sábado, 25 de setembro de 2010

Conversa de café



- Já sabes do discurso de José Sócrates na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos? – perguntou o meu amigo.

- Já, já… gostei sobretudo da parte em que ele garantiu que Portugal está ao lado dos Estados Unidos nas questões principais da política internacional e no «respeito do direito internacional no mundo» . Presumo que estaria a referir-se ao facto de o Governo português ter estado ao lado dos EUA na invasão ilegal e sob falsos pretextos, do Iraque, contra as resoluções das Nações Unidas.

Tinha já tomado conhecimento de que o pessoal da Universidade iria realizar um "workshop de terapia pelo riso"... só não sabia quem seria contratado para fazê-los rir... para além do patusco ex ministro Manuel Pinho, claro... mas esse já é da casa.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Alicia Alonso - Ovação de pé



Mais de cinquenta anos separam estas duas fotografias de Alicia Ernestina de la Caridad del Cobre Martínez del Hoyo (Havana - 1920), Alícia Alonso, apenas, para os amantes da dança. Antes da captação da primeira imagem, autografada e datada, já ela tinha feito muito caminho na sua arte. De lá até hoje construiu uma carreira cheia, como bailarina e, sobretudo, como criadora e directora do Ballet Nacional de Cuba, instituição artística prestigiada em todo o mundo, independentemente das simpatias ou antipatias em relação às opções políticas daquele país.

Como nos conta o “Cravo de Abril”, por ocasião de mais uma edição do Festival Internacional de Ballet que se realizará em Havana de 28/10 a 7/11 e que ocorre justamente «en el año de homenagen a la prima ballerina assoluta Alícia Alonso» a directora encarregou-se de enviar os habituais convites nestas ocasiões.

Um dos convites, no entanto, está longe de ser habitual. Alícia Alonso resolveu convidar pessoalmente o presidente Barack Obama a estar presente… mas acrescentou convites para o presidente se poder fazer acompanhar pelos cinco cubanos injustamente presos há doze anos nos EUA.

Em primeiro lugar, evidentemente, gostaria muito de saber que estes homens estavam finalmente em liberdade. Segundo, estaria disposto a aplaudir Obama por esse gesto. Terceiro, adoraria ver a cara de alguns babosos “obamaníacos” que, enfim…

Resumindo, a grande Alícia Alonso até poderia “dançar” tão bem quanto eu, pois com este brilhante “fouetté”, “gran jeté”, “battement frappé”, “attitude”… o que lhe quiserem chamar… merece uma longa e sentida ovação. De pé!

Lembra-me uma cantiga do Zeca...








... e poderia continuar por aí fora até encher várias páginas.

Decididamente, passa-se qualquer coisa de errado comigo! Sempre que sou confrontado com um tal volume de notícias contraditórias, guerras virtuais, “irmãos” aparentemente desavindos, facadas nas costas, muito “diz que disse”, tempestades dentro da gamela... é fatal! Em vez de me concentrar para tentar entender, começo a divagar.

Desta vez deu-me para achar que esta cantiga do Zeca tem que ver com tudo isto. Leiam e ouçam... pode dar-se o caso de eu ter razão...

Os eunucos
(José Afonso, in "Traz outro amigo também" 1970)

Os eunucos devoram-se a si mesmos
Não mudam de uniforme, são venais
E quando os mais são feitos em torresmos
Defendem os tiranos contra os país
Em tudo são verdugos mais ou menos
No jardim dos haréns os principais
E quando os mais são feitos em torresmos
Não matam os tiranos pedem mais
Suportam toda a dor na calmaria
Da olímpica visão dos samurais
Havia um dono a mais na satrapia
Mas foi lançado à cova dos chacais
Em vénias malabares à luz do dia
Lambuzam da saliva os maiorais
E quando os mais são feitos em fatias
Não matam os tiranos pedem mais

“Os eunucos” – José Afonso
(José Afonso)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Natureza a duas velocidades



Na Natureza, entre a vida selvagem, é cada vez maior o número de ursos que começam a “pôr-se a pau”.

Entre os humanos também... mas a tão esperada e necessária tomada de consciência avança com uma lentidão desesperante!

Nicolas Sarkozy – A França de novo ocupada... mas pelos nazis “de dentro”



O indesculpável traste que de momento está na presidência da França já fez de tudo para disfarçar o asco que as suas medidas racistas contra a comunidade cigana provocaram por toda a parte. Chamo-lhe racista sem qualquer dúvida, pois não se trata ali de prender ou expulsar um qualquer cigano, ou ciganos, que tenham cometido algum crime, mas de arrebanhar comunidades inteiras, com homens mulheres e crianças (intenção que ficou demontrada num documento interno da polícia), deportando-os a seguir sob uma única acusação que é serem, na sua esmagadora maioria, apenas aquilo que são: ciganos, nómadas, inadaptados... desde que não sejam os bem amados “Gipsy Kings”, claro, que esses ficam bem em qualquer festarola burguesa.

O bandideco tentou de tudo, como já disse. Justificar-se, ser malcriado com os críticos, montar um arraial de gritaria com o elo mais “mole” da UE, o moço de recados Durão Barroso... mas nada feito! Toda a comunidade internacional, se exceptuarmos canalhas como ele e aqui e ali, deputados da estirpe dos portugueses do PPD, CDS e Partido Socialista (??) - que vergonha!!! - foi unânime na condenação pública daquele acto de agressão gratuita a uma minoria étnica, agressão que mesmo assim continuou. Até que ele, ou alguém por ele, se lembrou do truque que, não sendo já original, resulta quase sempre: arranjar mais um escândalozeco envolvendo Carla Bruni, a mulher do presidente, para entreter um certo tipo de público, escandalozecos que, até hoje, o casal sempre soube gerir a seu favor... e como prato forte, para todos os restantes, transformar toda a França em vítima.

E pronto! Desde há dias que aí a temos, a pobre França, aterrorizada por uma difusa ameaça de “fundamentalistas islâmicos” que, como que por milagre, apareceram muito convenientemente. Até agora, as únicas vítimas destes “fundamentalistas islâmicos” misteriosos foram exactamente os ciganos, instantaneamente promovidos a prováveis “protegidos dos terroristas”...

Claro que o presidente Nicolas Sarkozy, num assomo de coragem física e política apenas comparável à “bravura” dos rastejantes generais colaboracionistas do histórico Governo de Vichy da França ocupada por Hitler, já veio mostrar-se firme na resistência aos terroristas, ao mesmo tempo que aproveitou para fazer uma afirmação digna de estudo:

«Continuaremos a desmantelar os acampamentos ilegais, independentemente da sua origem e cultura!»

Portanto, os acampamentos ilegais de suecos, canadianos, neozelandeses, cidadãos dos EUA... e outros que tais, independentemente da origem e cultura, que se ponham a pau!...

De facto há aqui terrorismo, sim, mas é terrorismo de Estado! Terrorismo dirigido por um criminoso capaz de gerir as suas sondagens de popularidade e suspeitas de corrupção ao mais alto nível, à custa do sofrimento dos mais pobres, do monstro da crise, dos medos dos ignorantes e do racismo abjecto da extrema-direita do costume.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Armando Vara – De betão



Na imagem podemos ver Armando Vara, no tempo em que só tinha olhos para o Millennium BCP. Entretanto, o insuperável ex governante do PS acaba de “cimentar” mais um pouco a sua fulgurante carreira de gestor emérito. Foi colocado na administração da Camargo Corrêa, a gigantesca cimenteira brasileira, que para além de controlar uma boa parte da “nossa” Cimpor, tem vastos interesses em África, na área da construção, mas não só.

São esses interesses que Vara vai servir, mais concretamente em Moçambique e Angola. No lugar que agora ocupa (chairman, como ele diz... e que sempre é uma coisa mais fina), Vara terá que contactar, para além dos grandes patrões brasileiros, com empresários e, sobretudo, altos quadros dos dois países africanos.

Tripudiando a honra de milhões de brasileiros, moçambicanos e angolanos, que fazem o que podem para ganhar a sua vida honestamente e com lisura de processos, quem escolheu Armando Vara para este lugar de administrador, parece ter dado como adquirido que, para muitos desses empresários e altos quadros, o facto de o “famoso” gestor português ser arguido num processo de corrupção ainda não totalmente investigado nem julgado... deve ser “para o lado que eles dormem melhor”... se não for mesmo uma vantagem.

Infelizmente, são bem capazes de ter razão.

A política da treta é linda!!!


(A administração deste blogue agradece infinitamente ao "Photoshop" a possibilidade de inventar estas imagens... mesmo não "pescando" praticamente nada do assunto... ignorância que é compensada por uma inexplicável pachorra)

O primeiro ministro, a ministra do trabalho, o ministro das finanças e, de uma forma geral, todo o governo, tratam os pobres, os pensionistas, desempregados e todos os beneficiários de qualquer apoio social, como se fossem vulgares criminosos. Dizem os psicólogos que a isso se chama “projecção”. Trata-se, segundo eles, de um mecanismo de defesa com que alguns indivíduos “projectam” nos outros os seus próprios pensamentos negativos, vícios, actos inaceitáveis, desejos, motivações. Eu, como não sou psicólogo, digo que se trata de simples pulhice!

Eles aí estão, de armas assestadas a mais de metade dos portugueses, à procura do menor pretexto para lhes reduzir o abono de família ou a pensão, retirar o subsídio de desemprego e restantes apoios sociais, na mira de conseguir espremer dos mais indefesos uns milhões com que possam ajudar a disfarçar a sua incúria e incompetência na gestão do país, incúria que os faz “incinerar” dia a dia milhões de euros em inutilidades ou em favores.

Nada os faz parar. Enquanto continuam a chegar a casa de milhares de beneficiários, cartas de cariz ameaçador, acenando com o corte total dos apoios, caso os cidadãos não permitam o acesso total às suas contas bancárias (e dos seus familiares!!!), depois da peregrina ideia de obrigar milhares e milhares de pessoas a fazerem “prova de rendimentos” obrigatoriamente pela internet... tal como se previa, aí está o caos instalado. Os serviços estão entupidos, as filas são incontroláveis, há quem passe todo o dia à espera e tenha que voltar para casa sem ter sido sequer atendido, os funcionários estão esmagados pela multidão e pelo “crash” de todo o sistema e... – oh! Quem havia de dizer?! – mesmo os poucos cidadãos que se achavam habilitados a fazer a coisa pela bendita internet, não o podem fazer, porque a dita cuja não funciona, como acontece sempre que os miseráveis serviços públicos por internet são acedidos por mais do que “meia dúzia” de pessoas ao mesmo tempo. Parece que todo o sistema informático é violentamente atingido pelo famoso “choque tecnológico”... e vai abaixo.

A mente brilhante (alguns chamar-lhe-iam apenas besta quadrada) que inventou esta medida e que, sobretudo, não desistiu dela a tempo, perante o coro de críticas e avisos que imediatamente se gerou, está de parabéns!

Claro que como o “choque tecnológico” do engenhoso José Sócrates funcionou tão extraordinariamente, já vem aí a “Agenda Digital”. Podemos então começar a preparar as habilidades que sabemos fazer com os dedos...