sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Cavaco Silva, atento e alerta



Leio de raspão num jornal qualquer pousado numa mesa de café, que Cavaco Silva, de visita à Polónia, diz estar muito atento a uma coisa qualquer. Ainda pensei ler a notícia, mas confesso que já não tenho energia para acompanhar este frenesi do Presidente. Dia sim dia não, ou está muito atento a uma coisa, ou então alerta alguém, ou mesmo todos os portugueses, para outra, intervalando com o hábito já antigo de dizer asneiras, isto desde a longínqua teoria do “país oásis” até à que lhe ouvi ontem, afirmando que em Portugal a Polónia está na moda (???). Devemos viver em portugais diferentes!
O que me traz intrigado, dando algum crédito aos que acreditam em reincarnações, é não conseguir perceber se Cavaco, com esta mania da “atenção”, intercalada com os “alertas”, teria sido numa vida anterior, um mocho ou uma sirene...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

"Uma aventura dentro do comunismo real" - ou de como por vezes as mais fantásticas crónicas sobre a Festa do Avante, podem vir de onde menos se espera




Este post não se destina a “vender” a Festa do Avante! seja a quem for. Por um lado, porque não pretendo converter ninguém, por outro, porque em relação a uma boa parte dos meus leitores, estaria a “pregar” a fieis mais fieis que eu...
Hoje gostaria antes de chamar a atenção para estes dois belos livros, cujo lançamento terá lugar na Festa, no Centro do livro e do Disco, Sábado.
Um, é o célebre “Quando os lobos uivam” do grande e irrepetível Aquilino Ribeiro, com ilustrações de João Abel Manta e um prefácio inédito de um tal... deixa cá ver... ah!... Álvaro Cunhal (terá apresentação de Manuel Gusmão e Manuel Augusto Araújo e a coisa dar-se-á pelas 18 horas). O outro é um filho do meu “amigo de infância” Sérgio Ribeiro e embora nada no título o fizesse adivinhar, conta, na primeira pessoa e de forma verdadeiramente cativante, os seus “50 anos de economia e militância” (será apresentado por José Casanova, duas horas antes do outro, portanto, às 16 horas).
Embora, por razões que não são para aqui chamadas, eu apenas vá estar presente em pensamento, isso não é de todo impedimento, antes mais me motiva a convidar todos os que possam, a estarem presentes.

Intercalenda (adenda intercalada): Embora já esteja novamente emendada a informação dos horários dos lançamentos do livros, aqui fica em destaque:

16h - Lançamento dos "50 anos de economia e militância"
17h - Homenagem a Saramago
18h - Lançamento de"Quando os lobos uivam"

E agora, como extra para quem queira divertir-se (muito!) a propósito da Festa do Avante! mesmo antes de ela abrir as portas, aconselho-vos vivamente a darem um salto aqui (1), aqui (2) e aqui (3), para lerem três partes de uma crónica genial do “reaccionário” (como ele próprio se classifica no texto) Miguel Esteves Cardoso, sobre a sua visita à Festa de 2007. Não pensem que estou a brincar, a crónica é mesmo genial. A ideia do António Vilarigues, do blog “O Castendo”, de publicar esta crónica do MEC, não foi menos genial. Fica a faltar (pelo menos) uma quarta parte da crónica, mas esse será um bom pretexto para voltarem ao blog, que vale bem a visita regular...
Para os mais preguiçosos que não forem ainda ler a crónica na íntegra, deixo aqui uns “recortes” feitos por mim, quase “ao calhas”. 
O António Vilarigues diz que gostaria de ter escrito isto. Também eu...
Divirtam-se!

"O que se segue não é tanto uma crónica sobre essa festa como a reportagem de um preconceito acerca dela - um preconceito gigantesco que envolve a grande maioria dos portugueses. Ou pelo menos a mim.
Porque é que a Festa do Avante! faz medo?
É muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum. Pode não ser de bom-tom dizê-lo, mas o choque inicial é sempre o mesmo: chiça!, Afinal os comunistas são mais que as mães. E bem dispostos. Porquê tão bem dispostos? O que é que eles sabem que eu ainda não sei?"

"Sabe bem passear no meio de tanta rebeldia. Sabe bem ficar confuso. Todos os portugueses haviam de ir de cinco em cinco anos a uma Festa do Avante!, só para enxotar estereótipos e baralhar ideias."

"Quando se chega à Festa o que mais impressiona é a falta de paranóia. Ninguém está ansioso, a começar pelos seguranças que nos deixam passar só com um sorriso, sem nos vasculhar as malas ou apalpar as ancas. Em matéria de livre de trânsito, é como voltar aos anos 60.
Só essa ausência de suspeita vale o preço do bilhete."

"Quer se queira quer não (eu não queria), sente-se na Festa do Avante! que está ali uma reserva ecológica de Portugal. Se por acaso falharem os modelos vigentes, poderemos ir buscar as sementes e os enxertos para começar tudo o que é Portugal outra vez."

"É maravilhoso ver o resultado de tanto civismo individual e de tanta competência administrativa. Raios os partam.
Se a Festa do Avante! dá uma pequena ideia de como seria Portugal se mandassem os comunistas, confessemos que não seria nada mau."

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Culpados, até (eventualmente) prova em contrário



Agora que já estão a fazer o cidadão engolir mais vigilância, mais “informação” e que foi promulgado o super policia, que independentemente de poder ser uma boa pessoa, acumula poderes sem precedentes na nossa História da democracia e que, embora sendo equiparado a Secretario de Estado, despacha e depende directamente do Primeiro Ministro (que o escolheu), passando por cima dos Ministros dos sectores que controla (o que eu nunca tinha visto), dando ao Primeiro Ministro em exercício, um poder e conhecimento das investigações e processos judiciais que nos últimos setenta anos da nossa História só tem paralelo com o poder de Salazar. Não, não vale a pena começarem a ralhar comigo... não estou a comparar Sócrates a Salazar, estou apenas a constatar um facto.
Também não vale a pena virem dizer-me que por agora não há perigo, com este PM, mas que é preocupante o princípio da “coisa” para o futuro e tal e coisa... pois eu deixei de ter confiança neste PM, mesmo!
De qualquer maneira, o que eu queria dizer é que agora que, como já disse, levaram a sua avante, podiam talvez começar a baixar um pouco o volume da barulheira que têm feito com a campanha de propaganda da insegurança. Podem parar. A malta já está bué insegura! Tá?
A propósito, alguém me sabe dizer se depois do assaltante e filho menor de assaltante, abatidos a tiro, o primeiro para dar espectáculo, o outro por incúria, acções que tinham por fim mostrar os músculos da autoridade e aterrorizar os maus, os assaltos realmente diminuíram?
E sobre as recorrentes rusgas policiais aos “bairros problemáticos”, com verdadeiros cercos, onde ao arrepio do que diz o estado de direito, todos os milhares de habitantes são culpados até conseguirem provar que são inocentes (se sobreviverem), rusgas essas que têm sido verdadeiros fiascos, com apreensão de 4 ou 5 armas de fogo, 6 ou 7 armas brancas, umas poucas doses de droga e muitas multas por irregularidades... nos carros (?), sobre essas rusgas, como dizia, alguém me sabe dizer porque é que eu estou convencido de que se fossem fazer uma ou duas, assim ao acaso, ao fino bairro das finas vivendas do Restelo, onde todos (evidentemente) são inocentes até prova em contrario, eram bem capazes de encontrar o mesmo, ou maior, número de armas, imensas irregularidades nos carros e nas belas motas e principalmente, as mesmas quantidades de droga?
Mas lá estou eu!... Esses moços dos bairros como o do Restelo, não se metem nessas coisas. O vandalismo e seus derivados, são simples “brincadeiras que acabam mal” e os crimes, assaltos e as drogas... são “maus passos”!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Danças com "lobitos"


Não vale a pena clicar na imagem para ver o vídeo, pois isto é apenas uma fotografia que eu saquei do frontispício do dito.

Cada vez há mais jovens, a cada dia que passa ostentando um ar mais feliz, por poderem participar como figurantes nos eventos de propaganda do nosso querido presidente do conselho.
Há uns tempos, eram miúdos seleccionados em castings, daqueles que sonham fazer anúncios e novelas da TVI, que esvoaçavam à volta de Sócrates, fingindo que eram estudantes da escola não sei de onde. Aqui, são estes jovens, com um ar verdadeiramente eufórico por estarem na companhia do senhor presidente do conselho, enquanto ele “inaugura” mais uns anúncios de escolas reconstruídas, revistas e aumentadas, o que sendo uma boa ideia, deixa mesmo assim os meus amigos do costume (os tais que estão sempre contra tudo) desconfiados.
Bem... na verdade, estes jovens são apenas painéis de fotografias com modelos... mas gaita! Estão ou não estão com um ar extremamente feliz por fazerem companhia ao homem?!

Parabéns Blue!







A "Blue Velvet" fez um aninho. Em vez de receber prendas de alguns amigos, como é o costume, resolveu dar...
Aqui repito os parabéns, os votos de muitos mais anos de vida para o blog e para a "dona" e mostro orgulhosamente o presente que recebi.
Abreijos festivos.

"Deus-Pátria-Família"... e consequências!...



Leio e vejo na televisão, que alguns agricultores do Nordeste acham normal cobrir de ferros e camuflar tanques de rega e poços, para que os helicópteros em missão de combate a incêndios não possam aí encher os seus baldes.
Ouço um deles dizer que se houver uma “emergência”, então destapa os tanques. Isto deve querer dizer que por vezes os helis andam a tirar água destes tanques, para ir regar hortas e jardins de amigos... (pergunto-me a partir de quantos metros da sua própria casa é que um incêndio já não é uma emergência para este homem).
Ao que parece, haverá uns prejuízos causados pelos cabos, trepidação, ou mesmo pelo vento provocado pelos helicópteros, que não tendo até agora sido devidamente reconhecidos ou pagos, justificariam esta atitude de negar a água aos bombeiros, a meio de uma viagem aérea que se quereria rápida e eficaz, para atacar um incêndio que pode estar a destruir uma floresta ou a metros de uma casa de habitação, mas claro, habitação de outro agricultor. Parece até que alguns mais ciosos da sua água já terão “dialogado” com os helicópteros, recorrendo a pedras e um ou outro tiro de espingarda caçadeira.
Não tenho dados para classificar definitivamente (e como me apeteceria) este fenómeno, mas se somar isto aos comentários, opiniões e reacções a essas opiniões, que fui lendo ao longo do dia, que vão do “Ninguém tem nada que dar água para apagar os fogos dos outros!”, até ao oposto “Quando os incêndios forem nas casas deles, deixem-nos arder a todos!”, aí sim, já posso “desabafar” a minha convicção de que uma história destas é o retrato mais ou menos fiel e muito triste do que 48 anos de “Deus, Pátria e Família”, somados aos últimos 32 anos de capitalismo subserviente e medíocre, servido na bandeja desta democracia incompetente e tantas vezes hipócrita, podem fazer a uma boa parte do povo de um país.
Tanto, tanto ainda por fazer!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Sócrates florestal e ambiental



A floresta é um património importante.
A floresta, quando é abundante e bem cuidada é um património de valor económico e ambiental inestimável em qualquer país. Sim, não é só no Brasil... embora seja mais “chic” defender ruidosamente a Floresta Amazónica.
A floresta, quando bem limpa, está menos sujeita a incêndios, nomeadamente os que são acidentais.
A floresta, quando está nas mãos do Estado e com o seu estatuto público bem claro, presta-se menos a cobiças, dúvidas e confusões sobre a sua possível futura utilização para fins não florestais, estando assim muito menos sujeita a incêndios, nomeadamente os de motivação especulativa e criminosa.
Um patego como eu, que não entende nada de florestas, pensaria que o Governo de Portugal, tendo sob a sua responsabilidade apenas cerca de 2% da nossa floresta, tudo fizesse, na defesa do interesse económico e ambiental do país, para sempre que possível, ir juntando a estes míseros 2%, os milhares de hectares de floresta em estado de abandono, que se vêem de Norte a Sul e de que em alguns casos já nem será possível estabelecer a propriedade, por meio de tomada de posse (seja lá como isso se chame), expropriação de proprietários conhecidos mas absentistas, compra por preço justo aos proprietários que assim o preferissem e finalmente, apoio efectivo (em fundos, tecnologia e terrenos) à criação de associações de pequenos proprietários e usuários, que mesmo querendo cuidar devidamente das suas pequenas propriedades, não têm dimensão nem capacidade técnica para que isso seja rentável.

Depois deste arranque, que mais parece a minha candidatura ao cargo de “Ministro dos Pinhais, Soutos e Afins, dos Choupais até à Lapa”, reparo que não senhor, o nosso inefável governo está antes a pensar entregar a gestão da sua parte da floresta... a privados.
Pode ser que o Governo de Sócrates esteja apenas a, honestamente, reconhecer que não tem competência para gerir as nossas florestas.
Pode ser que o Governo de Sócrates esteja apenas a mostrar que não tem “paciência” para cuidar de pinheiros, carvalhos, cedros, eucaliptos, castanheiros, choupos, silvas, fetos, tojos, giestas, madeira (muita madeira), oxigénio “fresquinho” aos milhões de toneladas, fauna, muita fauna selvagem, nascentes de água pura... enfim, essas maçadas e “porcarias”.
Pode ser que o Governo de Sócrates esteja apenas a preparar-se para “fazer o jeito” a alguns grandes “amigos do papel”, nas várias acepções dos termos “amigos” e “do papel”, já que não estou a ver os tais privados a pegarem no negócio para perderem dinheiro.
Pode ser que o Governo de Sócrates esteja apenas a ser... um Governo de Sócrates... mas mesmo assim, pergunto:
Por que raio hei-de eu (ou seja quem for), confiar num Governo que não tem competência ou “paciência” para cuidar sequer de um simples pinhal?