorar por tudo e por nada...

A ir para a frente a ideia peregrina de Gilberto Madaíl, a Selecção Nacional e a “honra” do país seriam salvas, não por um trabalho de base, planificação, treino intenso, grande dedicação colectiva, enfim, um projecto coerente, mas sim por um “salvador”, em part-time, que apenas com o nome e o carisma seria capaz – quem sabe? – de voltar a interessar os jogadores/vedetas na coisa, mobilizar o talento inegável de alguns deles e fazer o milagre da multiplicação dos pontos. Ao que parece, nada feito!

Se este tipo de abordagem aos problemas se limitasse ao futebol, tudo não passaria de uma dor de cabeça para os adeptos com dois dedos de testa... e mais nada. O pior é que tendemos a ir pelo mesmo caminho na escola, nas empresas, nas vidas pessoais e, como se tem visto pelos resultados, principalmente na governação... e isso tem-se transformado, desgraçadamente, numa espécie de imagem de marca portuguesa: “esperteza saloia”, desenrascanço, improviso atabalhoado, mediocridade e aldrabice equiparadas a competência.

Decididamente, se naquela designação de “Federação Portuguesa de Futebol”, os termos “federação” e “futebol” podem ser duvidosos e discutíveis, já o “portuguesa” assenta-lhe como uma luva.

Felizmente existem outros portugueses, ainda em número insuficiente, é certo, mas decididos a trilhar outros caminhos...

Ana Jorge, Sócrates... e os abusos



Quando esta velha vendedeira ambulante, que até há pouco apenas me vendia queijos frescos, começou a tentar impingir-me medicamentos genéricos - “olhe que são baratinhos, freguês!” - desconfiei logo de que ali havia marosca. Isto ainda vai acabar mal, pensei... e acabou!

Uma medida que tinha apenas meses e que permitia aos idosos com parcos recursos obterem os medicamentos genéricos gratuitamente, foi agora cancelada, atingindo mais de um milhão, muitos com pensões de duzentos e tal euros. Claro que, ao que parece e como seria de esperar, uma grande parte dessas velhas e velhos viciosos desataram a ir aviar-se de resmas de medicamentos gratuitos, que depois vendiam por aí... uns para gastar tudo em vinho e na droga, outros para ficarem milionários. Presumo que é destes «abusos» que está a falar a senhora dona doutora Ana Jorge, ministra da saúde, quando justifica o fim da medida social antes adoptada com tanta pompa e exibição de um “socialismo popular verdadeiramente moderno”.

Como disse, quando a velhota começou a vender-me o anti-inflamatório por dois euros, suspeitei que ia dar nisto. Não foi, portanto, coisa que não tenha pensado. Claro que agora fiquei também a pensar umas coisas sobre a senhora dona ministra, sobre o seu chefe Sócrates e as políticas "sociais" do seu governo de “esquerda, socialista, moderno, blá, blá, blá...”, mas por respeito para com a sensibilidade das minhas leitoras e dos meus leitores, não me atrevo a escrever aqui nenhuma delas. Mas lá que me apetecia...