sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Encobrir, encobrir, encobrir...



Não, ainda não estamos (nem estaremos!) na fase do “sol aos quadrados”. Por enquanto ficamo-nos por um eclipse... ou quando muito, vá lá... sol muito encoberto.

Sócrates e o Governo não precisam sequer de fazer seja o que for (haverá dúvidas de que fez?). Nestas ocasiões existe sempre à mão um qualquer homem de mão disposto a interpor o que for necessário para defesa dos chefes, neste caso o senhor Rui Pedro Soares, da PT, uma espécie de "boy" do PS.

O que já começa a ser extraordinário e inexplicável é que tanto o Primeiro Ministro como o seu clã não entendam que, tal como em casos anteriores e a menos que as revelações do “Sol” fossem decididamente mortais, este estrondo provocado pelo silenciamento de um jornal, para além de ser um grande favor ao próprio jornal, provoca mais estragos do que qualquer coisa que lá viesse publicada. Aliás, neste caso nem se poderá falar de silenciamento do jornal, mas sim de tentativa, já que, ostentando a incompetência espessa que alastra nas hostes, os interponentes da providência cautelar tudo fizeram para notificar o "Semanário Sol"... acabando por falhar pateticamente o objectivo, entregando a notificação, ao que parece, a um porteiro.

Decididamente, o cidadão José Sócrates tem certamente várias qualidades ou características, das quais uns gostarão e outros não, mas algumas outras... não tem! Se, por exemplo, fosse um homem muito inteligente, já se teria dado por isso.

Este Governo, o estado a que está a chegar e as aventuras e estórias que rodeiam e salpicam a sua principal personagem, lembram-me a classificação que dei a um “restaurante” com o qual, há muito tempo e na companhia de amigos, tive a infelicidade de colidir: «É pior a ementa que o cianeto!»

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Para credibilizar o partido, a democracia e a política em geral



«Eu digo aqui peremptoriamente que não estou nessa corrida por uma razão muito simples. Fui eleito para o Parlamento Europeu há pouco mais de quatro meses e, portanto não faria sentido neste momento que me candidatasse à liderança. Seria um mau sinal para a democracia».

Paulo Rangel, 29 de Outubro de 2009, na RTP1


Quando no fim de Outubro do ano passado ouvi esta frase dita “peremptoriamente” por Paulo Rangel (aqui copiada do “Arrastão”), a questão deixou de ser se ele iria ou não candidatar-se ao lugar… mas sim quando é que o faria. E pronto! Foi agora. Devido a «condições extraordinárias».

O PPD terá assim que escolher entre a fúria neoliberal com que Passos Coelho transformaria Portugal numa empresa privada, a “espécie de coisa nenhuma” que é Aguiar Branco… e esta ventoinha de demagogia e chavões do tamanho de prédios… que é Paulo Rangel.

O meu problema não é a entrada em cena de mais um mentiroso nem são as frases feitas (algumas sujas) com que o ainda eurodeputado vai inundar os media durante a sua campanha para a liderança do PPD, ou, se a conseguir ganhar, os comícios delirantes que produzirá em futuras eleições legislativas. Não! O que é trágico é o timbre de voz com que tudo será dito. É um raio de um som capaz de arrasar os nervos a qualquer mortal! Uma boa definição de pesadelo será a possibilidade de um entendimento pré-eleitoral com o CDS, que resulte numa reedição da AD e que acabe em comícios “a duas mãos”… com as vozes de Rangel e Paulo Portas guinchando pelos telejornais e altifalantes de norte a sul do país. Haja tímpanos!

Buracos há muitos...






Quanto mais vejo e ouço os desenvolvimentos da governação PS, do perfil nebuloso do seu chefe, da vergonha da “face oculta”, da gorada negociata da TVI, que nem por ter ido água abaixo deixou de produzir alguns dos efeitos desejados, mais gosto da nova definição de Sócrates, para classificar algum jornalismo e que as televisões fazem o favor de estar constantemente a repetir: o “jornalismo de buraco de fechadura”.

É um verdadeiro maná! Já deu para fazer uma enorme lista com nomes fantásticos para os cursos de Sócrates, alguns dos seus parceiros de aventuras, membros da família, os seus diplomas, quase todas as políticas do seu Governo... a todos correspondendo igualmente um buraco disto, um buraco daquilo, um buraco daqui, outro dacolá...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Desencontro



De repente apeteceu-me ouvir esta canção de António Gedeão, musicada por José Niza. Dedico-a a todos aqueles que por vezes se sentem perdidos entre as multidões, entre o som confuso das conversas de circunstância, dos discursos tão profusos quanto mentirosos, da frieza do protocolo social... sós.

Não existe nenhuma outra versão da canção para além desta, do disco “Fala do homem nascido”, gravado em 1973, cantada pela Tonicha e por mim... quando tinha exactamente 21 anos e ela era uma moçoila de 27 extensamente loura...

Desencontro

(António Gedeão/José Niza)

Que língua estrangeira é esta
Que me roça a flor do ouvido
Um vozear sem sentido
Que nenhum sentido empresta

Sussurro de vago tom
Reminiscência de esfinge
Voz que se julga ou se finge
Sentido, e é apenas som

Contracenamos por gestos
Por sorrisos, por olhares
Rodeios protocolares
Cumprimentos indigestos

Firmes apertos de mão
Passeios de braço dado
Mas por som articulado,
Por palavras, isso não

Antes morrer atolado
Na mais negra solidão.


"Desencontro" - Tonicha e Samuel
(António Gedeão/José Niza)

Durão Barroso – De criminoso de guerra a vendedor de consensos



Sempre que o grande capital, sente no ar as lutas e reivindicações que aí vêm e pressente que pode ter ido longe demais no roubo e espoliação dos trabalhadores e dos estados que estão sob o seu jugo, dá ordens aos seus fiéis criados que, de momento, estejam à frente desses estados, para apelarem à “unidade de todos” como única forma de vencer as crises. Todas estas campanhas de pendor “patrioteiro” são antecedidas dos anúncios mais aterradores sobre o que de terrível acontecerá, se não nos empenharmos todos, anúncios normalmente feitos por “autoridades na matéria”, tanto nacionais, como internacionais.

Ainda há dias foi a vez destes dois. Agora, assente a poeira das ameaças de catástrofe vindas de todos os lados, foi a vez de Durão Barroso apelar a um «consenso partidário».

Para além de pensar que este patético e inútil resíduo do maoismo, arvorado em grande europeu, se tivesse um pingo de vergonha na cara nunca abriria a boca para falar de Portugal nem da sua situação política ou económica, devo dizer que acho estes apelos pouco mais que lixo.

Salvo em casos de guerra declarada (e mesmo assim nem todos), os países não precisam de cidadãos transformados em rebanhos dóceis vivendo a mentira de estarem todos a puxar para o mesmo lado, por mais que o grande capital e os seus criados chamem a isso unidade ou consenso, para melhor irem enchendo os bolsos.

O que o país precisa, não é de consensos acéfalos e de resignação, mas sim de opções políticas claras. Quando as opções que foram seguidas no passado, como nos últimos mais de trinta anos da nossa História, se mostram tão erradas a ponto de terem deixado o país e os trabalhadores neste estado de exaustão, devem ser abandonadas, enterradas juntamente com a podre “alternância” que nos trouxe até aqui... para darem lugar a uma verdadeira alternativa.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Nuances de branco



Segundo li algures, os esquimós têm várias dezenas de vocábulos para definir outras tantas nuances de branco. Pensando bem, é natural. É praticamente todo o seu mundo.

Imagino que tenham um nome fantástico para definir esta nuance... quase apenas um efeito de luz...

Grandes cabeças!



Em consequência de uma necessária ida a Lisboa, viagem sem história, tarde chuvosa, cinzenta e, há que dizê-lo com toda a frontalidade, chata, cheguei a casa bastante aporrinhado... mas em boa hora. Logo ao ligar a televisão tive direito a um verdadeiro flash de comédia que iluminou o meu fim de tarde invernoso.

O deputado José Pedro Aguiar Branco, aquele senhor que parece sempre estar a preparar-se para nos impingir uma casa da Remax, mas que afinal é líder da bancada parlamentar do PPD, estava dando uma conferência de imprensa em que nos informava das intenções do seu partido em chamar ao Parlamento, para serem ouvidas pela Comissão de Ética, várias pessoas, como José Eduardo Moniz, Manuela Moura Guedes, Mário Crespo, Armando Vara e outras, representando algumas empresas ligadas ao fenómeno (negócio) das comunicações e informação que, no entender dos social-democratas, podem ajudar a esclarecer o estado em que está o exercício da liberdade de expressão no nosso país.

Como estamos a falar do mesmo partido que ainda há bem pouco tempo, durante o meteórico governo do inexplicável Santana Lopes, tratou de correr da televisão, ironicamente, a TVI, o seu militante e destacado comentador Marcelo Rebelo de Sousa, pensei que se tratasse de um ataque agudo de falta de vergonha na cara... mas depois pensei melhor.

O PPD-PSD é actualmente dirigido por uma pessoa multifacetada, uma política e intelectual complexa, cujas iniciativas e a profundidade das ideias que elas transportam, não estão ao alcance de qualquer um.

Assim, seria importante perceber se a Dona Manuela Ferreira Leite está interessada no tipo de liberdade de expressão que é possível exercer em 6 meses de democracia... ou durante os restantes 6 meses em que a democracia é suspensa. Seria importante saber se está a referir-se aos dias em que os jornalistas podem publicar o que bem entendem, ou se está a pensar nos outros dias em que, segundo ele própria, «não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite.»

Tirando isso, não me ocorre assim mais nada...